Monday, December 04, 2006

FATO





.
.
.
.
.
.
.
.
.
.

GRUPO FATO - Curitiba - Guairinha - Julho
show - Música Prageada
foto de Bárbara Lia (amadora até à medula)




FATO
(por Bárbara Lia)



Na infância meu pai falava de uma dança chamada catira, eu percebia que ele tinha vontade de saber aquela dança, conhecida também como cateretê. Mas todo filósofo tem alguma dificuldade com estas minúcias do corpo, uma certa carência nos gestos. São tão concentrados no cérebro e alma, que acabam sendo malabaristas do impossível, curvados sobre livros, ou tendo torcicolo ao perscrutar estrelas. Eu havia ouvido falar daquela dança típica dançada pelos vaqueiros. Meu pai havia sido peão quando era jovem, um peão de boiadeiro, um desses vaqueiros que nas noites acendem uma fogueira, e dançam catira à lua. Os catireiros, como são conhecidos, têm uma vestimenta típica: camisa xadrez de manga comprida e calças jeans. Usam botas, chapéu de aba larga e lenço no pescoço, lembrando os boiadeiros. Eles bailam ao som da moda de viola, que trata de questões do dia-a-dia, como o trabalho e o amor. Os dançarinos em duas fileiras, a sapatear e bater palmas, sempre ao ritmo das violas. Para mim catira era um movimento que tinha terra & luz, sapateado e homens da roça.
Um dia colei o olhar na Televisão, um grupo que tinha uma dança, assim, de bater os pés, ao som de uma música que continha poesia, não me lembro quando, só me lembro que gravei o nome do grupo: FATO. Depois eu soube que era Fandango, que não era catira aquela dança bela. Fandango é uma dança típica do litoral do Paraná, reunião de várias danças que encerram a autêntica poesia cabocla nos cantos que as acompanham. É um translado da Península Ibérica. A melodia e os versos entoados no fandango contém a imaginação e a sensibilidade do nosso caboclo. Sua coreografia exige técnica e agilidade de bailarino, calçados especiais desses que se usam para o sapateado. As mulheres valsam arrastando os pés, atentas às evoluções, enquanto os homens sapateiam num ritmo certo. Os cavalheiros ou folgadores batem o sapateado com tamancos de madeira de lei, que eles mesmos confeccionam. O acompanhamento é feito com duas violas de onze cordas, pandeiros e uma rabeca.
Lentamente fui conhecendo a trajetória do grupo Fato.
Neste ano, no dia do aniversário de Curitiba, liguei a TV e eram os integrantes deste grupo que se apresentavam em um palco na Praça Santos Andrade, junto com a Orquestra Sinfônica do Paraná. A voz de Alexandre Nero me seduziu. Uma voz-poesia esculpida na noite que ia caindo cobalto. Fui fatalmente e definitivamente seduzida por este grupo musical. Em uma das músicas do Fato, a letra de três versos de Sandro Fernandes, com música de Ulisses Galetto e Grace Torres, ao ritmo do Fandango, vira uma festa de acordes:


A noite foi
A noite é
Anoitecerá


Toda a coreografia, o ritmo, a poesia das letras, a voz única do vocalista, entrecortada da intervenção dos outros integrantes e o show do Fato se transforma em um acontecimento que contagia. Utilizando raízes paranaenses e músicas que são poemas, e com uma afinidade entre eles, este grupo que iniciou em 1.994, e em 1.995 lançou o primeiro CD - Fato. Seguidos de Fogo mordido (1.997) e Oquelatá queteje (2.000). Preparam-se para lançar, no início do próximo ano, mais um CD. Entre muitas apresentações do Fato, inclui o projeto “Balaio Brasil” - SESC, que reuniu artistas de todo o país na capital paulista. Neste ano o Grupo Fato representou o Brasil em Paris no "Ano do Brasil na França" com sua peculiaridade musical. Seduzidos pelo Fandango, em 1.996 foram às raízes, até A Ilha dos Valadares, antigo entreposto e cativeiro de escravos que ainda mantém a prática de rituais rurais como a feitura da farinha de mandioca, e é a sede do folclórico fandango. Ulisses Galetto compôs uma das músicas do Fato, com o título Valadares...
.
No tempo em que seria feito
O que tivesse sido dito
Pelas vozes búlgaras
Trazidas pelo ar


