Sunday, February 05, 2006

ancorando estrelas

ilustração - claude théberge

ANCORANDO ESTRELAS


Sonhei com Dian Fossey.
Aquela que vivia entre orangotangos.
Comprarei um peixe dourado


e sorrirei para ele
no café da manhã.
Poetas são marinheiros,


a diferença é que seus portos são estrelas
e nunca ancoram
no meu coração – cais.


Aparição sonhada:
Teus olhos negros na soleira.
Seremos dois a sorrir para o peixe dourado.

BÁRBARA LIA




Sunday, January 29, 2006

karl e Norek



















Tristan - Claude Théberge



O ENIGMA DE MO-TSI
O filósofo Mo-tsi escondeu as palavras. Depois foi ao centro da cidade ver as pessoas que andavam de lá para cá, incomunicáveis. Sentiu remorso, pena, medo, pois até ele ficou mudo.
Pensou em libertá-las. Mas cadê a chave? Procurou entre as flores, nos olhos, no semáforo, no vento que levantava saias, e nada de palavras. Foi aí que percebeu que se as palavras não estavam por perto, pelo menos as coisas estavam, e decidiu morar em todas as coisas.
FERNANDO JOSÉ KARL (SC)- do livro - Cadernos de Mistérios - Letra D'água Editora.
*
*
NOTAS À MARGEM
6.Rezava um verso, ele não era meu, mas raptava todo meu amor em seus enigmas,
mais que suas luzes seus enigmas e eu só pensava em roubá-lo, roubar
o verso e ir pra Calicute, Serendipti ou qualquer destino de nome impronunciável,
tanto que lhe impedisse o aceso às almas não iniciadas,
almas que batem portas quando passam, àquelas que olhando a si mesmas
não vêem que delicadeza lhes estende um gesto. E por me disfarçar
na viagem, vesti o verso roubado até perceber que nele me tornara,
sua melodia na música de meus dias, seus silêncios em meu silêncio e
seu enigma em meus olhos, indelével marca. Agora, no meio do caminho,
Serendipti não existe, Calicute, ou que Oriente além de nunca termos sido –
Só esta lembrança de um verso que rezava um mistério, e nunca houve mistério
que não fosse eu – e o mais é uma lembrança de peixes
aos quais nada importa, o gélido futuro em que tornados fósseis
farão visada à poeira das estrelas
e seu olhar será apenas um oco onde se irá perguntar imagens tão belas,
imagens belas, abissais e belas, e sal e areia
e espuma.
ALDEMAR NOREK- Rio de Janeiro (RJ)

Thursday, January 26, 2006

elegia















Monumento em Mar Del Plata - no rochedo,
onde Alfonsina se atirou ao mar.


En el fondo del mar hay una casa de cristal.
alfonsina storni
(1.892-1938)


Voy a dormír

Alfonsina Storni

Dientes de flores, cofia de rocio,
manos de hierbas, tú, nodriza fina,
tenme prestas las sábanas terrosas
y el edredón de musgos encardados.

Voy a dormir, nodríza mía, acuéstame.

Ponme una lámpara a la cabecera;
una constelacíón; la que te guste;
todas son buenas; bájala un poquito.

Dejame sola: oyes romper los brotes...
te acuna un pie celeste desde arriba
y un pájaro te traza unos compases

para que olvides... Gracias. Ah, un encargo:
si él llama nuevamente por teléfono
le dices que no insista, que he salido...

Vou dormir

Dentes de flores, toucado de orvalho,
mãos de ervas, tu, fina nutriz,
prepara-me logo os térreos
lençóis e o édredon de musgos espinhentos.

Vou dormir, minha nutriz, recosta-me.

Põe uma lâmpada na cabeceira;
uma constelação; a que quiseres;
todas são boas; aproxima-a um pouco.

Deixa-me sozinha; ouves romper os brotos...
te avassala um pé celestial desde o alto
e um pássaro te desenha uns compassos

para que esqueças... Obrigada. Ah, um favor:
se ele chamar novamente ao telefone,
diga-lhe que não insista, diga-lhe que saí...


