Monday, November 14, 2011
Saturday, November 12, 2011
Assaí - Uma tarde em poesia
Na tarde da chegada, conhecer o colégio - aqui a Inês Furukawa, prof. Rosana Galassi e a Diretora Edná. Na chegada uma das alunas recepcionou-me com o buquê, toda poesia...
Inês, Maria Zélia e sua filha Nayara, Edná, eu e Rosana diante do painel dos poetas da cidade
Os alunos do projeto aguardam para conversar comigo
Muito bom dialogar com os meninos e meninas do projeto - falar mais sobre minha poesia...
Depois, conversar com os conterrâneos, descontração na hora do café
Alunos da 5ª série do Colégio Estadual Barão do Rio Branco, Assaí
Alunos da 8ª série
mais fotos para o álbum de recordação
os meninos e eu
Registrar o momento Valeu, Assaí! Um lugar que leva Poesias aos pequeninos em um tempo tão rude. Exemplo de Beleza. Uma epopeia vibrante e curativa que me levou de volta às ruas da
cidade, ao ponto zero do meu nascimento e ao encontro de tantas pessoas especiais.
Thursday, November 10, 2011
A Homenagem
Hoje acordei e vi as fotos do jantar do encerramento do nosso evento em Assaí. Pensei naquela frase que diz que "os profetas não são bem recebidos em suas terras"
Contrariando o que está escrito, fui muito bem recebida em minha terra natal - Assaí.
Os poetas são profetas disfarçados, realmente. Nós sabemos, quanta verdade foi rascunhada, lida, anunciada e propalada pelos poetas do mundo, desde sempre... para todo sempre.... A nota abaixo saiu no site Assai Online. A poeta bem recebida em sua terra. Grata Assaí, pelo carinho e pelos muitos abraços, pelos dias belos que me devolveram inteira e renovada e plena desta beleza que é a POESIA. O evento encerrou com música sertaneja, para lembrar o pai, sempre esta figura essencial na minha vida. Com o compositor local Diego Souza e a dupla João Marcio e Fabiano...
Com o término do evento, poetas homenageados e convidados foram recebidos em um jantar na chácara da professora Leni.
Professoras do Colégio Barão do Rio Branco e a Diretora Edná - quarta da direita para a esquerda - no jantar de encerramento.
Contrariando o que está escrito, fui muito bem recebida em minha terra natal - Assaí.
Os poetas são profetas disfarçados, realmente. Nós sabemos, quanta verdade foi rascunhada, lida, anunciada e propalada pelos poetas do mundo, desde sempre... para todo sempre.... A nota abaixo saiu no site Assai Online. A poeta bem recebida em sua terra. Grata Assaí, pelo carinho e pelos muitos abraços, pelos dias belos que me devolveram inteira e renovada e plena desta beleza que é a POESIA. O evento encerrou com música sertaneja, para lembrar o pai, sempre esta figura essencial na minha vida. Com o compositor local Diego Souza e a dupla João Marcio e Fabiano...
Deu no Assaí Online:
Vários professores, autoridades e alunos estiveram reunidos nesta terça 8, em virtude do 1º Sarau Poético do Colégio Estadual Barão do Rio Branco, que homenageou alguns poetas assaienses. O evento aconteceu em razão do projeto do PDE (Programa de Desenvolvimento Educacional) das professoras Rosana Gonçalves Torquato Galassi e Maria Zélia Bezerra Lopes, com os temas “Poesia como gênero vivo na escola” e “O texto poético em sala de aula construindo caminho para formação do leitor”, que vem sendo trabalhado por elas desde o mês de agosto. Durante a cerimônia de encerramento os poetas foram homenageados com a leitura de algumas de suas obras pelos alunos e receberam também uma lembrança oferecida pelas autoras do projeto. Alguns alunos também leram poesias feitas por eles mesmos dentro de sala de aula, onde também trabalhavam sobre textos poéticos de músicas interpretadas pela dupla sertaneja João Marcio e Fabiano da cidade de Ibiporã. A Dupla compareceu ao evento e deu “canja “de alguns de seus sucessos como “Casa das Primas” e “Sempre te Amei”. Também com eles estava o jovem compositor Diego Souza que recebeu homenagem dos alunos interpretando uma de suas composições.Destaque para a poetisa assaiense Bárbara Lia que hoje mora na cidade de Curitiba e veio à cidade especialmente para receber a homenagem, e rever alguns parentes como o casal Francisco Soares e Ana Gonsales. Bárbara chegou na cidade na segunda, 7, e na manhã desta terça foi recebida no Colégio Barão para um café da manhã com os professores.
Com o término do evento, poetas homenageados e convidados foram recebidos em um jantar na chácara da professora Leni.
