Friday, September 26, 2008

Poema



















Monet





Tangência de ferros nos trilhos rasga em ternura

Que ofende de tão bela.

Existirá paisagem de dor mais fecunda que

Trens rasgando trilhos?

Nuvem ao redor, que nuvem aquela?

Cenário trepida por trás de uma cortina

Estremecida

Até o ar se emociona quando o trem se aproxima

Diante dele a ternura de açúcar fervido

balançando em dobras de olvido

Esquecer!

Ser este trem que parte e vai levando diante dele

Uma cortina

Nossos corações diluídos acima dos trilhos

Eu e você... Recorda?

Recorda a fumaça do teu cigarro

Tua pele clara, o gozo líquido

- Cortinas de açúcar -

Recorda?

Recordam – eternamente –

Trens triturando trilhos



Bárbara Lia

O sal das rosas (2007 - Lumme Editor)



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