Saturday, May 21, 2011

OS LIVROS DE 2011

Tem um pássaro cantando dentro de mim - 43 páginas - Poesia


Uma poesia do livro e comentários do poeta Darlan Cunha:


Pensei: vou morar em uma lágrima.
E vi cenários de Kandinski atrás da cristalina dor.
Vi os retorcidos rostos detrás dos espelhos d’água.
Vi uma casa-banheira, eu sempre líquida.
Vi um teto vidro fosco, eu a olhar estrelas.
E quando secar a minha casa?
E como secar meu coração?
Bárbara Lia

in Tem um pássaro cantando dentro de mim



A extrema leveza desta poema é difícil de ser alcançada, a metafísica que dele exala, e é tão limpo de se ler ( e reter). Lembro-me do farmacêutico Carlos Drummond de Andrade, também poeta, dizendo algo mais ou menos assim, quando da morte do Cartola – Angenor de Oliveira:
“- Este era o verso que eu gostaria de ter escrito: Queixo-me às rosas / mas que bobagem / As rosas não falam…”
Darlan M Cunha

*****

BREVE ARQUITETURA DA MELANCOLIA *



Disse a moça “querer morar na lágrima”, e assim é que já me vejo com vizinhança, já que neste líquido núcleo habito só, sem nada de ir ao cara das cortiças e contratar-lhe os serviços em toda a casa, nada de armazenar antidepressivos, antíteses do ruído, nada de nada que se imiscua no meu líquido teor de maldade, e assim é que não espero ansiosamente a moça chegar, mesmo se ela for poeta, mesmo se for atéia, mesmo que seja tão feroz e feraz quanto uma canção de ninar, ou mesmo que me queira em sua cama, psicotrama, em seu coma.
DMC

Breve arquitetura da melancolia - verso do poeta Eugénio de Andrade (Prêmio Camões 2001), no poema Lágrima, do livro Coração do Dia, 1956-58.

***

2011 vai marcar por ser o ano do retorno da POESIA em livro. Em 2007 lancei dois livros (O sal das rosas - pela Lumme e A ùltima chuva pela ed. Mulheres Emergentes) e não mais fui em busca de uma publicação nos moldes tradicionais. Neste intervalo a SEEC/PR - Imprensa Oficial publicou meu romance Solidão Calcinada em 2008 e publiquei Constelação de Ossos em parceria com a Ed. Vidráguas (Poa) em 2010. Um passo na poesia e outro na prosa, segue a dança da palavra tecendo esta obra que assino com reverência e respeito à ARTE.
Ano passado foi o - ano dos artesanais - este projeto que eu amei realizar. Dividi com tanta gente. Imprimi MUITOS livros, e a minha alma artesã permitiu espalhar meus poemas.  Em resumo, é mais ou menos como o poeta Edson Bueno de Camargo escreveu:

"Adoro este ideia que construir o livro não só como algo livel, mas também como objeto tátil, coisa pagável, cheirável. Em mundos de grande valor ás virtualidades isto é muito louvável.
Não sei se você se dá conta, mas estes livros artesanias, vão para além da literatura, esta plataforma se chama "livro de artista", muito valorizada nas artes de vanguarda."


Volto aos livros tradicionais. Não gosto da forma que tomou conta da Poesia atual. Os livros que ficam detidos em algum site ou editora. As edições sob demanda. Nossos leitores pagando valores altos para comprarem nossos livros. Não me animo a caminhar nesta direção. Os editores raramente publicam por sua conta e risco os livros de Poesias. São pequenas armadilhas onde caímos. Aposto no meu trabalho e vou encarar tudo na velha fórmula - edição do autor.
É isto.

Até aqui, duas publicações para 2011:

No primeiro semestre imprimi - Tem um pássaro cantando dentro de mim. Um livro com 43 páginas. O primeiro caderno com este mesmo título traz as poesias que não entraram em livros anteriores e que eu quero que vá para o papel. Elas ficavam cantando dentro de mim, pedindo pra libertá-las. Libertei as poesias, acrescentei os poemas para Rimbaud em um segundo caderno e o livro encerra com Jardim do Caos. Uma série de poemas que tendem ao abstrato.
Quem desejar este livro, entre em contato pelo email barbaralia@gmail.com

No segundo semestre - A flor dentro da árvore.
Com apresentação do poeta Sidnei Schneider.
Provavelmente edição do autor, por conta de algumas conversações ainda pendentes.
Neste livro as poesias tem como títulos as palavras de Emily Dickinson.
Algumas Poesias estão no site O BULE e no site MEIO TOM.