Professoras do Colégio Barão do Rio Branco e a Diretora Edná - quarta da direita para a esquerda - no jantar de encerramento.
Maria Zélia Bezerra Lopes com o marido Cilso, celebrando o encerramento deste belo projeto de Poesia em sala de aula. Uma alegria dialogar com ela por tantos meses, acompanhando à distância toda a evolução dos alunos, que não se interessavam tanto por poesia e ontem ela me segredou, alguns estão lendo Fernando Pessoa. Gravo com cuidado em meu coração suas palavras -
Agradeço por tudo que fez pelo incentivo à leitura dos nossos alunos. A sua vinda à Assaí foi um marco na educação e cultura do povo assaiense.
Valeu Maria Zélia, eu que fico feliz por você e pela Rosana Galassi trilharem esta avenida nada fácil da Poesia para, com seus Projetos, apresentar a magia da PALAVRA aos pequeninos da minha Terra.
com a Inês Morikawa no jantar delicioso na Chácara da Professora Leni...
as fotos e o texto no site Assaí Online
Wednesday, November 09, 2011
pássara poeta de volta ao ninho
Uma publicação da SEEC / Imprensa Oficial do Paraná
...
Inês K. K. Morikawa, uma das pesquisadoras desta obra e Vice-Diretora do Colégio Estadual Barão do Rio Branco presenteou-me com este livro quando da minha visita ao Colégio Barão do Rio Branco, onde fui recepcionada na tarde do dia 07 de novembro pelos alunos dos Projetos de Leitura do PDE. Uma emoção enorme ao encontrar os pequeninos da minha terra. Meus conterrâneos à minha espera, com seus olhos brilhantes, suas muitas perguntas, seu entusiasmo, recolhendo a poesia que descobriram através das professoras que até eles levou os poetas que nasceram naquela cidade.
Muito feliz em ter o registro deste tempo que sempre quis conhecer mais. O livro traz imagens da cidade e dos Trabalhadores do Ouro Branco. Quando meus pais falavam para mim sobre Assaí, contavam sobre a cultura do algodão, que era a grande riqueza da minha cidade. Encontrei algumas imagens da cidade do tempo em que eu lá vivi. Muito bom ter esta referência territorial. Era assim, era o meu lugar. Meu primo Chico Soares levou-me até o lugar do nascimento. Uma parede de tijolos diante de um terreno baldio. Era antes da casa de tijolos, que já não mais existe, uma casa de madeira onde viviam meus pais, meus irmãos mais velhos no dia do meu nascimento. Encontrei o ponto zero da minha vida e pensei - Foi aqui. Tudo começa em um lugar. Este lugar ao sol. Esta rua calma. Esta parede que esconde o primeiro choro. Este momento em uma cidade de Ouro Branco e Sol Nascente. Esta vontade de encerrar um ciclo e recomeçar. Renascimento... É para isto que vivemos.
Muito feliz em ter o registro deste tempo que sempre quis conhecer mais. O livro traz imagens da cidade e dos Trabalhadores do Ouro Branco. Quando meus pais falavam para mim sobre Assaí, contavam sobre a cultura do algodão, que era a grande riqueza da minha cidade. Encontrei algumas imagens da cidade do tempo em que eu lá vivi. Muito bom ter esta referência territorial. Era assim, era o meu lugar. Meu primo Chico Soares levou-me até o lugar do nascimento. Uma parede de tijolos diante de um terreno baldio. Era antes da casa de tijolos, que já não mais existe, uma casa de madeira onde viviam meus pais, meus irmãos mais velhos no dia do meu nascimento. Encontrei o ponto zero da minha vida e pensei - Foi aqui. Tudo começa em um lugar. Este lugar ao sol. Esta rua calma. Esta parede que esconde o primeiro choro. Este momento em uma cidade de Ouro Branco e Sol Nascente. Esta vontade de encerrar um ciclo e recomeçar. Renascimento... É para isto que vivemos.
Mariza Avelar, minha prima, Professora do Colégio Estadual Conselheiro Carrão trouxe a peça final. Outra lacuna que preciso preencher. Saber mais sobre estes irmãos da terra do sol nascente. Ainda encontramos muitos japoneses, os que trazem os traços desta mistura de brasileiros e japoneses. Aquelas meninas com olhos negros, calmos, aqueles gestos que só eles sabem. Mariza foi uma das pesquisadoras deste livro. Muita luz nestas capas de ouro claro. Esta alegria de voltar com os livros de Assaí na mala. Deixei por lá alguns livros meus. Estas trocas belas. A vida segue com a poesia e com este banho de memórias, saudades, emoções que fazem a voz calar ao lembrar o pai em um poema. Então é isto, pai, foi pra você este momento. A filha que torna a um lugar onde tudo começou, naquele tempo em que embalavas as noites entre as fraldas e mamadeiras.
