Monday, January 27, 2014

o alfabeto dos flamingos e a semente do sol





Procurava o rastro do gafanhoto no fio da toalha. 
A casa da libélula embaixo do travesseiro. 
Procurava na Biblioteca o livro com o alfabeto dos flamingos. 
Procurava no amante ruivo a semente do sol. 
Procurava. 
Procurava. 


Bárbara Lia

Saturday, January 25, 2014

Musas de Acetileno


imagem - gosia janik

Um céu / sem estrelas e sem pai: uma água negra
Sylvia Plath


O céu água negra de Plath
Pleno de alegorias fatídicas
Bebês carbonizados e Medusas
Ovelhas de neve na névoa
A balir para a enigmática lua - 
Blasé - com seu capuz de osso

Bárbara Lia

Tuesday, January 14, 2014

O caminho para ""Paraísos"







"Paraísos de Pedra é um livro de memórias da infância e da juventude. São textos curtos em que a escritora Bárbara Lia registra as lembranças de sua meninice em Peabiru e algumas vivências em Curitiba, onde mora hoje. O tom, na maior parte dos contos, é de conversa, de intimidade. Peabiru – e dentro dela, as casas onde a menina Barbara viveu – é um lugar comum, mas mágico para a criança que descobre o mundo."


Ano passado “Paraísos de Pedra” - editado pela Penalux - foi minha estréia em narrativas curtas. Quando penso sobre a publicação de outro livro de contos tudo fica nublado, ou melhor, branco. Dificilmente escrevo contos, mas, por algum tempo eu fiz viagens e viagens a um tempo bem feliz, minha vida em Peabiru dos seis aos quinze anos. Sempre quis registrar a minha odisséia infantil, os meus dias de menina, em uma espécie de homenagem aos meus pais e também a cidade de Peabiru, que eu amo.
Quem desejar o livro, ele se encontra a venda no site da editora: 

Friday, January 03, 2014

Inaugurando 2014



Casa de areia com vista para Aldebaran





Há algo de intransferível no poeta.
Ao homem comum não custa muito mudar os hábitos, mudar de mulher, 
mudar de casa, trocar de carro, de corte de cabelo, de loção.
O poeta não pode mudar seus hábitos.
Segue Universo sem fragmento.
Não pode cortar nada, amputar-se, diluir.
Os homens comuns levam uma vida assim:
Terno, família, futebol, financiamento, férias.
O poeta leva uma vida distinta, plena de diálogos interiores:
- A flor amarela cresceu um pouco mais e segue agarrada ao muro.
- Há dois dias não ouço aquele pássaro que lembra Gardel.
- Morro de pena dos anjos, pois sei que eles nunca dormem.
- Voltei a pensar em Chopin noite e dia e em sua dor de tísico em Nohant... Na dor de perder a amada: aquela mulher-areia - Sand. Aquela que lhe concedeu uma filha emprestada e paraísos de orvalho. Os homens fogem do amor, e com razão...  Quem decifra estes corações com asas? E apenas as mulheres com asas nas artérias seguem inesquecíveis... Chopin que o diga.
Em dias de dor insuportável o poeta pensa: - Ah! Quem dera uma vida morna, um terno lindo, reuniões plenas de gráficos e cafezinhos.
Mal seca as lagrimas, continua assim:

Casa de areia com vista para Aldebaran.

Bárbara Lia

O desencanto mata os centauros brancos...



Terminou de soar na relva a foice do crepúsculo...
Eu sinto hoje uma vontade louca
De mijar, da janela, para a lua. 

