Friday, May 07, 2010

Dulcinéia Catadora + Tv Cronópios



O livro-DVD H2Horas será um marco bacana para este Portal e seus usuários. Todos que participaram do projeto estão de parabéns. O lançamento do H2Horas em livro e DVD será em breve. Provavelmente no dia 1º de junho. Confimaremos a data posteriomente.
Pipol

 
O Coletivo Dulcinéia Catadora e a Tv Cronópios em uma publicação muito especial, a Antologia das poesias do Filme do Pipol - H2horas publicadas - Livro + Dvd.
Mais notícias no Portal Cronópios.
Feliz com a notícia do breve lançamento:
 

Le coup au coeur

Imagem - Rene Magritte




Rosa - flor platônica
gêmea da alma minha
geme acima dos muros
hipnotizando espinhos

Bárbara Lia

Noon/2010
Livros artesanais
Coleção 21 gramas

Wednesday, May 05, 2010

Jornal Vaia



- Fernando Ramos é editor do Jornal Vaia e organizador do Festipoa - o n°29 - abril de 2010 - veio na minha bagagem e fiquei muito feliz em retomar José Paulo Paes em um artigo de Marcos Pasche -  A Poesia Íntima da Vida. Sidnei Schneider entrevista Antonio Cícero e o encarte central traz poesias do projeto de Lais Chaffe - Cidade Poema. Marcos Pasche entrevista Márcio André, etc. etc.
O Projeto Gráfico da edição - Fabriano Rocha.


.


Um poema de José Paulo Paes:

Não há nada mais triste
do que um cão em guada
ao cadáver do seu dono.

Eu não tenho cão
Será que ainda estou vivo?
pg. 5
Jornal Vaia n°29


Olhar Estrangeiro: Nova York

- clique para ler -

Olhar Estrangeiro: Nova York - Foreing Look: New York
Lenira Fleck / Liana Timm / Vânia Falcão
Terrítório das Artes - 2007
...
O livro acima - um dos que recebi das mãos de Liana Timm. Um livro escrito por três mulheres - Liana que é Arquiteta, Artista Plástica e Poeta. Lenira Fleck, psicanalista e Vania Falcão especialista em Literatura Comparada, traçaram suas impressões sobre Nova York.


-


Tentativa

um caracol
revoluciona o mundo
na solidão de ouvidos
irrepetível som anfíbio
quer da linguagem
originalidade primitiva
música faca
fundo zumbido
Liana Timm
p. 63 - Água Passante (Território das Artes/2009) -


Sunday, May 02, 2010

O lugar do segredo





O Lugar do Segredo - Bárbara Lia
(Teatro - ed. 21 gramas)

MULHER NA ÁRVORE



Mulher na Árvore*

Minha mãe nunca se masturbou.
Chovia.
A porta aberta.
Segui em direção a quem me é mais íntimo: São Judas Tadeu. A agulha da bússola do meu coração sabe onde é o norte por aqui. Canto direito primeira fila de bancos.
Escrevo no bloco azul, encharcada de chuva. Nem me benzi. Sentei ali como sento nos cafés: Aqui só tem pão e vinho tinto. A ratazana de sacristia me espia. Convocaria a Inquisição caso lesse os rabiscos – cena de masturbação.
Estou pura.
A cena é pura. Nenhuma imagem levanta o dedo em riste para mim, São Judas nem ao menos espia com o canto do olho. Dane-se a cantora de altar. Olhos de juiz pra cima de mim. Dane-se! Nunca mudam os hinos? Nunca mudam. Ainda é o mesmo. Sei-o letra a letra há décadas. Vai ser o mesmo quando eu sentar em outro banco outro lugar outra chuva daqui uma década. Começa a missa e a minha cena se adensa. O Padre diz uma poesia de São João e mexe no mais fundo daquela lagoa de lágrimas, uma salta assim ao final da poesia.



