Monday, January 15, 2007

TRAPO


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Na pedra da praia mansa

Gotas de espumas dançam

Em minhas coxas

(Narf tropical)

Bebo as notas musicais marinhas

Perco o olhar entre as partituras

- Um peixe azul!

Balé sublime entre ondas verdes

Tiro os óculos da sacola

Quero ver as minúcias do peixe

Decepcionada eu descubro

É só um trapo triste

Felizes os loucos!

Felizes os loucos!

Que não colocam óculos de granito

Que não veem a realidade explícita

Tão lindo o peixe azul entre as ondas

Pena colocar os óculos e descobrir

Que era apenas um trapo azul tão triste

 

BÁRBARA LIA





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O site - Sonetos Curitibanos - publicou meu soneto "Primavera para Beethoven"

Sunday, January 14, 2007

FERNANDO PESSOA


















"Ah, todo o cais
é uma saudade
de pedra"

"O meu cansaço é
um barco velho, que
apodrece na praia deserta"

"Sou um doido que estranha sua própria alma"



Quando fui outro
Fernando Pessoa
Ed. Objetiva
Organização - Luiz Ruffato

Saturday, January 13, 2007

NOITE (LAYLA)



calçadas molhadas
- uma lâmpada grávida
estremecida de sol
pequeno -
a lembrar
que ainda é verde o trigo
florirá
amanhã
em sol granulado
farpas de doçura
sempre

BÁRBARA LIA

Thursday, January 11, 2007

DOMINGOS GUIMARAENS



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Ponte Hercílio Luz - SC


SE UM GIGANTE, SE UM OCEANO

na poça cor de água
cor de céu
cinza
cor de nuvem
e vento
as ondas das micro marés
na poça cor de água
e sol
não sol nosso sol
distante alfa do centauro
e belatrix, beteugeuse, intrometida
na poça cor de água
cor de ar
vapor subindo
a poça indo
na tarde cor de poça
na poça manhã de ontem
cor dos caminhos de hoje
reflexo de amanhã
DOMINGOS GUIMARAENS
(A gema do sol - 7 Letras)

Wednesday, January 10, 2007

POETAS DE PORTUGAL



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Ponte Romana - Sertã
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A ponte de hoje é de Portugal. A internet permite esta ponte, os meus poemas trouxeram a amizade de uma menina que escreve - Ana Mestre - http://www.dflyworld.blogspot.com/ ... e os livros de Luís Serguílha que chegam. E as palavras de João Videira Santos, sobre os poemas do livro Noir. Helena Sut, escritora que conheci há tão pouco tempo esteve em Santar, ela escreve uma história que tem no roteiro esta localidade, e voltou com notícias de Portugal. Meu amigo Fernando Aguiar, que vive em Lisboa... Amo Portugal, e os poetas todos, incluindo os poetas e escritores das ex-colônias. É claro que Mia Couto é a paixão maior...

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Somos os favos cegos dos tecelões surdindo num íman castigado pelas
novenas entre o baú descampado e as crianças enleadas de puros
fluentes por apenas serem
Oh rostos empobrecidos das criaturas que florescem num largo
inquebrantável aspirando a surpresa no trovão límpido do jardim.
Luís Serguilha
Lorosa'e - Boca de Sândalo - Campo das Letras Editores S. A., 2.001


O sorriso

Creio que foi o sorriso,
sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia entrar nele, tirar a roupa,
ficar nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.
Eugénio de Andrade

Monday, January 08, 2007

PUENTE DE LA MUJER





















Puente de La Mujer
Porto Madero
Buenos Aires
design do arquiteto espanhol
Santiago Calatrava


A Ponte (fragmento)

Lenine

A ponte não é de concreto, não é de ferro
Não é de cimento
A ponte é até onde vai o meu pensamento
A ponte não é para ir nem pra voltar
A ponte é somente pra atravessar

Friday, January 05, 2007

BRISA

BRISA

Entardecer lilás
brisa de raro fôlego


do deus das nuvens.
Pés descalços

liberdade de estar amando
na era dos mísseis.


Bárbara Lia

(O sorriso de Leonardo-
Kafka ed. 2004)


Wednesday, January 03, 2007

DIANTE DA JANELA, O ROSEIRAL

















Salvador Dali



Testamento enterrado
à sombra do roseiral:
Deixo meu violão
para a balconista da padaria.
A erva benta
para a velha do sobrado.
A chaleira
que chia Villa-Lobos
para Frei Gustavo,
que costura almas
nas manhãs de quarta.
O livro de poesia
de Augusto dos Anjos,
para o cobrador do expresso 022.