 
Fragmento da apresentação do livro - A FLOR DENTRO DA ÁRVORE

(...)

Se o seu nome, sua identidade vital e poética, se constrói não só da própria experiência mas da de muitos, especialmente artistas, o pai é quem a nomeia: “Meu pai amava/ A amada do poeta”. Então somos levados a Minas de Tiradentes, Drummond, Guimarães, Adélia, Milton, e à realidade do interior do Brasil através da letra de “Cuitelinho”, nome dado ao beija-flor em canção popular reconstruída por Paulo Vanzolini. O que nos autoriza a pensar que o nome Bárbara relaciona-se com o da brava inconfidente Bárbara Heliodora, tema de liras do seu esposo, o árcade mineiro Alvarenga Peixoto, autor de “Bárbara bela,/ Do norte estrela,/ Que o meu destino/ Sabes guiar”. Versos como “Meu pai plantou-me/ Em Minas”, sendo Bárbara Lia de Assaí-PR, sustentam essa recepção. Observe mais uma vez o leitor, que tudo nasce de um verso de Emily, título do poema (“Toquei seu berço silencioso”). Em outro, o nome ecoa transmudado: “O tosco me agride/ Tudo o que é rude/ Um passo atrás/ A cada farpa/ A cada sílaba bárbara” (“Remando no Éden”). Em suma, se o pai nomeou-a poeta, atribuiu-lhe ainda um nome-verso, Bárbara Lia.

(...)

SIDNEI SCHNEIDER é poeta, tradutor e contista da cidade de Porto Alegre (RS), Brasil. Nascido em Cruz Alta (1960), aos quatro meses de idade mudou-se para Santa Maria. Cursou Engenharia Florestal, foi ator do Grupo Porão de Teatro, líder político e estudantil. Em 1982 transferiu-se em definitivo para Porto Alegre.
Autor dos livros de poesia Quichiligangues (Dahmer, 2008), Plano de Navegação (Dahmer, 1999) e tradutor de Versos Singelos/José Martí (SBS, 1997). Participa de Poesia Sempre 14 (Biblioteca Nacional/Minc, 2001), Antologia do Sul, Poetas Contemporâneos do RS (Assembléia Legislativa/Metrópole, 2001), O Melhor da Festa (Nova Roma, 2009) e de dez publicações resultantes de concursos institucionais de conto e poesia. 1º lugar no Concurso de Contos Caio Fernando Abreu, UFRGS, 2003 e 1º lugar em poesia no Concurso Talentos, UFSM, 1995.

(...)







Oração

Thursday, May 19, 2011

O Bule




Porque só a poesia salvará o mundo

- Especial Poesia n’O BULE, com Munique Duarte, Bárbara Lia e Reinaldo Ramos.

http://www.o-bule.com/2011/05/especial-poesia-no-bule.html

Wednesday, May 18, 2011

Provocações com Luis Serguilha



















Meu amigo Luis Serguilha em um lugar que é a cara dele. No programa do Abujamra. Ontem fui abraçar meus queridos amigos e ler poesia na noite fria. Não pude ver Provocações. Vi agora,  o programa está no site da TV Cultura.
Uma pausa para falar de poesia, como ontem com a Marilda Confortin e o Ivan, tirou-me do ninho quente onde vivo puglada ao útero amado do verbo. Ando reclusa e nunca fui tão lúcida quanto ao que desejo de mim. O que desejo de mim é nunca romper este cordão que me nutre. Cá estou a escrever e escrever e minha mãe é a Palavra. Então todos os muros explodam, ou fundam-se com as heras raras. Eu estou cumprindo o vaticínio da infância e tudo o que cerca é mola propulsora. Isto remete ao que Serguilha disse ontem - Eu não escrevo para ninguém eu escrevo para o outro de mim mesmo.



📷 Festipoa (2010)

Monday, May 16, 2011

Além do amor



Este depoimento do Viníciu foi uma das mais belas coisas que vi. Lindo! Quem não tem vontade de tocar uma campaínha e gritar o quanto ama alguém. Eu tenho. Muita vontade de gritar e proclamar, pregar outdoors nas nuvens e contar até para os pássaros. Não posso. Então atiro o amor em uma cabana fictícia, dentro a lenha ardendo e a vontade de pescar os momentos e voltar ao ninho de Último Tango em Paris. Sem nada a fazer além de proclamar na solidão de um endereço só nosso, fico olhando a bruma curitibana, sabendo que agora eu amo um mito. El Rey Dom Sebastião. O Iluminado. O Encoberto. Confissões são perigosas, mas, por Deus... Vinícius incita a pelo menos pensar neste gesto de loucura. Poetas são mesmo estes loucos que eu amo. Como eu amo Vinícius e esta declaração de beleza.

