Tuesday, August 21, 2012

DELANTE DE LA VENTANA, EL ROSEDAL


- Claude Monet -





Testamento enterrado

a la sombra del rosedal:

Le dejo mi guitarra

al vendedor de la panadería.

La hierba bendita

a la vieja del balcón.

La caldera

que silba Villa Lobos

al Fray Gustavo

que cose almas

los miércoles por la mañana.

El libro de poesía

de Augusto dos Anjos,

al cobrador del Expreso 022.

Firmado:

La niña de los ojos tristes.

Chico Buarque me llamaba de Carolina,

Pero era sólo un disfraz.

Soy yo la niña

que vio el tiempo pasar en la ventana,

sin ver.


Bárbara Lia

AGUA PALABRA



Mañana de sal le seca la lengua.
Ventana abierta, el viento lo abraza.
Salmuera hasta el alma.
Sed absurda de agua, agua,

Agua... la lengua se vuelve agua.
El ángel en la ventana ya no habla.
Pierde la mirada en el arenal de fuego
La lengua se vuelve líquida


Abismo de sonidos.
La palabra calla, todo calla
Sólo el viento canta, canta y acuna.


Vuelve no más humana
Lengua de carne, pero luz que traduce,
De la esencia del ángel las palabras.

Bárbara Lia
- O sal das rosas (Lumme editor-2007)
poesia Água Palavra em espanhol

Friday, August 17, 2012

Sem Censura - 17 de agosto - TV Brasil - 16 às 18h


Lançamento dia 06 de agosto - Livraria da Travessa - Rio de Janeiro. Walquiria Raizer lê uma poesia, eu autografo para um dos presentes da noite e Iracema Macedo olha para o alto...

Celina Portocarrero - organizadora da Antologia - Amar, Verbo Atemporal


AMAR, VERBO ATEMPORAL, da Editora Rocco, no Sem Censura: hoje -  17 de agosto - 16 às 18h, TV Brasil. Presença de Celina Portocarrero no programa de Leda Nagle.

Monday, August 13, 2012

Amar, Verbo Atemporal - Amanhã em Sampa - Livraria da Vila, 18h30

Bilhetinho - Iracema Macedo




Quando eu morrer
mesmo em tristeza devastada
morrerei de alegria de terem sido possíveis:
o amor a tristeza e a aventura de ser carne
em meio a tantas pedras

Iracema Macedo in Lance de Dardos (Edições Estúdio 53 - 2000)

Wednesday, August 08, 2012

Amar, Verbo Atemporal - Lançamento Rio de Janeiro

 Ipanema! Maravilhosa


Pousada Bonita Ipanema - um dia aqui viveu Tom Jobim,
Antonio Carlos (gênio) Brasileiro Jobim


Trilha sonora pelas ruas de Ipanema

Passarim quis pousar, não deu, voou
Porque o tiro feriu mas não matou
Passarinho, me conta, então me diz:
Por que que eu também não fui feliz?
Cadê meu amor, minha canção?
Que me alegrava o coração..
Que me alegrava o coração..
Que iluminava o coração..
Que iluminava a escuridão..

(fragmento de Passarim - Tom Jobim)


Paula Cajaty e Margarida Corção: Partilhas


Celina Portocarrero - organizadora da Antologia - Amar, Verbo Atemporal - Cem Poemas de Amor (Rocco ed.) autografando na noite do lançamento - 06 de agosto - Livraria da Travessa - Leblon - Rio de Janeiro







As poetas Iracema Macedo e Walquiria Raizer - Papo animado na noite de "Amar"



As fotos oficiais do lançamento da Antologia - Amar, Verbo Atemporal - Segunda, dia 06 na Livraria da Travessa do Shopping Leblon - ainda não tenho para publicar aqui. Breve terei. Captei algumas imagens da minha passagem pelo Rio de Janeiro, mas, a VIDA me distrai e esqueço de fotografar... O lançamento aconteceu em clima de festa. Muitos autores compareceram para autografar e celebrar a publicação do livro. Salgado Maranhão, Lila Maia, Claufe Rodrigues, Masé Lemos, Cecilia Brandi, Bruno Cattoni, Henrique Rodrigues, Domício Proença, Thereza Christina Rocque da Motta, Tanussi Cardoso, Flávio Morgado, Alice Sant'anna, Iracema Macedo, Walquiria Raizer, Margarida Corção, Paula Cajaty, Pedro Galvão e eu... 