Deus é Amor
Quem permanece no Amor
Permanece em Deus
E Deus nele



Simples assim. Gota a gota absolvo-me.
A cantora ratazana arregala os olhos. Não sou feita de grifes pneus peças de computador porra e crack. Encaro-a. Quer um beijo de batom roxo para deixar seus lábios pura sexta-feira santa? O maior susto do dia dela, a mulher estranha molhada de chuva chora. Chorar – deplorar prantear arrepender-se derramar lágrimas lastimar-se exprimir dor tristeza ETCETERA
Sou o etcetera. Risco de não definição. O espanto coletivo me coloca na árvore gravetos e gravetos o canto das harpias no canto esperando. Alguém por favor, um voluntário é só ir até ali com a tocha, rápido, um voluntário. Harpias? Harpias apenas gralham não tem mãos de acender a chama nem para aniquilar o inimigo. Harpias declamam opus de escarro e odes de amianto, mas ficam estancadas em suas árvores. Covardes. Um voluntário, por favor, antes da chuva antes da chuva.
Chove. Fim de missa. Abraços incenso tremor de pavios amarelos. A cena, a cena e o bloco azul borrado. Lágrimas santas na cena maculada.
“Sempre me interrompe
Sempre
Tem um radar
Sempre me interrompe no ápice
(respira fundo olhos cerrados a dança sob os lençóis dedos ágeis olhos cerrados respiração suspensa goza)”
O céu tem cheiro de rio podre. Tietê ao amanhecer.
Minha mãe nunca se masturbou.
É matemática pura.
Lógica.
Minha mãe nunca se masturbou.
Zero chance.
Zero caloria na tabela do pecado.
A cena está modesta.
Escrevo ao final do bloco:
Reescrever a cena da masturbação
Luz.
Nossa Senhora é magnética.
Nunca olhei para ela ali, a leste do éden. Culpa de São Judas que me abduz. Meu outro eu somos das causas impossíveis.
Aqui está o livro da vida.
Procurem pela palavra – Impossível.
Não tem.
Não vou dizer nunca que escrevi a cena da masturbação no primeiro banco à direita - Catedral em dia de chuva.
Permaneço no amor.
*Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Newton Sampaio – 2009 da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná.

 * Menção  Honrosa no Concurso Nacional de Contos Newton Sampaio/2009







- O conto - Mulher na Árvore -  virou cena:
 

- Cena #2 da Peça de Teatro "O lugar do Segredo" -  Personagens - duas mulheres (A e D)



SILABAS BÁRBARAS



(Inverno em uma igreja)