Sierguiéi Iessiênin



O desencanto mata os centauros brancos
Quem antes deblaterava contra o negror
Morre branco de dor no Hotel Inglaterra

O desencanto raspa a tintura do poema
Rasga peles à carne viva
Mata meninos na flor da bonança

Os homens desde os Césares até Bush
Os homens desde a antiga Babilônia até USA
Os homens desde a primeira fala até o último ditador
Vestem o desencanto como luva

E havia nele tanto amor!
Morrer não é difícil 
Difícil é o ofício de ressuscitar a esperança
Respiração boca a boca em todas as manhãs

Lá vai o menino pelos campos
Infância a caminhar em tábuas rústicas
Molha a lua com seu xixi audacioso

Lá vai o menino pelas ruas
O verso na boca
O coração aos saltos

Em Moscou ama Isadora meio à fumaça
Do "Cão Vadio". Maiakovski, a poesia, a luta
A neve diabolicamente alva de dezembro
A colorir-se de rubra dor
Na parede a mensagem escrita a sangue

Viver é difícil, sim, viver é
Este é teu canto real
Ao qual nenhum poeta escapa
Bárbara Lia

* depois das poesias para as - musas de acetileno - escrevi algumas para os poetas suicidas como Hart Crane e o belo Iessienin... 

Tuesday, December 31, 2013

Poema de fim de ano


    Imagem by  Rosie Hardy





NIZAR QABBÁNI (sírio, 1923-1995)


QUE TODO ANO VOCÊ SEJA A MINHA AMADA



Que todo ano você seja a minha amada. (1)
Digo com simplicidade de
reza de criança antes de dormir,
ou o descanso, na espiga de trigo, de um passarinho.
No vestido branco, mais uma flor,
nas águas dos olhos, mais um navio a esperar.
Digo com calor e ira de
pés batendo o chão – dançarino espanhol –,
mil círculos a formar
em torno da terra.
Que todo ano você seja a minha amada.
Sete palavras, embrulho com laço:
meu presente de ano novo.
Os cartões não dizem o meu querer;
todos os desenhos que contêm,
(velas, sinos, árvores, bolas de neve,
crianças, anjos) - nada disso me convém:
não me agradam os cartões prontos
nem os poemas prontos
nem os votos para exportação,
feitos em Paris, Londres e Amesterdã,
escritos em francês ou inglês
servindo a toda ocasião.
Mas você não é mulher de ocasião;
é a mulher que amo,
a dor diária
que não se escreve em cartões,
que não se diz em letras latinas
e nem por correspondência.
Quando chega a meia-noite,
você, peixe, penetra na minha água cálida, se banha,
minha boca explora florestas ciganas, o seu cabelo,
e fica por lá.
Porque amo você,
o ano novo, rei que chega;
e porque amo você, carrego
permissão especial de Deus
para passar entre mil estrelas.
Este ano, não vamos comprar árvore:
Você será a árvore,
e sobre você vou dispor
meus desejos e orações,
minhas lágrimas, lampiões.
Que todo ano você seja a minha amada.
Desejo que temo
para não ser acusado de ambição e pretensão,
idéia que temo alguém a roube
e alegue ser o inventor da poesia.
Que todo ano você seja a minha amada.
Que todos os anos eu seja o seu amado.
Desejo fora do merecido,
sonho além do permitido,
mas quem tem o direito de censurar-me por meus sonhos?
Quem censura ao pobre o sentar-se no trono
por cinco minutos? – um sonho.
Quem censura ao deserto
querer um riacho? um desejo.
Em três casos o sonho é legal.
Caso de loucura,
caso de poesia
e o caso de conhecer uma mulher
estonteante como você.
Eu – felizmente – sofro dos três.
Deixe a sua tribo,
siga-me até as minhas cavernas,
largue o chapéu de papel,
a desajeitada melodia
e a fantasia.
Sente-se comigo na sombra – anestesia:
A poesia tem véu azul;
O meu manto protege-a das chuvas de Beirute.
Tenho vinho tinto, das adegas dos monges. Eu lhe oferecerei.
Prepararei um prato espanhol, de frutos do mar.
Siga-me, minha senhora, para os descaminhos dos sonhos:
Eu lhe mostrarei poemas nunca dantes lidos,
destrancarei baús de lágrimas nunca dantes abertos,
amarei você como nunca amei antes.
Quando chegar a meia-noite
e a terra desequilibrar-se,
quando os dançarinos começarem a pensar com os pés,
retirarei-me para dentro de mim
e levarei você comigo.
Não é mulher pertencente à alegria
comum, você.
E nem ao tempo comum
e nem ao grande circo que passa
nem aos tambores pagãos que tocam,
tampouco às máscaras de papel.
Finda a noite, sobram só
homens de papel e mulheres de papel.
Ah, se fosse do meu alcance,
minha senhora,
construiria um ano só para você
poder recortar os seus dias como quiser,
em sua semana apoiar as costas como quiser,
tomar sol e se banhar,
nas areias dos meses, correr como quiser.
Ah, minha senhora,
se fosse do meu alcance
ergueria uma capital para você
na zona temporal
que não seguisse o relógio solar
nem o areial.
O tempo real só começaria a contar
quando sua mão pequenina fizesse
a sesta dentro da minha.
Que todo ano os seus olhos permaneçam
ícones bizantinos;
seus seios, loiras crianças na neve a brincar.
Que todo ano eu esteja enredado em você,
acusado por amar
como acusam o céu por viajar
e o lábio, por arredondar-se.
Que todo ano eu seja atingido por seu terremoto,
encharcado por suas águas
e tisnado feito vaso chinês
pela geografia de seu corpo.
Que todo ano você... não sei como dizer:
seus nomes, você escolhe,
como o ponto escolhe o seu lugar na linha,
como o pente escolhe o seu lugar nas dobras de seu cabelo.
Apenas, permita-me chamá-la:
“minha amada”.