E o som do oco
(chão batido na madeira)
fosse aqui de Valadares
com tamanco e agogô


De grão em grão
Toda rabeca de Gramani
Enchesse a vida
De carinho e algo mais


Caruaru trouxesse pífanos de luz
Pra roda viva
E aí, quem sabe,
Houvesse um mar, um sol e um blues


De toda a coisa do mundo
Do fim do fosso, do fundo
Francisco, o Santo ou o Mendes
O Rio ou outro qualquer
Um olho, um brilho, uma trilha
De um novo homem sem rumo
A candelária em Janeiro
E a gente cega de fé


Se após o começo
Houver um meio sem fim.
Que seja um ponto no escuro,
Um carma, um ato, um amor
Uma criança, um futuro
Um homem agora com rumo
O que faria nosso sonho
Trocar o não pelo sim?
.


Trocar o não pelo sim, rasgar a fonte branca das possibilidades, ancorar em uma Ilha antiga e aprender com seu povo a antiga dança, andar sempre com a música e sua partitura colada à pele. Não sei se algum dia a música vai me deixar um pouco quieta. Tudo que escrevo, cada romance, cada conto, e cada FATO tem uma música de fundo como um balé na alma. Se toda a poesia e a beleza da voz do Nero, e das partituras e dança e coreografia do FATO e de tantos grupos musicais que tem essas peculiaridades de traduzir a beleza da música, neste enlace perfeito de melodia, letra, voz e dança. Se todos esses exemplares raros que a gente vê pousassem na telinha e fossem difundidos como os outros ritmos pops, tão fracos em filosofia em suas letras, tão iguais em seus acordes. Se estes grandes Grupos tivessem o espaço que dão ao pop pobre nosso de cada dia, a poesia ia fecundar, eu sei, e sei que isto é sonho meu de poeta. Mas, eu não entendo o meu País, tanto ouro escondido nas grutas, que a gente felizmente vai cavando, vai bebendo, e vai desfrutando, sempre com uma emoção guardada. Querendo que todos conheçam, sem ser egoísta, querendo que todo mundo um dia sinta como pulsa o sangue no ritmo do fandango e como é delicioso ouvir uma música cuja letra é o poema lavrado em cordas. A rabeca, pandeiro, tamanco e a lua, que certamente veste seu vestido azul alvíssimo e também dança.

FATO:
Alexandre Nero – voz
Gilson Fukushima – guitarras
Grace Torres – teclados
Priscila Graciano – Percussão
Ulisses Galetto – Baixo
Zé Loureiro Neto – Bateria
www.fato.org

2.006 - Um ano longo/louco. Dezembro no ritmo do encerramento de aulas e início de férias. Decidi publicar a escalada intensa de 2.006, textos e poesias, e vou retroceder a dezembro de 2.005, quando o site Vejo São José publicou este texto sobre o Grupo Fato, sem que eu soubesse naquela época que iria novamente entrar em transe poético no show - Música Prageada - quando Alexandre Nero cantou "Águas de Março". O novo CD é belíssimo... E segue a trajetória deste grupo genial...