Assaí = Amanhecer / Aurora de Algodão
com Rosana e Maria Zélia - no palco lendo meus poemas - no hall de entrada, minha obra exposta
a diretora Edná na abertura do sarau ouvindo a leitura da minha poesia
Os meninos e as meninas coloriram a noite da poesia, com seus poemas...
1º Sarau Poético do Colégio Estadual Barão do Rio Branco, de Assaí, na noite desta terça-feira, 8.
O evento prestou homenagens aos poetas assaienses Bárbara Lia, Chrystianne Lopes, Francisco Kuya, Ione Maria Kuya, Luiz Sérgio Piornedo, Mattheus Hermanny, Paulo Kuya, Regina Góes, Terezinha Thomaz, Walerian Wrosz e Wanderley Sueiro. Desembarquei na minha cidade natal, que não visitava há décadas para ler poesia, receber homenagens e matar as saudades. Uma alegria inexplicável...
Os alunos que participaram destes projetos do PDE 2011 desenvolvidos pelas Professoras Maria Zélia Bezerra Lopes e Rosana Torquato Galassi. Ao final abraçaram a aura poética, transpirando versos e lendo poesias...
Rosana Torquato Galassi e Maria Zélia Bezerra Lopes
Uma menina de Assaí
Um momento poético: Regina Goes, Professora do Colégio e uma das homenageadas contou-me que conheceu meus pais, em uma visita que eles fizeram aos seus pais. Velhos amigos e esta lembrança do que não vivi. As vidas de nossos pais partilhadas há meio século atrás e uma vontade de recolher as cenas do ontem para matar a saudade...
Meus primos que me acolheram. Francisco Soares Neto, vereador da nossa cidade. Filho do ex-prefeito Lupercio Amaral Soares. Sua esposa Ana Gonsales Soares, ex-diretora do Colégio Barão do Rio Branco, partilhando esta bela celebração da poesia.
Fotos - I Sarau Poético/Colégio Barão do Rio Branco no Site Assai Online.
Uma menina de Assaí, que de lá saiu com quase quatro anos. A única imagem que tenho da minha infância nesta cidade. Uma menina descalça em uma rua de terra, como quem está deixando um lugar. Um lugar para onde voltou poucas vezes. Volta agora. A poesia na alma, a vida nas dobras do vestido. Um momento de paz, aquela aura branca da infância, como os algodoais. Um lugar para apertar a tecla pause, deixar lá fora todo o odor que exala das horas mornas, dos sacrifícios vãos, dos amores mortos, da vida que escorre bruta, de toda a dor que o pequeno Cadu grita em seu poema, no palco. Sim, existe. Existe este terror. É tarde para os homens, ou talvez ainda não seja. Existe o cansaço da vida escorrendo real, quase sangue que alcança os passos. Mas, é hora de apertar a tecla pause, voltar ao ninho branco. Sorrir e repartir, o pão e a poesia e a realização de um momento. O empenho das mestras, o apoio de toda uma Escola. O apoio que se estende à comunidade que abraçou isto e concordou em permitir que o lado material fosse suprido. A grande festa, os alunos com as camisetas espalhando que existe Poesia no ar, no lugar, no lugar onde eu nasci... E de onde eu saí, assim, esta menina de Assaí...
Saturday, November 05, 2011
a poesia segue...
professoras Maria Zélia e Rosana, com Wanderley Sueiro e aluna Lessiany
foto do site Revelia, do poeta Mattheus Hermanny
As professoras Maria Zélia e Rosana, do Colégio Barão do Rio Branco - Assaí (PR), organizaram projetos para levar o texto poético para a sala de aula. Acompanho este desenrolar sublime através das notícias que chegam via email. Os alunos participaram de oficinas e escreveram poemas. Os poetas que residem na cidade visitaram o Colégio para narrar suas experiências. Uma maratona poética que migrou das salas de aula para as ruas e casas. Fiquei muito feliz por estar presente no desfile da cidade no Dia da Independência, na homenagem aos poetas que lá nasceram. Muito bom ver a poesia em destaque. Os alunos envolvidos com a palavra e professores escolhendo este belo gênero literário para seus projetos em sala de aula. A poesia segue, nos corredores escolares, nas ruas e nas casas.