Assinado:
A menina dos olhos tristes.
Chico me chamava de Carolina,
mas era só um disfarce.
Sou eu a menina
que viu o tempo passar na janela,
sem ver.

BÁRBARA LIA
(O sal das rosas - Lumme Editor)

Tuesday, January 02, 2007

RAFAEL ALBERTI






















Paz - desenho do poeta espanhol
Rafael Alberti


Balada para los poetas andaluces de hoy

Rafael Alberti

¿Qué cantan los poetas andaluces de ahora?
¿Qué miran los poetas andaluces de ahora?
¿Qué sienten los poetas andaluces de ahora?

Cantan con voz de hombre, ¿pero donde están los hombres?
con ojos de hombre miran, ¿pero donde los hombres?
con pecho de hombre sienten, ¿pero donde los hombres?

Cantan, y cuando cantan parece que están solos.
Miran, y cuando miran parece que están solos.
Sienten, y cuando sienten parecen que están solos.

¿Es que ya Andalucia se ha quedado sin nadie?
¿Es que acaso en los montes andaluces no hay nadie?
¿Qué en los mares y campos andaluces no hay nadie?

¿No habrá ya quien responda a la voz del poeta?
¿Quién mire al corazón sin muros del poeta?
¿Tantas cosas han muerto que no hay más que el poeta?

Cantad alto. Oireis que oyen otros oidos.
Mirad alto. Veréis que miran otros ojos.
Latid alto. Sabreis que palpita otra sangre.

No es más hondo el poeta en su oscuro subsuelo.
encerrado. su canto asciende a más profundocuando,
abierto en el aire, ya es de todos los hombres.

