Um ano termina e outro começa e as mesmas figuras maravilhosas estão lá. Muito tempo pode passar, décadas e uma vida. Por isto eu quero dividir com quem lê este blog alguns rostos e nomes de quem ajuda a tornar mais terna esta minha vida. Há uma ausência da ternura no mundo. Falava sobre isto com minha irmã Fátima lá em Sampa. Quando contei sobre o Bortolotto e o assalto e quando falei quanto ele era íntegro (no sentido épico mesmo) ela emendou - Este é o processo, daqui pra frente. As pessoas boas vão ser aniquiladas e vai ficar mesmo só os que abraçam este tipo de vida. A matéria acima de tudo, o sucesso acima de tudo. Senti um frio na espinha. O jeito é ir em frente e acreditar que ainda há espaço pra ternura, poesia, gente que encanta. Tem muita gente mais que eu gosto de encontrar. E ternura maior não há que ouvir a Edith Camargo cantar. Fui com a Ilse Bastos (falta a foto dela e de outras pessoas queridas) ver Sing Song semana passada. Paz. Luz. Flanar dentro de uma canção francesa e pensar - é isto. Tudo no mundo é uma questão de escolha. Cantar uma canção diferente, ainda que não seja aquela que canta toda a gente. Quero fazer isto com minha poesia, - que ela seja uma canção tão terna e tão pura quanto a voz da edith, um piano, uma harpa... E a gente atravessando a vida, com os amigos eternos e a força que ainda nos resta...
Thursday, December 17, 2009
hermanas
Um ano termina e outro começa e as mesmas figuras maravilhosas estão lá. Muito tempo pode passar, décadas e uma vida. Por isto eu quero dividir com quem lê este blog alguns rostos e nomes de quem ajuda a tornar mais terna esta minha vida. Há uma ausência da ternura no mundo. Falava sobre isto com minha irmã Fátima lá em Sampa. Quando contei sobre o Bortolotto e o assalto e quando falei quanto ele era íntegro (no sentido épico mesmo) ela emendou - Este é o processo, daqui pra frente. As pessoas boas vão ser aniquiladas e vai ficar mesmo só os que abraçam este tipo de vida. A matéria acima de tudo, o sucesso acima de tudo. Senti um frio na espinha. O jeito é ir em frente e acreditar que ainda há espaço pra ternura, poesia, gente que encanta. Tem muita gente mais que eu gosto de encontrar. E ternura maior não há que ouvir a Edith Camargo cantar. Fui com a Ilse Bastos (falta a foto dela e de outras pessoas queridas) ver Sing Song semana passada. Paz. Luz. Flanar dentro de uma canção francesa e pensar - é isto. Tudo no mundo é uma questão de escolha. Cantar uma canção diferente, ainda que não seja aquela que canta toda a gente. Quero fazer isto com minha poesia, - que ela seja uma canção tão terna e tão pura quanto a voz da edith, um piano, uma harpa... E a gente atravessando a vida, com os amigos eternos e a força que ainda nos resta...
Milhões de eternidade cabem num suspiro - Emily Dickinson
"Mulher na árvore" e "O que é Poesia?"
Tuesday, December 15, 2009
Marcos Prado
desse deserto conheço cada grão de areia
à noite me segue sempre a mesma estrela
você é meu oásis e minha tâmara
rara como brisa em flor de âmbar
estou vivo dentro de uma natureza morta
não reconheço minhas próprias pegadas
nem a impressão de minha passadas passadas
atalhos que me trarão de volta
do alto, você chamusca o chão que eu piso
minha sombra é uma nuvem de gafanhotos
por esse mar arenoso eu deslizo
a sede dos meus cantis rotos
bebe a areia que virou vidro
e eu blatero ao sol meus perdigotos!
Marcos Prado & Edson de Vulcanis
Sunday, December 13, 2009
ÚLTIMO TANGO EM PARIS
Paris.
Eram altas as paredes, fossem baixas não acolheriam o porte de quem se insinua em beleza latina: Cortázar. Olhos claros hipnotizadores, negros cabelos, suéter amarillo. As chamas do ocaso adentram a sala ampla e branca de piso encerado sem rastilhos de poeira. Brilha e reflete as minhas pernas. De uma beleza perfeita, longas, sensuais pernas de uma musa de ébano, macias, perfumadas. Fazendo o tecido gozar quando roça em leveza a pele. Branco tecido, diáfano qual o de Marilyn na cena antológica do bueiro. Seios e ancas e pernas em um movimento leve a caminhar com ginga de manequim. Ele, cigarro entre os dedos, sorri atira o cigarro pela janela e me enlaça e me conduz. O tango de Piazzola invade meu sonho... Dançamos pela sala vazia em rodopio nos tornamos um como pede a dança. Os olhos dele na sensualidade perfeita da curva do meu ombro esquerdo fetiche que o vestido permite. Chão farfalha em labaredas brancas reflexo da saia que não combina com a dança. Tango vaporoso, vestido belicoso, pecaminoso. O olhar dele. A música ao longe regendo os passos.
