uma consciência consolidada reside num salão de banquete escurecido perto do teto de uma mente cujo chão se move como dez mil baratas quando um feixe de luz penetra como todos os pensamentos se unem num instante de harmonia corpo não mais repelente como as baratas contém uma verdade que ninguém nunca fala
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....Tive uma noite em que tudo me foi revelado.
....Como eu posso falar de novo?
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hermafrodita em pedaços que só confiou nelenela encontra a sala fervendo em realidade e implora nunca acordar do pesadelo
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....e estavam todos lá
... cada um deles
....e eles sabiam meu nome
....enquanto eu escapava feito um besouro ao longo das costas de suas cadeiras
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Lembre-se da luz e acredite na luz
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Um instante de claridade antes da noite eterna
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.....................não me deixe esquecer
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mínimo fragmento da peça:
Psicose 4.48
Sarah Kane
Tradução Laerte Mello
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Diane Arbus (Diane Nemerov, 14 de março de 1923, em New York City; d. (suicídio) 26 de Julho de 1971) foi uma fotógrafa americana, célebre por seus retratos.
Sarah Kane (Essex, 3 de Fevereiro de 1971 — Londres, 20 de Fevereiro de 1999)
Considerada maior dramaturga inglesa do final do século XX.
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Estas mulheres se tocam, se chocam ao chocarem. Nas peças de Sarah Kane e nos retratos de Diane Arbus vemos o que não buscamos ver, ou aquilo que evitamos, passamos à margem, ignoramos. O real, o grotesco, aquilo que revira as entranhas. Muito cedo Sarah Kane morreu, tal qual Diane, suicidou-se. Após escrever a peça Psicose 4.48. Em Curitiba foi levada aos palcos pelo diretor Marcos Damasceno. Pouco a pouco a obra de Sarah Kane vai sendo desvelada e vai sugando a gente com uma força que tem todo o estranhamento e tudo o que há de visceral em sua obra. Leitura obrigatória na nossa oficina de Dramaturgia. Ainda estou palmilhando estas escarpas. As fotos de Diane, os textos de Sarah Kane. Uma arte sem máscaras, a revelar o quão estranha é a humanidade e extraíndo beleza do instante caótico, da dor, do horror.
Fascicles - os livros artesanais que Emily Dickinson criou, ela os chamava - fascicles - artesã, montei dois livros de poesias:
Antes de lançar "O sorriso de Leonardo" eu tive dois títulos que não foram editados: Adamare e Chá para as borboletas. Adamare foi o título escolhido para uma seleção de poesias escritas em 2002 durante a oficina Sara Sahl - Estava pesquisando a vida dos hereges da idade média e li um livro sobre os cátaros que foram julgados em uma aldeia francesa. Nos arquivos da Inquisição, entrevistas com moradores da aldeia revelou como eles nominavam o amor. Adamare era a palavra para dizer - amor verdadeiro. Descartei o título,> Resgatei, agora, para compor um fascicle, que ao lado de Chá para as borboletas vou guardar como a memória de um começo. Um livro com poesias de amor; o outro com poesias que falam da infância. Meus fascicles. Feitos à mão, tecidos de cetim, com imagens de Leonardo da Vinci e com a imagem que a Ane Fiúza criou - a menina com a borboleta.