D – (mulher em pé diante de um piano em uma igreja, ao lado do altar)
– Minha mãe nunca se masturbou.
A – (mulher entra e senta-se no primeiro banco de uma fila de bancos encostados na parede atrás de um altar pequeno com uma imagem)
- A porta aberta.
Segui em direção a quem me é mais íntimo: São Judas Tadeu. A agulha da bússola do meu coração sabe onde é o norte por aqui. Canto direito primeira fila de bancos.
Escrevo no bloco azul, encharcada de chuva. Nem me benzi. Sentei ali como sento nos cafés, aqui só tem pão e vinho tinto. A ratazana de sacristia me espia. Convocaria a Inquisição caso lesse os rabiscos – cena de masturbação.
D - Estou pura.
A – A cena é pura. Nenhuma imagem levanta o dedo em riste para mim, São Judas nem ao menos espia com o canto do olho. Dane-se a cantora de altar. Olhos de juiz pra cima de mim. Dane-se! Nunca mudam os hinos? Nunca mudam. Ainda é o mesmo. Sei letra a letra há décadas. Vai ser o mesmo quando eu sentar em outro banco outro lugar outra neve daqui uma década. O padre fala, concentro-me na poesia de João apóstolo enquanto minha cena se adensa.
Deus é Amor / Quem permanece no Amor / Permanece em Deus / E Deus nele.
Simples assim. Gota a gota absolvo-me. Seco uma lágrima.
Permaneço no amor. A cantora ratazana arregala os olhos. Não sou feita de grifes pneus peças de computador porra e crack.
(pausa para deglutir o olhar)
Quer um beijo de batom roxo pra deixar seus lábios pura sexta-feira santa?
Sou o etcetera. Risco de não definição. O espanto coletivo me coloca na árvore gravetos e gravetos o canto das harpias no canto, esperando. (pausa)
Fosse a Idade média e eu já estaria queimada na árvore...
D - Alguém, por favor! Um voluntário. É só ir até ali com a tocha, rápido, um voluntário.
A - Harpias? Harpias apenas gralham não tem mãos de acender a chama nem para aniquilar o inimigo. Harpias declamam opus de escarro e odes de amianto, mas ficam estancadas em suas árvores. Covardes.
D - Um voluntário, por favor, antes da chuva antes da chuva.
A - A cena, a cena e o bloco azul borrado. Lágrimas santas na cena maculada.
D “Sempre me interrompe – Sempre - Tem um radar - Sempre me interrompe no ápice”
A (fala enquanto escreve no bloco)
Respira fundo olhos cerrados a dança sob os lençóis dedos ágeis respiração suspensa - goza (pausa)
Zero chance. Zero caloria na tabela do pecado. A cena está modesta. Escrevo no final do bloco:
Reescrever a cena da masturbação.
D - Minha mãe nunca se masturbou. É matemática pura. Lógica.
Minha mãe nunca se masturbou.
A - Luz.
Nossa Senhora é magnética.
Nunca olhei para ela ali, a leste do éden. Culpa de São Judas que me abduz. Meu alter-ego, somos das causas impossíveis.
Não vou dizer nunca que escrevi a cena da masturbação no primeiro banco à direita – Catedral em dia de chuva.







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O Lugar do Segredo - Peça de Teatro  - A cena extraída do conto Mulher na Árvore (Menção honrosa no Conc. Nacional de Contos Newton Sampaio) O subtítulo desta peça pode ser - Quero Ser Emily Dickinson - o enredo é uma via-sacra, via-crucis - as estações não são aquelas bíblicas - são as estações do ano mesmo. Nesta caminhada nada sacra,  a personagem central decide se isolar de tudo e viver como Emily Dickinson. A personagem central não encontra o seu lugar, crê que não existe um lugar. O lugar do segredo é este que a poesia habita. Esta clausura, por isto a cena final é um diálogo com Emily Dickinson. A peça foi escrita durante a oficina com Roberto Alvim.  Passei 2009 neste ciclo de angústia e busca e desejo, para chegar à conclusão que já tenho romances a serem escritos, ideias arquivadas há muito, a poesia e um caminho que não pode bifurcar mais e mais.
Para registro desta passagem - um livro artesanal. A quem interessar possa, esta minha peça de teatro. A imagem da capa é da artista plástica catarinense - Ana Luisa Kaminski.



O QUE ME PERTENCE





O que é maior que eu
faz parte de mim.
A chuva cabe no mar,
a areia no deserto. Sempre foi assim.




O que é maior que eu
abraço feito fosse Deus.
As coisas pequenas vazam.
Choro por elas, uma noite talvez.




No outro dia
sol clareia a alma.
Descubro o que é meu




para sempre. Os sonhos, as lembranças.
Nossos passos calmos na areia.
O riso dos meus filhos, isto me pertence.
Bárbara Lia -  O sal das rosas (Lumme 2007)


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Edições 21 Gramas - Os livros artesanais trazem muita alegria, partilha. Ontem recebi o email abaixo do Rogério Teruz, um artista plástico que vive no Rio e gosta das minhas poesias. A capa do livro - Cigarras no Apocalipse - é uma tela do Rogério:

Querida Bárbara Lia.
Acabei de receber seu livro.
Só tive tempo, por enquanto, de dar uma lida rápida,
mas o que você escreve é para ser lido com calma
e profundamente.
Esteticamente ficou ótimo, o que mostra que se pode
fazer algo alternativo, criativo e de bom gosto.
Sinto-me honrado e feliz por participar dele.
Beijos,
Rogerio



*
Os meus parceiros-ilustradores partilham esta forma de levar a poesia a quem gosta de poesia - Fico feliz e sigo em frente - Ana Luisa Kaminski e Felipe Stefani cederam seus desenhos e pinturas - Isaias de Faria - uma fotografia - e disse que "é uma honra estar fazendo parte de uma construção como essa"
Muita poesia em passar algumas horas montando os livros e criando parcerias e organizando a minha poesia. Na minha mente virginiana, propensa à organização e colocar cada coisa em seu lugar - é apenas uma forma de reunir e nominar estas poesias reunidas. Não em um livro apenas, como aqueles livros bíblicos com trezentas páginas, mas, em fragmentos-momentos, como um pequeno apanhado de cada ciclo. Ontem o Regis Caserta do Rio escreveu após ler meus livros - a coleção inteira:
"Bárbara querida:
Na noite passada conclui a leitura de sua obra, até aqui. Espero que ela siga por um caminho eterno, terno e feliz, como cada pensamento, cada emoção, cada inspiração depositados nas páginas de seus livros.
Não há o que enfatizar senão o todo. Não há o que destacar. Li e observei que o todo é a própria vida, que os detalhes são partículas de uma alma que veio ao mundo com o dom de revelar o mais belo possível dos corações humanos.
Obrigado por proporcionar a leitura de sua existência.
Agora vou reler e reler porque a cada dia um poema novo vai sorrir pra mim"
 
...
 
 

Saturday, May 01, 2010

Esta é minha carta ao mundo

Emily Dickinson - (Tradução Aila de Oliveira Gomes)

 

Esta é minha carta para o mundo
Que nunca escreveu para mim
Simples novas que a Natureza
Contou com terna nobreza

Sua mensagem, eu a confio
A mãos que nunca vou ver
Por causa dela- gente minha-
Julgai-me com bem querer
 
-
 
Esta é minha carta ao mundo (Bárbara Lia)




em nome do orvalho
e da pétala

em nome das nuvens
e da chuva

em nome dos filhos
e dos pais

em nome do belo
e do feio

em nome da sutileza
e do rancor

em nome da vela
e do escuro

em nome da água viva
que corria nas veias de Clarice

em nome da alma azul aço
de Hilda Hilst

em nome dos tigres
que Borges amava

em nome das serenas tardes de Havana
que abraçavam Lezama

em nome dos estúpidos confetes
que não salvaram Sylvia Plath

em nome das sinfonias dos astros
que Pitágoras ouvia

em nome das estrelas
que Van Gogh tecia

em nome do infinito
e do finito...


...escrevo


( à revelia das confrarias
e das escolhas afetivas)






Friday, April 30, 2010

A Última Chuva

foto de Ana Mestre - Portugal



- Poesias do livro - A Última Chuva  - Bárbara Lia (ME - 2007)



A chuva baila cinza na vidraça
que abre a cidade e
as cicatrizes de concreto...


 
 


LAYLA



calçadas molhadas
- uma lâmpada grávida
estremecida de sol
pequeno -
a lembrar
que ainda é verde o trigo.
florirá
amanhã
em sol granulado,
farpas de doçura,
sempre.








DESDÊMONA



Olhou-me como nuvem,
a sugar os vapores
da minha alma.
Por que ele é meu deus,
guardei-o em um lago
onde Iago
jamais chegará.



...
 