Desperto com o gosto belo do pecado - homem e arte - o gosto de seus lábios argentinos a me beijar ao fim do tango.
Bárbara Lia
A cilada para os deuses e O sal da terra
A cilada para os deuses blog da minha amiga Ilse Bastos, que conheci nos bons tempos do Porão Loquax. Ilse se define como Psicanalista em formação e Artista de Rock. Ela é integrante da banda Egide.
Friday, December 11, 2009
À porta dos amantes
Link para a poesia acima no blog Contemporartes, na coluna - Incontros - da Izabel Liviski, ao lado de uma bela foto que ela tirou em Cuba. O blogue publica notícias relacionadas ao universo da Contemporâneos - Revista de Artes e Humanidades, periódico científico semestral ligado ao Núcleo de Estudos e Pesquisas da Contemporaneidade, editada pela Prof. Dra. Ana Maria Dietrich.
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http://contemporartes-contemporaneos.blogspot.com/
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Wednesday, December 09, 2009
A um passo do pássaro respiro ( Orides Fontela)
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batem as portas
teu coração já bate sozinho
touro quer levantar
forcado nenhum pode contigo
Show quinta em são paulo (No Aurora) a renda vai pro Bortolotto - Show com a banda do Mário (Saco de Ratos) e outras bandas, mais detalhes no blog da Fernanda D'umbra:
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Curitiba - Núcleo de Dramaturgia
Ontem durante a Palestra do Samir Yazbek - "A Importância da Dramaturgia Hoje" - Marcos Damaceno e Samir Yazbek lembraram a importância do Mário Bortolotto dentro da Dramaturgia Contemporânea. Como o Mário chegou - chutando a porta - em um tempo de inércia no que diz respeito à dramaturgia. Samir traçou um paralelo da trajetória de ambos nos anos noventa. Damaceno lembrou a importância do Marião, trazendo a reboque uma nova geração que escreve e vive o Teatro com as nuances da contemporaneidade, com a cara deste tempo. Hoje começa nosso workshop com o autor de - Os fingidores. "Dramaturgia em Movimento" é o último workshop do ano. Um ano rico em todos os aspectos, dentro do Núcleo de Dramaturgia.
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Corrente pra ajudar o Mário Bortolotto:
- Na Segunda eu vi na TV - Rede Globo - a notícia. No final o jornalista fêz uma crítica à reação do Bortolotto e citou a peça Brutal, tentando associar ao Mário uma violência irreal. Os amigos reagiram em blogs e páginas em toda parte. Tem estas três versões de um fato que não vai mesmo passar na Tv. Nem vão saber que Atire no Dramaturgo tem uma outra origem...
Jotabê Medeiros escreveu uma falsa entrevista com o bandido:
http://medeirosjotabe.blogspot.com/2009/12/falsa-entrevista-com-o-bandido.html
Mais notícias do Marião no blog do Marcelo Rubens Paiva:
http://blog.estadao.com.br/blog/marcelorubenspaiva/
E no blog do Márcio Américo
Tuesday, December 08, 2009
O que é poesia?
Com Affonso Romano de Sant'Anna, Carlito Azevedo, Carlos Felipe Moisés, Lúcia Santaella, Márcio-André, Nicolas Behr e Ricardo Silvestrin. - sábado dia 05. Uma felicidade ouvir tantos poetas e recolher cada palavra... Ainda não sabia da dor do Bortolotto. O que ficou no ar quando falaram da ausência do Ademir Assunção no instante em que chegou meu amigo Luar Sanchez e deixei a sala. O que não imaginava - a gravidade do que aconteceu.
Affonso Romano sugeriu, durante o debate, inverter a pergunta - O que não é poesia? A violência, com certeza. O que aconteceu com o Mário Bortolotto. Não é poesia. Nunca será. Resta pedir que ele supere esta não/poesia. Este instante trágico. Vai dar tudo certo.
os caminhos...
- Mais fotos e informações sobre a Rave Cultural no blog do Edson Cruz.
A pressa é inimiga da perfeição, sei. No entanto quis traçar umas pinceladas sobre a Rave Cultural com o lançamento do livro "O que é poesia?". E as coisas belas e tristes que aconteceram nestes dias.
