Saturday, May 24, 2008

Mia Couto

...

A mãe de Mia Couto rezava
para ele não se tornar poeta.
Nada altera a gênese desta raça,
nem mesmo a reza.

- Bárbara Lia - escrito enquanto via o Mia na Roda-Viva da Tv Cultura.

...


Pergunta-me


Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue

Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos

Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunia pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente

Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer

Janeiro 1981
- MIA COUTO - Raiz de Orvalho e outros poemas (Ed. Caminho)

Outono florido

Lírios vermelhos que lembram a infância:Buganvílias do meu portal:
Beijos da serra:


Ontem saí fotografando o jardim do prédio onde eu vivo...

Patchouli



Mês passado entrei em uma exposição do Boticário lá no Estação Plaza - História do Perfume no Brasil. Agora recebi um lindo presente da minha querida amiga Marina Teixeira, lá de Belém do Pará. A bonequinha de patchouli, e muitos sachês de patchouli. É um tanto distante Belém, mas, vez por outra Belém me visita. Em 2001 trabalhei com Ana Marcelle que é lá do Pará, e fiquei a pensar na alma dos paraenses. Minha madrinha é de lá. Minha Tia Yolanda, que eu não vejo faz muito tempo, pois também vive em distantes terras - Rondônia - Mato Grosso. Tia Yolanda fala macio, uma lady. Vez por outra eu penso nesta doçura do Pará, nas conversas com Ana, voz suave, idem. Belém tem esta poesia delicada, de voz feminina, porte gracioso e agora, um cheiro ardente de Patchouli.
Na exposição que visitei encontrei raridades e copiei em meu caderno uma infinidade de palavras. É de lá também, do Pará, que vem o sabonete Phebo, que minha avó usava, e que impregnava seu quarto daquele perfume inesquecível e inconfundível. Por pura curiosidade, pela forma em que estava descrito o sabonete em uma página de uma revista antiga, daquelas que minha mãe tinha, eu copiei o texto:
...
Sabonete Pará
"Diáfano"
À base de pau-rosa é a incomparável criação em que se resumem, num milagre de olencia e delicadêsa, os mírificos aromas, as estranhas essencias, os deliciosos oleos balsamicos da lendaria Selva Amazonica. Sua espuma sobre a péle, frêsca e suave é uma sutil carícia, como um leve sôpro da própria alma de sua inedita fragrancia.
Daí o prestígio com que significa bom gosto e finura, na preferência das pessôas cuja epiderme é expressão de saúde e tratamento, porque traduz, na suavidade do perfume e na exelencia de rigorosa manipulação, propiciatoria de salutar euforia, todos os mistérios aromais da "Terra imatura".
...
Terra imatura é pura poesia, fiquei colhendo palavras pelo recinto, que tinha bem mais que o perfume - no Brasil - apenas. Além do famoso Phebo (óleo de pau-rosa, sândalo, cravo e canela), Leite de rosas, Sabonete aristolino... A exposição iniciava lá no antigo Egito, e tinha pequenos frascos de alabastro, um ânfora púnica, um balsamário de vidro de Cartago... Adentrava os segredos de Cleopatra. Passava pela Babilônia. Contava da Perfumaria fundada em 1612 por Catarina de Médici... Poético também é L'heure bleu (guerlain) de 1912...
A hora azul!
Perfume per(através) fumum(fumaça)
Hora azul e perfumada.
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Curtas na cinemateca



Convite da alumiar filmes e Pé em Quadro Filmes para o lançamento do curta metragem “Lavanderia Shermer”
Local: Cinemateca de Curitiba – Rua Carlos Cavalcanti N° 1174
Data: 26 de maio
Horário: 20:00
Entrada Franca
Direção: Wellington Sari

Produção: Alumiar Filmes e Pé em Quadro Filmes
Gênero/Duração: Ficção — 20 minutos
Informações: Diko - (41)8869-7565



Na mesma noite, exibição de curtas da produtora Processo Filmes:
[colorado esporte cluBE], de Fábio Allon.
Cristo, de Adriano Esturilho