[Poema enviado ao jornal La Nación poucas horas antes de sua morte]
tradução Álvaro Machado

ELEGIA

Bárbara Lia

Belo é o fim das estrelas
chuva de diamantes no vazio
despedem-se em lágrimas
de beleza.

Alfonsina-estrela
pássaro rasgado adormecido.
- en una casa de cristal en el fondo del mar-

Quando piso as águas,
veludo nos passos, pé ante pé,
cubro sua casa de cristal
com minhas lágrimas
e escuto tua voz cobalto
de paz enfim coberta
- No despiertes los pájaros que duermen-

Saturday, January 21, 2006

Rasgar o vidro































EL SOL
Edvard Munch
(1863-1944)




RASGAR O VIDRO

Lâmina brilhante beija
o vidro recôndito
das dobras da alma.

Secreto sofrer
adeja do olhar fendido,
de estar ferido
sem estar.

Nem a lâmina do sol
rasga a alma,
pois vidro não rasga vidro.

Estala a rir e estanca.
Cínico semblante,
dentro da alma, um gemido.

Uma certa saudade – fina agulha –
de quando era a alma uma mínima fagulha
do sol-lâmina que o fere agora.


BÁRBARA LIA

Friday, January 20, 2006

Rûmi







Não temos nada além do amor.
Não temos antes, princípio nem fim.
A alma grita e geme dentro de nós:
- Louco, é assim o amor.
Colhe-me, colhe-me, colhe-me!


Jalaluddin Rûmi 
poeta persa do século XIII.


Saturday, January 14, 2006

Tristão e Isolda

























Sir Tristão de Lionesse – cavaleiro e poeta – e
Isolde, filha de Gormond – escandinavo.
Amor narrado em escritos celtas antigos – Mabinogions.
Também narrado por Maria de França, irmã do Rei Henrique II,
da Inglaterra, em um conto conhecido desde o ano 1.000
– Chévre Feuille – (A Madressilva) – As madressilvas
quando mantém os galhos emaranhados, crescem, florescem,
quando separados, morrem, um após o outro.
Assim como Tristão e Isolda.
Estréia amanhã, nos Estados Unidos, o filme Tristan & Isolde,
com James Franco e Sophia Myles.
Ando mergulhada na lenda de Tristão e Isolda.




O PIANISTA DA FLORESTA DE VIDRO

Bárbara Lia



Veio a mim,
de uma página de Tolkien:
Aragorn.
Olhar de névoa
de uma floresta de vidro,
pisando pedras antigas,
pisando meu coração de vidro.
Falava em esperanto
sobre o encanto
das estrelas.
Entre pedras
&
astros:
o milagre.
Clave de sol nos enlaça
ele me oferece a taça
poção do amor
que bebemos juntos.
Tristão & Isolda.


Nuvens rascantes de Piazzola.
Pássaros de Mozarth.
Cascatas de Bach.
Flores de Wagner.
Tudo ressoa
e ainda arde
o olhar
verde vidro
em minha carne.

Wednesday, January 11, 2006

Moreninha - Mano Melo








MORENINHA


Quer ir pras ilhas Malvinas
Gritar que elas são argentinas?
Ou você prefere um carnaval de confetes
E serpentinas?
Ou quem sabe dois tabletes
De chiclétes?


Quer se transformar na Princesa Narda
E ir embora pra Pasárgada?

Ou você prefere ser Nyoka,
Heroina de estórias em quadrinhos
E ir pra Áfrika
Viver uma aventura na selva?
Poderias voar pelos caminhos
Se balançando pendurada em cipós.
Subir a nada as cachoeiras de Foz.
Ou singrar os mares no trem azul da música do mundo.
A Eternidade é feita de milésimos de segundos.

MANO MELO

http://www.almadepoeta.com/manomelo.htm


MANO MELO é poeta, ator, roteirista.
Lançou entre outros livros - O lavrador de palavras (poesia)
e VIAGENS E AMORES DE SCARAMOUCHE ARAÚJO (romance)
pela editora Fivestar.

Em 1.998 recebi do Mano este poema, juntamente com o romance de Joaquim Manuel de Macedo - A Moreninha - Mano é alguém que mora no meu coração, e entre todas as perguntas feitas, a moreninha diz que gostaria de ser a Princesa Narda, ir embora para Pasárgada - lá sou amiga do rei, e tenho o homem que eu quero, na cama que escolherei.

