Saturday, February 23, 2013

Verão Poético nº 6




PROMETEU


Agrada-me o chegar perto do fogo,
no tão próximo onde se desfazem
as certezas, amo o gesto e o risco,
a aventura do fogo, e tanto mais
se for para roubá-lo de Zeus pai.

(pg. 21)


 





CERÂMICA


Na primeira fase da humanidade,
o barro, objeto do desejo, viu-se
moldado como pegada de cervo,
virou utensílio, panela, recipiente:
Deus!, o homem se fez de barro,
disse a menina sujinha de batom.

(pg. 47)




ilustração- Fabriano Rocha


Verão Poético nº 5


Thursday, February 21, 2013

Verão Poético n° 4




Pausa na poesia escrita para o momento sonoro. Verão musical. Maior orgulho do meu sobrinho Lincoln D'ávila, ele canta, toca e tem muito talento. Lincoln também é Poeta. Professor de História. Vive em Campo Mourão. Influenciado pelo seu ídolo John Lennon ele compõe em inglês. 





- A Day in the Life - na voz do Lincoln:


Wednesday, February 20, 2013

Verão Poético nº 3










Ernani Fraga é paranaense de Campo Mourão. Advogado, Dramaturgo e Poeta. Vive em São Paulo

Verão Poético nº 2








http://cassioamaral.blogspot.com.br/

Verão Poético nº1

O verão segue lerdo. Estou assoberbada: Terminar um livro, revisar outro livro e outras pequenas tarefas poéticas... Lembrei a Kátia Negrisoli dizendo - Você precisa de um secretário, um ajudante... Pensei em um mancebo sensual de melenas claras a me ajudar com esta montanha de livros e projetos e sonhos. Escritor neste País é ao mesmo tempo Agente Literário, Relações Públicas, Editor, Diagramador, Revisor e Guerreiro, amém... Neste tempo que é mais ou menos o meu deserto, quarenta dias de mergulho no meu roteiro programado para organizar tudo isto aqui, vou postando poetas brasileiros cuja poesia eu li e gostei... O verão poético inicia com a poeta Juliana Meira - Porto Alegre. 




Monday, February 18, 2013

A POESIA É CERNE A PALAVRA É BÁRBARA - Cássio Amaral




"A FLOR DENTRO DA ÁRVORE de Bárbara Lia é um ikebana que se tece e se vivifica com palavras. A palavra é a flor que se fixa na árvore para dar vida."

Texto completo no link:

http://cassioamaral.blogspot.com.br/2013/02/a-poesia-e-cerne-palavra-e-barbara.html

Feliz com este texto do poeta Cássio Amaral sobre - A flor dentro da árvore.
Texto de Filósofo e Poeta. Aura zen de flores orientais. Ikebanas a sorrir no canto da sala. Gracias, Cássio. A flor, a árvore, ikebanas, Emily, um quarto, um nome herdado e tudo isto tecido em espanto, no silêncio sempre e na vontade de dizer o que a alma implora.

a última chuva




A chuva baila cinza na vidraça
que abre a cidade
e as cicatrizes de concreto.
No mundo não há quem leve,
como eu,
este solar crepitar na alma.

Bárbara Lia
A última chuva / ME-2007

Saturday, February 16, 2013

Por onde andará Stephen Fry?





