Tuesday, May 18, 2010
Sunday, May 16, 2010
Pensando o amor
- em geral , ele é todo desejo do que é bom e de ser feliz - (Platão)
::
O amor é um Deus escondido e não é todo mundo que dá de cara com ele. Para complicar tudo, apelidaram a tal paixão de amor, então vive por aí o amor - mascarado - tripudiado com sua imagem tatuada em um deus pequeno, um deus sem asas e sem força, um deus que queima mais rápido que as tuas lenhas no fogão e tudo se perde. Pode ser bonito como aquele fogo, mas, é só miragem. É o externo tatuado na visão, o interno tatuado é que fica impresso nos olhos da alma que não esfria que não se consome em labaredas - o externo é a paixão e o interno é o amor - seria isto? E quando o externo e o interno vibram na mesma frequência? Então é o Eros revivido. O amor em carne viva...
- Bárbara Lia
::
Anotação na porta da geladeira:
Reler - O Banquete (Platão)
Para beber palavra a palavra o livro e quiçá escrever poesia:
O amor?
Uma libélula
Acima do lodo
EL ALEPH AZUL DE BORGES
Dejaste aquí tu corazón
- Aleph azul
poblado de tigres blancos
y espejismos.
Dejaste aquí tu corazón,
que pulsa como esta Milonga Del Ángel,
que oigo en esta primavera desprotegida
- acordes de Piazzola –
Nubes blancas señal de certezas:
tu alma blanca
tu corazón Aleph azul
permanecen, en suave ritmo del sur.
Dejaste un Libro de Arenas
- tu alma -
todos nosotros hojeando páginas
de este desierto metafísico - nocturno y trágico -
que lleva a la aurora nítida del reino de la poesía.
Dejaste aquí tu corazón,
Aleph donde transitan signos variados,
y aunque imprimo sueños
en griego, sánscrito o arameo,
desciframos – en alfa –
tus mensajes de estrellas.
Dejaste aquí tu corazón,
vaso vacío de secretos,
pleno de soles & lunas & signos de nobleza,
en una azul sinfonía que tejes
entre tus dedos, mientras señalas:
La eterna agua, el aire eterno,
flaneando en un valle de sombras
y la inscripción brillante con hilos de oro
- no existe el tiempo –
Guardianes de lo imposible
llevamos hacia el cuello la ampolleta
como hombres-bombas
explotando la vida,
sin seguir tus pasos-acordes.
Ciegos, no distinguimos,
la inutilidad de la arena que cae en cuentagotas,
tu corazón quiere gritárnoslo -
Aleph azul que guarda secretos rojos.
Dejaste aquí tu corazón.
Algunos lo hojean en plegaria, como ángeles.
Yo lo hojeo, deslumbrada,
con la misma cálida y reverente ternura
con que miraba abismada la estrella véspero.
Azul como tu Aleph corazón.
Flecha y señal en mi camino:
La estrella véspero,
el Aleph azul de Borges.
Bárbara Lia
tradução - Karina Eskin
Friday, May 14, 2010
Thursday, May 13, 2010
Enquanto isto lá no Espírito Santo
DIA 20 DE MAIO [QUINTA-FEIRA] - A PARTIR DAS 19:00
ADUFES [UFES - CAMPUS DE GOIABEIRAS, VITÓRIA / ES]
Pensando a Poesia
Pensando a Poesia - no site da editora Vidráguas - acesse aqui
Vidráguas - Bela Página - que me faz recordar Eugénio de Andrade e que traz um poema inédito de Serguilha para Camila Vardarac... Um encontro feliz em Porto Alegre com Carmen Silvia Presotto - Vidráguas - palavra poética, cristalina, liquida escondendo sementes de poesia. Viva a Poesia!