(1) Um jogo de palavras a partir da expressão árabe equivalente a “Que todo ano e você esteja bem”, usada em  saudações festivas, especialmente na passagem do ano.

Traduçao - Michel Sleiman, integrou o recital de Poesia Arabe em 2006.

Saturday, December 14, 2013

G Ideias _ 7 Poetas Paranaenses

Ilustração: Felipe Lima



Linda ilustração dialogando com minha poesia _ Algo a respirar nas casas naufragadas _ que está no G Ideias deste sábado. Poema inédito que vai figurar em um próximo livro que devo organizar em 2014. 
Os poetas paranaenses deste belo encarte editado por Marleth Silva:
Rodrigo Garcia Lopes
Glória Kirinus
Marcos Losnak
Karen Debértolis
José Marins
Bárbara Lia
Adriano Scandolara


A imagem que inspirou  _ Algo a respirar nas casas naufragadas:



http://www.vus.com.br/projects/italo-calvino/

Ilustração de uma passagem do livro Cidades Invisíveis de Italo Calvino

Wednesday, December 04, 2013

Artesanais _ Fantasma Civil

Minha amiga Kátia Torres Negrisoli, de Adamantina, sempre fotografa os livros em ensaios poéticos que eu recebo e compartilho. Os dois livros da coleção _ Rosas em Ruínas _ Percurso amoroso de uma Vândala e Femme! e a Antologia da Bienal Internacional de Curitiba, organizada por Ricardo Corona _ Fantasma Civil.











2013: Algumas horas belas



O livro mais impactante de 2013 _ Uma viagem à Índia _ Gonçalo Tavares.
Uma epopeia onde os versos emanam toda Filosofia, a Metafísica. Um homem: Bloom. Até onde ele poderá levar seu segredo? Há algum tempo um livro de poemas não me levava pela mão com tanta beleza e com aquela ranhura de reconhecimento da alma humana. Um grande momento deste ano: Ler Gonçalo Tavares. Ouvir Gonçalo. Beber sua luz.

--

23 _ Canto V

Alimentados por livros, os filósofos
estão no mundo de roupão, se ainda não sofreram.
De roupão, que ridículo! Bloom solta uma gargalhada.
Ninguém recebe visitas estranhas com roupa intermédia
entre o sono obscuro e a vigilância clara.
Mas, de roupão estão de facto os filósofos no mundo
se ainda não olharam de frente para o tumulto inexplicável da natureza,
ou se por amor ainda não sofreram.