Sunday, May 15, 2011

SOBRE TODAS AS COISAS





COISA MAIS LINDA!!!!




Sobre Todas as Coisas


Chico Buarque


Composição : Edu Lobo/Chico Buarque de Hollanda





Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus



Ao Nosso Senhor
Pergunte se Ele produziu nas trevas o esplendor
Se tudo foi criado - o macho, a fêmea, o bicho, a flor
Criado pra adorar o Criador



E se o Criador
Inventou a criatura por favor
Se do barro fez alguém com tanto amor
Para amar Nosso Senhor



Não, Nosso Senhor
Não há de ter lançado em movimento terra e céu
Estrelas percorrendo o firmamento em carrossel
Pra circular em torno ao Criador



Ou será que o deus
Que criou nosso desejo é tão cruel
Mostra os vales onde jorra o leite e o mel
E esses vales são de Deus



Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus

Friday, May 13, 2011

A flor dentro da árvore

“Até que os serafins acenem com seus chapéus brancos”


Não nasci para resfriar o mundo
Neste lerdo cortejo de omissões
Estas palavras interditas
Suspensas

Não vim quebrar as pernas do sol
Silenciar cada bemol
Não vim para arrebentar o anzol
Do velho de Hemingway

Sou mar e trovão no coração
Nasci para amar sem lastro
Para dançar no pátio
It is my way

Bárbara Lia

do livro no prelo - A FLOR DENTRO DA ÁRVORE

A pandorga que entortou o vento por Reginaldo Pujol Filho


Fernando Ramos - organizador da Festa Literária de Porto Alegre



Reginaldo Pujol Filho escreveu o texto - A pandorga que entortou o vento - publicado no
Caderno de Cultura do jornal ZH, em 07/05/2011

Publicado no site da Livraria de Porto Alegre - Palavraria - o texto escrito pelo escritor Reginaldo Pujol Filho apresenta este que Fabrício Carpinejar citou como - a pandorga que entortou o vento.


http://palavraria.wordpress.com/2011/05/10/a-pandorga-que-entortou-o-vento-por-reginaldo-pujol-filho/

Monday, May 09, 2011

Lagoa da Posse

Nada se penetra, nem átomos, nem almas. Por isso nada possui nada. Desde a verdade até a um lenço - tudo é impossuível. A propriedade não é universal: não é nada.

Fernando Pessoa
Livro do Desassossego

Friday, May 06, 2011

O Melhor da Festa - 3

Coletânea da FestiPoa Literária, “O melhor da festa volume três”, O lançamento, com autógrafos, será amanhã, dia 07 de maio, na Casa de Teatro, a partir das 21h30. 


 



Participam da coletânea: Adão Iturrusgarai, Ademir Assunção, Alexandre Rodrigues, Altair Martins, Amilcar Bettega, Antonio Carlos Secchin, Antonio Cicero, Antônio Xerxenesky, Andréia Laimer, Augusto Paim, Bárbara Lia, Carlos André Moreira, Cardoso, Carlos Gerbase, Carlos Pessoa Rosa, Cássio Pantaleoni, Claudia Tajes, Cristian De Nápoli, Daniel Weller, Diego Petrarca, Douglas Diegues, E. M. de Melo e Castro, Everton Behenck, Flávio Wild, Guilherme Orosco, Guto Leite, Henrique Rodrigues, Henrique Schneider, Horacio Fiebelkorn, Jacob Klintowitz, Jeferson Tenório, João Gilberto Noll, Jorge Fróes, Laerte, Laís Chaffe, Leandro Dóro, Liana Timm, Lima Trindade, Lúcia Rosa, Luciana Thomé, Luís Dill, Luís Serguilha, Luiz Paulo Faccioli, Marcelo Spalding, Márcia Denser, Maria Rezende, Marcelo Sahea, Marlon de Almeida, Monique Revillion, Nei Lopes, Nelson de Oliveira, Nicolas Behr, Olavo Amaral, Paulo Ribeiro, Pena Cabreira, Ramon Mello, Reginaldo Pujol Filho, Reynaldo Bessa, Ricardo Silvestrin, Rodrigo Bittencourt, Rodrigo dMart, Rodrigo Rosp, Ronald Augusto, Sandro Ornellas, Sergio Faraco, Simone Campos, Tailor Diniz, Virna Teixeira, Wilmar Silva, Wladimir Cazé, Xico Sá.