Thursday, August 02, 2012

Rio de Janeiro!




Vou ao Rio de Janeiro para o lançamento da Antologia - Amar, Verbo Atemporal (ed. Rocco) - organização Celina Portocarrero. Dia 06 de agosto, 19h na Livraria da Travessa
Shopping Leblon
Av. Afrânio de Melo Franco, 290 - loja 205 A
A festa da poesia embalada pela aura amorosa dos cem poemas de amor do livro.

Ausente por uns dias do - Chapar as Borboletas - voltarei com um abraço do Drummond e notícias cariocas. Poetas do Rio e Amigos com quem dialoguei nestes anos, amantes da poesia e todos que desejarem partilhar este momento: Espero-os na Livraria da Travessa.
Saudades do Rio, onde recebi minha primeira menção honrosa, por uma crônica sobre a Rua XV. Primeiro texto que enviei para um concurso, em 1997. Após ceder ao apelo do meu amigo Carlos Barros. Foi tão especial e essencial que fui ao Rio para receber um diploma. Na premiação da UBE / Rio. Auditório lotado. Viajei durante férias do trabalho e ainda assim o meu primo (dono da empresa onde eu trabalhava) convocou-me à sua sala. Achou um absurdo que eu viajasse até o Rio para receber um prêmio que não era em dinheiro. Disse que eu devia abandonar a poesia, pois era muito triste. Os poetas eram todos melancólicos. Eu disse a ele que estava desatualizado. Que no Século XIX poetas morriam de tuberculose, de melancolia. Não mais. Sem saber que é possível que uma poeta morra de intensa vida. Vou ao Rio celebrar a intensa vida, o momento bonito do qual sou parte através do convite da Celina Portocarrero.




Wednesday, August 01, 2012

Dança atemporal




Mergulhada nos poemas de amor da Antologia - Amar, Verbo Atemporal. Lembro uma dança antiga, ao ler o poema de Gregório de Mattos.
Em 2003 acompanhei meu filho Thomas a uma oficina de poesia. E foi proposto o exercício de reescrever um soneto de Gregório de Mattos. E este soneto é o poema de amor de Gregorio de Mattos, na página 129 de - Amar, Verbo Atemporal.



Aos afetos e lágrimas derramadas na
ausência da Dama a quem queria bem

Ardor em firme coração nascido:
pranto por belos olhos derramado;
incêndio em mares de água disfarçado;
rio de neve em fogo convertido:

tu, que em ímpeto abrasas escondido;
tu, que em um rosto corres desatado;
quando fogo em cristais aprisionado;
quando cristal, em chamas derretido.

Se és fogo, como passas brandamente.
se és neve, como queimas com porfia?
Mas ai, que andou Amor em ti prudente!

Pois para temperar a tirania,
como quis que aqui fosse a neve ardente.
permitiu parecesse a chama fria.

Gregório de Mattos
Amar, Verbo Atemporal - 100 poemas de amor
organização Celina Portocarrero
Rocco ed. - 2012
pg. 129


A dança com algumas palavras saqueadas do poema do velho e maravilhoso Gregório, convertidas em um soneto de ausência.
Nuvem fria. Ou, Cold Cloud. A recriação da perda:

Cold Cloud

Ardor louco em mim aguerrido
E o pranto triste derramado
Nosso incêndio alastrado
Em rio de abandono convertido

Busquei-te nas auroras escondido
Todos os nós do meu peito desatado
Deste amor que me manteve aprisionado
No gelo – da ausência – derretido

