Sunday, December 02, 2012
aquecendo os tambores...
Sexta-feira (dia 7) em Porto Alegre o evento de Dezembro no Castelinho do Alto da Bronze Espaço Cultural - Lançamento de - A flor dentro da árvore.
Grata aos sites que divulgaram o evento - Solda Cáustico:
http://cartunistasolda.com.br/2012/11/23/castelinho/
e Site Germina em sua coluna - classificados:
http://germinaliteratura.blog.uol.com.br/
Aos poetas Sidnei Schneider e Sandra Santos - Obrigada!
Saturday, December 01, 2012
Friday, November 30, 2012
Ausência de Pessoa - Bárbara Lia
Ilustração de Rafa Camargo para o Jornal Rascunho - Poemas publicados na edição de março deste ano -
Ausência de Pessoa
O balcão feliz, o chão da Leitaria do Trindade
O fatal silêncio ocre escuro de folha outonal
O ar se altera — ventania, mistério e divindade
Prenúncio da chegada do poeta lusitano genial
O fatal silêncio ocre escuro de folha outonal
O ar se altera — ventania, mistério e divindade
Prenúncio da chegada do poeta lusitano genial
Nas manhãs um copo de vinho, gesto costumeiro
— Bom dia, Trindade! O copo de vinho estendido
Nas noites escrevia com a luz da rua — candeeiro
Mil vozes e mil rostos em seu rosto, escondidos
— Bom dia, Trindade! O copo de vinho estendido
Nas noites escrevia com a luz da rua — candeeiro
Mil vozes e mil rostos em seu rosto, escondidos
Esta epopéia diária das paredes a abrigar a figura
Roupa escura, chapéu e óculos, passo que levita
Esta contumácia de pedra que abarca a água pura
Roupa escura, chapéu e óculos, passo que levita
Esta contumácia de pedra que abarca a água pura
Esta rotina de lírio e fogo que segue e nada evita
Quebrada em um novembro com a morte do poeta
Médico pastor escrivão engenheiro místico esteta
Quebrada em um novembro com a morte do poeta
Médico pastor escrivão engenheiro místico esteta
Bárbara Lia
77 anos de ausência de Pessoa no nosso Universo Físico, presença viva em nossos corações e vida.
Sunday, November 25, 2012
DNA da "flor"
foto: Kátia Torres Negrisoli
Seis poemas dos nove premiados no Prêmio UFES de Literatura:
"A lentidão das palavras do arcanjo ao acordá-la"
"Sinal cifrado pra enovelar o divino"
"O gelo da morte na vidraça"
"A real cicatriz você tem?"
"Escanear os céus com um ar suspeito"
"Escanear os céus com um ar suspeito"
"A flor dentro da árvore" traz poesias premiadas no Prêmio UFES de Literatura - organizado em 2009 pela Edufes - Editora da Universidade Federal do Espírito Santo. A apresentação do poeta Sidnei Schneider, que vive em Porto Alegre, recentemente lançou seu primeiro livro de contos - Andorinhas e outros enganos. O livro traz epígrafes/versos de Emily Dickinson em cada poesia - Emily Dickinson figura como uma paixão inseminadora - conforme palavras de Sidnei Schneider. A seiva viva da poesia de Emily na qual mergulhei enquanto escrevia estas poesias do livro levaram-me a vê-la como uma grande árvore. Árvore da vida. E o título nasceu deste encontro/vertigem. A flor - Bárbara Lia - dentro da natureza bruta e avassaladora que é a poesia de Emily Dickinson.