Vou sentir saudades. As belas coisas sempre deixam saudades.
foto do site do Colégio Barão do Rio Branco - SEED / PR
TUDO VAI FICAR DA COR QUE VOCÊ QUISER
Tudo vai ficar da cor que você quiser
Exposição de Rodrigo de Souza Leão
Abertura dia nove de novembro de 2011, quarta-feira, às 19h
MAM-RJ
Museu de Arte Moderna
Rio de Janeiro
Exposição (curadoria de Marta Mestre e Ramon Mello) e lançamento de livro-catálogo crítico, com textos de Heloisa Buarque de Hollanda, João Magalhães, José Aloise Bahia e Paulo Sérgio Duarte (Edições Pinakotheke, Rio de Janeiro, RJ, Brasil)
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Avenida Infante Dom Henrique, nr. 85, Parque do Flamengo, Telefones +55 (21) 2240-4944 e 2240-4899, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Wednesday, November 02, 2011
O SAL DAS ROSAS - BÁRBARA LIA
O SAL DAS ROSAS
Leito de um rio de sal.
Cresce em mim
o desnecessário.
Apodreço em rosas.
Rio sem foz.
Lua duplo espelho
no coração das águas.
Lembranças,
esperanças
naufragam abraçadas
no involuntário rio
onde acordo.
O sal das rosas (Lumme Editor)
Tuesday, November 01, 2011
tem um pássaro cantando dentro de mim - Bárbara Lia
MAR ABSINTO
***
DANS L’AIR
***
quando ele corria
pelos telhados de ardósia
as pombas arrulhavam
em ventania
seu casaco - vela sacudida
estremecia
a maré da monotonia
***
DANS L’AIR
DANS L'AIR
Tínhamos a mesma idade
Quando vimos o mar
Este mistério de impaciência
Tínhamos a mesma impaciência
– Rimbaud e eu –
Por isto
Pisamos telhados
Ao invés do chão
Por isto
Machucamos nossos amores
Com nossas próprias mãos
Por isto
As velas acabam na madrugada
Antes que o poema acabe
- Por isto, tão pouca a vida para tanta voracidade.
***
A vela acesa, o estábulo, o feno
O vento rutilante lá fora
Uma estação no inferno
Um grito dentro
Que ainda espanta
Em todas as catedrais
As pombas brancas
***
MAR ABSINTO
Nossos olhos de dezoito anos
acomodaram o mar
Sobrou a maré em torno
um sussurro de conchas
a nos acordar nas noites brancas
Nossos olhos de dezoito anos
beberem do mar/absinto
como ao vinho santo.
Nossos olhos negros e azulados.
Uma sereia recolhendo a rede
os corações de dois poetas ali - enredados
Nossos olhos de dezoito anos
Nossas almas milenares.
Nossos amores fracos à soleira da incerteza.
Tanta beleza em ti, Rimbaud!
Tanta ausência em mim!
E nas marquises
bêbados ainda caminham
buscando o sol
que você guardou pra mim
PEQUENO TRATADO DA DELICADEZA
p/Rodrigo de Souza Leão
Rimbaud te espera
No barco bêbado encalhado
Em um mar crispado de turmalinas
- lágrimas dos poetas -
Nas mãos, duas taças de absinto
Para brindar a vida fera
Dois homens de branco
Ancorados na beleza
A repartir
O fogo santo
O espanto
O canto
O eterno canto
Dos poetas...
- Por delicadeza
Perdi minha vida -
Por delicadeza
Entregamos a vida
Aos escarros
Por delicadeza
Entregamos a carne
Aos caninos ávidos
Por delicadeza
Atravessamos a bruma
Com lírios brancos
Nos braços
Rimbaud sempre à espera
Para brindar
A eterna primavera
Páginas 29 a 35 do livro - Tem um pássaro cantando dentro de mim
TEM UM PÁSSARO CANTANDO DENTRO DE MIM
CANÇÃO PARA JANE E EDITH
Só em pensar que existe um jardim inglês
Um lago retangular pleno de flores d’água
Cercado por lanternas vermelhas e névoa
Só em pensar que sob alguma árvore
Três cavalos meditam ao entardecer
Um branco, um negro, um caramelo
Só em pensar nas similaridades ternas
Viver da minha caneta como Jane Austen
Tricotar casacos para o amado como Piaf
(Recolher ossos espalhados. Cerzir a pele
Lavar sexo e coração para o novo amor
Longe das ruas geladas e do assédio
Dos egos afetados)
Bárbara Lia
Só em pensar que existe um jardim inglês
Um lago retangular pleno de flores d’água
Cercado por lanternas vermelhas e névoa
Só em pensar que sob alguma árvore
Três cavalos meditam ao entardecer
Um branco, um negro, um caramelo
Só em pensar nas similaridades ternas
Viver da minha caneta como Jane Austen
Tricotar casacos para o amado como Piaf
(Recolher ossos espalhados. Cerzir a pele
Lavar sexo e coração para o novo amor
Longe das ruas geladas e do assédio
Dos egos afetados)
Bárbara Lia
Monday, October 31, 2011
tem um pássaro cantando dentro de mim - bárbara lia
JARDIM DO CAOS
III
Signo de Salomão
na palma
Napalm na pele
da alma
Tatuagem recebida
no berço
Caligrafia de Deus
- risco estrela -
Que oblitera
A pele canela
O mel de flor evaporada
Os traços arcaicos
Incinerados no espelho
Reflete em branca fogueira
Intacta
Minha alma
Ignorata
pg. 40
(poesia premiada no Prêmio Ufes Literatura - 2010)
**
IV
Homem Vitruviano de Leonardo
Tecido nas linhas finas da mão
Cinco pontas estiradas e a
Eternidade traçada no chão
Livres mulheres assinaladas
Atiradas ao reles jardim
Das harpias descarnadas
- feras sem dentes
que devoram inocentes -
Alguma razão que as estrelas guardam:
As mulheres de rara estirpe – livres -
São alvos de feras. Sempre acossadas
Por harpias que não iluminam nada.