Se me abraçasses longamente
Em silêncio esquecesses a porfia
Preferistes ser prudente

Amor negado se transforma em tirania
Como quando o sol em manhã ardente
Permitiu que lhe nublasse a nuvem fria
Bárbara Lia

Monday, July 30, 2012

Dear Zachary: A Letter to a Son About His Father



Kurt Kuenne, amigo de infância de Andrew Bagby demorou sete anos para concluir o documentário Dear Zachary - em meio a uma metamorfose inacreditável. Na infância Kurt decidiu que seria cineasta, Andrew participava de suas produções. Acostumado a filmar o amigo ele viveu o choque, ao lado da família e de uma imensidão de amigos, quando Andrew foi assassinado pela ex-namorada quando rompeu com ela. Andrew cometeu o erro que muitos cometem quando perdem um grande amor. Abrem a porta para qualquer um que ofereça o imediato consolo. Para sorte de muitos, nem todos são psicopatas como a namorada que Andrew teve quando foi estudar medicina no Canadá. Meio ao maremoto de saudade, Kurt decidiu continuar - filmando Andrew -  e iniciou um documentário onde pretendia colher depoimentos dos amigos, dos familiares, visitando vários lugares, inclusive a Inglaterra onde viviam os avós maternos de Andrew. O documentário tem uma espetacular montagem. Os efeitos que ele utiliza para evidenciar os fatos. Ao apresentar o laudo da perícia não é uma imagem destas utilizadas pela polícia, nem mesmo o corpo de Andrew estirado em um parque, morto e abandonado por aquela maluca. São fotos de Andrew menino. O impacto da montagem deste documentário faz com que ele seja, embora triste, um dos documentos mais bem montados para narrar uma tragédia. Ao iniciar o documentário Kurt soube que a ex-namorada e assassina estava grávida do amigo, foi então que ele mudou o foco, o documentário seria uma carta ao filho que viria. Um documento para mostrar a Zachary quem era seu pai. Meio a um processo de extradição para ser julgada nos Estados Unidos, Shirley (a assassina de Andrew) e seus advogados conseguiram fiança e a Vara de Família concordou que uma pessoa que cometeu um homicídio violento ficasse com a guarda da criança, negando a guarda aos avós, transformaram a vida dos pais de Andrew em um tormento sem fim. Andrew era filho único e o neto era a família daquele casal. Obrigados a conviver com a assassina do filho e sofrendo a angústia de saber que o neto estava ao lado de alguém instável e cruel. Plena de exigências a louca se coloca como alguém que pode, apesar de tudo, ser parte daquela família. Presa por um tempo, eles ficaram com o pequeno, sem conseguir perder vínculos com a assassina, pois existia uma acordo de visita que obrigava os avós a levar o menino até a prisão para as visitas regulares. Em um telefonema Shirley indaga se colocaram a foto em que ela está com Andrew no quarto do filho. O pai de Andrew é obrigado a dizer com todos as letras que não conseguem - ainda - como se possível fosse, um dia, alguém colocar a foto do assassino do filho em um lugar de sua casa. Conseguindo a liberdade e à espera do julgamento ela retoma a guarda do filho e os avós esperam que a justiça prevaleça. A única forma dos avós - finalmente - ficarem com Zachary. Considerando as provas e todas as evidências e a impossibilidade dela ser julgada inocente. O caso sofre a última guinada que deixa a todos estarrecidos. Dear Zachary: A Letter to a Son About His Father é pleno de humanidade. Um arco-íris de toda e qualquer emoção humana. Baila entre vida e morte com todas as cores daquilo que conhecemos como - ser humano. Os vínculos fortes e reais são atirados diante dos olhos dos telespectadores. A vida de Andrew passo a passo em inúmeras filmagens. Em um filme da adolescência, Kurt diz que construiu a máquina do tempo para ter a chance de salvar o amigo e evitar que ele fosse morto. Andrew tinha carisma e tantos amigos que a vida dele era partilhada como se os dias fossem uma eterna celebração. Foi a um colega do hospital que ele contou que Shirley o havia procurado às duas da manhã. Viajara milhas e batera à sua porta. O amigo disse - Bem, se eu tivesse dispensado uma garota e ela batesse à minha porta de madrugada eu sairia pela porta dos fundos. Ele foi de peito aberto encontrá-la no parque, não ouviu o conselho do amigo.  Em alguns a fecundidade de promessas de beleza (Andrew): em outros o escárnio e descaso absoluto com tudo (Shirley). A falta de senso dos homens da lei que não conseguem compreender a extensão de seus erros. A coragem de um casal que perde o único filho e embarca em uma jornada sem trégua que ainda não chegou ao fim.
Vi nesta madrugada no GNT. Por coincidência estava na casa da minha filha com meu único neto. Sob o impacto daqueles eventos eu passei a noite rodeando o meu tesouro, creio que incomodei seu sono. Depois das minhas idas ao quarto cafunés e abraços ele sentou na cama sonolento e me disse - Dorme, vó! Como a me alertar que tudo estava bem...
Nem o mais terrível serial killer que tive notícias me assustou tanto quanto aquela mulher. O pai de Andrew - David Bagby escreveu um livro - Dance with the devil... Ele realmente dançou com o demônio.