Sunday, May 09, 2010
O que Van Gogh Uniu
carta de Ia Santanché
Ia Bárbara
- Vez por outra Ia me chamava de Bárbara Plath ou Lia Sylvia
- O QUE VAN GOGH UNIU (Bárbara Lia)
Sou poeta. É pouco para uma apresentação. Não. Não é. Poeta - Tracem o perfil - Crê em coisas belas, garimpeira de palavras sonoras. Esta palavra basta para que caia um míssil nesta página. A poeta coloca o papel na máquina. Máquina de escrever Remington antiga - soa bem mais romântico que computador moderno. A poeta decidiu narrar tudo, pois ela tem saudades de Van Gogh.
Van Gogh não mora mais aqui. Tinha uma ilusão bem tola antes destes eventos. Início do século XXI, afinal, o mundo sobrevivera às mil profecias. A poesia serpenteava meus dias e a alegria ainda brilhava em meus olhos. Devo dizer – Bárbara é poeta e tem saudades de Van Gogh...
Van Gogh não mora mais aqui.
Maio é o mais feliz dos meses. Brilha a essência de Eros sobre as areias do outono, brilha a chuva em cadência nas telhas. Brilha no jornal a notícia – A atriz e bailarina Ia Santanché vai apresentar nesta noite de sábado o espetáculo “O consultório do Dr. Gachet” baseado no livro – Cartas a Théo, do pintor holandês Vincent Van Gogh. Isto brilhou como um chamado. Eu havia lido “Cartas a Théo” e estava enamorada, seduzida pela loucura iluminada de Van Gogh. Extasiada diante de um céu de estrelas que se expandiam em círculos de luz. Um homem holandês no século dezenove que via as estrelas com uma nitidez transfigurada. Pensei em tantas palavras dele que li no livro e que martelavam minha alma de poeta:
“Com tudo prefiro pintar os olhos dos homens, mais que as catedrais, pois nos olhos há algo que nas catedrais não há, mesmo que elas sejam majestosas e se imponham, a alma de um homem, mesmo que seja um pobre mendigo ou uma prostituta, é mais interessante a meus olhos.”
Maio é o mais feliz dos meses e também o mais triste de saudades. Era a semana em que minha mãe faria anos. Há dez anos ela havia morrido. Eu me lembro que pensava nisto naquela noite andando pelo Largo da Ordem em Curitiba, em direção à Livraria Arcádia. A Livraria Arcádia fica na esquina das ruas Mateus Leme e 13 de maio. É uma livraria antiga. Eu estava distraída, nem dei muita atenção à poesia que existe no Largo da Ordem. Bem na frente da Casa Romário Martins - um museu branco e pequeno - existe um bebedouro de cavalos que está lá desde o tempo do Império. As ruas do Largo são de pedra, dos dois lados daquela subida que leva até o Relógio das Flores e às Ruínas de São Francisco existem bares com cadeiras nas calçadas onde os jovens e os artistas se reúnem para tomar cerveja. Aos domingos acontece a Feira de Artesanato, que todos chamam de Feirinha do Largo. Subi as escadas até o interior da Livraria. Não sabia naquela noite que iniciava um caminho até um livro com o nome de Van Gogh.
Sentei-me na primeira fila. Lembro que no palco havia uma cadeira, um rádio, um vaso de flores no canto, os girassóis de Van Gogh, era tudo muito simples. A janela estava aberta e pude ouvir o silêncio na rua de pedra.
Ia Santanché era diáfana. Fui lá pensando que ia ver uma leitura das cartas do artista e vi uma dança. Véus e Vela e Espanto e Candura. Uma demonstração de que a arte se liberta em formas e existem mil maneiras de dizer poesia. Ao final da apresentação ela reuniu todos os signos. O véu com que dançou. A flor que abraçou, o rádio em que alguns sons contribuíram para a peça, incluindo o tiro final. Ela colocou a cadeira, jogou sobre ela o véu e sobre ele os girassóis, a vela, um auto-retrato do artista e então lá estava o símbolo da morte: O túmulo de Van Gogh.
A cena do suicídio foi poética, ela simulou cair e no rádio havia o estampido do tiro, asas de corvos debandando do trigal aflito... Uma mistura de cenas, palavras, sons que fizeram a lágrima cálida cair em minha face, dançando aflita a dura verdade da dor do artista, de quem tem no sangue aquele brilho das estrelas que ele pintava. A canção que tocou no final, eu ouvia vez por outra. A música se chama Vincent (starry, starry night). Foi assim que a apresentação terminou e eu fiquei estática na cadeira, emocionada até a medula.