Thursday, November 30, 2006

UMA POESIA:




se eu pudesse ter o presente impossível
pediria - os olhos mel de minha mãe -
eles me viam inteira
- um catavento topázio eclipsando o cinza.

sem o mel
que me cobria...um dia sou cinza,
em outros, catavento.
e entre eclipses sazonais:
topázio.
BÁRBARA LIA

EU NO QUINTAL DA MINHA AVÓ


Descendo a escada para o quintal
havia azul no céu, estava perto o luar.
A brisa fraca e triste soprando
um ar de amizade, alegria e amor.
Mas, de repente, diante dos meus olhos
eu vi uma coisa estranha,
um cachorro correndo atrás de um vagalume.
Minha avó apareceu
e disse que meu avô morreu.
Diante da escuridão
ouvi um alto mugido
fui ver o que era,
era uma vaca morrendo envenenada,
e então minha avó disse
que era a vida.
VINICIUS G. HENNING

- meninos e meninas de doze e treze anos na sala, e o cansaço do ano, e a idéia de realizar ali a mini-oficina de poesia, proponho o tema, pensando na minha infância e nos quintais, e pergunto se a avó deles não vive em um lugar onde existe um quintal, é o que me ocorre, tentando colocá-los em uma cena. Terminada a aula, me encanto com um cachorro atrás do vagalume, isto me faz olhar para vinícius (nome de poeta) e descobrir um poetinha, que já sabe da vida...

Sunday, November 26, 2006

PRIMAVERA DESFOLHADA




p/Clifton Giovanini


De uma ponte de suicidas
surgiu o nome do poeta
que na Ilha do Mel
filosofou com astros
e na minha sala
derramava o século XIX
- cartola e fraque
e sorriso maroto -
Sempre trazia chocolate
e uma dama à tiracolo
histórias de noites
vagando entre túmulos
(hobby à la Jorge Mautner)
e planos de rasgar o sul
nos trilhos.

Longe, escreve fumando narguilé
batucando a velha Olivetti
diante da catedral gótica.
Meu amigo medieval,
ponte de ternura rara
exilado em um lugar
onde a neve cai ao sol.
Onde ele não esquece
nosso carinho repartido.
Agora, vai descrever
as pedras da catedral
com ternura embriagada
breve, vai ultrapassar
a soleira em luz
garrafa de vinho
em uma das mãos
uma chama de vidro
no coração
e no rastro
uma primavera desfolhada.

BÁRBARA LIA

Friday, November 24, 2006

ALEJANDRA PIZARNIK


.

.
.
.
.
.
.


Tú eliges el lugar de la herida
en donde hablamos nuestro silencio.
Tú haces de mi vida
esta ceremonia demasiado pura.

ALEJANDRA PIZARNIK

AMÓZ OZ


.
.
.
.


.
.


Como explicar uma borboleta
à uma tartaruga.

Amóz Oz

RIMBAUD


.
.
.
.
.
.
.
.


Por delicadeza
perdi minha vida.

Rimbaud

ALFONSINA STORNI















No despiertes los pájaros que duermen.

(Alfonsina Storni)

Thursday, November 23, 2006

TECENDO ESTRELAS DE VAN GOGH





TECENDO ESTRELAS DE VAN GOGH


Estrelas escorriam da tela na solidão do museu
Aparei gotas de céu em minhas mãos
Enovelei-as e possui por um tempo
Estrelas abrasadas de loucura
E o azul mais azul que pode o azul ser


Museu de Nova Iorque em delírio
Corre-corre. Alarmes. Vigias
Não revistaram minhas mãos
Um céu enovelado que me aquece
E apaga – primaveras sem teus beijos 
Invernos de angústias


Teci um manto de estrelas emaranhadas
Um manto enfeitiçado
Das estrelas da noite do artista
Tenho mãos de fada e tenho tanto amor
Quanto essas estrelas deslumbradas


Quando chegar aquele que amo
Com seus olhos - que são para mim - música
E para outros - mel
Quando ultrapassar a escura porta
E se quedar no branco leito...
Eu o cobrirei com o céu

BÁRBARA LIA




Saturday, November 18, 2006

Nilza Menezes / Marize Castro / Clauky Boom


















arbol de la vida - violeta parra



Suas digitais
estão no meu coração,
não consigo provar
que é você o culpado.
Nilza Menezes
(Fruta azeda com sal - Ed. Blocos)


A sua cegueira me fez chorar.
No meio da madrugada sopro da memória o seu rosto.
Morro em rasante gozo.
Marize Castro
(Esperado ouro - Una)




Em parte (ou, Epitáfio)

Partitura sem fim
Parte tua sem mim
Memória póstuma
posta de lado
posto que é chama
e finita...