Informações sobre a coletânea “O melhor da festa volume três”



Título: O melhor da festa volume três

Número de páginas: 264

Preço: R$ 25,00

Número de autores participando: 71

Conteúdo: poemas, contos, crônicas, cartuns e tiras

Projeto gráfico: Jorge Nácul

Capa: Márcio-André

Revisão: Press Revisão

Supervisão editorial: Laís Chaffe

Organizador: Fernando Ramos

Editora: Casa Verde

Thursday, May 05, 2011

POESIA SEM PELE

 

Lau Siqueira lança Poesia sem pele

hoje, durante a FestiPoa Literária



O poeta gaúcho Lau Siqueira, que vive na Paraíba, está em Porto Alegre para o lançamento de Poesia sem pele, segundo volume da Série Cidade Poema, voltada a poetas participantes do projeto homônimo. Lau autografa o livro a partir das 20h de HOJE (5 de maio), no Quintana's Bar, mezzanino da Casa de Cultura Mario Quintana (Andradas, 736). Poesia sem pele sai pela Casa Verde e dá prosseguimento à série inaugurada em outubro de 2010 com O livro das fraquezas humanas, de Pedro Stiehl. Com edição de Laís Chaffe, design gráfico e capa de Auracebio Pereira, Poesia sem pele será lançado durante a FestiPoa Literária, na Mostra Artistica Cabaré do Verbo, com presenças de vários poetas e músicos. Depois de Porto Alegre, Lau Siqueira faz lançamentos em Curitiba (10 de maio) e João Pessoa (18 de maio).


*
O projeto Cidade Poema, que começou em 2009, tem como objetivo colocar a literatura na vitrine, em ações que vão de outdoors a ímãs de geladeira, de minimetragens poéticos a bolachas de chope, passando por exposições, performances, busdoors, lançamentos de livros impressos e e-books. Neste ano, as parcerias com a FestiPoa incluem, além do lançamento de Poesia sem pele, a exposição de fotos e ilustrações Cidade Poema, na Câmara Municipal até 27 de maio; a Festinha Cidade Poema (dia 7, na Bamboletras, das 15h às 18h); o lançamento da antologia O melhor da festa 3 (Casa Verde); e gravações de poemas de Alexandre Brito, Laís Chaffe e Sandra Santos no Estúdio Móvel Gravaêh, da ONG Cirandar, realizadas no último domingo.



Poemas do livro Poesia sem pele:


conceito

não alongo
poemas

apenas curto

no máximo
s u r t o
LAU SIQUEIRA




viver é delicado
argumento de samba
sentimento de fado
LAU SIQUEIRA

l

O QUE: lançamento de Poesia sem pele (Casa Verde, 2010, 72p)
QUEM: LAU SIQUEIRA
QUANDO: 05 de maio de 2011, quinta-feira, a partir das 20h
ONDE: Quintana's Bar, no mezzanino da Casa de Cultura Mario Quintana (Andradas, 76)
QUANTO: R$ 15,00


Dia 10 de maio - LANÇAMENTO EM CURITIBA

Lançamento


10/05 - 19 hor
JORNAL MEMAI 06 editado por Marília Kubota
Poesia sem Pele , de Lau Siqueira

Brooklyn Café
Rua Trajano Reis, 389 - São Francisco - Curitiba - PR




Amenóphis IV (Akehnaton) para Nefertiti




Vou respirar o doce hálito da sua boca.


A cada dia vou contemplar a sua beleza(...)

Dá-me tuas mãos, carregadas de teu espírito,

a fim de que eu receba e viva por ele.

Chama o meu nome no decorrer da eternidade:

Ele jamais faltará ao teu apelo!


(fragmento de Hino ao sol)

Monday, May 02, 2011

Lero-Lero com Bárbara Lia - título da entrevista ao Cássio Amaral.


1. A Poesia num mundo tão caótico ainda consegue ter sentido?


A Poesia está na essência do Todo. Quando o mundo ruir, vai restar a Poesia. Não existe mundo sem Poesia. Se ela for entendida como substrato da Beleza e Portadora de Mistérios. Nunca vai morrer Deus (o Verdadeiro), o Amor, a Poesia e otras cositas más. Ainda que alguns não creiam nem em Deus, nem no Amor e nem na Poesia... Os reveladores da Poesia vivem este drama na busca de comunicar algo que não encontra lugar na superfície das coisas. O poeta foi, é e sempre será um corpo estranho no mundo. Se pensarmos bem, este mundo nasceu do Caos e segue mergulhado no Caos, ad infinitum. A Poesia é o sentido de quem rasga a cortina do efêmero, ou mergulha um pouco mais fundo e não se conforma com as águas ralas. Sempre pensei os poetas como traficantes de Beleza, só que transitamos por galerias submersas e ninguém nos vê.