Decidi falar com Ia, quando já estava com o pé no primeiro degrau para ir embora, voltei e perguntei por ela. A moça da Livraria entrou em uma sala, logo ela surgiu com êxtase no olhar, suada, os cabelos claros e lisos e uma agitação que todo bailarino traz depois de sua dança. Apresentei-me como poeta e fã de Van Gogh e disse que havia escrito um poema para ele, e que queria enviar. Ela me passou seu e-mail e conversou comigo, disse alguma coisa como estar apaixonada pelos textos de Clarice Lispector. Voltei à rua. Vento gélido de outono em Curitiba, em mim uma emoção que fluía em cada poro, como uma descoberta, ou uma certeza de que aquela noite havia sido especialmente bela e que eu compreendia mais Van Gogh e sua loucura, o seu destino náufrago, o tiro, aquelas cenas todas. A música e o vôo de Ia ficaram por alguns dias em mim...
Maio/2001Apresentação do livro - O que Van Gogh Uniu - Correspondências / Bárbara Lia - Ia Santanché (ed. 21 gramas / 2010)
(O Processo de Criação de um Monólogo ainda não encenado. Um encontro de duas artistas, duas mulheres, duas mães com alma livre. Um diálogo pleno de recortes para brilhar apenas o nosso diálogo de vários anos. Um registro que faço, destas cartas minhas e da Ia, no projeto 21 gramas)
Friday, May 07, 2010
Dulcinéia Catadora + Tv Cronópios
O livro-DVD H2Horas será um marco bacana para este Portal e seus usuários. Todos que participaram do projeto estão de parabéns. O lançamento do H2Horas em livro e DVD será em breve. Provavelmente no dia 1º de junho. Confimaremos a data posteriomente.
Pipol
Pipol
O Coletivo Dulcinéia Catadora e a Tv Cronópios em uma publicação muito especial, a Antologia das poesias do Filme do Pipol - H2horas publicadas - Livro + Dvd.
Mais notícias no Portal Cronópios.
Feliz com a notícia do breve lançamento:
Le coup au coeur
Imagem - Rene Magritte
Rosa - flor platônica
gêmea da alma minha
geme acima dos muros
hipnotizando espinhos
Bárbara Lia
Noon/2010
Livros artesanais
Coleção 21 gramas
Wednesday, May 05, 2010
Jornal Vaia
- Fernando Ramos é editor do Jornal Vaia e organizador do Festipoa - o n°29 - abril de 2010 - veio na minha bagagem e fiquei muito feliz em retomar José Paulo Paes em um artigo de Marcos Pasche - A Poesia Íntima da Vida. Sidnei Schneider entrevista Antonio Cícero e o encarte central traz poesias do projeto de Lais Chaffe - Cidade Poema. Marcos Pasche entrevista Márcio André, etc. etc.
O Projeto Gráfico da edição - Fabriano Rocha.
.
Um poema de José Paulo Paes:
Não há nada mais triste
do que um cão em guada
ao cadáver do seu dono.
Eu não tenho cão
Será que ainda estou vivo?
pg. 5
Jornal Vaia n°29
Olhar Estrangeiro: Nova York
- clique para ler -
Olhar Estrangeiro: Nova York - Foreing Look: New York
Lenira Fleck / Liana Timm / Vânia Falcão
Terrítório das Artes - 2007
...
O livro acima - um dos que recebi das mãos de Liana Timm. Um livro escrito por três mulheres - Liana que é Arquiteta, Artista Plástica e Poeta. Lenira Fleck, psicanalista e Vania Falcão especialista em Literatura Comparada, traçaram suas impressões sobre Nova York.