pg. 41
III
Signo de Salomão
na palma
Napalm na pele
da alma
Tatuagem recebida
no berço
Caligrafia de Deus
- risco estrela -
Que oblitera
A pele canela
O mel de flor evaporada
Os traços arcaicos
Incinerados no espelho
Reflete em branca fogueira
Intacta
Minha alma
Ignorata
pg. 40
(poesia premiada no Prêmio Ufes Literatura - 2010)
**
IV
Homem Vitruviano de Leonardo
Tecido nas linhas finas da mão
Cinco pontas estiradas e a
Eternidade traçada no chão
Livres mulheres assinaladas
Atiradas ao reles jardim
Das harpias descarnadas
- feras sem dentes
que devoram inocentes -
Alguma razão que as estrelas guardam:
As mulheres de rara estirpe – livres -
São alvos de feras. Sempre acossadas
Por harpias que não iluminam nada.
pg. 41
Saturday, October 29, 2011
The man!
Ryan Gosling. Para ser perfeito bastava cantar, com voz rouca quase-Elvis, no mais uma perfeição. My god! Que homem! Existe aquele tipo de homem que é homem desde sempre. Com vinte já tem aquele jeito determinado, olhar de homem e gestos decididos... Creio que ele está na faixa dos trinta anos...
Um ator total. Quando o filme traz Ryan Gosling eu sei que vou gostar. Não sei se ele é que faz as escolhas certas ou se ele é aquele cara que constrói um filme, que leva tudo pela mão e envolve, tipo Javier Bardem...
Ryan Gosling é perfeito - Canta!
Ele canta no filme - Blue Valentine. Belo filme...
Ele canta no filme - Blue Valentine. Belo filme...
Nocauteada pela história, por relatar em diferentes aspectos um pouco de mim. Resgatando o tempo em que vivi assim, um casamento.
O casamento para mim é um mistério. Uma equação. Avesso do sentir, melancolia sem fim, onde só é possível viver com a razão. Os que se amam demais não conseguem viver uma vida em comum. Tenho pra mim que o casamento é apenas um contrato social. Patético. Desviando amantes verdadeiros, e levando à falência os desejos de Eros. Uma pena.
Melhor lembrar a força e a arte deste moço. My god!
A cena onde ele (Ryan Gosling) canta enquanto ela (Michelle Williams) dança me deixou feliz por saber que ele canta. The perfect man.
Melhor lembrar a força e a arte deste moço. My god!
A cena onde ele (Ryan Gosling) canta enquanto ela (Michelle Williams) dança me deixou feliz por saber que ele canta. The perfect man.
Blue Valentine é alucinante por intercalar cenas do sim e do não. Da loucura da descoberta com a constatação de que a chama apaga. Que nem um motel futurista e aquela velha canção vai apagar as ranhuras dos dias. E fica aquele desejo de sentir de novo o ar, respirar sem dor...
Abaixo cena onde ele canta com sua voz rouca. A qualidade desta postagem não é boa, e a legenda está em espanhol, mas, foi a única que achei da forma como está no filme...
***
Ryan Gosling estava compondo uma peça com a sua banda - Dead Man´s Bones - e acabou por gravar um CD. Uma matéria sobre sua "banda assombrada" neste site...
Little ashes
Javier Beltrán (Federico García Lorca) e Robert Pattinson (Salvador Dalí) em uma cena do filme - Poucas Cinzas - que revi e voltei a sentir aquela sensação de que preciso voltar a Federico Garcia Lorca.
Little Ashes - o quadro - define como Dali via Federico Garcia Lorca quando conviveram em Madrid e quando viveram a descoberta um do outro, uma fusão surreal de um poeta genial com um ícone em seu despertar...