O que é poesia? Casa das Rosas - Rave Cultural
Tuesday, December 01, 2009
O que é Poesia? | RAVE CULTURAL 2009 - Casa das Rosas

Lançamento em Sampa
O que é Poesia?
05/12 - Casa das Rosas - dentro da Programação da Rave Cultural
Hall
16h – Lançamento: O que é poesia? – seguido de debate e recital
Livro organizado pelo poeta Edson Cruz, traz 45 relevantes poetas brasileiros, portugueses e hispano-americanos em atuação respondendo a essa pergunta aparentemente ingênua. Depoimentos de: Augusto de Campos, Affonso Romano de Sant'Anna, Carlito Azevedo, Frederico Barbosa, José Kozer, Glauco Mattoso, Ricardo Aleixo, entre outros.
Casa das Rosas
Espaço Haroldo de Campos
de Poesia e Literatura
Av. Paulista, 37 - Bela VistaCEP.: 01311-902 - São Paulo - Brasil
(11) 3285.6986 / 3288.9447
contato.cr@poiesis.org.br
Sunday, November 29, 2009
Toquei seu berço silencioso
Meu pai amava
A amada do poeta
Quando nasci
Ele cavou mistérios
Usou critérios
De Neruda
Pra convencer
Sua musa
Que o meu belo nome
Já havia nascido
Uma montanha
Desenhada
Em meu berço
Todos os Josés do mundo
A devolver-me
A pergunta:
E agora?
.
Agora é tempo de mariposas
A menina escapa viva
Quando já está na boca das raposas
Menina ventania alma espinhada de rosas
Rasgando os véus do aço
Aço Aço Aço - dona das glosas
Segue cortando o inócuo
E as heras venenosas
O nome ouro de catedral
O nome sacro
De relâmpago e vendaval
O nome banido
Pela Coroa Imperial
Um patchwork mineiro dentro de mim:
Odes a Nise e restos do manto
Do Alferes
Orgasmos de Dona Beja
E água memorável
Labirintos de Rosa
Perfume de Diadorim
Um suspiro de Adélia
Um olhar de Drummond
Um dominicano a enviar-me
paz em postais
Dois poetas meninos
Vestidos de pedras e haicais
Milton voz de nuvem
cimento veludo mel
Nunca esqueci
a pedra no meio do caminho (1)
A voz do anjo torto
Sentado na pedra a sussurrar
Os sonhos não envelhecem (2)
“O cuitelinho não gosta
que o botão de rosa caia
ai ai ai”(3)
Nunca esqueci
que a festa acabou pra mim
E também pra José
Meu pai plantou-me
Em Minas
Deixou-me
Sem mar
Sem José
Sem amor
Minha herança
Sertões
Sonetos
Canções
Nunca foi meu este lugar
Nunca foi minha a minha casa
Estou só e longínqua
Meu nome é uma montanha
Minha sombra uma memória
Plantada naquela esquina
- Verso da poesia “No meio do caminho” – Carlos Drummond de Andrade
- Verso da canção “Clube da Esquina II” – Lô Borges e Milton Nascimento
- Versos da canção “Cuitelinho” – Paulo Vanzolini e Antonio Xandó
Cássio Amaral
Toque o vento
com a canção
que sintetiza chuva
gosto de vida
amizade sincera
um verso improvisado
Sinta a chuva
nos pingos que contam
profecias nas folhas
que amenizam o caminho
Toque o vento
sinta a chuva
a melodia brinca
no vento que invade a
estrada
Quando a vida é verso
e verso é reverso de
vida
Servida no chá para
as borboletas
Cássio Amaral
Curitiba - PR Janeiro de /09
Amiga, era este o poema que fiz pra você aí na sua Ctba.
Muita luz e um abração .
-
Cássio Amaral é meu irmão em poesia. Escrevi uma poesia em homenagem a Minas, meu nome veio de Ouro Preto - da Bárbara Bela / do norte Estrela. Cássio é o menino vestido de haicais e o Leonardo Fernandes é o menino vestido de pedra, pois ele mora em Pedralva.
o fragmento da poesia que li no dia do Café, Leite Quente e Poesia:
Um dominicano a enviar-me
paz em postais
Dois poetas meninos
Vestidos de pedras e haicais
- o dominicano é o Frei Betto que vez por outra manda notícias em pequenos postais e tem o poder da síntese - dizer tudo em poucas frases.
La nave va...
"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura
"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura da escritora Francine Cruz. https://www.youtube.com/watch? v=IxpCcdUM7...
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