Friday, August 07, 2009
Que seria de Deus sem os anjos?
Seu exército de asas.
Hierarquia da beleza.
Coração de estrelas e força
De leões de aço.
Que seria de Deus sem os anjos?
Atentos olhos sobre as criaturas.
Sombras zelosas estendendo pontes,
Amparando sempre
Com suas asas de plumas.
Que seria de Deus sem os anjos?
Vestes de ar
Escudos de fogo
E pés seguindo a trilha
De pedras extraviadas
Das paredes do sol.
Que seria de Deus sem os anjos?
Que seria dos anjos sem nós?
Bárbara Lia
Saturday, August 01, 2009
nem todos os deuses estão mortos
.
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Há alguns anos quando li - UM ESCRAVO CHAMADO CERVANTES - uma biografia de Miguel de Cervantes escrita por Fernando Arrabal - fiquei encantada com Arrabal. De forma inconsciente, dei a um personagem de Solidão Calcinada este sobrenome. Arrabal. Sonoro e Forte. Lembro do impacto que me causou o livro de Arrabal. Vou incluí-lo entre os autores que estou a ler - ando afogada em Peças de Teatro. Fascinada. Aqui na minha ilha (meu ap), sem poder andar muito, fechada neste apartamento, lendo lendo lendo. Mas, quem dera pudesse voar até Sampa, dia 10. O cara vai estar lá. Fernando Arrabal.
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Uma entrevista ao Estadão. Maravilha!
Arrabal traz sua eterna rebeldia a São Paulo
Dramaturgo participa de debate e exibe o seu mais recente filme, A Possibilidade de Uma Ilha
Ubiratan Brasil
(...)
O senhor leu a lista das cem pessoas mais influentes do mundo, publicada pelo The New York Times?
Entre elas, não há nenhum dramaturgo ou poeta. Melhor para nós. Podemos viver o renascimento. Ninguém vai "nos comprar". Nada temos para "vender".
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090801/not_imp411781,0.php
Wednesday, July 29, 2009
Para Camille, com uma flor de pedra
Meu olhar cor da aurora de Latona
torna céu tudo o que ele toca
- pedra, ônix, gesso, mármore –
.
Luto com pedras na ponta dos dedos
Ignoro vozes, burburinho, olhares
Caio no abismo azulado
que de tudo me isola.
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Augusta coroa da solidão
reflete-se na pedra dura
em amantes que não se fitam
a prever a degradante sina – Alienada.
.
O Deus que voou levou com ele
minha força, os nenúfares dos meus cabelos
fechou-me no casulo da exclusão
murcharam as flores, o filho no ventre
Murchou meu quinhão de glória
meu sorriso sensual de musa
minha ciranda de alegria
– La Vague –
água que se ergue do nada
e me cobre
e me enterra
e soterra.
Bárbara Lia
..............p/ Camille Claudel
Sunday, July 26, 2009
Nathaniel Anthony Ayers (Jamie Foxx) músico esquizofrênico que Steve Lopez (Robert Downey Jr) encontrou tocando violino com apenas duas cordas diante de uma estátua de Beethoven. Steve procurava por uma matéria e encontrou o enigma. Uma história real baseada no livro de Steve Lopez - The Soloist. O filme conta a trajetória de um músico pobre que entra para The Juilliard School, quando o seu estado de saúde piora ele abandona tudo e vai viver nas ruas. Um retrato em tempo real dos moradores de rua. Belo filme que eu veria de qualquer forma . Vejo todos os filmes de Robert Downey Jr - esta criatura incrível, é claro que não tive como ver Iron Man até o fim, mas, eu tentei. Em uma cena Nathaniel pergunta a Steve se os escritores pensam muito nos grandes escritores, assim como ele pensava o tempo todo em Beethoven.
Nathaniel continua nas ruas, tem um quarto em um abrigo que o repórter conseguiu para ele, Steve continua escrevendo para o Los Angeles Times.
Mais nos Los Angeles Times:
http://www.latimes.com/news/local/la-me-lopez-skidrow-nathaniel-series,0,1456093.special
Friday, July 24, 2009
Safe in their Alabaster Chambers— Untouched by Morning And untouched by Noon— Sleep the meek members of the Resurrection— Rafter of satin, And Roof of stone. Light laughs the breeze In her Castle of sunshine - Babbles the Bee in a stolid Ear, Pipe the Sweet Birds in ignorant cadence— Ah, what sagacity perished here! Version of 1859 EMILY DICKINSON A salvo em suas Câmaras de Alabastro- Intocados pela Manhã E intocados pelo Meio-dia- Dormem os mansos donos da Ressurreição- Cortina de cetim E Teto de pedra. Branca ri a brisa Em seu Castelo de sol- Sussurra a Abelha em uma apática Orelha Sibilam os Doces Pássaros em cadência ignorada- Ah, a sagacidade pereceu aqui! tradução - Bárbara Lia
Constelação de Ossos
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Acordei com o vento astuto a sacudir a cortina.
A fresta da janela concedia a chuva abrupta em meu corpo.
Corpo que já não tinha forças para estender a mão e fechar o vidro.
Desejei que toda a chuva carimbasse uma nova vida.
Uma vida na qual eu me tornasse o anjo d’água.
A realidade ressuscitou o gosto do ontem na garganta
– uísque com guaraná –
E a força das mãos de Heleno, que me subjugava na hora do sexo.