*

página oficial de Rafael Alberti:
http://www.rafaelalberti.es/

Monday, January 01, 2007

MOURID BARGHOUTI



















MOURID BARGHOUTI NO PROGRAMA RODA-VIVA

A TV Cultura reprisou nesta primeira noite de 2.007 o programa de 15 de agosto. O escritor e poeta palestino Mourid Barghouti sendo entrevistado.
Você liga a TV e ouve a palavra - poesia - em seguida - Palestina - em seguida esquece o filme que alugou para ver, os filhos que não telefonam para dizer a que horas vão chegar em casa, escala o túnel do seu umbigo, poço de lágrimas respingadas de 2.006 - o ano da desolação... Senta-se e ouve, e retorna ao seu antigo amor - a cultura árabe. Allah é mais próximo de mim que Deus, mesmo que sejam UM, Allah traz um povo que está ainda agarrado às barbas de Deus, que por Ele esquecem casa, mulheres, filhos, como pede a Escritura. E toda a poesia da busca pelo conhecimento do mundo árabe retorna em ondas sonoras de um tempo que não é meu, de países que não visitei... Já fui criticada por falar de paises que nunca vi, e Neruda dizia que ao poeta é permitido falar de oceanos que não conhece, tenho para mim que o poeta tem dentro de si o ponto universal que estava no porão de Carlos Viterbo, sim, temos nosso Aleph pessoal, que nos mostra todas as dores/amores/glórias/derrotas... Traduzir o cenário do mundo...
Entre os que estavam no programa Roda-viva - Safa Jubran, da USP, fez duas perguntas muito inteligentes. Se não me engano de nome e pessoa, ela traduziu ao árabe - Lavoura Arcaica - e era a voz dela no video que Michel Sleiman trouxe para nossa noite árabe...
Ela perguntou a Mourid...
Como é morar no tempo e não em um lugar?
Pelo que explicou Safa, Mourid viveu em trinta casas durante trinta anos, em seu exílio antes de retornar a Ramallah, trinta anos depois. Ele escreveu - Eu vi Ramallah. Esteve na Festa Literária de Paraty, e o programa foi em agosto, ele estava aqui para participar do evento em Paraty, esteve com Ferreira Gullar em uma mesa de debates, mediada por Alberto Mussa, o poeta que traduziu - Poemas suspensos...
Mourid respondeu que viver no tempo significa que o lugar mudou e se tornou memória, mas, uma memória que não é tua, que é contada por outros, no seu retorno... Há uma geração que é uma idéia da Palestina. Pessoas que, segundo ele, nunca viu nas ruas, nas lojas, nas festas... que ele não viu crescer, é uma experiência verbal, passada de geração à geração.
Safa falou sobre o livro dele, onde mostra o cidadão comum palestino. Pois o mundo só conhece o mártir e o terrorista. Então, entra o momento verdade, de Mourid dizer que a cabeça de Rumsfeld não é o dicionário da humanidade, e que a CNN não é dona da verdade. Que para a mídia, o povo palestino é um problema, e ele frisou que diante da cultura árabe a CNN é recém-nascida, e isto é verdade... Então ele falou que há amantes palestinos, escritores, avós, pais, pessoas fiéis, pessoas infiéis, poetas, e toda espécie de gente, como em todos os países... Segundo Mourid, assassinaram o caráter palestino na mídia...
Gostei de uma colocação sobre a poesia de resistência... Em mim ferve um rio azul de esperança, e meu primeiro blog tentou ser um blog de resistência e voz política, então, eu lembrei Clarice Lispector - a função do escritor - que se parece com o que foi falado por ele com poucas palavras. A função do poeta e escritor é produzir boa literatura. Clarice sabia disto. Quando não levantam bandeiras, são criticados, mas, a atitude é de resistência, não é necessário que o trabalho espelhe isto, penso que foi isto que ele quis traduzir...
"Poesia não é uma expressão geográfica, é uma expressão universal, tem a ver com humanidade"
"Um intelectual que não se coloca contra as injustiças sociais não pode ser chamado de intelecual"
"Podemos cometer erros em nossa resistência, mas, o erro original foi a ocupação"
"A raiz ( do conflito Israel-Palestina) é uma terra que foi ocupada à força"
"Me recuso a incluir a poesia em outra batalha que não seja a poesia"
"Se os poemas pudessem libertar uma aldeia, teríamos libertado cinco continentes."
Toda a origem está na desigualdade... Mourid frisou a desigualdade entre as forças militares de Israel e os Palestinos. Não é uma guerra, configura um massacre.
Dá para pensar na desigualdade que existe aqui, e na preocupação com este estado de guerra que se configura. No país onde a desigualdade social é a maior do planeta. Onde há mais elasticidade entre a maior e a menor renda... O centro do Brasil começa a entrar em convulsão... E o poeta, onde pode chegar com sua humanidade, para que sua voz soe? Ou o poeta é descartável em tempos de globalização? Ferreira Gullar ergueu sua voz nos anos sessenta... Escrevia contra a repressão... O que escreveremos contra a opressão do mundo sob as asas da águia, submisso e conformado? Até que estourem nosso coração em uma explosão sobre quatro rodas... talvez haja tempo de fazer como as crianças palestinas, agarrar umas pedras pelo caminho, atirar contra o inimigo, que pode ser a podridão da máquina administrativa, o abuso contra os direitos humanos, a interferência internacional, ou até um patrão explorador... qualquer coisa que tire a dignidade, a humanidade, e a poesia do nosso chão...


Exceção

Todos chegam
rio e trem
som e navio
luz e cartas
telegramas de consolação
convidados para jantar
o malote diplomático
o navio do espaço
todos chegam / todos exceto meu passo em direção ao meu próprio país.

Translated by Lena Jayyusi and W.S. Merwin /

Bárbara Lia (p/português)
-


INTERPRETAÇÂO


Um poeta escreve num Café
A velha pensou que escrevia uma carta para a mãe.
A adolescente, que escrevia para a namorada.
O menino, que desenhava.
O comerciante, que planejava um negócio.
O turista, que endereçava um cartão postal.
O contador, que calculava suas dívidas.
O homem da policia secreta caminhava lentamente em sua direção.

Mourid Barghouti
Translated From Arabic by Safa Jubran
http://mouridbarghouti.net/Mouridweb/index.htm

GIZ RENDADO





















O que a onda diz
ao cão sentado
babando moluscos
e saudades?
Como rasgar a onda
sem cicatrizar em azul?
Beber a ardência seminal
de amantes afogados
como quem engole
segredos guardados
entre debruns
de ondas
em seu giz rendado.
BÁRBARA LIA

Saturday, December 30, 2006

VOLVER














Penélope Cruz - VOLVER (Almodóvar)



2.006 - uma música... um filme - duas trilhas sonoras
de um ano estranho...