De concreto
nessa vida
só a lápide
na despedida
Clauky Boom

Thursday, November 16, 2006

do amor


















by Rebecca Loise




"Nunca poderei atirar o amor pela janela" (Rimbaud)

"Amar é dar a cara nas formigas" (Manoel de Barros)

"A dor do meu amor nem a lágrima alivia" (Maiakóvski)

"O amor quando se revela não se sabe revelar"(Fernando Pessoa)

"O amor - única navalha que me corta"(Bárbara Lia)

********************************************


Briza com z



..
.
.
.
.
.
.
.
.

foto - Rebecca Loise


BRIZA

A gente vai passando de ano em ano
Como quem pula os muros d'água
Quem disse que a gente se molha
A gente aprendeu a ser assim
- Plastificada –
E só abre a porta para as brisas Belas e as pessoas amadas
Chuva cruel, tempestades de mágoa
A gente desvia, se cobre
E pula sempre os muros d'água
Como quem não quer
Se contaminar com a lágrima
A lágrima a gente pinta,
Pierrot em disfarc
Como escrevo a Beleza
Sendo assim tão triste?
- É que aprendi a pular os muros d'água

BÁRBARA LIA


- Briza com z, nasceu do diálogo com uma menina pernambucana chamada Briza -

Friday, November 10, 2006

CL
















Invertendo as letras – CL ou LC – Clarice Lispector ou Lucio Cardoso. O coração selvagem de Clarice, também de Lúcio, ambos escolheram o título do livro dela – Perto do coração selvagem – Ele um coração selvagem leonino que não respondia cartas e manteve suspenso o amor inconcluso. Ela enigmática e triste de uma beleza rara e vida isolada escrevendo o que deixa ainda em transe o coração e a alma... As correspondências de Clarice Lispector, que li algum tempo atrás, o amor entre as dobras das pautas, como uma partitura de uma sinfonia impossível.


Do coração selvagem de Clarice - para o coração selvagem de Lucio Cardoso:


"Me entristeceu um pouco você não gostar do título "O Lustre". Exatamente pelo que você não gostou, pela pobreza dele, é que eu gosto. Nunca consegui mesmo convencer você de que eu sou pobre... Infelizmente, quanto mais pobre, com mais enfeites me enfeito. No dia em que eu conseguir uma forma tão pobre como eu o sou por dentro, em vez de carta, você receberá uma caixinha cheia de pó de Clarice."

“Lúcio, me escreva e conte coisas. Ou então não escreva, que posso eu fazer? Um dia desses fui ver a lava do Vesúvio. Tenho um pedaço feio de lava para você. Depois de um ano ainda estava quente; é uma extensão enorme, negra, de vinte a trinta metros de altura; a gente anda sobre casas, igrejas, farmácias soterradas. A erupção foi em março de 1944 e quando chove sai fumaça ainda.”

“quanto ao teu fantasma, procuro-o intimamente pela cidade”

“Belém, 6 de fevereiro de 1944...
...Tenho lido o que me cai nas mãos. Caiu-me plenamente nas mãos “Madame Bovary”, que reli. Aproveitei a cena da morte para chorar todas as dores que tive e as que não tive. – Eu nunca tive propriamente o que se chama “ambiente”, mas sempre tive alguns amigos. Aqui só tem “mutuca”, (isso é besouro, mas por que não chamar tudo mutuca logo de uma vez?).”

Thursday, November 09, 2006

DESDÊMONA

























Olhou-me como nuvem,
a sugar os vapores
da minha alma.
Por que ele é meu deus,
guardei-o em um lago
onde Iago
jamais chegará.