Little Ashes - o quadro - define como Dali via Federico Garcia Lorca quando conviveram em Madrid e quando viveram a descoberta um do outro, uma fusão surreal de um poeta genial com um ícone em seu despertar...
No limit. Era a fala de Dali. Mas, ele impôs limites a Federico e ao que parece, pelo que está no filme, ele não se entregou cem por cento ao desejo. Quando o desejo voltou e ele já estava casado com Gala, revendo cartas e lembranças de Federico, seu amigo foi assassinado. Nada para tirar mais o chão do que o fim. O inexorável fim.
Muito bom voltar a ver little ashes...
Muito bom voltar a ver little ashes...
"Lembre-se de mim quando estiver na praia e quando pintar coisas brilhantes e de poucas cinzas. Oh, minhas poucas cinzas! Coloque meu nome no quadro a fim de que meu nome sirva para algo, no mundo"
Federico Garcia Lorca
Wednesday, October 26, 2011
Código Coletivo na 57ª Feira do Livro em Porto Alegre
Minha Poesia "Dame el ocaso en una copa" na exposição código coletivo - Memorial Rio Grande do Sul - 57ª Feira do Livro de Porto Alegre
Andréa del Fuego, Prémio José Saramago 2011
A escritora brasileiraAndréa del Fuego é a vencedora do Prémio Literário José Saramago 2011, com o livro Os Malaquias, editado pela Língua Geral. A cerimónia de entrega do Prémio teve lugar no edifício Grupo Círculo/Bertrand.
A Fundação José Saramago felicita Andréa del Fuego
Andréa del Fuego, natural de S. Paulo, Brasil, onde nasceu no ano de 1975. Com formação em publicidade, fez produção de cinema e realizou duas curtas-metragens. Colaborando em várias revistas, inicia-se na escrita com Minto enquanto posso (2004). Uma primeira coletânea de contos seguida por Nego Tudo (2005), Engano seu (2007) e Nego fogo (2009). Em paralelo experimenta o juvenil com Quase caio (2008) e Sociedade da Caveira de Cristal (2008) e o registo infantil com Irmãs de pelúcia (2010). Decidida a completar a sua formação em Filosofia ingressa na Universidade de São Paulo. Incluída em diversas antologias de contos, nomeadamente 30 Mulheres que Estão Fazendo a Nova Literatura Brasileira e Os cem menores contos brasileiros do século, foi distinguida ainda este ano com o Prémio São Paulo de Literatura. Mantém o blog http://www.andreadelfuego.wordpress.com/
(...)
Mais detalhes e todo texto sobre a premiação na página Fundação José Saramago
Monday, October 24, 2011
Saturday, October 22, 2011
Poetas Assaienses
estou lá no painel da minha cidade natal, também uma poesia - adeus às asas
Os poetas de Assaí, ladeados pelas Professoras Maria Zélia Bezerra Lopes e Rosana Galassi
Os alunos sempre atentos
Recebi mais um Boletim Poético da Maria Zélia Bezerra Lopes. Os poetas de Assaí: Regina Goes, Paulo Kuya, Ione Kuya, Wanderley Sueiro e Mattheus Hermanny estiveram na escola para serem entrevistados pelos alunos. Chamo de Boletins Poéticos as notícias que recebo das professoras. Os alunos estão escrevendo poesia, entrevistando os poetas de sua Terra, isto me deixa feliz, assim à distância, com esta iniciativa. Que a Poesia siga a encantar e capturar os pequeninos da cidade onde nasci, que eu fico vibrando por aqui... Na frequencia da Poesia, nas ondas sonoras do verbo.