Página 211
Uma Viagem à Índia _ Gonçalo M. Tavares _ Ed. Leya


**


O filme impactante _ Blue Jasmine _ Uma adaptação de Woody Allen de _ Um bonde chamado desejo. Longe daquele enfoque nas locações, que ele trouxe nos mais recentes filmes, San Francisco é coadjuvante. Por isto mesmo a cidade se impõem. Como ótima coadjuvante integra a cena em luz e sombra. As horas duras no lusco fusco... As possibilidades em amplidão e luz...  
Uma interpretação impecável de Cate Blanchett. 





**

Momento sublime no cinema _ Monólogo de Javier Bardem em _ To the wonder (Terrence Malick)





**



Um momento impactante envolvido em uma esperança terna que desvaneceu depressa demais.
Sempre ficava triste por perceber a inércia dos brasileiros. Na metade do ano um vento de esperança soprou forte. Não foi em vão, mas, retomada a rotina fica aquela sensação de exército que abandona a guerra ao meio. Foram semanas de nadar no mar da utopia. 



***



Thursday, November 21, 2013

No silêncio do meu caminho...



Algumas imagens de 2.013:
Antologia de poetas de todos os países lusófonos _ organizada por Amosse Mucavele (Maputo)
Matérias sobre o livro _ Paraísos de Pedra:
















Exposição _ Cartões Elegantes _ Outubro _ 2013 _
19/20 - dia do poeta
Castelinho do Alto da Bronze
Porto Alegre
Organização _ Poeta Sandra Santos
poetas convidados:

Ademir Demarchi, Alexandre Brito, Bárbara Lia, Betty Vidigal, Caio Ritter, César Pereira, Dilan Camargo, Edson Bueno de Camargo, Edson Cruz, E. M. de Melo e Castro, Gilberto Wallace, José Geraldo Néres, José Inácio Vieira de Melo, Juliana Meira, Laís Chaffe, Lau Siqueira, Leila Míccolis, Lúcia Santos, Luis Turiba, Mara Faturi, Marcelo Moraes Caetano, Marco Cremasco, Mario Pirata, Manoel Herzog, Nydia Bonetti, Paulo Seben, Ricardo Portugal, Ricardo Silvestrin, Renato Mattos Motta, Romério Rômulo Campos Valadares, Rubens Jardim, Salgado Maranhão, Sandra Santos, Sidnei Schneider, Tchello d'Barros, Tulio Henrique Pereira.

















Fantasma Civil _ Antologia _ Bienal Internacional de Curitiba
Organização _ Ricardo Corona
Projeto Gráfico _ Eliana Santos








No primeiro dia do ano eu estava com meu neto no final da tarde e vi quando o céu ficou inteiramente  rosa. Fiquei com aquela imagem gravada. Ele com seus três aninhos e toda Poesia compreendeu quando eu mostrei este céu diferente e comentei sobre a cor das nuvens. Alguns dias depois ele contou para minha filha (quando ela regressou de uma viagem) sobre as nuvens cor de rosa que nós vimos. Fiz um poema falando deste momento, fazendo uma relação com a fase azul de Picasso (de pinturas plenas de dor) para a fase rosa, onde ele vai despindo aquele manto de espectros para pintar alguma felicidade. Este "Azul Desmoronado" _ o poema _ publicado em Março no Jornal Cândido (Biblioteca Pública do Paraná) abriu a cortina de um ano onde tudo que vivi foi como eu penso ser a vida de quem escreve Poesia. Onde o momento da criação é o ápice, ainda que observe as pequenas coisas dos bastidores da Literatura e perceba os equívocos e ouça ruídos, nada disto pode mudar meu caminho... Sou apenas isto: Uma Poeta. E sigo Poeta no silêncio do meu caminho...

A Poesia no palco:

Em três tempos: 
No evento _ Vox Urbe _ (organizado por Ricardo Pozzo), no mês de janeiro, dividi o palco com a Geisa Mueller na noite das _ Musas de Acetileno _ com a sensibilidade da Geisa para compor o enredo e a direção. 
Na Semana Literária do SESC, em setembro, a homenagem aos cem anos do nascimento de Vinícius de Moraes, ao lado de Marilda Confortin. Elas leem Vinícius.
E para encerrar, o lançamento da Antologia _ Fantasma Civil _ Lançamento da Antologia e recital ao lado de alguns poetas da Antologia.