BÁRBARA LIA

imagem: Terra Laurant


- no endereço abaixo, falo um pouco sobre o fazer poético:

ENTREVISTA PARA 'CURITIBA DIA E NOITE"
- DA JORNALISTA FLÁVIA PRAZERES
.

Monday, November 06, 2006

Tristessa






TRISTESSA

P/Jack Kerouac


ame quem te ama e conheça o inferno
fogo a fogo no porão do medo
fogo a fogo no cabelo da Medusa
atiçando cobras
atiçando demos.
ame quem te ama e conheça a dor
amputar pernas braços sexo e coração.
ame quem te ama
nesta luta cega
boitatás no milharal
não sobra espiga sobre espiga
e o espantalho, mudo, tira o chapéu
e dança triste no chão de palhas.
ame quem te ama e conheça o inferno
dois sustos travestidos de sons
querendo narrar o que o humano não narra
escrevendo em aramaico o avesso do vivido...
ame quem te ama
e se arrependa de viver rezando pelo amor.
ame quem te ama
e descubra
a agulha fina e gelada do olhar
o rio de deus que rola tua nuca quando ele te toca
o que é não sentir o corpo do outro
cópula de luz.
o que é ter a língua presa o corpo preso o gesto preso
e a alma livre pluma de algodão te levando onde não quer
onde não deve estar, nem teus pés, nem tuas mãos...
BÁRBARA LIA


.................................................................................................

Trechos de Tristessa:

"La vida es dolor" (a vida é dor), ela concorda, diz que a vida é amor.

*
... Ela sorriu e desceu com passinhos miúdos e a mão na saia, com aquela lentidão linda e majestosa de mulher, como uma ninféia chinesa.
"Não somos nada."
"Podemos morrer amanhã"
"Não somos nada."
"Você e eu."
Eu acompanho-a educadamente com a lanterna até a rua, onde chamo um táxi branco para levá-la para casa.
Desde tempos imemoriais e adentrando o futuro sem fim, os homens amaram mulheres sem dizer a elas, e o senhor os amou sem dizer, e o vazio não é o vazio porque não há nada para ser esvaziado.
Estás aí, Senhor estrela? - Suave é o chuviscar que perturbou minha calma."

*

Tristessa está me segurando e aos poucos aproxima seu lindo rosto moreno do meu, com um sorriso precioso, e finjo quase deliberadamente ser o americano confuso - Olhe, eu ainda vou salvá-la -

*
E faz menos de um ano que ela estava em pé em meu quarto e disse "Um amigo é melhor do que pesos, um amigo que dá isso para você na cama" quando, de qualquer forma, ela ainda acreditava que conseguiríamos juntar nossos ventres torturados e nos livrar de um pouco de dor _ Agora tarde demais tarde demais.


TRISTESSA
(JACK KEROUAC - L & PM Pocket)

Sunday, November 05, 2006

LIXO QUE NÃO É LIXO

LIXO QUE NÃO É LIXO


Um dia desses, andando com um papel de bala por quarteirões, lembrei do Rui Werneck, que criou a campanha "Lixo que não é lixo - se - pa - re". Curitiba tem este diferencial, este pudor que a gente tem de jogar papel no chão. Agora está lá no blog do Rui Werneck que a campanha dele e outra dele, do Clube do Zequinha concorrem ao prêmio de melhor propaganda dos últimos trinta anos no Paraná. Como eu nunca troquei figurinha, voto no lixo que não é lixo...
.
blog do Rui, que além de publicitário é um grande escritor e poeta:
.