Filme:
Volver (Almodóvar)

" os fantasmas não choram"


Música:

The Blower's Daughter

Damien Rice

and so it is
just like you said it would be
life goes easy on me
most of the time
and so it is
the shorter story
no
love no glory
no hero in her skies
i can't take my eyes off of you
and so it is
just like you said it should be
we'll both forget the breeze
most of the time
and so it is
the colder
water
the blower's daughter
the pupil in denial
i can't take my eyes off of you
did I say that I loathe you?
did I say that I want to
leave it all behind?
i can't take my mind off of you
my mind
'til I find somebody new



até 2.007...

Thursday, December 28, 2006

BEETHOVEN



































A força de uma mulher que encara o gênio de frente.
Beethoven em um bosque de Viena a ouvir Deus...
e a cena onde ele rege a Nona Sinfonia...
O silêncio. O silêncio. O silêncio.

Segredo de Beethoven, O
(Copying Beethoven, 2006)
Direção:
Agnieszka Holland - Roteiro: Christopher Wilkinson, Stephen J. Rivele - com Ed Harris/ Diane Kruger
Uma poesia que escrevi para Beethoven - "Também os bosques são sinfonias"... E na cena do bosque eu lembrei deste soneto:

Primavera para Beethoven


escrevi ouvindo Sonata ao Luar:

Saturday, December 23, 2006

O ANO LITERÁRIO











Um depoimento sobre meu ano literário, está no site Cronópios, no endereço abaixo, também um balanço do ano na coluna semanal do Site Vejo São José.
Já havia feito o meu balanço aqui alguns dias atrás, foi um ano intenso e a chuva de 2.006 ainda não secou.
Um 2.007 com chuva mansa de poesia, brilho de mínimas gotas nas vidraças, e dentro menos agonia na alma, mesmo de quem é poeta, se a gente gritar que seja só excesso de liberdade.

Cronópios Literatura e Arte no Plural:
http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=2037

Vejo São José:
http://www.vejosaojose.com.br/barbaralia.htm

Friday, December 22, 2006

COLARES DE FRIDA























Llorona - Chavella Vargas

Todos me dicen el negro, Llorona
Negro pero cariñoso.
Todos me dicen el negro, Llorona
Negro pero cariñoso.
Yo soy como el chile verde, Llorona
Picante pero sabroso.
Yo soy como el chile verde, Llorona
Picante pero sabroso.

Ay de mí, Llorona Llorona,
Llorona, llévame al río
Tápame con tu rebozo, Llorona
Porque me muero de frió
Si porque te quiero quieres, Llorona
Quieres que te quieres más
Si ya te he dado la vida, Llorona

¿Qué mas quieres?
¿Quieres más?


COLARES DE FRIDA
Ontem no Mafalda Café Bar Bistrô, Rua Tibagi, 75, bem atrás do Teatro Guaira, o novo endereço do Café Mafalda, aconteceu o desfile - Colares de Frida -
Foi fundamental para relembrar Frida, a força dela, o impacto que me causou conhecer esta mulher. Ser ela vez por outra dentro, dentro da alma entranhada em uma ressonância que me apavora... Quando li a biografia de Frida em 92, eu pensava - esta sou eu.
Dos modelos que exibiram os colares, só sei o nome do Anderson Faganello, as moças de branco, flores nos cabelos, colares de Frida. O ponto alto da festa, e o meu desejo de estar ali, ouvir a Melina Mulazani cantar. Vestida de verde como Frida no dia de seu casamento, ela cantou as músicas do filme Frida. Em uma roda de amigos, uma noite, a Melina cantou uma música catalã, mais tarde, no palco do Wonka recitou - Cecília roendo unhas - do Leprevost, então a convidei para dizer meus poemas no projeto Porão Loquax.
Màrio da Silva acompanhou ao violão, foi uma bela apresentação da música do filme Frida, e dos colares de Danielle Santiago - www.colaresdefrida.com.br


À SOMBRA DOS MURAIS EM FLOR
(para Frida Kahlo)

(Cravos na pele
os seios
a coluna jônica
a pele tolteca
os pregos
os pregos
via-crucis
expiação)

Pinto em palavras
A tua dor.
Sonho teus sonhos.
Vivo os maremotos sutis.
As espinhosas horas
Que nos traz o amor.