Tuesday, May 20, 2008

O ar do amor que nos afoga

.
Beijos
Divinos
De barro
Nutrem-me
No agora
(seco)

Recordo
O pasto
O rio
O vôo
O grito
Que acordou
Os igarapés
O aroma
Das mexericas
A menina
Alemã
Com cheiro
E cor de feno
O olhar das vacas
O arame farpado

(nunca recitei às vacas
versos de Chaucer
qual Sylvia Plath)

Nenhum palco
Improvisado
Em um abril
Cinza
Gris
Gray
Grigi
Lençóis
Cinzentos
Ao vento
Denunciam
O ar
O ar
O ar
O elemento
Que às vezes
Arde
E às vezes
Falta.
BÁRBARA LIA

Cop9 - Mop 4


Por João Gonçalves, do WWF

Bonn (Alemanha) - Ao tomar posse da presidência da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), na cerimônia de abertura da 9ª Conferência das Partes da CDB, na segunda-feira (19), em Bonn (Alemanha), o Ministro para Meio Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha, Sigmar Gabriel, lamentou a saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente do Brasil, e saudou o nome de Carlos Minc. Ele também reforçou o forte vínculo entre a conservação da natureza e uma política efetiva para a proteção do clima.
“Fiquei tocado com a renúncia da ministra Marina Silva na semana passada. Mas sei que maioria dos ministros de meio ambiente do mundo perdem horas de sono pensando como diminuir a distância do que deve ser feito e do que é possível fazer”, afirmou Gabriel, citando que é um desafio mudar o modelo de desenvolvimento vigente por décadas, baseado na transformação de florestas em terras para a agricultura, para um modelo comprometido com o desenvolvimento sustentável.Gabriel desejou sorte para Carlos Minc, indicado para ser o novo ministro do Meio Ambiente do Brasil, e pediu seu comprometimento para atingir as metas globais previstas para 2010 - ano base para o qual a comunidade internacional projetou alcançar resultados significativos na redução da perda de biodiversidade.O ministro alemão recebeu a presidência da CDB das mãos do embaixador brasileiro Raymundo Santos Rocha Magno, representando o Brasil que presidia a Convenção desde a realização da 8ª Conferência das Partes, em Curitiba, em março de 2006.
Em seu discurso, Gabriel afirmou que após 16 anos da realização da Rio 92, a vida na terra tornou-se um ponto crucial. “A taxa de extinção de espécies é de 100 a 1000 vezes maior do que a taxa natural aceitável. As florestas do mundo estão incrivelmente ameaçadas.Anualmente o mundo perde uma área de floresta que equivale a três vezes o tamanho da Suiça”, disse ele, lembrando que a biodiversidade é essencial para a proteção do clima, e paralelamente, uma política climática bem-sucedida pode reverter a perda de biodiversidade: “Conservação da natureza é proteção do clima. E proteção do clima é conservação da natureza”.
Engajamento alemão - Durante entrevista coletiva concedida após a cerimônia de abertura, o secretário executivo da CDB, Ahmed Djoghlaf, salientou na presença do ministro Gabriel, a importância do comprometimento alemão para o bom andamento das negociações durante o seu mandato na presidência da Convenção, em especial no tema de acesso e repartição de benefícios. “A situação atual não é mais uma opção. Precisamos de engajamento e comprometimento para chegar em 2010 com metas cumpridas”, afirmou Djoghlaf, lembrando que a 10ª Conferência das Partes da CDB, será realizada em Nagoya (Japão), em 2010


do site:
http://envolverde.ig.com.br/?edt=57

Tuesday, May 13, 2008

Michel Sleiman

Cores
.
um azul todo água
verde mate à tarde
laranja abóbada
amarelo bandeira
ocre telhado
branco toalha
marrom preta amada
vermelho

cores de almodóvar em voz de adriana
outras de bárbara lia
pastel vibrado nas cordas