Eugénio de Andrade















jeanne carbonettti



Respiro o teu corpo
sabe a lua-de-água
a cal molhada
ao amanhecer
sabe a luz mordida
ao sangue dos rios
sabe a brisa nua
sabe a rosa louca
ao cair da noite
oca
sabe a pedra amarga
sabe à minha

Eugénio de Andrade

Tuesday, January 10, 2006

Poema do livro - A última chuva



Sepultei dois mortos na última primavera
Cavei minimamente suas covas brancas
Envolvi em lençóis de linho 
Com óleos almiscarados
Jamais voltarei aos seus túmulos
Eles, que não se sabem mortos,
Passeiam por paraísos 
Com gueixas de anis

Bárbara Lia

A Última Chuva
- Mulheres Emergentes (2007)

Thursday, January 05, 2006

da herança






Meu pai dizia que ela era forte
E era fiel ao seu amor
Bárbara Bela – de Alvarenga
A conjurada. A louca


Sou guerreira – este é o nome
Estigma na alma
A vida uma batalha
Amores degredados


Nome marcando
Passos, destino, travessia
Quem dera ser Beatriz


A moça bela 
Da canção do Chico
A musa de Dante
Uma mulher feliz!
.

- BÁRBARA LIA -

Tuesday, January 03, 2006

Fernando Aguiar


.

















FERNANDO AGUIAR




Folha de plátano
Baila ao sol
Acha crepitante.
Lenta folha desaba
No solo triste.


Epitáfio da folha:
Não desapareço

– espumas nas ondas.
Regenero o solo

com ternura feroz.
Para colorir azaléias,

gardênias e girassóis.

- BÁRBARA LIA -

Fernando Aguiar e Julien Blaine conheci em 1.997 no Congresso Brasileiro de Poesia em Bento Gonçalves. São expressões da Poesia Visual Européia, algumas palavras e imagens de amigos além-mar, amei o poema visual do Fernando - intitulado - poema - e este poema meu é o único que fala em folha de plátano.

Fernando Aguiar



FERNANDO AGUIAR - Nasceu em Lisboa em 1.956 -
poeta visual - artista plástico.
Site de poesia concreta e visual portuguesa:
http://www.po-ex.net/galeria/index.php?cat=0

Julien Blaine










juan miguel giralt

.

Le soleil est blanc
comme le parachute d'une méduse.

O sol é branco
como o pára-quedas de uma medusa.


Julien Blaine
Pagure
Éditions Al Dante
collection Niok

Julien Blaine




TEXTE à LIRE
AU FOND
(FLEUVE / MER)
&
à TRAVERS
UNE EAU DE FAIBLE
PROFONDEUR
(Cet été emmenez le texte à la plage)
.
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BASSINE - JULIEN BLAINE
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Julien Blaine est né en 1942, à Rognac, au bord de l’Étang de Berre, flaque de mer jadis bleu-azur, aujourd’hui marron glacé. Il vit Ventabren et à Marseille et nomadise le plus possible.
.
Julien Blaine nasceu em 1942, em Rognac, a bordo de um navio - Lago de Berre, em um charco de mar outrora azul-azul-, hoje castanho congelado. Vive em Ventabren e em Marselha e leva uma vida nômade, tanto quanto possível.

Thursday, December 29, 2005

Perseguição - Sylvia Plath
























SYLVIA PLATH - 1932-1963



PERSEGUIÇÃO


(SYLVIA PLATH)




Há uma pantera que me espreita:
Um dia, dela, terei a minha morte;
Sua cobiça incendiou o bosque,
Ela ronda divinamente como o sol.
Suave, passo que desliza mais suave,
Avançando, sempre, nas costas
Do esquelético arbusto, gralhas coaxam:
A caça começou, acionou a armadilha.
Rasgada por espinhos atravesso pedras,
Fatigada pelo fogo branco do meio-dia.
Ao longo da rede vermelha de suas veias
Onde corre fogo, que desejos desperta?