Pinto girassóis de aço.
Espumas.
Estrelas.
Vou colorindo
Com vulcânicos
Abraços
A solene tela
(Riso-sol de meu Diego,
À sombra
Dos murais em flor)
BÁRBARA LIA
(O sal das rosas - Lumme editor, 2.006)

Monday, December 18, 2006

DEZ ANOTAÇÕES PARA NÃO MORRER DE AMOR.





















. Procuro um sábio antigo, tradutor de silêncios.
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Te ouço como alguém que coloca um estetoscópio em nuvens.
. Você é o pintor silencioso, ama com aquele olhar do pintor holandês Vermeer.
. Você é uma tempestade silenciosa que me molha noite e dia, dia e noite.
. Ando perguntando ao pó... das estrelas qual caminho seguir para não te ferir.
. Curar minha síndrome de Raskólnikov de saias: perdoar meus grandes crimes e dizer que os castigos foram merecidos.
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Só você mesmo para virar o disco e lembrar meu nome com outra canção...
. As mulheres sempre sabem pra qual corpo se perfumam.
. E foram “felizes” para sempre - a gente raramente encontra na Literatura, só na vida real e na pasteurizada rotina.
. Aprendi a te olhar com olhos de brisa.

BÁRBARA LIA
NOIR (ed. autor - 52 p.)

Friday, December 15, 2006

MARCOS PRADO

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.Marcos Prado e a filha Araiê
.FOREVER.
Um bêbado estendido no alto da escada que dá acesso à pequena galeria subterrânea onde fica o TUC. Já no túnel, uma das pequenas esculturas do Hélio Leites na vitrine do Teatro, azul, olho a escultura e ouço a pergunta do cara aos passantes:
- Alguém sabe o que é forever?
Pensei em voltar e dizer, então lembrei que -para sempre- não existe. Não quis traduzir a enganação, fui adiante, já saindo da mini-galeria ouvi a bronca dele, irritado, a perguntar para a cidade e as nuvens, já que ele estava deitado de costas olhando o céu.
- Ninguém sabe inglês nesta cidade?
Para sempre só Marcos Prado, comprovo no vídeo o carisma, este é o cara, que eu só via em fotografia e poesia e vida viva que me persegue. O vídeo Tridimensional, o material escolhido pela filha do poeta Araiê Prado Berger de Oliveira e Antonio Thadeu Wojciechowski. Roteiro, adaptação e edição: Rafael Lopes, para mim, ao menos, foi a hora exata da comemoração. Todo mundo em silêncio vendo/ouvindo o aniversariante. Adriano Smaniotto abriu a noite com a palestra das livres adaptações feitas por Marcos Prado e seus parceiros poetas "OS CATALÉPTICOS" O Palacete Wolf foi pequeno para tanta gente, e não dá para enumerar todo mundo que apareceu. Foi uma noite muito linda, e eu, só não tive a presença de espírito de responder ao cara estirado na calçada, enquanto me dirigia para o local do evento:
- Alguém sabe o que é Forever?
- Marcos Prado.
fotografia do blog Astrália - de Marcos Prado - link ao lado.

VOLVER


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Carmen Maura/Penélope Cruz
VOLVER (Almodóvar, Espanha)