A Poesia nas Antologias:
_
"O Grito do Sangue Tupiniquim" _ Vinagre _ Uma Antologia de Poetas Neobarracos:

"Alone/Enola" e "Deus no Orvalho" na Antologia _ Arqueologia da Palavra e a Anatomia da Língua:

E minha relação afetiva com a cidade, só podia ser mesmo com a chuva _ que eu amo! na Antologia _ Fantasma Civil, organizada por Ricardo Corona, no primeiro ano em que a Literatura integrou e _ 
brilhou_ na  _ Bienal Internacional de Curitiba.

A Prosa:

Este que foi o _ ano das cidades _ onde, finalmente, consegui publicar pinceladas de um tempo mágico, minha infância em Peabiru. Em um livro de narrativas curtas que mescla ficção e memória, trafegando pelos cenários curitibanos e peabiruenses. "Paraísos de Pedra" (Selo Castiçal _ Editora Penalux). Lançado em Julho na Livraria do Paço. 

2013 _ Intenso e poeticamente lindo:

Naquele dia rosado que inaugurou o ano eu não conseguia colocar tantas horas poéticas em meu pensamento e nem elaborar um ano tão límpido. Cada passo foi meio ao toque daquela Sinfonia preferida, se eu pudesse dizer : é isto que quero para mim... Talvez, nem mesmo assim, eu pudesse compor um quadro poético mais belo. 

Para sublimar o ano, em agosto, na Oficina do Gonçalo M. Tavares, eu ouvi o que precisava ouvir para lavar todo descompasso com alguns fatos do meu passado literário que ficavam arranhando e magoando. Com algumas palavras, frases, pensamentos, poemas, evocações, lavei as mazelas e guardei cada ensinamento do Mestre. Não creio em Oficinas como uma espécie de Escola onde se ensina a escrever. Gonçalo Tavares afirmou que também não crê. Mas, minha intuição em participar de uma Oficina foi vital. Ele gravou um _ recomeço _ quando afirmou coisas como: Os "imortais" podem perder tempo, pois eles são _ ou presumem ser _ imortais. Eles podem ler livros ruins, ver filmes ruins, e fazer coisas que em nada acrescenta usando um tempo precioso... Os mortais não podem fazer isto. O que assimilei como uma cura, foi a colocação dele sobre o tempo que alguém ou algum evento rouba de nossa preciosa vida _ estas coisas insolúveis. Por ter a chance de assimilar uma verdade... Eu carregava mágoas como Sisifo à sua pedra, era erguer e desmoronar sem fim. Aprendi com Gonçalo que um mortal não tem tempo a perder remoendo coisas pequenas e situações pequenas e insultos de pessoas que são pequenas _ sim _ quando perdem tempo com coisas menos importantes que construir sua Obra. 
Outra coisa mais que vital: Escrever e ler como quem se alimenta _ devorar. E também sobre a sua dedicação e seu isolamento em momentos de escrita. Longe da parafernália que rege tudo. Tal qual eu sempre pensei a vida de um Escritor, assim com "E" maiúsculo e um grande destino _ Fechar-se para tudo, em silêncio, como quem deleta o mundo para mergulhar na criação. 

E a minha criação vicejou em romances que necessitam ficar aquele tempo em repouso para serem reescritos, revisados... Em livros que enviei para Concursos e nem sei o que será. Em Poesias que escrevi como não escrevia nos últimos anos.
Passei alguns meses tentando compor uma Antologia Pessoal. Selecionar os poemas mais expressivos em um livro que resumisse toda a minha escrita e criação poética... Arquivei a ideia. Melhor reunir poemas para um livro inédito, sem pressa. Por isto, não tenho nada traçado oficialmente para 2.014, além de seguir criando, no silêncio do meu caminho. 
Dias mais poéticos para todos nós, em 2.014 e para sempre. Gracias a la vida, à partilha de todos que trilharam momentos e lançamentos, buscas e horas banais ao meu lado. A vida é um Mistério e em 2.013 tive esta certeza e saio dele com oitocentas mil perguntas e uma resposta simples, à la Gonzaguinha: É a vida, é bonita e é bonita...