link para o trailer:
http://www.youtube.com/watch?v=OtyY0CXdiNo

Saturday, July 28, 2012

21 gramas - Livros de Poesias


O projeto "21 gramas" é parte de um passado recente que trouxe muita Alegria. Minha maratona poética, inventário dos meus versos. Devo confessar um segredo: Aos doze anos eu sonhei escrever - romances - eu achava geniais os escritores que me encantavam. Nunca sonhei ser Poeta na vida. Quem sonha? É mesmo como diz Cruz e Sousa - Somos assinalados. Escrevi tanta poesia que só restou encontrar uma saída, compor livros artesanais. Agora a rotina de Poesia que vai em busca de editor segue. Consegui encontrar uma casa (livro) para meus versos que ficavam me olhando e dizendo: E eu? Seguiram para tanta parte, ultrapassaram oceanos, foram para o Chile, Maputo e várias cidades de Portugal os meus livros feitos à mão. O ciclo se encerra com muito sucesso e partilha. Obrigada a cada um que captou o espírito poético da publicação. Guardo uma coleção completa no meu arquivo pessoal.
- quem sabe faz a hora não espera acontecer -
Com o espírito dos poetas marginais e a força feminina coloquei os poemas na roda. No futuro quero montar uma edição primorosa - fac símile - um livro que abrigue o resumo desta maratona. Vai ser sempre poesia.
Para quem gosta de livro artesanal e desejar ter um exemplar ou mais deste meu projeto poético, tenho dez exemplares prontos, mais detalhes no meu e-mail barbaralia@gmail.com

Exemplares 21 gramas disponíveis:

- Adamare
- Até secar o sol
- Cantata Fugace (poemas em espanhol) 3 exemplares
- O fim do futuro (sonetos)
- Para Camille, com uma flor de pedra
- Percepções
- Réquiem
- Um rio de jasmins nas veias



Friday, July 20, 2012

Amar, Verbo Atemporal: Cem Poemas de Amor - Rio e São Paulo, em Agosto


2012


2012 um ano pleno de belas surpresas:

O ano começou com o nascimento do livro - A flor dentro da árvore - impresso na última semana de 2011.