(...)

para ler toda a entrevista:

Friday, April 29, 2011

A VIDA ÍNTIMA DOS POETAS

O poeta Paulo de Toledo criou este blog

..
- A Vida Íntima dos Poetas -

..
Corajosamente, aceitei e respondi, para
ler é só clicar no link abaixo:


Thursday, April 28, 2011

O Real



Tenho MUITA dificuldade com o virtual. Gosto do Real. Ainda ontem eu pensava na minha vida estranha e plena de descompasso. Eu tenho um blog e adoro ter um blog. A questão é que - neste momento - não tenho nada a declarar.
Hoje senti afinidade com uma mulher que nem sabia que existia, hoje pela manhã,  na HBO - Public Speaking. Um documentário de Martin Scorcese com uma autora norte-americana - Fran Lebowitz. Ela transita por Manhattan, mas, não curte o Twitter. Lembro que eu ignorava o orkut, por conta do excesso de convites, aderi. Não apareço mais por lá. Aderi ao Facebook e tenho mil amigos no Facebook. No entanto, tenho dificuldade, pois só sei falar ao vivo. As pessoas me convocam para o virtual. Ninguém vem ao vivo, sentar em um lugar e falar do dia. O vento real que belisca nossos cabelos. A dor no pé por conta e um sapato que incomoda. A lua bonita que brilhou na noite anterior.
Falta um pouco de coragem, pra deletar tudo.
Menos o blog.
O blog é como um lugar que é só meu.
E adoro lugares que são só meus, que foram só meus.
Pessoas que são minhas, quem dera fossem apenas minhas.
Adoro lembranças minhas, estas são apenas minhas e de quem vivenciou ao meu lado.
Coisa mais mágica e misteriosa o que algumas pessoas dividem.
Dá vontade de convocar um momento, um encontro e perguntar:
Aconteceu? Vivenciamos aquilo? Aquilo que é mais que filme de Fellini. Mais que quadro de Van Gogh? Arte e beleza unidas. Aconteceu?
Sim, aconteceu.
É isto que eu chamo - Real.
Na verdade, eu amo o Real.
Um tempo eu tinha sérios embates com as pessoas. Algumas achavam que eu queria tomar para mim a verdade, ou, alguma verdade. Não abro mão da minha verdade. Ela, no entanto, nada significa na grande ordem que rege o mundo e os planetas.
Há algum tempo ando muito Caeiro. Ando bebendo a alma niilista dos personagens de Fernando Pessoa.
Hoje eu quero apenas contemplar, aproveitar o dia.
Não abro mão do Real.
Hoje eu sei que amo absolutamente o Real.
Logo eu que sou poeta lírica.
Que crio mundos, universos, e vivi uma infinidade de amores platônicos.
O Real me fascina.
E quando acordo e lembro algo Real, que além de Real foi Belo, eu penso - Vida, você vale a Pena...

...

Ano passado escrevi um romance que está em um destes concursos. Agora, estou lendo a obra de Fernando Pessoa. Um livro de poesias inédito está em um "outro destes concursos"
Vez ou outra penso abrir mão dos concursos. Eles acenam e são abertos. Para quem tem muitas portas fechadas e muitas caras fechadas em uma cidade fechada... Vou aos concursos.
É que escrevo e nada posso dizer. Não posso dizer os títulos dos meus livros, seus enredos e tudo que deles emana. E de publicável mesmo, tenho o título de um livro de poesias - A flor dentro da árvore.
Da produção minha, um outro título de poesia. Dois romances, um livro em fase de germinação.
Para quem acompanha meus passos.
Que me perdoem a absurda sinceridade.
De ser quem quer a vida ao vivo.
As coisas ao vivo.
Sentir o bafo da vida ao meu lado...
O virtual torna todo mundo unido por um fio que não existe.
Então, estamos mesmo a sós.
A sós, como sempre estiveram os homens.
Somos uma fala.
Uma voz que flana, sem corpo.