Insaciável saqueia a terra.
Condenada pela culpa ancestral,
Chorando sangue, deixando o sangue ser derramado;
A carne a inundar a ferida crua de sua boca.
Alegrar os dentes afiados e doces.
A fúria chamuscante da sua pele;
Seus beijos ressecam, cada pata uma roseira brava,
A morte consome o apetite,
Na vigília desse bicho feroz,
Inflamadas como tochas para sua alegria,
Mulheres jazem carbonizadas e em delírio
Tornam-se iscas de seu corpo faminto.


A ameaça está na porta, gerando sombra;
A meia-noite encobre o bosque sufocante.
O saqueador preto, puxado pelo amor;
Em ancas fluentes mantém minha velocidade
Espreita o ágil, numa emboscada dos sonhos.
Brilham as patas que destroem a carne;
E faminta, faminta, patas estendidas
Seu ardor me prende, ilumina as árvores.
A luz irrompe minha pele,
Que pausa, que frescor pode me colocar no colo,
Quando o olhar amarelo queima e incinera?


Eu arremesso meu coração para deter seu passo,
Para extinguir sua sede eu desperdiço sangue;
Ela come, mas sua necessidade busca comida;
Com pele, um sacrifício total.
Voz em tocaia soletra em transe
A floresta destruída vira cinzas;
Horrorizada por um secreto desejo, corro
Tal a agressão do resplendor
Entrando na torre dos meus medos.
Fecho minhas portas naquela culpa escura.
Tranco a porta, cada porta eu tranco.
Sangue acelera, como um gongo toca em meus ouvidos:


Os passos da pantera estão na escada
subindo as escadas.


Tradução de PURSUIT - Maikel Denk e Bárbara Lia

Tuesday, December 27, 2005

Gosto de Chuva




--
GOSTO DE CHUVA


Para a terra a chuva é doce.
Para a fonte, confidente.

Para a criança, bolinhos com canela,
lareira, histórias.

Para os sapos - uma festa!
Para mim - alma lavada.


Para quem dorme a chuva tem
a magia do canto das sereias.

- Bárbara Lia -
O sorriso de Leonardo (Kafka Edições Baratas / 2004)

Monday, December 26, 2005

Cláudio B. Carlos

candido portinari

.

AINDA QUE POBRES


Sim
haveremos de ser felizes
nesse mundo onde uma minoria bem vestida
desfila diante de uma maioria maltrapilha.
Sim
haveremos de ser felizes
de erguer casas, ainda que humildes
constituir família
pôr os filhos em escolas, ainda que públicas
vê-los crescer e serem felizes
ainda que pobres.

Poema de Cláudio B. Carlos (CC).

Friday, December 23, 2005

Fato
























GRUPO FATO

em pé - Gilson Fukushima, Alexandre Nero,
Zé Loureiro Neto e Ulisses Galetto.

sentadas - Priscila Graciano e Grace Torres.


Tuesday, December 20, 2005

A Última Chuva (Mulheres Emergentes /2007)





fechar a mão
sensação
de estrela triturada
na palma
espocando surdamente

fechar a mão
rasgar a linha do destino
na seta norte
da estrela triturada

agora não há mais bússola
agora não há mais rota
mulher-gôndola extraviada
no lago-céu

fechar a mão
triturar oráculo
reter na palma
estrela fragmentada


depois soprar
a energia morta
na enxurrada fria
do teu escárnio


BÁRBARA LIA

Saturday, December 17, 2005

Poema

















márcio melo


chá em chávena chinesa
lençóis de linho
jardins ingleses
sonatas em pianos tristes
damas trágicas
dispenso o cenário da realeza
a nobreza inteira
se resume em uma criatura
-meu chá, lençol, jardim e sonata
o vento do desejo assola
meus pelos e alma
secretos caminhos
em chama clamam:
o chá, o jardim e a sonata.

- Bárbara Lia -
.