Sexo.
Sexo apenas.
Seus olhos verdes ejaculados e lascivos presos em mim
– a boneca de pano entorpecida de álcool –
Sopro de ternura em uma curva trouxe a última gota de dignidade.
O sexo dele extraído das entranhas ardendo entre as minhas carnes.
Pude ouvir o barulho da descarga do banheiro.
Era um rito que me deixava triste.
Como se ele me despejasse em jatos.
Como se eu fosse flor de cacto.
– última fonte de água em uma terra árida –
Mas, ele se livrava de mim após saciar a sede.
No silêncio das noites iguais um oco em minha alma.
E eu buscava a antiga e enterrada ânsia
– Um amor que me vivificasse –
As mãos de Heleno na braguilha a terminar de fechar o zíper.
O olhar blasé em minha pele chamuscada de desesperança.
Não ouvi minha voz, onda leve morrendo, um sopro em si bemol...
– Deixe a chave sobre a mesa da cozinha. Não volte nunca mais!
– Lyn?...
– Você ouviu. Deixe a chave.
– Esquece isto, Lyn, durma.
– Se sair com minha chave conto tudo para tua mulher.
– Duvido!
– Adeus sua mordomia. Vá, Heleno, e não volte nunca mais.
– Assim? Vá e pronto?
– Vá. Estou cansada demais para velhos refrões. Acabou.
A dor no olhar dele me fez acreditar que ele me amava, afinal.
Lívido, deu meia volta e saiu.
Bem mais simples do que eu pensava.
Indolor.
Ânsia infinita de ter dez anos.
Antes da noite da despedida na capela.
A dupla orfandade.
Antes, quando era só infância de mel e perfumes.
O jardim de seda de Layla e Amir.
A sagrada inocência entre as flores e o aroma do pão sírio.
Bárbara Lia
(Constelação de ossos - fragmento do romance inédito)
Wednesday, July 22, 2009
Os agentes B - L. Rafael Nolli
O poeta trazia um chip escondido no corpo.
Aos 23 soube que era rastreado –
numa sala escura um monitor Toshiba
piscava uma luz verde que era ele:
se súbito virasse à esquerda
e corresse até o tênis acabar eles saberiam.
Mergulhar por dias em piscina, de escafandro,
ou enfiar o dedo na tomada não adiantava –
era a prova d’água, imune ao curto-circuito.
A luz continuaria piscando, indicando
aos agentes que ele estava onde estava.
Com a faca arrancá-lo seria em vão.
Outro seria posto no lugar do primeiro –
à noite, pelo pai; ou num ato violento por eles.
Novamente internado, voltaria
com a tecnologia re-implantada –
up grade da versão dois ponto zero,
mais moderna, com sinal via satélite.
2 – Fuga e outros movimentos
Certo dia, perseguido por todos,
desceu correndo os treze andares da CEF,
contando cuidadosamente cada degrau.
(Diante do impasse, quase voltou para conferir)
Os macacos em seu encalço
– mordendo o calcanhar do tênis Nike –
seria uma prévia de tantas outras perseguições.
(Análogas às exibidas na Sessão da Tarde)
Aquele era o momento de lamentar não ter fu-
gido com Rimbaud – companheiro de manicômio
onde trocavam figurinhas do time do Flamengo.
(Álbum Campeonato Brasileiro, 1989)
Acordou vinte anos depois
– ressaqueado de Haldol –
seu nome inscrito no obituário.
Levantou da cama
– a hora havia chegado –
e comunicou a todos que iria morrer.
...
do blog Stalingrado III:
http://rafaelnolli.blogspot.com/
Saturday, July 18, 2009
estante #23
Monday, July 13, 2009
No caminho com Emily Dickinson

.
Rosto inconsolado - rosto cheio tenso e pálido
Como de uma mulher bonita já morta - Ela olhou para
......mim.
Com suas mãos compridas ela segurava a garganta
Seus cabelos escuros sedosos deitados como morcegos no
......sono;
Não era a mim que ela estava olhando.
.
Ao me afastar ela ainda olhava para o mesmo lugar
...Mas nada havia para se olhar;
Quer dizer, nada que eu pudesse ver.
GREGORY CORSO
Gasolina & Lady Vestal
(poesia urbana)
Coleção Olho da Rua - L&PM
...
Friday, July 10, 2009


PEQUENO TRATADO DA DELICADEZA
.
p/Rodrigo de Souza Leão
.
Rimbaud te espera
No barco bêbado encalhado
Em um mar crespado de turmalinas
-lágrimas dos poetas-
Nas mãos, duas taças de absinto
Para brindar a vida fera
Dois homens de branco
Ancorados na beleza
A repartir
O fogo santo
O espanto
O canto
O eterno canto
Dos poetas...
-Por delicadeza
Perdi minha vida-
Por delicadeza
Entregamos a vida
Aos escarros
Por delicadeza
Entregamos a carne
Aos caninos ávidos
Por delicadeza
Atravessamos a bruma
Com lírios brancos
Nos braços
Rimbaud sempre à espera
Para brindar
A eterna primavera
Bárbara Lia
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O Portal Cronópios publicou uma homenagem ao Rodrigo de Souza Leão, várias vozes e
um único canto - saudades.
http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=4083
A poesia não quer adeptos, quer amantes.Federico Garcia Lorca
La nave va...
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