-
Tentativa
um caracol
revoluciona o mundo
na solidão de ouvidos
irrepetível som anfíbio
quer da linguagem
originalidade primitiva
música faca
fundo zumbido
Liana Timm
p. 63 - Água Passante (Território das Artes/2009) -
Sunday, May 02, 2010
O lugar do segredo
O Lugar do Segredo - Bárbara Lia
MULHER NA ÁRVORE
Mulher na Árvore*
* Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Newton Sampaio/2009
Mulher na Árvore*
Minha mãe nunca se masturbou.
Chovia.
A porta aberta.
Segui em direção a quem me é mais íntimo: São Judas Tadeu. A agulha da bússola do meu coração sabe onde é o norte por aqui. Canto direito primeira fila de bancos.
Escrevo no bloco azul, encharcada de chuva. Nem me benzi. Sentei ali como sento nos cafés: Aqui só tem pão e vinho tinto. A ratazana de sacristia me espia. Convocaria a Inquisição caso lesse os rabiscos – cena de masturbação.
Estou pura.
A cena é pura. Nenhuma imagem levanta o dedo em riste para mim, São Judas nem ao menos espia com o canto do olho. Dane-se a cantora de altar. Olhos de juiz pra cima de mim. Dane-se! Nunca mudam os hinos? Nunca mudam. Ainda é o mesmo. Sei-o letra a letra há décadas. Vai ser o mesmo quando eu sentar em outro banco outro lugar outra chuva daqui uma década. Começa a missa e a minha cena se adensa. O Padre diz uma poesia de São João e mexe no mais fundo daquela lagoa de lágrimas, uma salta assim ao final da poesia.
Deus é Amor
Quem permanece no Amor
Permanece em Deus
E Deus nele
Simples assim. Gota a gota absolvo-me.
A cantora ratazana arregala os olhos. Não sou feita de grifes pneus peças de computador porra e crack. Encaro-a. Quer um beijo de batom roxo para deixar seus lábios pura sexta-feira santa? O maior susto do dia dela, a mulher estranha molhada de chuva chora. Chorar – deplorar prantear arrepender-se derramar lágrimas lastimar-se exprimir dor tristeza ETCETERA
Sou o etcetera. Risco de não definição. O espanto coletivo me coloca na árvore gravetos e gravetos o canto das harpias no canto esperando. Alguém por favor, um voluntário é só ir até ali com a tocha, rápido, um voluntário. Harpias? Harpias apenas gralham não tem mãos de acender a chama nem para aniquilar o inimigo. Harpias declamam opus de escarro e odes de amianto, mas ficam estancadas em suas árvores. Covardes. Um voluntário, por favor, antes da chuva antes da chuva.
Chove. Fim de missa. Abraços incenso tremor de pavios amarelos. A cena, a cena e o bloco azul borrado. Lágrimas santas na cena maculada.
“Sempre me interrompe
Sempre
Tem um radar
Sempre me interrompe no ápice
(respira fundo olhos cerrados a dança sob os lençóis dedos ágeis olhos cerrados respiração suspensa goza)”
O céu tem cheiro de rio podre. Tietê ao amanhecer.
Minha mãe nunca se masturbou.
É matemática pura.
Lógica.
Minha mãe nunca se masturbou.
Zero chance.
Zero caloria na tabela do pecado.
A cena está modesta.
Escrevo ao final do bloco:
Reescrever a cena da masturbação
Luz.
Nossa Senhora é magnética.
Nunca olhei para ela ali, a leste do éden. Culpa de São Judas que me abduz. Meu outro eu somos das causas impossíveis.
Aqui está o livro da vida.
Procurem pela palavra – Impossível.
Não tem.
Não vou dizer nunca que escrevi a cena da masturbação no primeiro banco à direita - Catedral em dia de chuva.
Permaneço no amor.
*Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Newton Sampaio – 2009 da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná.* Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Newton Sampaio/2009
- O conto - Mulher na Árvore - virou cena:
- Cena #2 da Peça de Teatro "O lugar do Segredo" - Personagens - duas mulheres (A e D)
SILABAS BÁRBARAS
(Inverno em uma igreja)
D – (mulher em pé diante de um piano em uma igreja, ao lado do altar)
– Minha mãe nunca se masturbou.
