"Aonde eu não estou as palavras me acham - Manoel de Barros (Livro sobre nada -1996)"
Mesa Redonda - Chacal e Bárbara Lia
Uma linda semana em que pudemos falar sobre Poetas e Poesia. Falar poemas e contar nossas experiências, ao lado de alguém incrível como Chacal. As manhãs em viagem, as tardes conhecendo ruas e culturas. Locais jamais visitados. O Chacal falou muito de um lugar que ele conhecia, de ter visitado armarinhos em uma viagem anterior. E nada mais era que na cidade onde cresci. O Armarinho da rua principal de Campo Mourão, que existe desde que eu triturava calçadas vermelhas, como volver a los 17, aquela rua, aquela rua... As descobertas, o perfume de chuva e terra. A gente nem sabe o que a vida nos reserva. Bela semana pela possibilidade de levar a poesia, e esperar que ela caia alma adentro e expanda. Agora é seguir com os projetos todos em uma espécie de renovação dentro. Energias recuperadas. E a saudade a acenar, mal chego de volta à casa, este meu pequeno espaço de criação. Foi bom, sim, foi muito bom. ..
Fragmento da matéria do jornalista David Arioch *Paranavaí* no seu site (link a serguir) é possível ler suas impressões sobre a mesa: Fiquei muito feliz de reencontrar o Chacal e conhecer a Bárbara Lia. São duas figuras ímpares que se destacam por acreditar na verdadeira arte, aquela que luta para sobreviver independente das exigências do mercado e da indústria cultural. Ou seja, duas forças de resistência na contramão de um mundo veloz que tenta nos moldar de acordo com a sociedade de consumo e sua obsolescência programada. David Arioch
A vez e a voz de nossos poetas em suas aldeias. A cada episódio, a série Pássaros Ruins traz um poeta e um poema, num sobrevoo torto e inusitado por um ponto marcante de sua cidade.
A série Pássaros Ruins dá vez e voz a poetas em suas aldeias, a partir do olhar do diretor curitibano Adriano Esturilho. Com curadoria do poeta Ricardo Pozzo, em cada episódio um poeta lê ou recita seu próprio poema em algum ponto da sua cidade. Em sua primeira temporada, a série conta com 9 poetas da cena curitibana: Rodrigo Madeira, Andreia Gavita, Thadeu Wojciechowski e Adriano Smaniotto, dentre outros. A qualidade técnica dos vídeos – imagem, som e trilha – e a opção por um olhar cinematográfico que coloca a imagem a serviço do texto e da poética de cada autor são os pontos altos do projeto. Ao longo do tempo, com novas temporadas, a série se transformará em um mapeamento da atual cena da nossa poesia, sempre mesclando autores de diferentes gerações, linguagens e referências. A websérie é um convite para que um público mais amplo, por meio das redes sociais, crie o hábito de acompanhar um pouco da nossa poesia dentro da correria do seu dia a dia. Os vídeos – sempre curtos – podem funcionar como um breve respiro no cotidiano de trabalho ou estudo de cada um.
Hoje a mesa redonda em Umuarama, amanhã na cidade onde passei um lindo tempo da vida - Campo Mourão. Linda semana poética levando a poesia aonde o povo está.
Chuva mansa, estradas vazias, as mesmas paisagens do tempo antigo. A infância e
juventude neste chão vermelho, amplos espaços abertos e as lavouras. O céu da
felicidade arqueando lento, como quem reconhece as minhas asas... É a vida, é
bonita, é bonita... Aonde eu não estou as palavras me acham. Muita delicadeza
destes meninos e meninas do SESC, dos meninos que nos apresentam, gracias
Alexandre Gaioto e Ricardo Chagas... A itinerância segue... Neste quintal de Manoel de Barros,
quintal maior que o mundo...