copiado do blog do Rui Werneck de Capistrano:
"Aí, amigo! Ajude um publicitário: eu! Entre no site:
e vote numa das duas minhas campanhas publicitárias: Clube do Zequinha ou LIXO QUE NÃO É LIXO.Elas concorrem à melhor dos últimos 30 anos no Paraná. Sem dúvida, fizeram o maior sucesso. A do Zequinha movimentou o Paraná inteiro colecionando figurinhas do Zequinha. A do Lixo que não é lixo deu a Curitiba prêmios internacionais e foi reeditada agora, 16 anos depois, com sucesso. Curitiba inteira lembra da vinheta musical "Lixo que não é lixo/não vai pro lixo: SE-PA-RE!" E quem não lembra da figurinha difícil, a número dez do Zequinha? "


Saturday, November 04, 2006

vejo são josé

O jornal virtual independente - Vejo São José - de São José dos Campos - SP ( www.vejosaojose.com.br )editado pelo jornalista Ricardo Faria cedeu uma coluna para a Bárbara Lia, há algum tempo. Nesta semana, as palavras de Frei Betto no evento promovido pela Pastoral da Terra e Deptº de Filosofia da PUC, no dia 31.10. O tema - Uma outra democracia é possível.
http://www.vejosaojose.com.br/barbaralia.htm

Friday, November 03, 2006

as sereias






.
.
.
.

Herbert James Draper

AS SEREIAS


Conforme o seu desejo, Ulysses fora atado
Ao mastro da galera enfeitado de rosas.
A marinhagem surda às águas marulhosas,
Procurava sondar o abismo ilimitado.

Nisto, Ulysses ouviu um canto amargurado
De sublime emoção, nas ondas luminosas,
Como jamais ouvira... E essas vozes maviosas
Fizeram-nos cismar, triste e maravilhado.

A galera vogava... As sereias surgiam,
Dos abismos do mar, soltando as louras tranças
Que nos ombros de neve as águas espargiam...

O canto dominava o oceano amplo e risonho,
E Ulysses e Eucharias as lembranças
Perderam, ao se perder no pélago do Sonho.

Guarapuava, 20.01.1.913
OTÁVIO CAMARGO

CRISTAIS SONOROS - 1.972 - Eleonora de Ângelis.



Eleonora, tia-avó da Bárbara Lia, inseriu em seu livro Cristais Sonoros, algumas poesias de seu irmão Otávio, que jamais lançou um livro. Ambos são irmãos da minha avó Antonieta, que "atormentou" minha infância recitando O Corvo, de Alan Poe, com requintes teatrais. Vasculhando na Biblioteca Pública, os ancestrais, entre eles Maria Cândida de Jesus Camargo (1.868-1.949). Alguma poesia de Maria Cândida no site:
.
.
Vovó recita "O corvo".
Sala na penumbra. Tic.
Tac. Arrepios.
Bárbara Lia

Tuesday, October 31, 2006

O sal das rosas





"O sal das rosas" - Lumme Editor. Quatro poesias no endereço abaixo Cronópios Literatura e Arte no Plural.






http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=1883

(Decidi manter (como um itinerário dos meus passos na Poesia) as notícias das publicações em revistas literárias, sites e blogs que deixaram de existir, mas o link não vai direcionar aos poemas do livro  O sal das rosas)

JORNADA DA ALMA













JORNADA DA ALMA
Ian Glen (Dr. Carl Gustav Jung)
Emilia Fox (Sabina Spielrein)


.
.
.
.
.
.
.