__ sobre esta configuração do blog, ainda não sei como resolver... as palavras eu as escrevo completamente nas linhas, mas, quando publico elas ficam separadas, de uma forma incorreta... então, preciso pesquisar para saber como publicar sem esta configuração estranha __

Wednesday, November 20, 2013

what would i say?




_um aplicativo que resume suas postagens no Facebook. Fui até lá e o resumo da ópera é o poema abaixo _


E pensar que só uma televisão ligada no andar de mim:
_ Rimbaud
E se me perguntarem o que será
Dia nenhum
Mundo melhor
Amem
E esqueçam Deus

Bárbara Lia


Monday, November 18, 2013

Natal amorável




Sobre os livros artesanais... editei  "Rosas em Ruínas" pequena epopeia passional:

Femme! 
Essencialmente erótico. O pequeno livro é o que anda de mãos dadas com Eros, a maioria dos poemas falam do amor carnal. O poema que integrou a Antologia _ Amar, Verbo Atemporal (Umbrática Nuvem) _ está neste livro. 

Percurso amoroso de uma vândala
Primeiro coloquei o título deste pequeno livro de _ Canções de afundar navios _ depois optei pelo percurso. O percurso amoroso de uma vândala está dividido em três subtítulos: Dark Blues / Noir / Shine.




..

Saturday, November 16, 2013

O outro lado do espelho...


ESTAR SOZINHO

(Para Bárbara Lia)

Líquido momento de sentir
E estar sozinho.

Mariana Ianelli


Aqui
não há
a voz das folhas secas 
a te sussurrarem
- sob o peso dos teus passos – 
segredos do outono.

O coração se calou.
                                                         
O silêncio 
aqui
já não te causa medo.
O silêncio
aqui
é líquido como o deserto
ou como a hora 
líquida e incerta
de estar sozinho.

MARCELO BOURSCHEID
Dramaturgo e Poeta
foto _ com Marcelo na Oficina de Dramaturgia _ SESC/PR




que a lua não enregele seus dias de ópio
e o medo da morte não desperdice o lento caminhar
se o gelo das altas madrugadas fazer-te esquecer da vida
esquecer das dores, esquecer da fadiga de dormir
para logo mais acordar...

ainda restará uma xícara de café quente sobre a mesa
e um pedaço de pão
e um papel amassado

e a reclamação de um filho que ainda não se foi.

Clifton Giovanini - 24/02/03

_ Clifton na foto _ o moço de azul





De Sóis Noturnos


para Bárbara Lia

Sou eu?
Atrás do espelho,
tinha um espelho.

Neste, eu estava invertida.
Naquele, a me ver vertiginosamente.

Branca de neve sem madrasta:
eu sol.
De Sóis Noturnos.

Nem quem,
espelho meu,
nem mais bela.
Só eu.

TRÊS TEMPOS

I
Inspirou
Eu sou?

II
Expelindo
Eu sol.

III
Morrerá
Eu só.

Rebecca Loise
in http://rebeccaloise.blogspot.com.br/2013/10/de-sois-noturnos.html