Passeando pelo Youtube encontrei um vídeo de Stephen Fry. Ele estava lançando um livro em Amsterdam. Comecei a assistir acreditando que breve mudaria a página, pois não tenho muita paciência para papos acadêmicos. Vi o vídeo inteiro, quase uma hora. Ele não falou de sua própria escrita. Ele falou de sua vida, talvez por estar lançando sua biografia. Mas, fiquei com a impressão que ele é este cara que se coloca dentro do mundo e para fora do seu umbigo. Ele é humorista, ator, o que dá a ele o completo domínio de uma plateia. O que surpreendeu foi a declaração de amor que ele fez a Oscar Wilde. Lembrou aquela sensação que todos temos quando nos encontramos dentro de um livro, definimos nossa identidade, nos sentimos salvos, nos sentimos amparados, parte do mundo e somos envolvidos por aquele glacê de felicidade que ameniza décadas de buscas. A Literatura é a potência das potências e apenas ela consegue moldar vidas, alterar caminhos, despertar todos os nossos anjos e demônios adormecidos, inaugurar - subitamente - um paraíso inteiro dentro de qualquer um. Para Stephen foi a tábua de salvação descobrir que - antes dele - Oscar enfrentou o mundo e sofreu punições supremas pela sua opção sexual. Stephen vivia no interior da Inglaterra e sentia-se - certamente - um estranho no ninho. Ao descobrir os livros de Oscar Wilde ele ficou fascinado, pela Literatura e amparado pela similaridade de suas almas. Dias depois de ficar totalmente envolvida pela fala deste cara, encontrei o filme - Wilde - de 1997, onde o próprio Stephen Fry interpreta Oscar Wilde. Não li nada deste autor, ele escreve poesias também. Encontrei algumas em inglês. Fiquei feliz por ter topado com aquele homem alto e totalmente sincero, bebi sua fala, fiquei feliz ao descobrir que ele também nasceu em um dia 24 de agosto, dois anos depois do meu nascimento. Somos virginianos, somos poetas e e estamos no mundo em movimento contínuo contra as segregações. Nós somos pessoas diferentes, mas, ousamos rir disso. Nós seguimos imprimindo a nossa marca e temos esta peculiaridade de nem falarmos muito de nós, de viver falando daqueles que nos abalam, nos movem, nos ajudam a entender essa coisa estranha chamada vida.


Thursday, February 14, 2013

Curso de Teatro para Iniciantes




CURSO DE TEATRO PARA INICIANTES DO UNINTER


QUANDO: início em 02/03 e término em 14/12/2013.
HORÁRIO: das 09:30 às 12:30 (aos sábados).
AONDE: Rua do Rosário, 147 - Centro.
(Próximo ao Largo da Ordem - campus Divina)
PÚBLICO ALVO: acadêmicos do Centro Universitário Uninter e de outras instituições de ensino; comunidade externa em geral.
QUANTO: curso gratuito.
PRÉ-REQUISITO: 18 anos.


INSCRIÇÕES até 28/2/2013


O curso é ministrado pela minha amiga - Geisa Mueller - Mais detalhes em seu blog:
http://umaisumenosum.blogspot.com.br/2013/02/curso-de-teatro-para-iniciantes.html

Tuesday, February 12, 2013

Um bilhão que se ergue - Curitiba





Dia 14/02
das 12:00 até 16:00
Praça Santos Andrade
Curitiba





http://umbilhaoqueseergue.blogspot.com.br/

One Billion Rising 14/02 - Curitiba - Praça Santos Andrade - 12 as 16h







O “Um bilhão que se ergue” (One billion rising) ou V-Day, é um movimento ativista global, realizado anualmente no dia 14 de fevereiro, para acabar com a violência contra mulheres e meninas, inspirado pela autora, dramaturga e ativista Eve Ensler, que relata ter sido fisicamente e sexualmente abusada por seu pai quando era uma criança.

Terá sua primeira edição em São Paulo, sábado, dia 16/02/2013 no Museu de Arte de São Paulo (MASP) das 14:00 às 18:00 hrs. A data oficial foi mudada devido a atividades realizadas durante a semana (trabalho, escola, etc) que impossibilitam alguns cidadãos a comparecer no evento.

O movimento teve inicio em 1998 quando uma instituição de caridade sem fins lucrativos, "V-Day", foi constituída com o objetivo de usar apresentações da peça “Os monólogos da vagina” para arrecadar dinheiro para beneficiar mulheres vítimas de violência e abuso sexual. 

Uma pesquisa aponta que, no mundo há 07 bilhões de pessoas, sendo que metade são mulheres.
Uma em cada três mulheres no planeta vai ser estuprada ou espancada em sua vida, ou seja, um bilhão de mulheres. 
Um bilhão de mulheres violadas é uma atrocidade.
Um bilhão de mulheres dançando é uma revolução.

Um bilhão que se ergue é:
Um ataque global
Um convite para uma dança revolucionária
Uma chamada para homens e mulheres que se recusam a participar da cultura de estupro
Um ato de solidariedade, demonstrando a indignação e a força das mulheres de todo o mundo
A recusa em aceitar a violência contra mulheres e meninas
É o nascimento de um novo tempo e uma nova forma de pensar e ser.



http://blogueirasfeministas.com/2013/02/evento-um-bilhao-que-se-ergue/



http://www.onebillionrising.org/




Monday, February 11, 2013

50 anos da morte de Sylvia Plath



50 anos do suicídio da poeta Sylvia Plath, em 11 de fevereiro de 1963.