.
.
- Sabina Spielrein


JORNADA DA ALMA - O filme narra a vida de Sabina Spielrein, uma jovem histérica que Carl Jung conheceu e com quem utilizou pela primeira vez os ensinamentos recebidos de Freud. Carl Jung tornou-se amante de Sabina, curou-a, não há como ter certeza se foi pela ciência ou foi pelo amor. Por Jung ser um homem casado, a relação não prospera. Depois, ela própria torna-se psicóloga. Em uma cena Jung entrega à garota uma pedra, ele diz que a pedra significa sua alma, ele a faz guardiã de sua alma. A história real de Sabina aponta para uma mulher, mesmo na fase aguda da doença, com uma sabedoria nata, com uma inteligência e força que seduziu o médico e contribuiu para um amor de ternura rasgada. Tornou-se uma das primeiras mulheres na Sociedade Psicanalítica de Viena e trabalhou como psicanalista e analista de crianças. Seu trabalho científico estava publicado, mas esquecido. Em 1977, uma caixa foi achada no subsolo do Palais Wilson em Genebra, contendo partes de um diário, cartas e outros escritos que Sabina Spielrein deixou para trás, quando ela retornou à Rússia , em 1923. Estes registros lançaram uma luz diferente na história da psicanálise. Na sua correspondência com Freud e com Jung, sua influência sobre as duas figuras principais do movimento psicanalítico de então se torna evidente. De volta à Rússia, Sabina criou a Creche Branca, primeira do país a utilizar psicanálise.
.

No início do filme algumas palavras do diário, eu transformei em poesia, pois é pura poesia.

Para minha mãe
deixo as notas de
tumbalalaika
minha canção favorita
não deixo nada para meu pai.
O que pode crescer
sem a chuva?
o que pode arder por anos a fio?
pedras crescem sem chuva
mas somente o amor pode
arder por anos a fio
- diário de Sabina Spielrein-

Thursday, October 26, 2006

DEUS GUARDE O LOBO ATRÁS DO QUAL NENHUM CÃO CORRE LATINDO .


Sylvia Plath 




Lá você o achou - o mistério do ódio.
Após bilhões de anos na matéria anônima.
Lá você foi achada e logo odiada.
Você tentou tanto alcançar essas pessoas, tocá-las, dar-se a elas -
Tal como suas primeiras palavras na infância,
Quando você corria para cada visita que entrava
E abraçava-lhe as pernas, dizendo: "Meu amor! Meu amor!"
Tal como você dançava para seu pai
Na casa da raiva - dando sua vida
Para adoçar-lhe a morte lenta e misturar-se a ela
Quando ele jazia no sofá, sobre as almofadas,
Açucarando-lhe o amargor da morte fera.
Você buscou a si para seguir se dando
Como se após o ocaso da morte dele
Você continuasse a dançar na casa escura,
Aos oito anos, coberta de ouropéis.
Buscando-se a si própria no escuro, a dançar,
Desajeitada, chorando baixinho,
Como quem procura um afogado
Em água escura,
E tenta ouvir-lhe a voz - com pavor de perder
Alguns segundos de busca no esforço de escutar -
Depois dançando com mais fúria no silêncio.
Os acadêmicos levantaram as cabeças. Pelo visto
Você estava perturbando uma perfeição
Recém-obtida, que eles seguravam com cuidado,
Inteira, até a cola secar. E como quem
Denuncia um crime à polícia,
Informaram-lhe que você não era John Donne;
Isso não lhe importa mais. E os nomes, você ainda lembra deles?
Fizeram questão de lhe deixar claro, a cada dia,
Que desprezavam toda tentativa sua,
E injetavam a bílis deles no seu café matinal,
Como se fosse remédio. Até assinavam
Suas cartas homeopáticas,
Envelopes com vidro cuidadosamente moído
Para pôr atrás de seus olhos e fazê-la ver
Que ninguém queria o seu brilho estranho - sua vida
Desajeitada, a se afogar, e seus esforços para salvar-se.
Nadando em pé, dançando o caos escuro,
Procurando algo para dar -
Tudo o que você achava
Eles bombardeavam com farpas,
Escárnio, lodo - O mistério desse ódio.


TED HUGHES
Cartas de Aniversário
Ed Record
Tradução - Paulo Henriques Brito



27/10/1.932 - nasceu Sylvia Plath

.
p/Sylvia, no seu aniversário.

La nave va...

Meus livros

  https://www.editoracloe.com/product-page/50-poemas-escolhidos-pela-autora https://editorakazua.net/ https://www.loja.prosanova.com.br/olho...