Thursday, December 15, 2005

Márcio Claudino

Meu amigo Márcio Davie Claudino da Cruz é o primeiro colocado no
Concurso de Poesia Helena Kolody 2005 - 15ª edição. Da Secretaria
do Estado da Cultura.
Parece que foi ontem que nós conversamos sobre a primavera de Bandini-
Espere a primavera, Bandini...
Parabéns ao Márcio, nesta primavera.
Um poema do Márcio que foi segundo colocado no concurso Leminski
do Cead Lapa em 2.000:
.
NOS DESCAMINHOS DA PALAVRA
*
Nos descaminhos da palavra
Estava escrito que céu é êxtase mirrado de sono azul.
Céu às vezes rubricado por raio de luar
E da estrela da manhã,
De brusquidão e lusco-fusco de navegação tenebrosa.
Nos descaminhos da palavra
Um reiventar o agonizante desfecho da tarde
E os solos de música derreada das charnecas.
Nos descaminhos da palavra,
Desaprender a cada dia o nome das coisas.
Nos descaminhos da palavra a palavra poesia dá sinônimo
À pedra...
Travesseiro onde descansar a cabeça mirrada da górgona...
Envio o meu coração embalsamado na urna memorial que voa.
Mando-te em veludo
A conta das dores dos dias em que te conheci.
Dias em que o descaminho da palavra amor
Nunca tanto significou
Colapso
*
- Márcio Davie Claudino da Cruz -
O resultado do concurso - que teve categoria Nacional e categoria Paraná - recebi a notícia do Márcio, e agora entrei no site e descobri que o Ricardo Corona - deve ser ele com este Miguel que eu não conhecia, mas, o concurso nacional foi vencido pelo editor da Oroboro - o poeta Ricardo Corona, e na categoria Paraná - my best friend - lindo - Márcio - com todo o respeito de suas musas - e do meu menino - que não se arda em ciúme e nunca deixe de assobiar Bach e ler seus poemas ao meu ouvido, nem de me cobrir de mel com sua íris mutante - um dia verde de vidro - no outro - mel silvestre - Primavera!
Os vencedores são:
Os premiados no Concurso Nacional de Poesia “Helena Kolody”, foram:
1º lugar: Inscrição nº 393 - Ricardo Miguel Corona - “Aspa, aspas” (PR)
2º lugar: Inscrição nº 564 - Marcus Vinícius Quiroga - “Estudo para Aleijadinho” (RJ)
3º lugar: Inscrição nº 442 - Carlos Augusto Bonifácio Leite - “Na casa dos Desprovidos” (MG)

Os premiados no Concurso Nacional de Poesia “Helena Kolody” CATEGORIA PARANÁ, foram:
1º lugar: Inscrição nº 356 - Márcio Davie Claudino da Cruz - “Ando com a pulga”.
2º lugar: Inscrição nº 018 - Miriam Adelman - “Memória”
3º lugar: Inscrição nº 391 - Ricardo Miguel Corona - “Um saco de gato, poesia, cão e prosa”
.
- Márcio anda com a pulga - vai que eu desisto de tomar aquela cerveja para comemorar...
Sem pulgas, Márcio. Please! Hoje estou animada, o céu de Curitiba está da cor dos olhos de Helena Kolody - um dia o Hélio Leites me saiu com esta:
Quando o céu está assim azul é quando Helena Kolody acorda mais cedo e lá do céu olha por todos nós, os poetas.
Esta mulher bela, que eu vi uma única vez, talvez no último lançamento dela, eu com o livro dela em minhas mãos, ela me olha e diz:
- Você é poetisa?
- Sou. Respondi. Então ela me explicou por muitos minutos, do seu começo, de quando guardava papéis sulfite até armazenar o suficiente para lançar um livro, que eu nunca desistisse. Como desistir Helena? Diante deste azul, do amor que em mim baila, de meus filhos sorrindo em luz na minha sala, dos meus amigos verdadeiros que nunca vão manchar a minha imagem com as falsas ideias de quem não sabe que a gente pode matar a pessoa - borrar a sua imagem - mas, nunca nunca a sua poesia. Como não esquecer Helena do seu carinho _ à inspirada poetisa - Bárbara Lia.
Ela fazia questão que a chamassem de poetisa, e me deu conselhos, e me deixou este recado, para não desistir nunca.

La nave va...

"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura

  "Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura da escritora Francine Cruz. https://www.youtube.com/watch? v=IxpCcdUM7...