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Sabem mais
Do que cantam
Sabe a folha perdida
Dádiva sem juizo
A navegar na tessitura
Verdelânguida
Partitura líquida
A sussurrar
Lendas e operetas
Rio embriagado
De absinto
A murmurar por aí
Nossa história onírica
Perfumada
De diamantes
Rebecca Loise - por Mariana AlvesNossa "Camilla" está loira por conta da novela atual... Não está loira no filme - Nome Próprio. O filme inspirado na obra de Clarah Averbuck, dirigido por Murilo Salles recebeu o Prêmio de Melhor Filme Brasileiro no Festival de Gramado. O filme ganhou também o prêmio - Melhor Direção de Arte, e Melhor Atriz - Leandra Leal. Não há previsão de quando o filme estará aqui em Curitiba, mas, antevejo um instante digno de Fante, embora filtrado pela lente do cinema moderno. Em poucas cenas que vi, bebi a intensidade de Leandra, e mesmo que o roteiro tenha sido adaptado da obra de Clarah - quem lê seus escritos sabe da sua paixão por Fante - deve ter filtrado a intensidade do amado mais que amado - Fante.
O que acontece com o cinema e as adaptações é que a linguagem é outra e o texto nu e cru que está no livro não pode saltar para a tela (ou pode?). Li nos blogs da Clarah e do Bortolotto (que teve sua peça - Nossa vida não vale um Chevrolet - transformada em filme) um estranhamento, o desejo de dizer que aquele roteiro do filme não é deles, enfim. É um momento crítico, que leva o autor (sua obra, no caso) a ultrapassar a sua própria cena e ingressar em um outro caminho. Mas, é possível entender a angústia dos dois escritores quando tentam dizer que aquele roteiro não é deles, e eu sei que isto é um espanto genuíno, nunca para causar polêmica.
Sobre outras linguagens...
Os curtas que assisti na Biblioteca Pública, no lançamento do livro de Adriano Esturilho - [Cancha 2] cantigas para perverter juvenis - difere - do longa Nome Próprio - foi uma parceria e o autor pareceu feliz, bem feliz com o resultado. Particularmente, eu gostei muito, e depois de ver alguns poetas musicando seus poemas, vi um autor filmando seus contos. Muito interessante e bonito. Adriano é parceiro e diretor em alguns deles, convidou os amigos. Foi uma experiência nova. Um livro que tem um dvd encartado, alguns contos transformados em curta. Adriano Esturilho, Bia Dantas, Bruno de Oliveira, Eduardo Baggio, Fábio Allon, Henrique Faria, Rodrigo Belatto e Sérgio Veloso estão no Projeto. É sempre um adendo, o livro acoplado ao cd, ao dvd. E as leituras dos cineastas de Curitiba, alguns ainda estudantes na Escola de Cinema - Cine TV-Pr, uma escola que o Governo do Estado criou aqui em Curitiba, coordenada pela Ittala Nandi. Os cineastas daqui estão fazendo suas leituras dos textos poéticos e em prosa...
O cineasta Terence Keller está realizando um filme baseado na poesia do meu amigo Rodrigo Madeira - Balada da Cruz Machado - boa notícia!
A poesia do Madeira:
http://baladadacruzmachado.blogspot.com/2008/03/balada-da-cruz-machado.html
Clara Averbuck:
http://adioslounge.blogspot.com/
Mário Bortolotto:
http://atirenodramaturgo.zip.net/
Terence Keller:
http://www.diinamo.blogspot.com/



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Modigliani

Ária de adeus nos lábios do amante
Guirlanda de nenúfares em cascata
Quando chega ao chão petrifica o rio
Ninfa das árvores a recuperar o tempo
O corpo imberbe que esculpias
Danaê alva no ateliê escuro
Corujas na vidraça enganando o dia
BÁRBARA LIA
Para Camille com uma flor de pedra
edição artesanal (21 gramas)

Terça, no Teatro da Caixa, eu vi Enéas Lour e André Coelho no palco, uma leitura do livro - Os Rios Profundos - do escritor peruano Jose Maria Arguedas. A direção de Moacir Chaves, dentro do Projeto Outras Leituras - Ciclo Latino-Americano (Curadoria de Mario Domingues, Nena Inoue e Josely Vianna Baptista). Ao final do debate o diretor Moacir tinha um único exemplar do livro que disse doaria para a platéia. Eu ali, hipnotizando o livro, depois de ouvir a leitura linda dos dois atores, do capítulo que abre o livro - O velho. Vi as ruas de Cuzco, seus palácios e suas cores, a alma tem cor, e o escritor sabe capturar a cor da alma dos pássaros, das flores, dos rios. O rio de pedras da muralha de um palácio Inca, dança diante dos olhos durante a leitura, pedras flutuantes, a lembrar os rios... foi o instante mágico, permeado do idioma quíchua:
"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura da escritora Francine Cruz. https://www.youtube.com/watch? v=IxpCcdUM7...