Thursday, August 06, 2015

Pássaros Ruins

Adriano Esturilho, Bárbara Lia e Giuliano Andreso




Adriano Esturilho, Priscila Merizzio e Giuliano Andreso


Imagens acima da gravação para o vídeo Pássaros Ruins, meu poema gravado foi - Insônia.




Saturday, August 01, 2015

Viva Pipol!





A Revista Capitu, que Gil cantou em uma canção, foi a primeira a publicar um poema meu. Os editores eram Edson e Carlos Pessoa Rosa, eu uma poeta desconhecida. Achei aquilo incrível. E quando Edson Cruz se uniu ao Pipol para criar aquele que seria o Site Literário Cronópios, automaticamente virei cronopiana. Sei que devo, imensamente, a divulgação da minha Poesia à nível nacional ao Cronópios. Nos anos que seguiram, muitos poemas e textos. Conheci Pipol no evento - A cidade aTravessa, Casa das Rosas, em 2010 quando fui lançar Constelação de Ossos. Em 2012 ele visitou Curitiba na véspera do meu embarque para Poa onde lançaria - A flor dentro da árvore. Foi a tarde que passamos visitando a exposição Leminski, conversando em um café, gravando um bate papo. Querido e sempre animado, ficou esta memória de partilhar a Arte e a Poesia. Ainda não sei se editarão a Antologia em homenagem a Éder Jofre, e foi a razão das nossas últimas trocas, sempre embaladas pelo entusiasmo do Pipol. O que sei neste inverno único, é que - inédita - é a vida. Só ela escreve enredos inacreditáveis. Nós somos a sombra de um dramaturgo genial, mas, se existe um deus, ele tem esta vantagem que não temos, de TUDO VER, TUDO SABER... Quem dera eu pudesse emprestar por sessenta segundos os olhos de Deus...
Na verdade, eu só queria contar que aquele novo Cronópios que o Pipol trabalhou tanto pra construir ficou pronto. Ele não está aqui para ver, mas, ele está, no legado, na memória, e trafegar pela página deixa aquela sensação de que ele - realmente - não morreu. Lá estão meus textos de antes, a possibilidade de seguir a publicar a Poesia, e a memória daqueles acenos no pátio do Museu Oscar Niemeyer... A gente não sabe mesmo quando é a última vez que vai poder sorrir para alguém em uma última despedida neste mundo. RIP Pipol, o Cronópios segue, a Poesia segue...

Friday, July 31, 2015

Margens SESC Campinas - difusão da literatura feminina brasileira







Margens , realizado pelo Sesc Campinas com curadoria da jornalista e pesquisadora Jéssica Balbino é um projeto pioneiro, independente e multimídia na difusão da literatura feminina brasileira da última década. O desafio é responder, na prática, a pergunta “Quem são as mulheres da literatura?” e que mais do que livros e teoria acadêmica, as boas histórias só existem a partir da gente, e de gente, por isso é um espaço dedicado aos saraus, debates, oficinas, slams, festivais e resenhas, especialmente a que é vinculado às mulheres e sua produção.

05/08 - 19h30
A oficina deve trabalhar a figura da mulher na literatura e mais especificamente na poesia. As formas como o gênero aparecem narradas pelas próprias autoras, que assumem seus lugares sociais e de enunciação, passando a escrever, eternizar e propagar a própria história. A ação será ministrada por Marina Mara. Sala de Atividades 1


12/08 - 19h30
Mediado pela jornalista e pesquisadora em literatura feminina, Jéssica Balbino, que traz a jornalista e escritora Eliane Brum, para discutir o papel e a representação da mulher na literatura no jornalismo literário, além de fazer uma leitura de textos próprios. Área de Convivência




19/08 - 19h30
Para seguir empoderando mulheres e garantindo a voz feminina, o sarau Margens traz escritoras, slammers, jornalistas e poetas emergentes da literatura brasileira. Com microfone aberto, o sarau é também um espaço de troca, a fim de celebrar a oralidade. Área de Convivência

Participação de Elizandra Souza, Raquel Almeida, Ryane Leão, Mel Duarte, Jennyfer Nascimento, Débora Garcia e Michele Santos

26/08 - 19h30
Para seguir empoderando mulheres e garantindo a voz feminina, o sarau Margens traz escritoras, slammers, jornalistas e poetas emergentes da literatura brasileira. Com microfone aberto, o sarau é também um espaço de troca, a fim de celebrar a oralidade. Área de Convivência

Participação de Elisa Lucinda.