fluido de miragens
a ex-surgir paragens

sonha: o homem é aquarela

pinta: arco-íris da concórdia
em vaso
de flor
ou sanitário

e entre as frestas da veneziana
ar menestrel
o dia
Michel Sleiman
.
Poeta. Professor de Língua e Literatura Árabe da Universidade de São Paulo, onde dirige a Revista Tiraz de Estudos Árabes e das Culturas do Oriente Médio. É autor de - A Poesia Árabe-Andaluza: Ibn Quzman de Córdova(2.000) e A Arte do Zajal: Estudo de Poética Árabe.
..
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Neste mês de maio, presentes inesperados. Neuza Pinheiro veio e se apresentou no Porão Loquax, e pudemos - finalmente - sentar e confabular, almoçar e colocar em dia nossa conversa. Michel Sleiman, em um passeio a Curitiba, me brindou com um chocolate quente com laranja, um papo delicioso pela Rua XV e seu último livro - A Arte do Zajal (Atêlie ed). Não dá para guardar para mim esta poesia que recebi do meu amigo. É que no meio da nossa conversa ele falou sobre as cores que encontra em meus poemas. Cores de Frida Kahlo, pensei ontem, enquanto lembrava nossa conversa, e então recebi esta poesia. Almodóvar ou Frida, que a poesia grite dentro de mim, e eu vou colorindo assim, dedos pincéis sa(n)grados.
...
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A ARTE DO ZAJAL: ESTUDO DE POETICA ARABE e o outro livro que Michel lançou pela Ateliê - POESIA ARABE-ANDALUZA: IBN QUZMAN DE CORDOVA, estão aqui:

Folha de Uva - Flores do Mais

Aprendi com meu filho de dez anos
Que a poesia é a descoberta
Das coisas que eu nunca vi
(Oswald de Andrade)


Flores Do Mais
.
Devagar escreva
uma primeira letra
escreva
nas imediações construídas
pelos furacões;
devagar meça
a primeira pássara
bisonha que
riscar
o pano de boca
aberto
sobre os vendavais;
devagar imponha
o pulso
que melhor
souber sangrar
sobre a facadas marés;
devagar imprima
o primeiro olhar
sobre o galope molhado
dos animais;
devagar
peça mais
e mais e
mais.
(Ana Cristina Cesar)
.
.
Lição nº 1
.
A folha de uva
me ensina mais que as teorias
O olhar do garotinho mestiço
do terceiro andar
Yáyá do 607, suas palavras-arnica
em minha alma esfolada
Uma marmota na TV
olhar astuto
dorso estirado de manequim
Também me ensina a ser zen
o desenho oriental em tinta nanquim
Sinfonia & chuva
epopéia terna
- um filme na parede -
cenas que resgato dos cílios
do filho adormecido
Um cem número de visões
sabor e sons
degolam as vãs teorias
.
O livro humano
me ensina
a entender a vida.
Bárbara Lia

Monday, May 12, 2008

Magnólia Magenta
Foto - Martin Kenny
http://www.seenobjects.org


Magenta - a cor da idade

textura de fogo e o não-medo de tudo

que a vida tenta fazer descer pela goela.
Não sou o desenho borrado esboçado

pelos que não entenderam a minha alma bárbara.
Ninguém caminhou com minhas sandálias,
bebeu a água amarga das feridas dos inimigos.

Pensar que teus olhos verão por outros olhos quem sou –

é o que me dói mais.

Pensar que é preciso ir mesmo viver na casa do sol.

Jamais mostrar a roupa da bailarina,

o coração pétala rasurado sangrando o néctar da saudade.

Tua imagem nítida, na madrugada, na noite, na neblina.

Amo o teu coração com tanta verdade que arde.

Escrevo tua ausência, em noites claras. Se tu lesses.
Ah! Se lesses!

Quem sabe as portas do escárnio diluiriam como estátuas de sal.

BÁRBARA LIA

Márcio Davie Claudino





IMPERFEIÇÃO



Este céu caiu.


Do alpendre de pedra

recolho cacos de setestrelas

e me recolho em chão de espantos.



À sombra do mistério sagrado quase me revelo,

refletido nas águas da noite.