Não esquecer jamais que sua obra poética suplanta esta sua liberdade de colocar um fim em tudo. Esta obsessão de alguns é aquela velha doentia mentalidade das almas nada criativas. O triunfo de Plath foi marcar com sua obra e não com seu gesto. No entanto, como todas as coisas essenciais, esta verdade é assimilada por poucos. A Poesia é um mistério perene, feito Deus e aqueles intocáveis segredos que atravessam séculos. Sylvia sabia e legou ao poema o veredito final. 

http://blog.oup.com/2013/02/on-this-day-sylvia-plath-odnb/


Monday, January 28, 2013

C2H2 - Musas de Acetileno




(...) amorosa sedenta, encha a boca 
de lodo – oh, haste de luz no metal!
Não chega este amor à altura do seu
amor... Então, enterre-me no céu! 

(Marina Tsvetáieva)




Tsvetaeva pediu: Enterre-me no céu!
Sonhava viver mais perto do terrível falcão
Ansiava alturas para transformar-se em neve
E desmaiar em brancos flocos meio às crianças russas
Antes de a terrível guerra penetrar
Pele, ossos, vidas pequeninas
Sabia Marina da dor inexorável do adeus
Sabia que ninguém deve morrer sem conhecer:

Um boneco de neve e uma cama branca de amor


Bárbara Lia
C2H2 - Musas de Acetileno

Isso não é uma revista literária

 foto - Kátia Torres Negrisoli



A flor dentro da árvore - em um e-zine do Carlos Alberto Nascimento: Isso não é uma revista literária.

A flor dentro da árvore já deu as caras no site Meio Tom - no Site Musa Rara e mais recentemente no Portal Cronópios. O livro encerra seu ciclo de impressões com a menor tiragem. Perde para meu primeiro livro de bolso, com apenas setenta exemplares. É isto. Um registro. Uma pequena anunciação. 


http://issonaoeumarevista.blogspot.com.br/

Thursday, January 24, 2013

C2H2 - Musas de Acetileno Bárbara Lia e Geisa Mueller


Leitura Poética C2H2 - dirigida por Geisa Mueller. Algumas imagens da noite das Musas de Acetileno. Um instante único. Muito feliz pelo sim da - Geisa - quando pensei em levar ao palco estas poesias novas. O resultado é aquela poesia que continua depois que a gente deixa o palco. Isto é incrivelmente indescritível. Obrigada aos que fizeram da noite das - Musas de Acetileno - este sublime momento.

arsenal poético

Gabriela Caramuru, outra musa


Querido Adriano Smaniotto, poetaço no palco


Gigio Venturelli e Ricardo Pozzo


Jota Eme e Ricardo Pozzo

Ilse Bastos, minha amiga da Banda Égide


Monday, January 21, 2013

flor cronopiana



Algumas poesias do livro - A flor dentro da árvore - no Portal Cronópios - Literatura Contemporânea Brasileira:

http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=5607

Monday, January 14, 2013

C2H2 - Musas de Acetileno - Bárbara Lia e Geisa Mueller - VOX URBE - 22 de Janeiro







Musas de Acetileno*




"Em Wall Street, dos andaimes até à rua, o meio-dia escorre

Como um rasgão luminoso no acetileno celeste;"
Hart Crane

O acetileno é utilizado nos maçaricos que forjam o vidro e para forçar o amadurecimento das frutas, a composição dele é poética – C2H2 – ele tem o poder de fogo ao mesmo tempo de vida e destruição como as poetas homenageadas em algumas poesias... Além da série - Musas de Acetileno - poemas inéditos, meus e da Geisa Mueller, focando essencialmente o erótico e a solidão.
Duas Vozes da Cidade em poemas que falam de amor, solidão, morte, desejo e alumbramento. 

Dia 22 de janeiro de 2013 -  22h pontualmente  (o Wonka Bar abre suas portas às 21h) - Vox Urbe (capitaneado pelo poeta Ricardo Pozzo) - Bárbara Lia (poeta e escritora) e Geisa Mueller  (diretora artística, mediadora de leitura, poeta) com a direção de Geisa Mueller, em - C2H2 - Musas de Acetileno.