fotos do site REVELIA
ADEUS ÀS ASAS
Mudou o gosto da goiaba madura
Não vejo aranhas tecendo fios de prata
Nenhum besouro verde de bom agouro
As estrelas se afastam
expulsas pelos néons da cidade
O mundo virou alguma coisa
Alguma coisa que não tem mais cheiro
ou cor ou brilho
Alguma coisa que plastifica a alma
Alguma coisa inodora e impura
Não mais o orvalho na pétala
Cristal líquido em surdina prece
a bailar diante dos olhos serenos
enquanto balançam verdes os galhos
da amendoeira
Cerro os olhos para relembrar:
O orvalho. O gosto da goiaba madura
A astuta aracnídea construindo redes
em desalinho, diante do nosso espanto
Aquela estrela que me seguia
na rua escura da infância
Tudo perdido em um túnel sem acesso
As belas coisas roubadas quando
perdemos a inocência
Ou quando nos arrancam das asas
Bárbara Lia
do livro Chá para as borboletas - 21 gramas/2010
fotos do site REVELIA
ADEUS ÀS ASAS
Mudou o gosto da goiaba madura
Não vejo aranhas tecendo fios de prata
Nenhum besouro verde de bom agouro
As estrelas se afastam
expulsas pelos néons da cidade
O mundo virou alguma coisa
Alguma coisa que não tem mais cheiro
ou cor ou brilho
Alguma coisa que plastifica a alma
Alguma coisa inodora e impura
Não mais o orvalho na pétala
Cristal líquido em surdina prece
a bailar diante dos olhos serenos
enquanto balançam verdes os galhos
da amendoeira
Cerro os olhos para relembrar:
O orvalho. O gosto da goiaba madura
A astuta aracnídea construindo redes
em desalinho, diante do nosso espanto
Aquela estrela que me seguia
na rua escura da infância
Tudo perdido em um túnel sem acesso
As belas coisas roubadas quando
perdemos a inocência
Ou quando nos arrancam das asas
Bárbara Lia
do livro Chá para as borboletas - 21 gramas/2010
Friday, October 21, 2011
Poesia como Gênero Vivo na Escola
Poesia Social
Menino
Olha lá um menino
Todo sujo e encardido
Vagando nas ruas fedido
Olha lá um menino
Abandonado e perdido
Nesse mundo tão grande
Olha lá um menino
Passando fome e miséria
Sozinho sem família
Mas tudo que ele quer...
É um lugar para ficar.
Autor: Luciano Akira de Souza – 8ºB
Meu país é muito engraçado
Meu país é muito engraçado
Saio de casa e não sei se voltarei.
É uma insegurança para todo lado
Não sei se algum dia ainda poderei
Viver num lugar mais organizado.
Meu país é muito engraçado
É preciso ter plano de saúde
Porque o cidadão paga e é deixado de lado
O governo finge que não sabe da gravidade
Mas no fundo sabe da mais cruel realidade.
Meu país é muito engraçado
O ensino público agoniza
E a população quer ter futuro
Mas o governo afirma com destreza
Que o cidadão sem condições não está abandonado
Meu país é muito engraçado
Agradeço, para não dizer desgraçado
Quero estar num lugar melhor
Um lugar, onde eu possa de fato viver
Viver, da forma que eu realmente merecer.
Autor: Bruno Guilherme Nomura – 8ºB
Dor nas ruas
Eu vejo na rua
Sua nua e crua
Um ser indefinido
Barbudo, tanto sujo e cabeludo.
Mas só não imagino, porque ele está lá
Mal, ele não fez apenas ele está como está
Sinto pena, mas não sei como ajudar
Mas meu grande sonho é a realidade mudar
Mudar para melhor onde mendigos vivem esnobes.
Mas isso é apenas um sonho,
Um sonho distante
Mas não tão viajante
Só um pouco distante
Mas se isso se realizar
Com certeza tudo vai mudar.
Autor: Pedro Alberto Alves Maciel Filho – 8ºB
O planeta miséria
O planeta Terra
O planeta água
O planeta matéria
Agora planeta miséria
Um planeta miserável
Um planeta de fome
Um planeta desagradável
Quem sai ganhando aqui,
É aquele que não passa fome
Com necessidade
E sem verdade
Com um arroz e feijão,
Sonha quem dorme no clarão.
Autor: Andrew Kakubo Esteves Silva – 8ºB
Meu Deus
Meu Deus, aonde vamos chegar?
Em um mundo de misérias e crimes?
Temos a miséria nas ruas, nas praças,
Nos becos e bairros.
Meu Deus aonde está aquela flor?
Que representa amor, solidariedade
Confiança e fidelidade
Aonde foi parar aquilo que respeitava-mos
São crianças vendendo drogas, sem expectativas,
Sem futuro, em uma vida de horror.
Meu Deus por que isto está acontecendo?
Pessoas o seu emprego perdendo
Sua vida morrendo
Meu Deus tire esse punhal do meu peito,
Que está doendo.
Autor: Carlos Eduardo Gonçalves – 8ºB
**
Poesias dos alunos da 8ª Série do Colégio Estadual Barão do Rio Branco - Assaí (PR), dentro do Projeto “Poesia como Gênero Vivo na Escola”, assinado pela professora Rosana Gonçalves Torquato Galassi.
Monday, October 10, 2011
Poesia na Vidraça
fotografia de Andréa Motta - Poesia na Vidraça - XIX Congresso Brasileiro de Poesia / 2011 - Bento Gonçalves (RS)
Sondas da Nasa
Pássaros de aço
no firmamento
acordam estrelas
com seu vôo carente
Bárbara Lia
.