 
Os elementos em A última chuva são líquidos e noturnos, nota-se o emprego abundante do vocábulo água, além de outros correlatos como chuva, lágrima, gota, pingos, lago, menstrua, bebe, vinho, chá, abraço líquido, vendaval molhou, enxurrada, enxágua, sede, sangram, óleos, barco. A maioria dos poemas traz essa marca indelével, a considerar a partir do próprio título do livro. A poeta prefere a água à areia, pois, dentro do silêncio quebrado pelo ritmo incômodo dos pingos de “uma torneira vazando / enlouquecendo em azul / a noite”, o tempo é marcado pelo elemento líquido que “cai em ritmo de segundos, / tatua o tempo em estilhaços líquidos”.

Além disso, a água não trai como a areia silenciosa – sub-reptícia -- “Os pingos alertam / o que a areia silencia – enganosa” (A última chuva, p. 27). A água é um símbolo a ser alcançado, na alquimia da palavra, é a fluência, a limpidez, a pureza. A poeta refaz a metáfora do tempo – areia – para água, “Com o pingar aflito do tempo – água –” (A última chuva, p. 27). Mas nesse ritual de passagem, necessita de coragem: “minha alma silenciosa / necessita de coragem / para a inevitável passagem / de grão de areia para pingo d’água.”( A última chuva, p. 27).

- Márcio Davie Claudino da Cruz - DUAS TENDÊNCIAS DA NOVÍSSIMA POESIA CURITIBANA NO ALVORECER DO SÉCULO XXI

Wednesday, April 28, 2010

Prêmio Ufes

Lo que más admiro en un escritor? Que maneje fuerzas que lo arrebaten, que parezca que van a destruirlo. Que se apodere de este resto y disuelva la resistencia. Que destruya el lenguaje y que cree el lenguaje. Que durante el dia no tenga pasado y que por la noche sea milenario. Que le guste la granada que nunca ha probado y que guste la guayaba que prueba todos los dias. Que se acerque a las cosas por apetito y que se aleje por repugnancia.
(Lezama Lima, in Simón, Pedro.    Interrogando a Lezama, p.33)

- Do livro José Lezama Lima - Anacronia, Lepra, Barroco e Utopia - Luis Eustáquio Soares - EDUFES

...

.

Recebi a caixa de livros da Edufes - Prêmio Ufes de Literatura - que concedeu aos dez premiados em cada categoria  - quinhentos reais em livros.

Escolhi os títulos, entre eles este Livro que vai me aproximar mais de um mito - Lezama Lima - li apenas Paradiso e La Cantidad Hechizada, alguma poesia na Internet e esta vontade de estar próxima ao vulcão Lezama, pisar levemente cada palavra para voltar ardente, sem ficar queimada em tanta vida que toquei quando li seus livros.
Companhia para o Inverno - esta leitura, que inclui entre tantos - Murilo Mendes - O olhar vertical, de Raimundo Carvalho, o Itinerário da Estrela - deslocamento e construção da Identidade - de Adriana Pin (sempre Clarice) e uma autora que ainda não li  - Charlotte Perkins Gilman - O papel de parede amarelo e outros contos - tradução e crítica - organização Stelamaris Coser. Cousas Nossas - Pinturas e paisagens do Espírito Santos - Samira Margotto... Entre tantos de quase vinte livros da Edufes.

Tuesday, April 27, 2010

Festipoa - a volta / post poesia

.

Uma porção de livros sobre a mesa
e esta alegria.
Difere tanto do sentimento que causa
uma porção de pratos sobre a pia.


O tempo para viver a ARTE voa rápido.
Vento que assusta o mundo
levantando (c)asas.

A rotina de louça na pia -
Brisa lerda e cansada
que não move nada

A Poesia?


Rara beleza
a esperar - acesa -
sobre a mesa

*

Livros do Festipoa. Entre eles a poesia do Wladimir Cazé (Macromundo - Confraria do Vento) e a prosa do Altair Martins (Duas Palavras - Coletivo Dulcinéia Catadora)
Uma ave de origami
montada com guardanapo
ganha vida de repente
no palito de dente empalada,
voa bonita no vento
apesar do sangramento,
seu sofrimento abreviado
quando o papel é amassado.