Wednesday, April 27, 2011

CASA DAS ROSAS CONVIDA PARA O LANÇAMENTO DE NAUFRÁGIOS



CASA DAS ROSAS CONVIDA PARA O LANÇAMENTO DE NAUFRÁGIOS






E O EVENTO A POESIA E A SUA CIDADE

Naufrágios é o novo livro do poeta, escritor, filósofo, professor e performer chinês de origem taiwanesa Chiu Yi Chih. O poeta recentemente naturalizado brasileiro nasceu na ilha de Taiwan, migrou para China, Hong Kong, Macau e veio morar na cidade de São Paulo no final da década de 80. O livro, publicado pela Editora Multifoco (Rio de Janeiro), é um percurso visionário pelas grandes metrópoles (TAIPEI-XANGAI-SÃO PAULO-EMBU DAS ARTES) e dialoga com as estranhas conjunções de Oriente-Ocidente. No dia haverá um bate-papo com Cláudio Willer e Chiu Yi Chih seguido do evento A poesia e a sua cidade com leituras de:
Cláudio Willer (São Paulo)
Chiu Yi Chih (Taipei/São Paulo/Embu das Artes)
Flávio Viegas Amoreira (Santos)
Marcelo Ariel (Cubatão)
José Geraldo Neres (Santo André)
Irael Luziano (Embu das Artes)
Renato Gonda (Embu das Artes)
Poetas da Associação de Escritores do Embu das Artes

 

Dia: 4 de maio de 2011, quarta-feira, a partir das 19:30

Local: CASA DAS ROSAS - Av. Paulista, 37 - Bela Vista - São Paulo

http://www.poiesis.org.br/casadasrosas/

http://philomundus.blogspot.com

Saturday, April 23, 2011

O Melhor da Festa



Do site Festipoa:

"A bela capa do poeta Márcio-André para a coletânea da FestiPoa. São mais de 70 autores no livro, quase 300 páginas de belos trabalhos. Entre os participantes estão desde Adão Iturrusgarai até Xico Sá. Está imperdível. O lançamento, com autógrafos, será no dia 01 de maio, no Pé Palito Bar. Mais detalhes em breve aqui. E Márcio-André estará com livro novo na FestiPoa, sairá pela Dulcinéia Catadora seu novo livro Cazas. Vai daqui um agradecimento ao Márcio que generosamente fez a capa do livro e ao Guilherme Moojen, artista visual, autor do projeto gráfico. A editora é a Casa Verde (Obrigado, Laís Chaffe)"

--

Dia 28/04 começa a Festipoa. Desejos de ir para Porto Alegre. Estou na Antologia - O Melhor da Festa 3 - pela minha participação ano passado. Poesia Poesia Poesia.

Thursday, April 21, 2011

No Caminho com Cássio Amaral








1.



a borboleta
balança o oceano
nas asas

Li teu livro de haicais para crianças - Arco-Íris - para meu neto Arthur. Com as mãozinhas ele fazia gestos de vôo de borboletas enquanto eu lia este haicai. O nascimento do meu neto puxou o fio da minha infância e quero para ele a magia da música e da poesia. Como foi tua infância em Minas Gerais?

 
Minha infância foi perseguindo a bola, o futebol. Desde criança, de uns 4 ou 5 anos brincava de bola, gostava de futebol influenciado pelo meu pai que também sempre gostou muito de futebol. Fui um menino quieto, calmo, sem dar preocupações aos meus pais. No Ensino Fundamental fui campeão no futebol de salão, sendo da antiga 5ª a 8ª série o artilheiro, ainda tenho as medalhas que ganhei naquela época.

Além disso, sempre fui muito observador do mundo e das pessoas.

Sempre gostei de música desde pequeno também, desde muito pequeno fui ligado à música.


 
2.



de Leminski
a Rodrigo de Souza Leão
a poesia é explosão


Quando e como você deu de encontro com a Poesia?

Aos dez anos meu tio que era ator de teatro, tinha voltado para Araxá para dar um curso de teatro. Nessa época fui ao show do Oswaldo Montenegro com ele. Era época dos festivais. Em 1986 antes de entrar na escola ficávamos eu, meu primo e dois amigo ouvindo Titãs, RPM, Legião Urbana, Plebe Rude, Barão Vermelho, Cazuza, IRA, Paralamas do Sucesso, Finis Africae, Engenheiros do Hawaii, Garotos da Rua, Zero Capital Inicial, enfim ouvíamos as mais variadas bandas do Rock Nacional dos Anos 80, meu contato com a poesia veio no sentido de tentar compor letras de música. De colocar letra em música, eu na verdade queria ser compositor e montar uma banda naquela época. Por não saber tocar violão, mas tarde migrei para a poesia. Eu até em 1986 escrevi para o fã clube do Ultraje a Rigor no Rio, a resposta da carta veio com a assinatura da primeira formação da banda. Nessa época tinha um caderninho com minhas supostas letras. Com o tempo o joguei fora por não ter conseguido montar a banda e tocar algum instrumento.