http://www.musarara.com.br/a-flor-dentro-da-arvore


Este livro e o livro anterior - Tem um pássaro cantando dentro de mim - são publicações independentes. Quem tiver um deles vai possuir um dos 50 exemplares. Sim, esta é a tiragem.
No final de 2003 eu fui em busca de um editor local para publicar um livro de poesias, não queria morrer sem editar ao menos um livro. Foi o Fábio Campana na Travessa dos Editores quem contou para a mídia que existia uma poeta em Curitiba, que era inédita e tinha uns poemas - maravilhosos - segundo ele. Menos de dez anos depois tenho uma pequena obra editada. Além dos meus mais amados livros feitos a mão. Não cataloguei um a um, mas, uma contagem rústica que fiz mostra que imprimi mais de trezentos livros artesanais. Estão pelo mundo a minha ousadia. Meu inventário poético. Ainda tenho uns sete livros inéditos. Englobam romances, contos e uma quase-biografia, até um livro de poesias. O que preciso é respirar fundo e não desejar nada para hoje. Que seja sempre de forma natural. Fazer aquilo que ouvi de um poeta em um jantar - mesmo que demore, só publicar por uma editora que tome conta de tudo. Que divulgue seu livro, mande para as livrarias e que você siga com a tarefa que cabe ao escritor - apenas escrevendo. O cansaço quase vence. Tenho quase 57 anos, estou hipertensa, minha retina esquerda rasgada não facilita ler e escrever como antes, o tempo inteiro. Muita coisa mudou em mim. Até mesmo sintomas tardios da poliomielite que eu nem sabia que existiam. Melhor assim, vivi mais de meio século acreditando que tudo se resumia a uma pequena sequela, agora vem a revista científica comprovar que o excesso de frio que sinto, a dor em muitas articulações e outras coisas mais, são como uma velhice antecipada. É  uma droga, mas, é preciso aprender a conviver com isto. Ao menos ainda não precisei amputar meu pé como Frida Kahlo. A dor na coluna a gente engana. A gente vai levando, ouvindo poesia, ouvindo os pássaros, ouvindo música. Estou ficando expert em viver com dor. Minha amiga mais recente. Espero que o House não esteja certo, ouvi uma fala dele em um comercial do seriado - Quem convive muito tempo com a dor acaba ficando insensível, alguma coisa assim. Comigo a anatomia ficou louca, quiçá esta dor física ajude a criar poesias de celebração, recolher memórias de vida. É muito louco isto, quando a gente vai ficando mais velho é como fechar um círculo e se reaproximar do começo. Vivo trombando com aquela menina sem medo, aquela liberdade à sombra das árvores. Converso com ela e ela é como um pergaminho onde revejo belas coisas esquecidas. Sentir o gosto do antes, tocar os caminhos da alegria, rever a mãe com sua aura misteriosa, o pai sempre estrondando a sua gargalhada e a poeira de Peabiru acima do chão, as estrelas acima das casas - naquele tempo o céu era mais perto.




Em março o Jornal Rascunho publicou algumas poesias que amei escrever, pois foram seis meses lendo e relendo Pessoa. Uma decisão de mergulhar em poetas imortais. O que eu fiz em 2009 e 2010 com Emily Dickinson e que gerou o livro - A flor dentro da árvore. Fiz em seguida com a obra de Fernando Pessoa. Uma ressurreição. Foi desta inserção que nasceram poemas e contos e um diálogo com vida e obra de Pessoa. No Jornal Rascunho, Três sonetos:


https://rascunho.com.br/autores/barbara-lia/



Esqueci do Prêmio Cataratas e que para lá havia enviado algumas poesias, quando recebi um telefonema contando da premiação. Em maio fui até Foz do Iguaçu  para receber o Prêmio com a poesia - Holocausto dos Livres - dentro do evento Salão Internacional do Livro. Foi uma chance de visitar outra vez - As Cataratas. Conheci poetas locais e dois poetas cariocas muito queridos - o Rodrigo Domit (que na verdade é do Paraná) e a Tatiana Alves. Foi um belo final de semana - presente do dia das mães. A Festa encerrou em uma cantina com muito vinho e massas e ótimo papo, ao lado do Domingos Meirelles (e esposa) e do Eric Nepomuceno (e esposa) o pessoal da Fundação, os poetas premiados e o Emir Ross que veio de Porto Alegre para receber o seu prêmio na categoria - Contos. Um belo conto o do Emir. 