Wladimir Cazé - Macromundo


 
Duas Palavras - Altair Martins


Poemas Gravados - 2008

Gravura em Metal - Raquel Lima - Poesia de Sidnei Schneider

Sunday, April 25, 2010

Valeu Poa!

Volto de Porto Alegre. Uma viagem/passagem que deixa marcas, que ajuda a sacudir a poeira, dar a volta por cima e abraçar a poesia com mais garra que nunca. No sábado o Wladimir Cazé não chegou a tempo para a nossa mesa redonda e foi substituido por Everton Behenck, um poeta muito jovem que foi - para mim - uma das surpresas do Festipoa. Em maio ele lança seu primeiro livro pela Não Editora. O Cazé transferiu seu lançamento (Macromundo - Confraria do Vento) para o horário da tarde e integrou o recital da tarde com os poetas do projeto da Lais Chaffe. Um encanto ver Porto Alegre como uma grande ciranda de poesia...

Serguilha e eu na Letras & Cia

Feliz por estar com Lais e Everton naquele momento de falar sobre a criação literária e ler nossos poemas, logo após a apresentação do Coletivo de Criação Literária Nos Lemos

Nos Lemos Por Aí - Com leitura dos contos do Sérgio Faraco e dos poemas do grupo. Uma manhã poética em uma Livraria clara com jovens poetas ouvindo os poetas do sul -  Encantada com estes dois espaços que acolhem os poetas de Porto Alegre - Letras & Cia e Palavraria - Lais Chaffe coordena o projeto Cidade Poema - e espalha poesia pela cidade - Logo na entrada da Livraria Letras & Cia - a poesia...


Encontros e trocas e outro inesperado encontro e pequena dádiva, ter sido apresentada ao Sérgio Napp - Músico e Escritor, que ao receber o meu livro retribui com um CD que ouço com a certeza de que Porto Alegre abasteceu minha alma por uma temporada inteira do inverno que me espera - O CD é belíssimo - Ângela Jobim interpreta Sergio Napp - este que ouço agora, com músicas belíssimas do senhor que Sidnei Schneider me apresentou na Palavraria enquanto ele deixava o local - E ele nem sabe o quanto amo música, o quanto amo música popular brasileira e o quanto amo estas pessoas que caminham como quem não quer nada e levam dentro este universo tão bonito e nada dizem, apenas te estendem um cd, um livro e um sorriso. Valeu, Porto Alegre!



.

Porto Alegre



Sérgio Faraco - o Homenageado da - Festa Literária de Porto Alegre - a foto de Bettina Vallandro - as  demais são minhas:

Lucia Rosa na tarde de sábado - Apresenta o Coletivo Dulcinéia Catadora - Os autores Xico Sá
e Altair Martins na platéia
Luis Serguilha - Lúcia Rosa - Lima Trindade
no Zelig no Recital - Sexta Básica
Meu amigo o poeta / tradutor Sidnei Schneider


abaixo - Cardoso - Cláudia Taje e Xico Sá na Palavraria
Lais Chaffe - José Antonio Silva - Liana Timm
antes da apresentação no ICBA

Festipoa

Fernando Ramos ao meu lado no palco, o editor do Jornal Vaia que agita Porto Alegre com a Festa Literária - neste ano em sua terceira edição.

Os dias de festa encurtam as horas. Quando estou em minha casa vivo esta elasticidade do tempo. As tardes que passo com meu neto de três meses - voam. A Festipoa voou. Uma sucessão de poesia saltando à flor dos olhos e uma sucessão de homens e mulheres embebidos em Água Viva.
Uma saudade de Clarice Lispector.
Uma saudade da minha amiga Rebecca Loise cujo amor mútuo explodiu em um olhar, na escuridão do porão do Wonka Bar, a menina com cabelos de fogo que sobe ao palco, este farfalhar de almas que ao primeiro momento se reconhecem. Lembrei minha amiga distante quando o mesmo instante-fagulha ocorre em um outro lugar, uma outra pessoa incrível que se aproxima - Marília - caminhar por Porto Alegre sem lenço ou documento e tomar café na confeitaria com Marília, Estela. Sempre uma Estela maravilhosa em cada esquina, com E ou com S. É de chuva o meu livro, é de chuva a bibliomância de quem abre e lê - a chuva baila cinza na vidraça que abre a cidade e as cicatrizes de concreto - algumas cicatrizes serão eternas, pois cortaram fundo demais...