Enfim, a poesia veio nas músicas politizadas e questionadoras que eu escutava nos anos 80, me considero filho da geração coca-cola, vi muitas dessas bandas tocar, bandas as quais ainda ouço. No ano de 1996 quando morei em Brasília comecei a escrever versos. E achei legal e não parei mais. Foi assim o meu contato com a poesia. Sempre ouvi muita música, desde os clássicos do Rock and Roll, Jazz, Blues e MPB. Assisti muito também FM TV um programa de clipes que passava na extinta Rede Manchete. E depois nesse período de Brasília e em Goiás conheci um amigo do meu tio que chegou a me dar aulas de poesias, dos poetas malditos franceses aos poetas brasileiros. Ele se tornou uma espécie de professor de poesia para mim, não tenho contato com ele há muito tempo.

Fernando Braga dos Santos me influenciou a escrever, me deu algumas dicas de como e o que era poesia. Digo poesia escrita. Quero ressaltar que escrevi cinco letras de músicas que nunca foram gravadas em cd, mas que foram musicadas por amigos.

 

3.



Cerebral
   Para Rodrigo de Souza Leão

 

A coisa coisando
Tudo causa
Vida pele no fatal
Gangrena no verso conciso
Os deuses dizem pegue sua lira
No labirinto da sina
Faça da passagem
Volts
Eletrodos que gingam na tua
poesia musicada
vulcão do leão
que uiva todos os cachorros azuis.


 
Quando recebi tua visita aqui em Curitiba, Rodrigo de Souza Leão ainda estava vivo. Tomando café na minha sala você contava de quando foi até o Rio de Janeiro e conheceu o Rodrigo. Agora, em Barra Velha, percebemos que o tempo não amainou o espanto diante da morte dele. Qual a importância deste poeta em tua trajetória? Quantas lições Rodrigo deixou para nós?



A importância do Rodrigo é que ele me ensinou que poeta, poesia e obra fazemos para nós mesmo, sem se importar se as pessoas vão gostar ou não. Sempre produzir e selecionar o melhor, principalmente em livro. Lembro na entrevista que fizemos com ele no Rio onde ele diz que o poema tem que ter a forma apolínea e o conteúdo dionisíaco.

Ele nos ensinou, a mim, ao Rafael Nolli e ao Ricardo Wagner na entrevista que nos concedeu que poeta é um ser que deve ser humanista, que deve fazer as pessoas pensarem, e que devemos escrever sobre nossas vidas, não existe poesia sem acreditar na vida e no contexto daquilo que vivemos. Ou seja, a crítica e a autocrítica do que acontece e de nós mesmos.

Me ensinou a não ser egóico como a maioria dos poetas são, a me defender mais desse mal dos poetas de acharem que não são reconhecidos.


 

4.



FAGULHA PARA ALICE

                   Para Alice Ruiz

o futuro
é o claro
dentro do escuro



Confesso minha dificuldade para os poemas curtos. Você, ao contrário, é intimo do haicai. A tua filosofia zen tem algo a ver com esta opção pelo haicai?



Sim, aos nove anos fiz karatê, fui até a terceira faixa apenas. Depois fiz judô, mas sempre me encantou o Japão, sua cultura e seu povo. Ministro Johrei, sou membro da Igreja Messiânica Mundial que é mantenedora do johrei, da Agricultura Natural. Hoje prefiro pensar em filosofia sim a Igreja Messiânica e o johrei, tem a ver sim com o HAIKAI porque o jorhei te leva em estado de meditação. Já li o zen, já li outras coisas do Budismo também, sempre precisei do silêncio, de estar um tempo só durante o dia. Isso me ajudou sim nos haicais e poemas curtos. Isso porque o haikai é o átimo, é captar no instante como se fosse uma fotografia. Li os mestres zen do haikai: Bashô, Issa, Busson. Enfim penso que minha filosofia me ajudou sim no sentido de interiorização para a escrita e de assim poder me expressar em três versos de forma objetiva e clara.


 

5.

Para quem os poetas escrevem?

Para o uni-VERSUS, é onde cerne, medula, leitura, devaneio, oficina de sonhos e domínio de linguagem se enquadram perfeitamente. Os poetas escrevem primeiro para eles mesmos, por ser uma função biológica quase, o cara já nasce poeta na minha opinião. E concordo com Leminski quando ele diz que a poesia é um inuntesilio, ela não serve para nada, mas é tudo. Leminski diz também que o poeta é uma espécie de sapato torto, acho isso muito pertinente também, o poeta é um ser que não tem compromissos, seu compromisso e desconstrução verbal na construção de um verso ou um poema. O poeta tira sua máscara e se mostra ao mundo nu.