GRATUITO
CLASSIFICAÇÃO LIVRE

Monday, July 27, 2015

Josefina Neves Mello




e as tardes de verão no Oeste eram densas
sufocava o calor e a falta de palavras
doía não saber notícias

o pai sumiu depois do final de março
e os livros tiveram de ser queimados
dissolvi as cinzas na bacia Rochedo em que a mãe tomava banho
o inverno passou e nada de chegar uma notícia
um dia passou em casa um moço e disse que o pai estava no Paraguay
na divisa, perto, não do outro lado
demorou muito até o pai voltar
velho, triste e cheio de cicatrizes
e toda noite ainda tinha pesadelos
lembro sempre daquela madrugada
em que arrombaram a porta procurando o pai
revirando a casa
empurrando a mãe
e perguntando onde estavam os malditos livros
(Josefina Neves Mello, Rio de Janeiro, 19/07, 05h05)

imagem enviada pela autora: verão na Ilha de Paquetá

Wednesday, July 22, 2015

A cada ano colhemos fruto do trabalho (árduo) e a cada ano alegrias novas. O ano começou com a notícia da Menção Honrosa na primeira edição do - Prémio Literário Fundação Eça de Queiroz - em Santa Cruz do Douro, Portugal, com o livro - As Filhas de Manuela - romance que eu vinha tecendo desde 2004. Na sequência tem a Antologia do Jornal Relevo. Os livros inéditos em editoras e concursos. Outras imersões poéticas estão por vir. Só quero falar do fato consumado. Então, geralmente o ano começa mesmo no final do primeiro semestre. Este ano é um ano lindo, único. 






Wednesday, July 15, 2015

Respirar na Joaquim Livraria & Sebo



Respirar (Poesia)
Bárbara Lia
124 páginas
Capa: "MInaretes & Para-raios"
 (aquarela de André Lissonger)
ISBN - 978-85-906912-3-5
R$.30,00


Meu livro "Respirar" na - Joaquim Livraria & Sebo - É possível comprar via internet, pedidos via e-mail:
info@joaquimlivraria.com.br
Joaquim Livraria & Sebo 
Rua Alfredo Bufren, 51, Centro
Curitiba
041 3078-5990

Tuesday, July 14, 2015

Este "Sim" com fecho éclair








Liberdade da boca pra fora é de barro
Liberdade da boca pra dentro é jardim
Luta da Mulher enoja o mundo feito escarro
Esta gosma rosa quase ninguém olha
Cortam voos destas asas menstruadas
Com vontade de que fique na retórica
Desejo que todas se conformem - Evas
A insistência das costelas adormecidas
Na liberdade monitorada por satélite
Vida ao cubo: Mãe, provedora fêmea
Engolindo este "sim" com fecho éclair
Dentro mil nãos repartidos em gavetas
Como homens bombas - sem saída
Vão à luta para não morrer cerceada
Que riqueza há em ser só - adereço?
Se não for, saiba - vai pagar o preço
Que dor é esta que insulta o mundo?
Dor latente do leite e do sangue XX
Mulher lacrada não pode ser - Sim
Fecho éclair navalha – sobe / desce
O mundo continua a achar estranho
As flores vomitadas nas penumbras
De jardins que floresceram súbito
Em lares canônicos, uniões inócuas
Sim! O que se quer é um sim liberto
Um sim sem fecho éclair navalha
Um sim sem prazo de validade
Sem argola de detento no vestido
Avenidas hão de conhecer o perfume
Das flores soltas, leves, em liberdade
Sou mulher pago o preço da ousadia
A utopia: sonhar um jardim para dois
Um dividir, sem confrontos, rupturas
Que cada um seguisse com suas asas
Muito alto, sempre mais. Haja alturas!...
Bárbara Lia