Aqui tudo é esta alegria que apenas a poesia explica - atualizando notícias no twitter -  este menino corajoso que é um dos organizadores do evento - o Fernando  - que edita o jornal - Jornal Vaia -

Paranauê, Paranauê, Paraná.


Ontem na livraria Letras & Cia conheci jovens poetas e fui surpreendida por uma pergunta que Lais Chaffe está fazendo para seu projeto - cidade poema - Com qual poesia você quer ser lembrado? Nunca penso neste futuro improvável e alheio a mim. Hoje meço a temperatura dos meus poemas pelas publicações que permeiam em blogs, pelas palavras que caem em minha caixa de e-mail, escritas pelos que lêem meus livros e pela recepção do público nas raras leituras quando impera a força que o autor imprime. Qual poema espelha o que sou? Cada qual tem uma mínima fagulha desta poeta. Cada qual tem um - pedaço de mim.
Por conta da programação, vi apenas o final do debate do Luis Serguilha e Ronald Augusto. Uma pena, minha ânsia de ouvir sobre a poesia não se esgota. O lançamento dos livros da Dulcinéia Catadora e um debate com o Cardoso, Cláudia Tajes e Xico Sá, para fechar a noite em clima de festa. Com as discussões de sempre. Mesmo os escritores que chegam mais próximo das - massas - detesto esta palavra, mas, que seja - ou que é lido por leitores não tão enfronhados na Literatura Contemporânea - mesmo eles tem esta paixão pelo livro. Como eu tenho e como vi que não importa o lugar, uma poeta tecendo seus livros com furor e mostrando sua poesia molhada de chuva é, afinal, uma paranaense aqui nos Pampas. E foi este refrão que me acompanhou ontem quando o táxi nos trazia para o hotel. Um refrão dentro do coração a confirmar que sou de um lugar onde a luta vive junto com a dança. Então, não estou na poesia apenas para o grande baile, mas, posso seguir minha luta dançando pelas ruas do mundo, como fazem os livres.

Saturday, April 24, 2010

Música!

(armação de ferro - máquina de costura - lembrança da mãe esta peça que encontrei no hotel - no evento com Jorge Furtado, Pena Cabreira e Juarez Fonseca a foto foi tirada de longe, mas, são eles no palco falando sobre Música, tão bom esta evocação que abarca as canções mais belas que são a trilha sonora da sua vida - muito bom!)

.

Na manhã fria de Porto Alegre, no interior de um Café do Hotel, um momento poético. O que apoia  o mármore - suporte do computador - é a engenhoca de ferro daquelas antigas máquinas de costura. A essência materna rompe o tempo e a dimensão e me abraça leve em um lugar onde a poesia brilha a me dizer que apenas isto necessito. Viver dia após dia em poesia, para virar páginas. Minha vida é mesmo um eterno virar de páginas  no ritmo dos sábios - viver o momento. O momento é de MÚSICA. Meu amigo Sidnei Schneider me acompanha e me apresenta a Festipoa, conheço a Palavraria - Espaço de arte e cultura - livraria, onde Jorge Furtado, Pena Cabreira e Juarez Fonseca conversam sobre letras de canções na música popular brasileira. Uma Festa Literária que abraça outras Artes - Uma inserção nas nossas canções mais belas e na narrativa dos três acompanhar as notas de um País inteiro desde Chiquinha Gonzaga até Arnaldo Antunes. A noite termina no Zelig - na Sexta Básica - com a alegria de conhecer Lima Trindade e a Lúcia Rosa do Coletivo Dulcinéia Catadora. Rever o amigo Luis Serguilha. Fernando Ramos - um dos organizadores - nos convoca ao palco para ler poesias e contos e novamente - MÚSICA - excelente música com Antonio Falcão e banda. Hoje a Festa recomeça cedo, Às 10h vou até a Livraria Letras & Cia. falar sobre poesia e lançar A Última Chuva. A música no ar, a palavra solta e o diálogo pleno com uma plateia que faz da Festa Literária de Porto Alegre um evento e tanto. É preciso raça, como disse a Maria Júlia que me apanha no aeroporto e faz com que eu me sinta em casa.