MESA REDONDA “Aonde eu não estou as palavras me acham” (Manoel de Barros,
“Livro sobre nada”, 1996) com Bárbara Lia e Chacal
Convite para a semana poética - Poesia na Cidade, Cidade na Poesia - 34ª Semana Literária SESC & Feira do Livro http://www.sescpr.com.br/semanaliteraria/
O Novo Cronópios segue, e isto é também uma bela homenagem ao Pipol (1961-2015).
Algus poemas para esperar a primavera... Volto a figurar neste Portal que traz a Vivíssima Literatura Brasileira, em um Primavera sem o Pipol. Parece que foi ontem que ele publicou os poemas de - A flor dentro da árvore. A vida escoa tão rápidamente que é preciso viver cada dia como se fosse eternidade, cada minuto com força e não desperdiçar nada, abraçar as coisas poéticas, e seguir...
Eu vivo o silêncio branco, metafísica e espanto. Olhos colados em Emily Dickinson, sonhando viver na casa do sol, feito Hilda... Ele está mais para Ginsberg, no palco e na estrada... Entre os expoentes da nossa geração. Ele começou menino a tecer e imprimir seus versos, a espalhar pelo mundo... Eu esperei decênios... Mas, é tudo poesia. E dentro de uma semana vamos sair em uma itinerância pra falar desta misteriosa e nem sempre compreendida forma de escrita, que existe antes da fala, antes dos alfabetos, esta alquimia incrível que move e eleva, e envolve - Poesia...
34ª Semana Literária SESC e Feira do Livro - 28 de setembro a 02 de outubro.
- Poesia na cidade, cidade na poesia -
Poetas Homenageados: Manoel de Barros e Alice Ruiz
Vou participar da mesa redonda:
- Aonde eu não estou as palavras me acham -
(Livro Sobre Nada - Manoel de Barros, 1996)
Bárbara Lia e Chacal
A nossa mesa integra a programação das cidades de Maringá, Ivaiporã, Umuarama, Campo Mourão e Paranavaí. Vou sair em uma itinerância poética na região onde vivi por três décadas... Vai ser sublime... Antecipo a notícia para que guardem esta data e horário para um encontro, reencontro, e trocas poéticas... Vou deixar as datas da minha itinerância no final deste post, depois envio os convites com endereços da nossa mesa redonda, mas a programação já está no site.
**
Aqui em Curitiba, minha participação no evento acontece dentro da série - Pássaros Ruins.
"A série Pássaros Ruins dá vez e voz a poetas em suas aldeias, a partir do olhar do diretor curitibano Adriano Esturilho. Com curadoria do poeta Ricardo Pozzo, em cada episódio um poeta lê ou recita seu próprio poema em algum ponto da sua cidade."
Meu poema foi gravado no Passeio Público...
"Com esse espírito, a programação – tanto na capital quanto nas cidades que receberão as itinerâncias – estão recheadas de poetas: Bruna Beber, Bárbara Lia, Chacal, Claufe Rodrigues, Elisa Lucinda, Geraldo Carneiro, Nicolas Behr, e a própria Alice Ruiz garantem leveza e reflexão, beleza e impacto aos temas sugeridos – todos inspirados em versos do autor homenageado e da patrona. Mesmo os escritores convidados flertam com a poesia, seus contos e romances – como é o caso de Marcelino Freire e João Carrascoza, cujas narrativas são quase prosa poética –, e com a música – como é o de Braulio Tavares, Carlos Machado, Estrela Leminski e Marcelo Sandmann. A contemporaneidade está garantida com a presença de João Paulo Cuenca, autor brasileiro cuja obra desperta cada vez mais interesse no exterior atualmente."