Saturday, July 11, 2015

Uivo




Um poema é sempre um uivo na noite calada
Quebrando a gélida cortina do silêncio negro
Entrando nas veias como um rio do Alasca
Em pleno verão quando ele degela - triste -
Diluindo a crosta expondo corpos estocados

Um poema é sempre este sangue tardio
Aquele que é descoberto pós-bala alojada
Pós-vísceras rasgadas e o corpo tombado
Que o poema salva com um ato cirúrgico

Um poema é a maré do espanto revelado
Aquele soluço incontido que estoura dor
Que explode rasgando a cápsula da pele

Coração/barragem – finalmente - rompe

Bárbara Lia

Friday, July 10, 2015




Sempre volta aquele poema do Leminski
A arte do chá, do amigo "que chegou a esmo
praticamente não disse nada
e ficou por isso mesmo"
Ser poeta é entrave
A gente solta palavras como pipas
Espalhadas em um céu de cimento deste inverno
E não conseguimos dizer a quem amamos
Que nosso silêncio é este estardalhaço de signos
E os enleamos nas nossas linhas
Melhor calar tudo e dizer apenas...
- Eu só quero ficar
Em silêncio ao teu lado
Em silêncio sempre
Até que um possa
Entrar no silêncio do outro
Como aquela chama viva
Que flana
Quando estamos
Frente a frente -


Thursday, July 02, 2015

Respirar- Bárbara Lia





Sempre a dúvida: Participar ou não participar dos prêmios literários nacionais de maior porte como Jabuti e este novo prêmio - Oceanos.
Imprimi alguns exemplares de Respirar, e ainda não tenho certeza se vou enviar. Só sei que tenho o livro - anteriormente esgotado - para quem desejar comprar.
Entrar em contato com barbaralia@gmail.com

Respirar 
124 p.
Poesia
Bárbara Lia
ISBN - 978-85-906912-3-5
R$.30,00

Sylvio Back - o cineasta com alma de poeta


foto - Cadi Buasatto

Meu amigo Sylvio Back enviou o link de sua página no site - Templo Cultural Delfos... com palavras sempre eletrizadas... "Querida poeta, olhaí, acaba de vir a lume, como se diz. É show! (...)"
Os recados do Back são sempre eletrizados, dá para colher nas palavras o entusiasmo backiano, que eu acho incrível e que tenho vontade de ser como ele, chegar quase aos oitenta com uma espécie de chama entusiástica... Viva!


Sunday, June 21, 2015

Poesia!

Louis Garrel - Les Amants Réguliers


O nome do amor é silêncio




Do you believe in Love?
A frase na ponta da língua
O beijo na superfície dos lábios
O “eu te amo” suicida no olhar
O pátio enrijece um andar abaixo
Até as pedras sabem:
 - O nome do amor é silêncio -

Não esqueça jamais!

Bárbara Lia


Wednesday, June 17, 2015

O que é a Poesia?



O escritor Carlos B. Carlos, radicado em Belo Horizonte, criou uma página - O que é a Poesia?
Minha participação no link:

http://oqueeapoesia.blogspot.com.br/

Portugal!



Alguns sites de Portugal deram destaque ao resultado da primeira edição do Prémio Literário Fundação Eça de Queiroz. Vou colocar os links.
Fiquei muito feliz com esta menção honrosa.
Normalmente meu ano literário começa na metade do ano. 
A tradição reinaugura isto.
E começa com esta notícia incrível.
Mais um ano.
Uma Antologia (Jornal Relevo)
A possibilidade de um novo livro de Poesia ainda este ano.
Algum evento que está em andamento e que será incrível.
E este destaque para o meu romance inédito - As Filhas de Manuela.

Notícias sobre este Prêmio Literário:






Saturday, June 13, 2015

As Filhas de Manuela (o itinerário)




08 mulheres - cada uma delas ganhou um capítulo seu
Nina destoa e não ganha um capítulo seu
Nina é a nona desta novena surreal e dolorida
Nina é irmã de Magnólia e filha de Milena
As mulheres todas com nomes iniciando com a letra M
Cada capítulo abre com um verso de Sylvia Plath
Cada personagem tem um cenário que a liga ao seu destino
Inicia em 1839 em plena Revolução Farroupilha
E termina na Ilha do Mel há menos de uma década
Escolhi alguns títulos, e quase fui à loucura
Desde "Os Amantes do Grande Mar Redondo", até "Maldição Borgonha"
Optei por "As filhas de Manuela", pois é a saga das mulheres de sua descendência


Os capítulos e os versos de Plath abaixo, na devida sequência.