Volver, o filme de Almodóvar é surpreendente, é a genialidade de fazer rir com as coisas que ferem mais que tudo. Eu temia ver um filme que falava da relação mãe-filha, e a atriz Carmen Maura lembrou a minha mãe, o rosto bonito embora envelhecido, e foi impossível não chorar ouvindo a personagem de Penélope Cruz cantando Volver e a mãe ouvindo, escondida a chorar. Volver é uma palavra impossível para mi madre. Eu segurei a mão dela na UTI. A mão fria, e a vida exilando é a coisa mais difícil de se enfrentar. Esperei que amanhecesse o dia na varanda de um Hospital em Maringá, quando fui chamada para a hora final, para onde a levaram e onde a vida dela foi parando devagar, como aqueles trens antigos até exilar o último acorde. Ela já não dizia nada com nada, e misturava tudo e guardava ainda aquilo que as pessoas guardam na alma, as confusões do viver, a vontade de estar ao lado de quem lhes dá a paz... Eu estava lá apenas para ficar dez minutos, era a despedida, todo mundo sabia, a família inteira na recepção pequena em estado de angústia e querendo entender e entender-se. Considero que aquela não foi a nossa última conversa, considero que mesmo sem deitar em seu colo, nossa despedida já tinha acontecido, com esta inexplicável ligação que há entre quem se ama, ela já havia dito o que necessitava me dizer, para se sentir melhor, para morrer em paz...
A cena era tão branca, espero jamais entrar em uma UTI e segurar a mão gelada de quem amo, nunca mais. A enfermeira me disse - dez minutos. O tempo passava e eu estava lá, e as recordações dela eram um conto estilo nonsense, que eu ouvia, calada, mão sua entre as minhas mãos. A enfermeira não me pedia para sair e fiquei ali, com ela pela última vez, sabendo que ela jamais iria volver... A enfermeira justificou a razão de ter "esquecido" de pedir para que eu saísse - Você é a única que a acalma, que conseguiu se manter calma diante dela... Sempre cismei com aquela mania dela, de me chamar de Lia... Talvez ela não me quisesse menos guerreira, incorporando este nome bárbaro... Que vê os amores morrendo, calma encobrindo o sangue coagulado dentro, o grito que escoa entre as rochas do nada, sempre o silêncio da minha dor valsando como dique dentro da montanha... A montanha protegendo, escondendo a dor que sangra líquida e incontida, segurando a mão da mãe que morre, de tudo que morre à revelia, sabendo que nada vai chegar para ocupar o lugar...
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Volver mostra como as mulheres conseguem tirar pétalas de pregos, ter aquela postura de peito erguido da personagem de Penélope. Cai o mundo, mas, não a coragem... estufar o peito, cantar a velha canção, tomar os filhos pelas mãos e o resto, o resto é o resto...

Wednesday, December 06, 2006

2.006 - UM ANO INFINITO

Vez ou outra eu pensava postar apenas isto: Este blog se desintegrará em dez segundos.
Este é o meu ano infinito. Posso viver cem anos e não terei vivido dois mil e seis. Ainda o viverei pelos dias que virão e pela poesia que será escrita. Em uma alucinada rota caiu sobre meus ombros um ano invencível. Fui vencida por este ano infinito - oito.
No ano infinito a felicidade veio colada às lâminas e não pude separá-las. Era tão ansiada a felicidade que abençoo as feridas.
Paro um segundo. Tempestade lá fora e a leve passagem pelas horas já sepultadas - e vivas ainda - como bulbos da flor mais linda nas mãos sangradas. E - dentro - sabe-se que há a flor divina, plena, viva, pulsando dentro da terra estranha, escura. Pulsando no caule rijo a flor - inesquecível... Eu vivo! E de tanto viver rondam-me a morte e as despedidas. No entanto, eu descobri no ano infinito a impotência plena e a fagulha da potência divina que resume o ser. Sou.


O meu livro 'O Sal das Rosas" está aí, mas, não será lançado em 2006. Tudo flui para festas e a gente dá uma trégua.

Não vou desintegrar meu blog, nem nada. Vou tirar férias e deixar para as dez - ou menos - pessoas que leem o blog o itinerário meu em 2.006 - o ano infinito.

MARÇO/2006


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Melina Mulazani



No projeto - Porão Loquax - do Wonka Bar, a atriz e cantora Melina Mulazani, do Grupo Mundaréu interpretou "Cantos Bárbaros". Dia 07 de Março, nos revezamos no palco do Wonka com a poesia da Bárbara Lia, uma delas, inédita ainda, que Melina interpretou, emprestando a voz que eu emprestei à Roxana, bárbara princesa dos confins da Ásia...


CANTO DE ROXANA


Heras brancas de paz
devoram meu coração
- basta sentar ao teu lado.
Vê a cortina etérea?
Os ancestrais,
Bucéfalo, conquistas,
Aristóteles, os Templos,
o sol que negastes
a Diógenes?


Naqueles tempos necessitavam oráculos,
sinais, presságios de sonhos,
sacrifícios a Amon.
Dispenso a magia das mulheres da Trácia,
suas danças e suas serpentes.
Meu oráculo-coração acende uma fogueira,
basta pronunciar teu nome.

BÁRBARA LIA

La nave va...

"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura

  "Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura da escritora Francine Cruz. https://www.youtube.com/watch? v=IxpCcdUM7...