Abaixo o link do Blog do poeta Julio Urrutiaga Almada, quem puder visitar e conhecer os livros do Julio, e adquirir um. Julio está dando assistência ao filho que precisa de cuidados... Conforme ele postou no blog. Gracias...
depois de milênios
filósofos
tratados
poetas
lutas
depois das sondas
dos voos
de perfurar a galáxia
os anéis dos planetas
o entardecer azul em marte
depois de sondar abismos
explorar a veia do mar
da terra
das flores
entre tantos mantras
religiões
sacrifícios
sangue
lágrimas
depois de revirar tudo
sacudir o planeta
desmontar vulcões
depois de conhecer
segredos e lendas
armazenar a bomba
explodir a bomba
chorar a explosão da bomba
depois de toda palavra
de toda tentativa
somos o zero à deriva
somos cada corpo no mar da líbia
somos a perdição sem volta
fracassada humanidade torta
e nada
que possa fazer valer
milênios
poesia
filosofia
se estivermos a morrer
na areia
vomitados pelo mar
sem nada que faça crer
que este sol e este dia lindo
é por mim merecido
considerando que
está tudo perdido
morto e ressequido
humanidade naufragada
em cada corpo vomitado
Bárbara Lia
O editor Daniel Zanella e equipe do Jornal RelevO selecionou poemas, contos e traduções entre as oitenta edições do Jornal e isto resultou em uma bela Antologia. Meu poema que dialoga com Alfonsina Storni, da série - O céu dos poetas - integra este livro que traz uma mostra da poesia paranaense atual, e que tem uma qualidade rara. O livro custa R$.30,00 e o contato do Jornal Relevo é:
Lavar a ilusão da vidraça para ver o real - é mais bonito Quebrar o salto que te pisa e estilhaça teu pé descalço Serrar as gaiolas e dar aos pássaros o mapa desta rua Só eles carregam a fúria livre que senti em teu abraço
Bárbara Lia
Sunday, August 23, 2015
Trilha sonora para os sessenta anos que completo amanhã. Trilha sonora pra lembrar duas pessoas que eu amo e não poderei abraçar de forma material. Pra vocês dois: pai e mãe, só pra dizer que sigo - tocando em frente. Grata pela vida. Ainda que me protegessem como se eu fosse flor de estufa, no fundo, no fundo eu sei que vocês sabiam que eu era como todos os poetas, tal e qual Cruz e Sousa escreveu
"Tu és o louco da imortal loucura;
O louco da loucura mais suprema."
A gentesempre sabe... Agora, vou começar a abraçar os que estão na minha vida como a - possibillidade de esticar um tempo mais esta jornada alucinante - e ao abraçar um a um, amigos de ontem, amigos de agora, amigos de toda hora, filhos, neto - não posso esquecer meus amigos de data de nascimento, pois poetas e escritores, ainda que nunca tenham se encontrado pela vida, são amigos em um patamar de beleza. São irmãos atados pelo sangue da palavra. São os que se apoiam em recados pendurados pela vida... É isto. Este estranhamento de não ter mais como dizer parabéns ao Donizete Galvão... Ainda assim: Feliz aniversário! Onde quer que estejas, a vocês, a todos nós... E a poesia segue...
++Era pra ser um CD, uma ideia que arquivei e encontro agora esta gravação na voz da Luciana Cañete... Este poema integra a Antologia "O Melhor da Festa 3" Festipoa. ++
Clique no link abaixo do poema para ouvir a gravação...
ROSA CHÁ AZUL ANIL
.
Alma rosa chá.
Vestida de rosa chá.
Na casa rosa areia.
Leva - enquanto passeia -
um oceano de espantos
nas mãos:
Cinzas de rosas
no ar do quarto do avô
morto.
Mistério ácido na boca
- sabor do fruto vítreo -
de figueira desconhecida.
Açúcar cristal brilha
- mínimas estrelas -
nas mãos.
Céu rosáceo de Dali
desce ao chão
e incendeia
o futuro lilás:
rosa chá + azul anil
Linhas do destino
emaranhadas
- já no ventre
de nossas mães.
E apenas agora
o homem sagrado
envolto em acordes
de estrelas no cio.