(Este céu é para montar)


MÁRCIO DAVIE CLAUDINO

(O sátiro se retirou para um canto escuro e chorou
Imprensa Oficial do Pr - 2.007)

Friday, May 09, 2008

Labirintos

Liberdade (Rogério Teruz)



Os homens amam seus labirintos.
Inquestionáveis prisões.
Não alçam voo em asas de Ícaro.
Não seguem o fio de Ariadne...
É mais seguro estar entre pedras, rochas, paredes.
Esconder-se (brincadeira antiga).
Há um céu acima dos labirintos.
O ar a rasgar nosso peito
Em cicatrizes de liberdade.
Além da tumba de concreto
Liberdade que não sustentamos,
Infinito - Deus.

BÁRBARA LIA
O sal das rosas
Lumme Editor - 2.007

Thursday, May 08, 2008

alfonsina y el mar (Mercedes Sosa)



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Vida


mis nervios están locos, en las venas
la sangre hierve, líquido de fuego
salta a mis labios donde finge luego
la alegría de todas las verbenas.
.
Tengo deseos de reír; las penas
que de donar a voluntad no alego,
hoy conmigo no juegan y yo juego
con la tristeza azul de que están llenas.
.
El mundo late; toda su armonía
la siento tan vibrante que hago mía
cuando escancio en su trova de hechicera.
.
Es que abrí la ventana hace un momento
y en las alas finísimas del viento
me ha traído su sol la primavera.
ALFONSINA STORNI

Duerme Alfonsina



piso águas
veludo nos passos
pé ante pé
cubro sua casa de cristal
com minhas lágrimas
e escuto tua voz cobalto
de paz, enfim, coberta:

- No despiertes los pájaros que duermen!

BÁRBARA LIA
- A última chuva (ME ed. alternativas - 2007)

Wednesday, May 07, 2008

Porão de Maio

Cláudio Bettega, ator e poeta
Paulo Bearzotti

Adriano Smaniotto


uma luz singela


Pedro Carrano e Naiadi Piva


Marcelo Sandmann, Neuza Pinheiro, Rodolfo Brandão

Ulisses Galetto



Marcos Antonio Ferreira - meu bom amigo pernambucano que breve retorna para Pernambuco. Grande poeta, finalista do Prêmio Ladjane Bandeira e do Helena Kolody, 2007. Estaremos juntos na Antologia do Helena Kolody, para guardar a sua passagem por esta cidade fria, e toda a troca de poesia e prosa.

Monday, May 05, 2008

TAO

Hokusai

Pienso en Tao y en orientales palabras
Y trato de cultivar las flores
Que aún mueren en mis manos
Pues yo nunca en verdad supe
Ser tan simple como las palomas
Nunca tan bella como granada madura
Ni tan suave como la rosa blanca
Ni tan callada como el arroyo de la infancia
Ni tan silenciosa como las estrellas
Ni tan buena como los maizales
Ni tan vida-nueva como la crisálida
Ni tan liviana como la mariposa
Ni tan luz como el alma de los héroes.

BÁRBARA LIA

Tuesday, April 29, 2008

SONATA PARA UM HOMEM BOM




A vida dos outros - Oscar de melhor filme estrangeiro, 2007 - melhor filme que vi em 2008. 
Direção e roteiro de Florian Henckel von Donnersmarck.
O filme é conduzido de uma forma impecável. A Stasi - polícia da antiga RDA decide investigar o dramaturgo Georg Freyman (Sebastian Koch) e passa a vigiar 24 horas ao dia o escritor e sua namorada Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck). O homem que toma para si este encargo Gerd Wiesler(Ulrich Tukur) acaba seduzido pelo casal e o desfecho é sublime. 
Li em uma resenha de um desses sites de cinema que o desfecho é banal. Eu amei o desfecho. Sonata para um homem bom - uma música e um livro dentro da história - poderia também ser o título do filme. Muito mais que um filme sobre o amor, a espionagem e a questão política que envolvia a RDA antes da queda do Muro de Berlim, é um filme sobre um homem bom entrando na alma de um outro homem e retirando de algum recôndito escondido o seu lado bom. Tem a ver com a Arte, com o que é possível conseguir através dela. E tem a ver com o amor, aquele onde um homem bom consegue que sua amada vá com ele até o limite de tudo, aquele em que se prefere morrer a decepcionar o amado.
Manos cortadas (Federico Garcia Lorca)

Colores rubras me perseguem
Sangue de Lorca e Dali
Colores amarelas sangram girassóis
Van Gogh sem estrelas
Azul lâmina de Picasso
Corta em frio aço o meu viver
Gargalhadas sádicas ecoam
- Harpias no meu jardim -
Dentro de mim um céu:
Tua voz a cantar
- Andorinha, farinha, pão –
Alimento e libertação.