releitura
p/ bárbara lia

tremendos mistérios estão ali,
naquelas
páginas

os átomos que falamos tanto
parecem mais leves

parecem mais pesados,
também

após releitura de uma
última chuva

Isaias de Faria _ somos todos telebobos _ página 59



** uma característica dos poemas: meus amigos poetas captaram minha solidão. O poema do Isaias de Faria é sobre a releitura de um livro, os demais conviveram por algum tempo com minha alma misantropa e a narraram em poesia, para eles também escrevi versos, de todos eles sinto saudades. E a vida é este mistério, e tempo e distância este impasse. Segue o coração com as horas arquivadas, a retirar como quem retira fichas de um arquivo e revê e vive outra vez. Para Marcelo Borscheid foi depois do incrível mergulho na beleza dolorida de: Antes do Fim,_ ainda na época da leitura dos textos em nossos encontros de dramaturgia e o poema foi escrito enquanto ouvia a leitura, capturei imagens, embalada pelo clima do texto desta belíssima Peça, recolhendo cenas e signos. Clifton ganhou uma poesia que entrou no livro "A última chuva", no tempo em que ele viveu no Rio Grande do Sul e escrevia contando sobre o lugar onde vivia diante de uma catedral gótica, sentia saudades do meu amigo e para ele escrevi "Primavera Desfolhada"... E, para Rebecca dediquei um texto escrito após minha ida à exposição no Museu da Língua Portuguesa, ante o silêncio azul que desvelou para mim um pouco mais de Clarice Lispector, pois a escrita da Rebecca tem este viés de Clarice, de profundidade que fere navalha.


LEITURA POÉTICA DE "ANTES DO FIM":
para Marcelo Bourscheid

Chuva no mar
       e Electras estilhaçadas
Ruptura das asas
       e aves mortas na varanda
Luz estéril de farol hirto
       bloqueando sereias
Malas atiradas na areia
       aos pés da catedral de ossos
Rescaldo do sacrifício
       dos serafins tortos

- Bárbara Lia/2009


Fragmento de _ Primavera Desfolhada _ Para Clifton Giovanini (A Última Chuva):

Agora, ele escreve fumando narguilé
batucando a velha Olivetti
diante da catedral gótica.
Meu amigo medieval
ponte de ternura rara
exilado em um lugar
onde a neve cai ao sol
onde ele não esquece
nosso carinho repartido.
Agora, vai descrever as pedras da catedral
com ternura embriagada,
breve, vai ultrapassar a soleira em luz
garrafa de vinho em uma das mãos
uma chama de vidro no coração
e no rastro uma primavera desfolhada.
Bárbara Lia/2006

"MISTÉRIO E CHAVE DO AR"

A porta do elevador se abre e todas as paredes mostram o rosto dela e as palavras. Clarice jovem, Clarice adulta, Clarice em suas últimas fotografias. A penumbra azul traz de volta um pensamento recente: O céu não é baunilha, luz, campos e regatos. O céu é uma penumbra. As mais belas horas vivi na penumbra. E Clarice me sussurra na penumbra "sinto que sou muito mais completa quando não entendo" e "viver ultrapassa todo entendimento". Entrei na penumbra azul da exposição de Clarice sabendo que em mim, como em tantos, nada permanece igual depois que se respira "o mistério e a chave do ar" - Clarice.
E a Estação da Luz fechou por alguns instantes (segurança papal). Não eu não quero ver o Papa, quero ver a palavra viva, fluída, que são regatos escondidos em gavetas escuras. E chorar lendo o poema de Drummond, que resume Clarice no último verso: mistério e chave do ar.
Há que se escolher o ar, e respirar puro. A exposição no Museu da Lingua Portuguesa - A hora da estrela - é pura penumbra, e ao mesmo tempo luz. As fotos que ela tirou em sua polaróide. E as inúmeras fotos de Clarice, sua obra, seus passos, seu itinerário completo. Não pude fotografar como fotografei a exposição da obra de Guimarães Rosa. Em um momento da entrevista dela, ela se confessa cansada. Impressiona. E como ela se mostra humana, frágil, impressiona. Então respiro o ar, a penumbra dos gestos e palavras e o pensamento volta. Vivi instantes de céu, na penumbra asséptica entre verdes lençóis, quando o filho nasceu e contra todos os prognósticos, viveu. Acordar em uma certa madrugada, esquecida de onde estava, da penumbra ver a luz pequena que cai sobre a mesa o vulto do amor a compor poemas - Céu. A penumbra de um porão salpicado de pétalas e poesias, a penumbra sempre... E toda a atmosfera delineia esta idéia que anda vagando em mim - é bem estranho o céu, é uma penumbra, caminhei pelo céu esta tarde. pelas relíquias, documentos, acervo pessoal, cartas, e sorrisos discretos dela.

p/Rebecca Loise _ 2007



La nave va...

"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura

  "Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura da escritora Francine Cruz. https://www.youtube.com/watch? v=IxpCcdUM7...