*
Não encontro um programa de transferência de fotos por aqui e espero até a volta para mostrar as cenas - dias de poesia e noites de música - uma cidade que vira poema.

Monday, April 19, 2010

Abertura Festipoa - Convite


Pausa no - Chá para as borboletas - para ir participar da Festa Literária de Porto Alegre - Dia 24 na Livraria Letra & Cia às 10h  com Wladimir Cazé e Laís Chaffe, vamos falar sobre nossas produções poéticas - com lançamentos e autógrafos - do meu livro A última chuva, (Belo Horizonte: Mulheres Emergentes Edições Alternativas, 2007)  e Macromundo (Confraria do Vento, 2010) de Wladimir Cazé. 

 



Programação
*Dia 20 de abril: Terça-feira (abertura):



Na Palavraria:

17h: Cíntia Moscovich e crítico e curador de arte Jacob Klintowitz (SP) conversam com Sergio Faraco sobre produção de contos e tradução.

18h30: Maratona Literária 7, com leitura em voz alta, em revezamento da coletânea de contos “Dançar tango em Porto Alegre”, de Sergio Faraco.

19h: Edgar Vasques conversa sobre literatura adaptada para HQ com o artista plástico e designer gráfico Fabriano Rocha e o escritor e artista gráfico Leandro Dóro.

No CineBancários:

15h, 17h e 19hs: Sessões dos filmes Ferreira Gullar, a necessidade da arte; O canto e a fúria; e Por acaso, Gullar.

Sinopses:

Ferreira Gullar, a necessidade da arte: (2005), produção e direção de Zelito Viana, co-dirigido por Vera de Paula, Aruanã Cavalleiro e Cláudia Duarte, realizado pela Mapa Filmes, baseia-se nos depoimentos do poeta maranhense sobre a arte ocidental e suas transformações desde o Renascimento até a produção contemporânea.


O canto e a fúria: Documentário com depoimentos de Ferreira Gullar, direção de Zelito Viana, 1996. Sempre no mesmo cenário, Gullar fala de todas as fases de sua obra: conta casos engraçados como o fracasso do "Poema enterrado", criado com Hélio Oiticica; explica a opção que fez pela poesia política no início dos anos 60; e ainda lê alguns de seus poemas preferidos.


Por acaso Gullar: 2005 - Em uma conversa informal com o poeta Ferreira Gullar em sua casa, o acaso é tema e guia. Gullar fala sobre seu processo de criação, mostra suas colagens e pinturas, e revela seu humor e seu encanto com o fazer artístico em um filme guiado pelo improviso, como um cinema-jazz, que só se revela na montagem. Participação: Maria Bethânia. Direção: Rodrigo Bittencourt e Maria Rezende.


No Café da Oca:

20h30 às 23h30: Mostra artística Cabaré do verbo: música e leituras de poemas, Diego Petrarca, Lorenzo Ribas, Karine Capiotti, Petit Poa-RS, Rádio Putzgrila, Rodolfo Ribas, Rocartê, Projeto Floco e exposição de trabalhos dos artistas plásticos Carla Trautmann, Gui Beck e Marcelo Monteiro.

Van Gogh By Ia - Salvador

La nave va...

Meus livros

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