***
Manuela 
Grande Mar Redondo

_

Sobre mim passam, com a sua cacofonia, os corvos em bando negro.
Sylvia Plath


***
Miquelina
Convento de Santa Tereza

_

Tudo ameaça
Deixar-me ir por um céu
Sem estrelas e sem pai: uma água negra
Sylvia Plath


***
Maria Tereza
Barco Bêbado da Boêmia

_

Uma flor abandonada.
Os meus ossos absorvem a quietude, longínquos
Campos enternecem meu coração

Sylvia Plath


***
Milena
Trens Triturando Trilhos

_

As fontes secaram. É o fim das rosas
Sylvia Plath


***
Magnólia
Saveiro de Savério

-

A garra
Da magnólia
Por seu próprio nome entorpecida
Não pede nada da vida
Sylvia Plath


***
Maya
Ponte Neuf ao entardecer

_

A chama chora
O cheiro inconfundível de um toco de vela
Amor, amor, a fumaça escapa de mim
Como a echarpe de Isadora
Sylvia Plath

***
Mel
O chafariz das musas

_

Sofri a atrocidade dos poentes
Queimada até às raízes
Meus filamentos ardem e ficam
Emaranhado de arames
Sylvia Plath


***
Morena
Forte da Ilha do Mel

_

Numa fenda de rocha
O mar suga obsessivamente,
Uma cavidade de todo o mar.
Do tamanho de uma mosca,
A marca do destino
Rasteja muro abaixo.
Sylvia Plath


___________

O livro fala sobre a maldição que um homem encolerizado lança sobre Manuela e tal maldição faz com que todas as suas descendentes levem pela vida uma sombra da cor de sangue. Além de um destino de perdas de pessoas que amam. Como a maldição afetou e como cada uma delas enfrentou esta particularidade faz com que o livro tenha micro histórias em um encadeamento que deságua no cenário do início. A história começa em Paranaguá e termina na Ilha do Mel que se localiza ali, em Paranaguá, nosso Grande Mar Redondo.
Foto by Jean Chad

Outono mais lindo...

Nesta semana que finda, deste outono raro, nadando nesta bruma, voando sem asas, um instante pra abraçar o ar, dançar. Dançar ainda que o pé não obedeça ao comando, alguma coisa em mim - inevitavelmente - traria esta rebeldia que não obedece ao comando. Alguma coisa em mim segue como barca em mar rançoso a um passo do abismo. Alguma coisa em mim insiste em ter vinte anos - ainda - e toda a audácia de ser céu. Alguma coisa em mim ignora o relógio e ousa inverter ponteiros, recomeçar o jogo já perdido. Alguma coisa em mim vibra em uma semana mágica, onde uma mente brilhante elevou-me aos patamares de humanidade repartida, em uma conversa incrível, tão incrível que somos expulsos do café, todas as mesas vazias, todas as cadeiras reviradas e apenas nós, com desejo de falar até que o mundo termine, pois existe um lugar onde as similaridades se tocam e a vida reinaugura uma fatia de um jardim perene, um amigo nasce no outono fecundado de esperanças. Uma semana para retomar os fios, comemorar com os velhos amigos com uma ferramenta íntima, onde só os amigos se cruzam em infinitas palavras, obrigada aos que atravessaram outonos vários e são os velhos amigos desta  trilha íngreme e rara chamada Poesia. Uma semana no outono onde um livro tem um sim de um editor... Outro livro se destaca além-mar, um poema da série - O céu dos poetas - ganha um lugar na Antologia de 5 anos do Jornal Relevo. E encerra com a consolidação de um convite para levar a poesia aos lugares... Uma semana onde você consegue retomar o ritmo da escrita perdido entre mudança, dor, médicos e solidão de ser poeta rebelde. Agora é preparar a virada, o semestre que virá com novos frutos, novas alegrias.

La nave va...

Meus livros

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