BÁRBARA LIA

Friday, April 25, 2008

Um amor transatlântico, 1947-1964,


Simone de Beauvoir (1.950)
foto: Art Shay


Um amor transatlântico, 1947-1964 (ed. Nova Fronteira)
cartas de Simone de Beauvoir a Nelson Algren:


(17 de maio de 1947)
À bordo de um avião da KLM
Sábado à tarde, Terra Nova

Meu gentil, maravilhoso e bem-amado "jovem nativo" (1), você mais uma vez me fez chorar, mas lágrimas doces, doces como tudo o que vem de você. Eu acabara de me acomodar no avião e abrir seu livro, quando tive vontade de ver a sua caligrafia. Voltei para primeira página lamentando não ter pedido a você que nela escrevesse alguma coisa, e eis que elas estavam ali, suas ternas, atraentes e belas palavras. Apoiei a testa contra a janela e chorei acima do mar azul, mas lágrimas doces, lágrimas de amor, do nosso amor. Eu o amo. Antes, o chofer de táxi me perguntara: "É seu marido?" "Não." "Ah, um amigo?", e acrescentara com uma voz cheia de simpatia: "Como ele parecia triste!" Não pude me impedir de dizer: "Nós estamos muito tristes por nos separar. Paris é muito longe!" Então ele começou a falar amavelmente de Paris... Eu estava aturdida, incapaz até de chorar naquele momento. Apenas aturdida. Depois o avião decolou. Gosto de aviões. Quando se vive intensamente uma grande emoção, ele é o único meio de transporte que se adequa ao nosso estado de alma, creio. O avião, o amor, o céu, a tristeza e a esperança constituíam um todo... Eu pensava em você, lembrava-me com cuidado de cada detalhe... Onde está você neste exato momento? Quando você voltar ao nosso pequeno lar, eu estarei lá, escondida sob a cama e em todos os lugares. Doravante estarei sempre com você. Estarei com você como uma esposa amorosa com seu marido bem-amado. Nós não teremos de despertar porque não é um sonho; é uma história real e maravilhosa que apenas se inicia. Eu o sinto comigo e aonde eu for você irá, não apenas seu olhar, mas você inteiro. Eu o amo, e não há mais nada a acrescentar. Você me toma nos braços, eu me estreito contra você e o beijo como costumava beijá-lo.


...

Sunday, April 20, 2008

TRÁGICO OFÍCIO






Ser poeta é uma graça desgraçada
É fazer graça das próprias tripas
é como um mudo que fala aos surdos
um artista inútil que vive febril a suar
e do seu suor
servem suco refrescante aos burocratas
É ter olhos por todo o corpo
dentro e fora das carnes
olhos que cheiram, tateiam e lambem
e em tudo procuram o sabor de um paraíso desconhecido
e só encontram a perfeição no fundo do espírito
numa memória que vive quase querendo acordar!
E em seus esforços para encontrar no papel
a plenitude que nunca se admite perdida
vão adornando versos para a dor poderem amar
E acabam vendo parar seus filhos no colo de senhoras gordas,
de peitos caídos
que vivem a tricotar
e murmuram:
"Oh que bonitos esses versos"
(05/02/07)
LINCOLN D'ÁVILA

Lincoln é professor de História, Músico e Poeta. Toca o bom e velho rock'n roll em uma banda - Brothers - vive em Umuarama e é filho da minha irmã mais velha.

Friday, April 18, 2008


Colibri azul

Atravessa a sala:

Voo satori

BÁRBARA LIA

La nave va...

"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura

  "Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura da escritora Francine Cruz. https://www.youtube.com/watch? v=IxpCcdUM7...