A – (mulher entra e senta-se no primeiro banco de uma fila de bancos encostados na parede atrás de um altar pequeno com uma imagem)
- A porta aberta.
Segui em direção a quem me é mais íntimo: São Judas Tadeu. A agulha da bússola do meu coração sabe onde é o norte por aqui. Canto direito primeira fila de bancos.
Escrevo no bloco azul, encharcada de chuva. Nem me benzi. Sentei ali como sento nos cafés, aqui só tem pão e vinho tinto. A ratazana de sacristia me espia. Convocaria a Inquisição caso lesse os rabiscos – cena de masturbação.
D - Estou pura.
A – A cena é pura. Nenhuma imagem levanta o dedo em riste para mim, São Judas nem ao menos espia com o canto do olho. Dane-se a cantora de altar. Olhos de juiz pra cima de mim. Dane-se! Nunca mudam os hinos? Nunca mudam. Ainda é o mesmo. Sei letra a letra há décadas. Vai ser o mesmo quando eu sentar em outro banco outro lugar outra neve daqui uma década. O padre fala, concentro-me na poesia de João apóstolo enquanto minha cena se adensa.
Deus é Amor / Quem permanece no Amor / Permanece em Deus / E Deus nele.
Simples assim. Gota a gota absolvo-me. Seco uma lágrima.
Permaneço no amor. A cantora ratazana arregala os olhos. Não sou feita de grifes pneus peças de computador porra e crack.
(pausa para deglutir o olhar)
Quer um beijo de batom roxo pra deixar seus lábios pura sexta-feira santa?
Sou o etcetera. Risco de não definição. O espanto coletivo me coloca na árvore gravetos e gravetos o canto das harpias no canto, esperando. (pausa)
Fosse a Idade média e eu já estaria queimada na árvore...
D - Alguém, por favor! Um voluntário. É só ir até ali com a tocha, rápido, um voluntário.
A - Harpias? Harpias apenas gralham não tem mãos de acender a chama nem para aniquilar o inimigo. Harpias declamam opus de escarro e odes de amianto, mas ficam estancadas em suas árvores. Covardes.
D - Um voluntário, por favor, antes da chuva antes da chuva.
A - A cena, a cena e o bloco azul borrado. Lágrimas santas na cena maculada.
D “Sempre me interrompe – Sempre - Tem um radar - Sempre me interrompe no ápice”
A (fala enquanto escreve no bloco)
Respira fundo olhos cerrados a dança sob os lençóis dedos ágeis respiração suspensa - goza (pausa)
Zero chance. Zero caloria na tabela do pecado. A cena está modesta. Escrevo no final do bloco:
Reescrever a cena da masturbação.
D - Minha mãe nunca se masturbou. É matemática pura. Lógica.
Minha mãe nunca se masturbou.
A - Luz.
Nossa Senhora é magnética.
Nunca olhei para ela ali, a leste do éden. Culpa de São Judas que me abduz. Meu alter-ego, somos das causas impossíveis.
Não vou dizer nunca que escrevi a cena da masturbação no primeiro banco à direita – Catedral em dia de chuva.
-
O Lugar do Segredo - Peça de Teatro - A cena extraída do conto Mulher na Árvore (Menção honrosa no Conc. Nacional de Contos Newton Sampaio) O subtítulo desta peça pode ser - Quero Ser Emily Dickinson - o enredo é uma via-sacra, via-crucis - as estações não são aquelas bíblicas - são as estações do ano mesmo. Nesta caminhada nada sacra, a personagem central decide se isolar de tudo e viver como Emily Dickinson. A personagem central não encontra o seu lugar, crê que não existe um lugar. O lugar do segredo é este que a poesia habita. Esta clausura, por isto a cena final é um diálogo com Emily Dickinson. A peça foi escrita durante a oficina com Roberto Alvim. Passei 2009 neste ciclo de angústia e busca e desejo, para chegar à conclusão que já tenho romances a serem escritos, ideias arquivadas há muito, a poesia e um caminho que não pode bifurcar mais e mais.