Enfim, o poeta escreve para a humanidade dando a cara à tapa.



6.

Enten Katsudatsu é o título do seu blog. Sonnen, o título de um de seus livros. Fale sobre sua produção poética, publicações e planos poéticos futuros.



Bom, publiquei os livros de poesias:

LUA INSANA SOL DEMENTE -2001.

ESTRELAS CADENTES – 2003.

SEM NOME – 2005.

SONNEN – 2008

ENTEN KATSUDATSU - 2010 em E-book pela Revista Eletrônica Germina Literatura.

Sai em duas coletâneas de poesia Trilhas e Corpo e Alma em verso e prosa, organizadas pela Euza Procópio Noronha (Loba)

Tenho publicado poesia desde 2004 em blogs. Minha produção poética está no meu blog atual, onde há haikais, poemas, contos e fotos.

Penso em ler uns poemas e publicar no Youtube.

Já pensei em fazer um projeto com amigos para ir a algumas capitais para uivarmos e fazermos saraus.

Eu e Maeles minha esposa vamos publicar um livro de poesia juntos.

Ler e fazer o projeto de mestrado sobre os haikais de Olga Savary





7.

Cássio Amaral por Cássio Amaral:



Um buscador, um peregrino, um eremita, aquele que caça a si mesmo.

Místico, religioso, calmo e nervoso. Mistura de mansidão com vulcão,

Um bom amigo, às vezes muito distraído, sonhador. Um romântico incorrigível.

Uma pessoa que adora arte, cultura, música, poesia, teatro, História e filosofia.

Alguém que pensa que o simples é tudo e que busca a essência das coisas.





Cássio Amaral - Poeta, Professor de História e Filosofia. Atualmente vive em Barra Velha com sua esposa, a poeta Maeles Geisler. Para finalizar, uma poesia da Maeles.

http://cassioamaral.blogspot.com/





Moldura



    Maeles Geisler



O caminho do instante já desenhado



mil saladas temperadas a óleo e sal


corto seu vermelho


e a sede aumenta






abro os braços nos dias tardios


rezo o sono do tempo


e amanheço ao som dos pardais






respiro infância


o suor caindo do balanço


tempo raro fotografado ao sol.

Cássio Amaral


Ikebana Sanguetsu da mãe do Cássio - Dona Lourdes



I




O vento bate
As asas
Na pergunta do destino



II



As asas do passado
Brincam de criança
Na praça da inocência



III



O ikebana
Do meu quarto
É a azaléia da harmonia



IV



Toda exposição
De aquarela
É tinta fresca de arte



V



A lua reflete
Na água
Sua face de noiva



VI



O sol queima
No orvalho
A sua coroa de rei



VII



Tanto poema
Põe na cama
Gozo & Dilema


(Cássio Amaral)

Tuesday, April 19, 2011

O QUERER

Ah! Bruta Flor do Querer - (Caetano Veloso)





O Querer não tem escala de medida nem volume nem massa corpórea

O Querer é um silêncio granítico onde levita - A Imagem

O Querer reflete nas telas das manhãs – antes que os olhos se abram – Esta Imagem

O Querer não tem perguntas respostas dúvidas exclamações

O Querer traz o gozo instantâneo na evocação de um momento

O Querer!

O Querer não é amor, é primo deserdado do amor – O querer é o parente maldito

Posto que o Querer é transparente feito sêmen nebulosa raio de luar água da fonte

O Querer não maltrata como os amores dos romances do Século XVIII

Ninguém morre – Nada de cicuta naufrágios forca ou faca

Ninguém morre, só para esperar o Querer materializado – algum dia – outra vez

E só o Querer pode dizer da consagração de Corpos e Almas que ele Evoca Engendra Acende

Só o Querer traz este sorriso nos lábios à evocação da Imagem Querida

Só o Querer tem a resposta para preencher as lacunas dos lençóis das cartas dos olhares

Só o Querer – Só o Querer.



BÁRBARA LIA

MARÇO/2011

La nave va...

Não há mais céu - Poesia - Bárbara Lia

NÃO HÁ MAIS CÉU Não há dança que possa Salvar o mundo Do apocalipse Em conta-gotas Posso tocar A angústia das flores Em seu último suspiro A...