Na Off Flip o lançamento da Antologia - Amar, verbo atemporal - Cem poemas de amor. Organizada pela Celina Portocarrero, publicada pela Rocco.  Uma alegria. Quando li o e-mail da Celina convidando para esta Antologia eu senti aquela leveza, promessa de ser parte de um projeto bonito. Está sendo especial. No começo pensei na dificuldade de buscar entre os escritos um poema de amor - inédito. Ao final, foi uma seleção fácil e rápida, com ajuda de algumas amigas que sempre me dão suporte e opiniões e com a decisão final minha e da Celina, escolhemos Umbrática Nuvem. Lá estou eu ao lado de poetas que conheci no berço e de poetas muito jovens, de toda parte deste País. 


Resenha de Carlos Herculano Lopes:



Seguem as Antologias. O  Portal Cronópios convocou os - cronopianos - a escrever uma homenagem ao grande Eder Jofre. Não sou aquela poeta ou escritora que escreve sob encomenda. Não sei adequar meus escritos ao calendário ou temas. O jornalista Ricardo Faria cedeu uma coluna para mim em um jornal virtual - e acabei desistindo da missão. Minha liberdade não combina com prazos. Estou a um passo de desistir destes concursos literários com suas inúmeras regras. Escrever é o território do encanto e lá não existe relógio, páginas A4, espaços duplos ou não. Nada disto combina com o escritor. Uma memória antiga foi a ponte que permitiu uma homenagem ao Eder Jofre. Nada mais poético que romper a alameda da memória e cair no quintal da infância. Nasceu - No tempo em que éramos invencíveis - um poema que vai figurar neste livro que é uma parceria Portal Cronópios / Editora Patuá. Vamos lá.





Quando Ana Rusche foi a Maputo eu enviei alguns livros para lá e ela foi a portadora de muitos livros de autores brasileiros que estão agora em Bibliotecas... Este contato além-mar, graças a Ana, aproximou os poetas de Moçambique e através deles conheci a Revista Literatas. Há algum tempo publicaram minha poesia por lá. Recentemente, um capítulo do meu romance - Constelação de Ossos. Uma bela publicação que une Brasil-Moçambique e muitos outros autores lusófonos...


Revista Literatas



No ritmo das Antologias. Quando o Outono chegar em Lisboa a Pastelaria Estúdios vai publicar - Histórias Horríveis e Impossíveis. Uma Antologia além-mar. Para esta antologia enviei um conto que é só um pouco horrível. Não escrevo com furor e ódio. Mas, consegui escrever um conto que causa algum arrepio. Depois de - Set - que narra a vida de um serial killer e foi premiado no concurso _ Contos Grotescos_ este conto é um dos poucos que escrevi com este tom de mistério e que imprime medo. 


...



Wednesday, July 18, 2012

O essencial

Lasar Segall
  • " Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
    Tenho muito mais passado do que futuro.
    Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas...
    As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
    Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
    ... Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
    Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
    Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
    Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
    Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
    ‘As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.
    Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa…
    Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade.

    Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.

    O essencial faz a vida valer a pena.

    E para mim, basta o essencial!"

    (Mario de Andrade).

Tuesday, July 17, 2012

biografia de poeta


Quando eu fiz quarenta anos (1995) disse a uma colega de trabalho, uma jornalista - Vou escrever uma biografia.  Ela retrucou - É muito cedo para isto. Ser escritora era um projeto engavetado, ainda. Meus primeiros escritos ainda imaturos. Acreditava que havia vivido intensamente e tinha muitas histórias pra contar. A vida mudou, eu mudei. Hoje eu sei que ainda é cedo demais para contar minha vida, mas, temo morrer sem dizer a minha versão. 
O homem que está comigo nesta imagem é o pai dos meus filhos, com quem vivi nove anos.  
Incomoda-me alguns que tentam se colocar como algo importante em meu caminho. Paixão é fogo, arde e logo apaga. Escrever versos a alguém não significa que ele seja - o cara - nem que me abalou a ponto de ter sobrado mais que versos publicados. Então, escrevo este texto para entender esta vontade de me mostrarem como alguém insignificante, sendo que escrevem sobre minha insignificância. Eu não escrevo mais sobre eles. Nem sobre ninguém. Na Antologia - Amar, Verbo Atemporal - o meu poema de amor começa assim:

 Tudo que me toca / vira livro / só você virou esfinge / (miragem). 