Para registro desta passagem - um livro artesanal. A quem interessar possa, esta minha peça de teatro. A imagem da capa é da artista plástica catarinense - Ana Luisa Kaminski.
O QUE ME PERTENCE
O que é maior que eu
faz parte de mim.
A chuva cabe no mar,
a areia no deserto. Sempre foi assim.
O que é maior que eu
abraço feito fosse Deus.
As coisas pequenas vazam.
Choro por elas, uma noite talvez.
No outro dia
sol clareia a alma.
Descubro o que é meu
para sempre. Os sonhos, as lembranças.
Nossos passos calmos na areia.
O riso dos meus filhos, isto me pertence.
Bárbara Lia - O sal das rosas (Lumme 2007)
-
Edições 21 Gramas - Os livros artesanais trazem muita alegria, partilha. Ontem recebi o email abaixo do Rogério Teruz, um artista plástico que vive no Rio e gosta das minhas poesias. A capa do livro - Cigarras no Apocalipse - é uma tela do Rogério:
Querida Bárbara Lia.
Acabei de receber seu livro.
Só tive tempo, por enquanto, de dar uma lida rápida,
mas o que você escreve é para ser lido com calma
e profundamente.
Esteticamente ficou ótimo, o que mostra que se pode
fazer algo alternativo, criativo e de bom gosto.
Sinto-me honrado e feliz por participar dele.
Beijos,
Rogerio
*
Os meus parceiros-ilustradores partilham esta forma de levar a poesia a quem gosta de poesia - Fico feliz e sigo em frente - Ana Luisa Kaminski e Felipe Stefani cederam seus desenhos e pinturas - Isaias de Faria - uma fotografia - e disse que "é uma honra estar fazendo parte de uma construção como essa"
Muita poesia em passar algumas horas montando os livros e criando parcerias e organizando a minha poesia. Na minha mente virginiana, propensa à organização e colocar cada coisa em seu lugar - é apenas uma forma de reunir e nominar estas poesias reunidas. Não em um livro apenas, como aqueles livros bíblicos com trezentas páginas, mas, em fragmentos-momentos, como um pequeno apanhado de cada ciclo. Ontem o Regis Caserta do Rio escreveu após ler meus livros - a coleção inteira:
"Bárbara querida:
Na noite passada conclui a leitura de sua obra, até aqui. Espero que ela siga por um caminho eterno, terno e feliz, como cada pensamento, cada emoção, cada inspiração depositados nas páginas de seus livros.
Não há o que enfatizar senão o todo. Não há o que destacar. Li e observei que o todo é a própria vida, que os detalhes são partículas de uma alma que veio ao mundo com o dom de revelar o mais belo possível dos corações humanos.
Obrigado por proporcionar a leitura de sua existência.
Agora vou reler e reler porque a cada dia um poema novo vai sorrir pra mim"
...
Saturday, May 01, 2010
Esta é minha carta ao mundo
Emily Dickinson - (Tradução Aila de Oliveira Gomes)
Esta é minha carta para o mundo
Que nunca escreveu para mim
Simples novas que a Natureza
Contou com terna nobreza
Sua mensagem, eu a confio
A mãos que nunca vou ver
Por causa dela- gente minha-
Julgai-me com bem querer
-
Esta é minha carta ao mundo (Bárbara Lia)
em nome do orvalho
e da pétala
em nome das nuvens
e da chuva
em nome dos filhos
e dos pais
em nome do belo
e do feio
em nome da sutileza
e do rancor
em nome da vela
e do escuro
em nome da água viva
que corria nas veias de Clarice
em nome da alma azul aço
de Hilda Hilst
em nome dos tigres
que Borges amava
em nome das serenas tardes de Havana
que abraçavam Lezama
em nome dos estúpidos confetes
que não salvaram Sylvia Plath
em nome das sinfonias dos astros
que Pitágoras ouvia
em nome das estrelas
que Van Gogh tecia
em nome do infinito
e do finito...