Sunday, October 09, 2011
John Lennon
Nothing is real
And there's nothing to get hung about (Lennon/McCartney)
Pensei ter visto uma vez uma fotografia - teus óculos na calçada diante do Edifício Dakota. Pensei ter visto e não sei se existe tal fotografia, ou se a forjei em minha mente como um poema visual, naqueles dias que eu apenas estendia em varais imaginários meus pensamentos poéticos e eles ficavam lá, leves e límpidos, como as fraldas da primeira filha. Pensei ter visto aquela cena/poema e sentir a dor - agulha fina - trazendo a certeza da tua morte. Os signos de eternidade e as pessoas eternas imprimem suas almas em lugares, objetos, pessoas... Então és os óculos diante do Dakota e és este portão misterioso de filme encantado. Li em algum lugar, na ocasião dos seus setenta anos, John, que se estivesses vivo estarias mais calmo. Acomodado? Pintaram uma imagem tua que nada condiz com aquela que eu penso. Fizeram aquela imagem com jeito de professor de francês de colégio do interior nos anos setenta. Eu te vejo indignação e ira. Energia sem fim, canções aos milhares e o mesmo grito. Nu, outra vez, em alguma cama, ao lado de Yoko. E os teus cabelos brancos agitados, longos e descuidados, a lembrar mil bandeiras aflitas para reviver esta paz aniquilada. Eu vi outro homem e vi outra alma. E vi outros lugares ícones que agora seriam John Lennon, não seriam mais lugares. Como não é mais um portão este portão, como Imagine agora não é mais palavra, é canção.
Thursday, October 06, 2011
momentos preciosos
Inspirado no livro da poeta de Assaí, Regina Goes, os alunos de Assaí estão chamando os momentos de leitura de poesia de - Momentos Preciosos. Os alunos se reunem na Biblioteca e realizam rodas de poesias. Recitais no Colégio. Uma emoção ver os pequeninos e saber que estão acompanhando as linhas de todos os poetas nascidos na cidade, entre os meus livros, os escolhidos pela professoa Maria Zélia - Chá para as borboletas, O sorriso de Leonardo. Entre os poemas do projeto da Rosana Galassi, entrou _ as rosas mortas a me contemplar_ do livro A última chuva.
POESIA SEMPRE!
Assaí: Amanhecer
Aurora de algodão
Minha terra natal, que ora desenvolve no Colégio Estadual Barão do Rio Branco, dois projetos de leitura das professoras Maria Zélia Bezerra Lopes e Rosana Galassi. Acompanho através dos boletins poéticos que recebo, a revolução da poesia. Os alunos lendo, escrevendo e realizando leituras poéticas:
Meus dados poéticos - poesias no mural:
Acrósticos dos alunos, enviados pela professora Maria Zélia:
ACRÓSTICOS PRODUZIDOS PELOS ALUNOS DA 5ª B:
Adorável
Fofinho
cOnfiável
iNteligente
Santinho
sOrtudo
Aluno: Vinícius de Souza Hayashida (acróstico feito para o irmão caçula que nasceu com 2% de chance de viver)
Sábia toda hora
Amorosa sempre
Não teme a alegria
Doce mãe
Responsável com tudo
Adorada pela filha.
Aluna: Stephany Mayumi Arase Rosendo Silva 5ª B
Maravilhosa
Atenciosa
Rigorosa
inTeligente
Atenta a tudo
Aluna: Carolina Harumi Assahara 5ª B
Seu coração de menino
Está sempre sorrindo
Indo ao bom caminho
Tem sempre boas ideias
Alegria de deixar platéia animada
Raro ficar triste
Olhar distante que me agrada
Aluno: Erick Shimote Lima 5ª B
Mãe linda
Amiga
Responsável
Carinhosa
Elegante
Legal com todos
Amorosa
Aluna: Sabrina Vieira Lopes 5ª B
Tanta esperteza
Honrada
Atenciosa
Inteligente
Super irmã
Aluno: Vitor Domingues 5ª B
Inteligente como ninguém
Sábia e serena
Amiga para sempre
Bonita e carinhosa
Elegante e exuberante
Legal e especial
Amorosa e gentil
Aluna: Juliana I. Miura 5ª B
Leituras na Biblioteca:
biblioteca lotada para a festa da poesia, os alunos escolheram poesias dos poetas que nasceram em Assaí e de poetas nacionais como José Paulo Paes, Vinícius de Moraes e outros
Leitura de Poesia
Poesia na Biblioteca
Professora Maria Zélia Bezerra Lopes e alunas do Colégio Barão do Rio Branco
Rosana Galassi, Regina Goes (poeta de Assaí), Maria Zélia Lopes e alunos
novo dia, mais poesia na biblioteca
Professora Rosana Galassi (blusa florida) e a sua equipe de alunas
Maria Zélia e alunos - ela envia boletins poéticos sobre o desenrolar do projeto. Viva a Poesia!
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