* a série +Musas de Acetileno + é uma  homenagem a Sylvia Plath, Ana Cristina Cesar, Alfonsina Storni, Pizarnik e outras...
** a imagem do flyer é Landscape - MAGRITTE. Grande Magritte!

Thursday, January 10, 2013

Videocast Curitibano no Portal Cronópios







Cronopiana desde criancinha atendi ao chamado do Pipol quando ele visitou Curitiba. Sou complicada para fotografar e filmar, gosto mesmo é de ficar longe das câmeras, mas, Pipol conseguiu captar a o meu deslocamento e fuga e na entrevista falei essencialmente sobre o meu livro - A flor dentro da árvore.
Na tarde no Museu Oscar Niemeyer passeamos pela Exposição Múltiplo Leminski, tomamos um café e falamos sobre Cronópios, Poesia e a Cidade. Nesta passagem por aqui Pipol conversou comigo, com a poeta Marília Kubota que lançou recentemente Esperando as bárbaras e com o arte-educador Joba Tridente. Gracias Pipol. Muito bom estar nesta conversa ao lado do Joba e da Marília.

Wednesday, January 09, 2013

Andorinhas e outros enganos



Voltei de Porto Alegre em dezembro com esta pequena jóia na mala. Sidnei Schneider é uma pessoa muito especial, essencial para a Literatura. Dialogamos sobre Poesia desde que nos conhecemos em um Congresso de Poesia em 1998, ele me apresentou muitos poetas. Ele foi um dos meus Mestres quando comecei a escrever e imprimir meus poemas. Metodicamente ele publica seus livros, sempre pelo selo Dahmer. Em 1999 - Plano de Navegação. Somente em 2008 outro livro de poesia - Quichiligangues. Sua estréia em livro foi com a tradução de Versos Singelos do poeta cubano José Marti em 1997. Agora a estréia - narrativa curta - com este belo livro de contos - Andorinha e outros enganos. 
No blog do Sidnei uma resenha de Carlos André Moreira para o Jornal Zero Hora:


Sunday, January 06, 2013

Os homens que não sonham - Bárbara Lia






Os homens que não sonham
(Bárbara Lia)


No duerme nadie por El cielo. Nadie, nadie.
No duerme nadie.
Las criaturas de La luna huelen y rondan sus cabañas.
Vendrán las iguanas vivas a morder a los hombres que no sueñan.
(Federico Garcia Lorca – fragmento de Ciudad sin sueño)




Os homens que não sonham demolem pontes catedrais parques cânions praças
Os homens que não sonham incineram as rosas cálidas das núpcias da moça feia
Os homens que não sonham afogam pássaros em nuvens escarlates enquanto riem
Os homens que não sonham pisam prímulas pálidas em varandas centenárias
Os homens que não sonham pintam máscaras de dor em crianças, com traços de Dali
Os homens que não sonham queimam o violino roto do último anjo que passou aqui
Os homens que não sonham armazenam cédulas, pepitas, moedas, esmeraldas, royalties
Os homens que não sonham caminham vestindo Armani olhos foscos atrás dos óculos
Os homens que não sonham trituram sonhos dos reais sonhadores como quem respira
Os homens que não sonham pisam pontes de gelo e alçam asas em pássaros niquelados
Os homens que não sonham nunca leram Lorca, não sabem de Las criaturas de la luna
Os homens que não sonham pisam flores de cerejeiras - tapete aveludado - e nem rezam
Os homens que não sonham odeiam flores nascidas pós-bombas em beleza voluntariosa
Os homens que não sonham ignoram iguanas vivas seus dentes de serra e olhar de vidro
Os homens que não sonham não veem os dentes afiados de iguanas tristes na pedra fria
Os homens que não sonham ignoram a mordida de iguana e ignoram que não sonham
Os homens que não sonham fecharam a via estreita que nos aproxima de um éden
Os homens que não sonham não amam iguanas, cidades, pedras, éden, cerejeiras, anjos
Os homens que não sonham não amam nada, não tocam nada, não vivem nada...

- poesia da série AZUL DESMORONADO

La nave va...

Não há mais céu - Poesia - Bárbara Lia

NÃO HÁ MAIS CÉU Não há dança que possa Salvar o mundo Do apocalipse Em conta-gotas Posso tocar A angústia das flores Em seu último suspiro A...