...escrevo
( à revelia das confrarias
e das escolhas afetivas)
Esta é minha carta para o mundo
Que nunca escreveu para mim
Simples novas que a Natureza
Contou com terna nobreza
Sua mensagem, eu a confio
A mãos que nunca vou ver
Por causa dela- gente minha-
Julgai-me com bem querer
-
Esta é minha carta ao mundo (Bárbara Lia)
em nome do orvalho
e da pétala
em nome das nuvens
e da chuva
em nome dos filhos
e dos pais
em nome do belo
e do feio
em nome da sutileza
e do rancor
em nome da vela
e do escuro
em nome da água viva
que corria nas veias de Clarice
em nome da alma azul aço
de Hilda Hilst
em nome dos tigres
que Borges amava
em nome das serenas tardes de Havana
que abraçavam Lezama
em nome dos estúpidos confetes
que não salvaram Sylvia Plath
em nome das sinfonias dos astros
que Pitágoras ouvia
em nome das estrelas
que Van Gogh tecia
em nome do infinito
e do finito...
...escrevo
( à revelia das confrarias
e das escolhas afetivas)
Friday, April 30, 2010
A Última Chuva
foto de Ana Mestre - Portugal
- Poesias do livro - A Última Chuva - Bárbara Lia (ME - 2007)
A chuva baila cinza na vidraça
que abre a cidade e
as cicatrizes de concreto...
LAYLA
calçadas molhadas
- uma lâmpada grávida
estremecida de sol
pequeno -
a lembrar
que ainda é verde o trigo.
florirá
amanhã
em sol granulado,
farpas de doçura,
sempre.
DESDÊMONA
Olhou-me como nuvem,
a sugar os vapores
da minha alma.
Por que ele é meu deus,
guardei-o em um lago
onde Iago
jamais chegará.
...
Os elementos em A última chuva são líquidos e noturnos, nota-se o emprego abundante do vocábulo água, além de outros correlatos como chuva, lágrima, gota, pingos, lago, menstrua, bebe, vinho, chá, abraço líquido, vendaval molhou, enxurrada, enxágua, sede, sangram, óleos, barco. A maioria dos poemas traz essa marca indelével, a considerar a partir do próprio título do livro. A poeta prefere a água à areia, pois, dentro do silêncio quebrado pelo ritmo incômodo dos pingos de “uma torneira vazando / enlouquecendo em azul / a noite”, o tempo é marcado pelo elemento líquido que “cai em ritmo de segundos, / tatua o tempo em estilhaços líquidos”.
Além disso, a água não trai como a areia silenciosa – sub-reptícia -- “Os pingos alertam / o que a areia silencia – enganosa” (A última chuva, p. 27). A água é um símbolo a ser alcançado, na alquimia da palavra, é a fluência, a limpidez, a pureza. A poeta refaz a metáfora do tempo – areia – para água, “Com o pingar aflito do tempo – água –” (A última chuva, p. 27). Mas nesse ritual de passagem, necessita de coragem: “minha alma silenciosa / necessita de coragem / para a inevitável passagem / de grão de areia para pingo d’água.”( A última chuva, p. 27).
- Márcio Davie Claudino da Cruz - DUAS TENDÊNCIAS DA NOVÍSSIMA POESIA CURITIBANA NO ALVORECER DO SÉCULO XXI
Wednesday, April 28, 2010
Prêmio Ufes

Lo que más admiro en un escritor? Que maneje fuerzas que lo arrebaten, que parezca que van a destruirlo. Que se apodere de este resto y disuelva la resistencia. Que destruya el lenguaje y que cree el lenguaje. Que durante el dia no tenga pasado y que por la noche sea milenario. Que le guste la granada que nunca ha probado y que guste la guayaba que prueba todos los dias. Que se acerque a las cosas por apetito y que se aleje por repugnancia.
(Lezama Lima, in Simón, Pedro. Interrogando a Lezama, p.33)
- Do livro José Lezama Lima - Anacronia, Lepra, Barroco e Utopia - Luis Eustáquio Soares - EDUFES
...
.
Recebi a caixa de livros da Edufes - Prêmio Ufes de Literatura - que concedeu aos dez premiados em cada categoria - quinhentos reais em livros.
