Monday, July 10, 2017

Respirar - Frida



Meu corpo lembra Frida Kahlo. A marca que impede uma alma livre de ser plena, correr ao encontro de tudo. O congelamento do corpo em uma cama, em um espaço cerzido. Ela - Frida - não aceitou e pintou sua realidade com traços de luz/fogo/alfazema/lágrima e amou de um amor irrepreensível e nunca aceitou que o mundo a taxasse de menor ou pequena... Frida sussurra no meu travesseiro a ladainha da rebeldia: Ergue este queixo bonito e pisa as flores da tua escolha, e ama e ama até forjar uma chuva de colibris acima dos abismos. Frida, Frida... Ainda estamos colhendo estas aves azuis com nossas mãos pequenas. Tua liberdade era estrela bastarda - eterna fagulha no céu - eu a agarro como quem monta uma égua dilacerada, pretendendo com ela atravessar a agonia do viver. E quando meu corpo esquece que é teu corpo eu contemplo este duplo meu e a minha voz interior diz claramente - Sou Frida à medula.

Bárbara Lia in Respirar/2014

Frida Kahlo, c.1940. Photo by Ivan Dmitri

La nave va...

Entre a Ternura e a Vertigem o Amor encontra a sua casa. Ou, o Amor em dois tempos.

  Sou Poeta. As “antenas da raça” desabam antes que o raio penetre, pela extremada sensibilidade. Antecipam. Sou dos “antecipados”. Dos que ...