Dá para perceber que quando é importante mesmo a gente não fica escrevendo sobre? O infinito enquanto dura... Enquanto dura e é importante a gente vive. Uma vez meu ex-marido ficou furioso ao encontrar uma carta ao meu primeiro amor. Ele disse: Você nunca escreveu um poema para mim. Não escrevi. Vivi a realidade de uma história, até o fim. Há menos de dois anos ele morreu. Uma noite eu estava pensando nesta bronca dele e minha filha ligou: Mãe, tá vendo a lua? Tinha eclipse da lua e ela ligou para que eu não perdesse o espetáculo. Misturei tudo em um poema e, tarde demais, lhe dediquei uma poesia. Quanto aos gritos destas pessoas de ego maior que o mundo que querem que eu seja relegada a nada, mas, insistem em permanecer como - algum cara que eu amei - só tenho a dizer que é passado e página virada. Sou escritora e poeta. Se não quiser virar poesia em minhas mãos não me toque, não se envolva comigo. Simples assim. Tudo que me toca, vira livro...

Saturday, July 14, 2012

Meu rosto tão pristino e tão doce...


Tem um pássaro cantando dentro de mim - Poesia - Bárbara Lia




Procura-se
Um pirotécnico
Que traga
O oceano
E uma invisível
Estrela

para Murilo Rubião


Bárbara Lia
Tem um pássaro cantando dentro de  mim  / 2011

Deus no orvalho - poemas para Jorge Luis Borges





neblina é mistério
mas é também a cortina
que envolve meu ser inteiro
adentra poros

esta hora fria e silenciosa
somada à leveza
dá um tom de eternidade
(hoje senti saudades de Borges)

Bárbara Lia in Deus no orvalho (21 gramas/2011)

sete dias com marilyn

 Michelle Williams e Eddie Redmayne


O filme revela a intimidade do mito através do olhar do menino que ela elege como âncora em seus dias em Londres. O filme fala dos sonhos criando vida. Quem tocou o deus branco de seu desejo? Poucos. É uma performance belíssima desta atriz. Um retrato de um momento. Uma semana, um dia na vida, o tempo não importa. E o ator revela a verdade nua e crua, quando ele se aproxima com medo, quando ele não se entrega e não a violenta, quando ele nem mesmo crê que a dois dedos do seu coração bate o coração da musa. Sete dias com Marilyn... 

Wednesday, July 11, 2012

Paisagem de Chuva para Bernardo Soares


                                                                                                                            

ilustração - Rafa Camargo

(soneto publicado no jornal rascunho com a ilustração acima)



Paisagem de Chuva para Bernardo Soares


Há qualquer coisa do meu desassossego no gota a gota, na bátega a bátega com que a tristeza do dia se destorna inutilmente por sobre a terra.
Bernardo Soares



As árvores fogosas escolhem seus amantes
Quando eles se aproximam ampliam o verde
Encolhem os caules que se enlaçam ofegantes
Como a mulher trança suas pernas sem alarde

Para prolongar o gozo mais silencioso que o ar
As pedras se abrem e voluptuosas expandem
Para acolher aos amantes que fazem tiritar
Seu coração de granito, oco de luz ou sangue

E eu que sou chuva aprendi a ser humana
Para amar com uma molécula de Oxigênio
Para não brigarem entre si com ódio e gana

As minhas outras duas moléculas de Hidrogênio
Cada gota cumpre o acordo tácito com lealdade
Esplendor lírico/líquido nas esparsas tempestades