Escolhi os títulos, entre eles este Livro que vai me aproximar mais de um mito - Lezama Lima - li apenas Paradiso e La Cantidad Hechizada, alguma poesia na Internet e esta vontade de estar próxima ao vulcão Lezama, pisar levemente cada palavra para voltar ardente, sem ficar queimada em tanta vida que toquei quando li seus livros.
Companhia para o Inverno - esta leitura, que inclui entre tantos - Murilo Mendes - O olhar vertical, de Raimundo Carvalho, o Itinerário da Estrela - deslocamento e construção da Identidade - de Adriana Pin (sempre Clarice) e uma autora que ainda não li - Charlotte Perkins Gilman - O papel de parede amarelo e outros contos - tradução e crítica - organização Stelamaris Coser. Cousas Nossas - Pinturas e paisagens do Espírito Santos - Samira Margotto... Entre tantos de quase vinte livros da Edufes.
Tuesday, April 27, 2010
Festipoa - a volta / post poesia
.
Uma porção de livros sobre a mesa
e esta alegria.
Difere tanto do sentimento que causa
uma porção de pratos sobre a pia.
O tempo para viver a ARTE voa rápido.
Vento que assusta o mundo
levantando (c)asas.
A rotina de louça na pia -
Brisa lerda e cansada
que não move nada
A Poesia?
Rara beleza
a esperar - acesa -
sobre a mesa
*
Livros do Festipoa. Entre eles a poesia do Wladimir Cazé (Macromundo - Confraria do Vento) e a prosa do Altair Martins (Duas Palavras - Coletivo Dulcinéia Catadora)
Uma porção de livros sobre a mesa
e esta alegria.
Difere tanto do sentimento que causa
uma porção de pratos sobre a pia.
O tempo para viver a ARTE voa rápido.
Vento que assusta o mundo
levantando (c)asas.
A rotina de louça na pia -
Brisa lerda e cansada
que não move nada
A Poesia?
Rara beleza
a esperar - acesa -
sobre a mesa
*
Livros do Festipoa. Entre eles a poesia do Wladimir Cazé (Macromundo - Confraria do Vento) e a prosa do Altair Martins (Duas Palavras - Coletivo Dulcinéia Catadora)
Uma ave de origami
montada com guardanapo
ganha vida de repente
no palito de dente empalada,
voa bonita no vento
apesar do sangramento,
seu sofrimento abreviado
quando o papel é amassado.
Wladimir Cazé - Macromundo
Duas Palavras - Altair Martins
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Ilya! (Vmesto Pis'ma) - Bárbara Lia
Connor Storrie (Ilya Rozanov). Cenas da série canadense 'Heated Rivalry'. Baseada no livro de Rachel Reed. Direção e Adaptação do ge...
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Amedeo Modigliani Paris e um amor Ode de absinto E dança A voz de Piaf acorda As pedras de um beco: “C'est lui pour moi Moi pour lui...
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Serviço: Lançamento da 2a. Temporada da websérie Pássaros Ruins Data: 11/09/2016 - Domingo Local: Cinemateca de Curiti...
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Javier Beltrán (Federico García Lorca) e Robert Pattinson (Salvador Dalí) em uma cena do filme - Poucas Cinzas - que revi e voltei a sentir...
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(Leitura poética de “Trato de Levante”) Livre. O poeta é livre. Canta Neruda com amor revolucionário. Depois que tanto...
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Louis Garrel _ Cena de "La Belle Personne" de Christophe Honoré "O poeta escreve sobre oceanos que não conhece...
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F rida inventou um novo verbo para dizer “Eu te amo”: Yo te cielo. Rimbaud queria reinventar o amor: L'amour est à réinventer. Quiç...
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É incrível que elas tenham nascido na mesma data, Clarice em 10 de dezembro de 1920 em Chechelnyk, Ucrânia e Emily Dickin...
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INSÔNIA Este é o século da nossa insônia Mentes plugadas em telas isonômicas Longe dos mitos e da cosmogonia Dopados de “soma” e ...






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