A Revista Capitu, que Gil cantou em uma canção, foi a primeira a publicar um poema meu. Os editores eram Edson e Carlos Pessoa Rosa, eu uma poeta desconhecida. Achei aquilo incrível. E quando Edson Cruz se uniu ao Pipol para criar aquele que seria o Site Literário Cronópios, automaticamente virei cronopiana. Sei que devo, imensamente, a divulgação da minha Poesia à nível nacional ao Cronópios. Nos anos que seguiram, muitos poemas e textos. Conheci Pipol no evento - A cidade aTravessa, Casa das Rosas, em 2010 quando fui lançar Constelação de Ossos. Em 2012 ele visitou Curitiba na véspera do meu embarque para Poa onde lançaria - A flor dentro da árvore. Foi a tarde que passamos visitando a exposição Leminski, conversando em um café, gravando um bate papo. Querido e sempre animado, ficou esta memória de partilhar a Arte e a Poesia. Ainda não sei se editarão a Antologia em homenagem a Éder Jofre, e foi a razão das nossas últimas trocas, sempre embaladas pelo entusiasmo do Pipol. O que sei neste inverno único, é que - inédita - é a vida. Só ela escreve enredos inacreditáveis. Nós somos a sombra de um dramaturgo genial, mas, se existe um deus, ele tem esta vantagem que não temos, de TUDO VER, TUDO SABER... Quem dera eu pudesse emprestar por sessenta segundos os olhos de Deus...
Na verdade, eu só queria contar que aquele novo Cronópios que o Pipol trabalhou tanto pra construir ficou pronto. Ele não está aqui para ver, mas, ele está, no legado, na memória, e trafegar pela página deixa aquela sensação de que ele - realmente - não morreu. Lá estão meus textos de antes, a possibilidade de seguir a publicar a Poesia, e a memória daqueles acenos no pátio do Museu Oscar Niemeyer... A gente não sabe mesmo quando é a última vez que vai poder sorrir para alguém em uma última despedida neste mundo. RIP Pipol, o Cronópios segue, a Poesia segue...
Margens , realizado pelo Sesc Campinas com curadoria da jornalista e pesquisadora Jéssica Balbino é um projeto pioneiro, independente e multimídia na difusão da literatura feminina brasileira da última década. O desafio é responder, na prática, a pergunta “Quem são as mulheres da literatura?” e que mais do que livros e teoria acadêmica, as boas histórias sóexistem a partir da gente, e de gente, por isso é um espaço dedicado aos saraus, debates, oficinas, slams, festivais e resenhas, especialmente a que é vinculado às mulheres e sua produção.
05/08 - 19h30
A oficina deve trabalhar a figura da mulher na literatura e mais especificamente na poesia. As formas como o gênero aparecem narradas pelas próprias autoras, que assumem seus lugares sociais e de enunciação, passando a escrever, eternizar e propagar a própria história. A ação será ministrada porMarina Mara. Sala de Atividades 1
Mediado pela jornalista e pesquisadora em literatura feminina, Jéssica Balbino, que traz a jornalista e escritora Eliane Brum, para discutir o papel e a representação da mulher na literatura no jornalismo literário, além de fazer uma leitura de textos próprios. Área de Convivência
Para seguir empoderando mulheres e garantindo a voz feminina, o sarau Margens traz escritoras, slammers, jornalistas e poetas emergentes da literatura brasileira. Com microfone aberto, o sarau é também um espaço de troca, a fim de celebrar a oralidade. Área de Convivência
Participação de Elizandra Souza, Raquel Almeida, Ryane Leão, Mel Duarte, Jennyfer Nascimento, Débora Garcia e Michele Santos
26/08 - 19h30
Para seguir empoderando mulheres e garantindo a voz feminina, o sarau Margens traz escritoras, slammers, jornalistas e poetas emergentes da literatura brasileira. Com microfone aberto, o sarau é também um espaço de troca, a fim de celebrar a oralidade. Área de Convivência