Bárbara Lia

Monday, July 09, 2012

Sylvia Plath: A perfeição é horrível





  1. Livros e livros sobre Sylvia Plath. Mergulhei na obra dela e li algumas biografias. Li - O deus selvagem - de A. Alvarez, aquele cara estranho que não foi suficientemente capaz de ser a âncora que a Sylvia precisava em seus últimos dias. Se ela suportaria melhor o pior inverno de Londres se tivesse encontrado em Alvarez o que precisava? Não sei. Basta ler -Cartas de Aniversário- o diálogo de Ted Hughes com a amada morta - para entender o mínimo necessário. A raíz do drama. Ted era o duplo de Otto (pai de Sylvia) a razão das tentativas de suicídio dela, ir ao encontro do pai. Ele diz claramente que se sentia assim, que podia ver a sombra de Otto quando caminhava em uma praia vazia. Foi neste amante/pai, nesta loucura de Electra que ela se agarrou. Ao perder Ted ela sofreu a dupla perda, sozinha em um País distante, sem ninguém, ela encerrou o ciclo e deixou todo mundo sem entender nada. Quem se mataria em uma casa com dois filhos pequenos no quarto de cima? Quem já não suporta mais estancar a ferida aberta. E o que ela escreveu? Pura poesia. Esta certa Frieda Hughes em lacrar seus poemas, não liberá-los para filminhos patéticos. A vida de qualquer ser humano merece respeito. Um olhar humano. A Poesia dela era excelente. Ted sabia disto. Era fenomenal esta mulher. Escreveria muito pela vida. Alguns dizem que o suicídio foi o que a levou a ser assim tão aclamada... Uma droga! Ao poeta resta escrever com cada gota sua e seguir sendo julgado por críticos, semanários, seus pares, sua família e todo e qualquer que se julgue capaz. É preciso ser muito competente para penetrar a alma de Sylvia Plath. É preciso respeito. Aqui vive uma menina pobre que venceu pelo talento. Uma mulher que seduziu um dos maiores poetas da Inglaterra, cuja obra foi ofuscada pelos que não conseguem separar o público do privado (isto está em toda parte). Aqui está a Mulher. Concluida. Com o pouco tempo que teve escreveu uma poesia de aço e sangue, plena de mantos de luas e deuses do mar. Ela e Ted amavam a Mitologia Grega. Casaram-se em um Dia de Bloom. Ampararam um ao outro durante o tempo da escrita. Ela tinha um projeto, como tenho os meus. Sucateados pela vida, pela falta de tranquilidade, quiçá. O mundo real a nos puxar e é preciso tempo, uma trégua. Recitar Chaucer às vacas, andar de bicicleta com o loiro ardente dos cabelos engalanado de vento, dançar com o poeta em uma festa e cravar em seu rosto uma mordida. Deixar sua marca em milhares de pessoas que jamais vão encontrar o fundo do fundo do fundo de sua alma espectral.

Sunday, July 08, 2012

"As pessoas quebram" Carlito Azevedo



Na mesa da FLIP, que está em andamento, Carlito Azevedo homenageia Drummond com um poema inédito. Antes ele disse - As pessoas quebram. Ele quebrou recentemente, ele diz. E diz que para estes momentos a salvação é ler Poesia. E que não é de todo ruim que a gente quebre, que os outros nos quebrem, que despedacem-nos aos poucos e sempre e desde sempre amém. Que os eventos acelerem a trucidação sem dó. Se a Iluminação vem pelo desapontamento, como diz Carlito. Sou LUZ.

A FLIP esteve ótima. Das coisas que vi e ouvi. Este canto de amor do Carlito ao Drummond, o momento mais sublime da Flip. A Poesia é MIL. Sempre vai estar no ápice. Um poema como este vale UM ROMANCE ÉPICO. 

Drummond – o poeta presente
Armando Freitas Filho (em vídeo)
Eucanaã Ferraz
Carlito Azevedo
Mediação Flávio Moura


La nave va...

"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura

  "Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura da escritora Francine Cruz. https://www.youtube.com/watch? v=IxpCcdUM7...