Dia 07 de dezembro o livro vai ter o seu primeiro e quiçá único lançamento, dentro do evento organizado pela poeta Sandra Santos no Castelinho do Alto da Bronze em Porto Alegre:
Para ler a apresentação e algumas poesias - no site Musa Rara - clique aqui
Tuesday, November 20, 2012
Sobre pássaros e palavras
Acordo todo dia feliz com a serenata de um pássaro que desconheço. Ele tem um canto tão lindo que acordo antes do sol pra ouvi-lo... Um ornitólogo, por favor! Acordo todo dia feliz, pois nas manhãs brotam palavras, a resolução para um personagem, a finalização de um enredo, os títulos tão difíceis. Um dia vou escrever um romance sem título. Vai se chamar - Romance. Só romance. Ou Livro. Cada um que coloque o título que quiser. Melhor deixar em branco uma linha extensa para os títulos vários. Minha amiga Geisa Mueller escreveu poesias com a palavra calcinada pela qual ela se apaixonou após conhecer meu romance - Solidão Calcinada. Estas coisas podem deixar uma poeta derretendo-se qual caramelo em calda, estas coisas poéticas, ternas, únicas. Estas palavras que estas mulheres do meu tempo dizem e então eu sei a razão do meu caminho fragmentado, do meu destino, dos meus percalços e recomeços, da minha poesia... e isto soa tão lindo e tão único qual o canto do meu pássaro trovador... meu pássaro que também é um livro sem título, mas quando abre seu peito (páginas?) ecoa esta poesia que é única, que quero colar dentro de um enredo, que quero dizer como diziam as primeiras poetas e a primeira pessoa que amou neste planeta...
Bárbara Lia - 20/11/2012
Sunday, November 18, 2012
AS LOUCAS
Mulheres comportadas raramente fazem história. (Marilyn Monroe)
O estranhamento que causa uma mulher que não segue o - Manual das Senhorinhas Bem Comportadas de Todos os Tempos - pode render um livro. Confesso em cadernos e arquivos word as minhas inquietações. Um livro inteiro tentando dizer - Livre não é louco, Livre é Livre. Muitas coisas em carrossel diante dos meus olhos, valsam veias, valsam íris, valsam dentro da alma. Quando as pessoas encontram alguém livre ficam procurando o adjetivo. Todo mundo pode ser nominado de tantas coisas... Você é carismática, você é forte, você é guerreira, você é corajosa. Ouvi muito pela vida, a necessidade de encaixar cada um em um lugar. Os manuais e seus conceitos. A sociedade e suas classificações. Há muito descobri que sou uma - desviante do sistema. Alguém que não segue o que está escrito. Gosto de ter este diferencial, mas, é preciso muito tutano e força e asas para seguir inteiro, algumas vezes recolhendo pedaços.
Ninguém diz diante de uma pessoa alada - Você é Livre.
Encontram outro título pra justificar todo espanto - Você é Louca.
Ouvi muito isto. Sigo louca (LIVRE) e tentando entender cada fala.
Uma mulher que não se enquadra nas normas vive quebrando tabus.
Meu caminho pelas vielas da paixão é um nó sem fim, pois eu não abro as portas para nada e ninguém. Só me dou a quem desejo e me atrai e diz bem mais que atração apenas e diz um mundo e diz um encanto e diz poesias em sua fala, figura, caminho, estampa, voz e verdade. Por isto, só me apaixono por caras feras, com carisma e força (já me enganei também e das poucas vezes que me enganei foi com uma categoria chamada - zen. quando um homem se disser iluminado e vier com este papo de alturas, caia fora. estes se acham acima do bem e do mal e brincam com as pessoas, por acharem que tem o direito de não se dar, afinal, são tão puros e tão altos e tão iluminados que estão ali apenas para serem amados, admirados, tocados... entendeu? fuja deles, prefira os malucos todos, os bêbados, os tortos. fuja dos santos de pau oco) e então eu fico nesta via de mortes e ressurreições. A única coisa que sei é que minha loucura me salva de ligações pífias, uniões por interesses que não seja em si o encontro e a entrega, me salva do tédio, de um novo casamento sem afinidade, de dias e noites pensando em artimanhas e em como sobreviver dentro deste jogo doentio que é realmente o que embala a maioria dos casamentos, namoros e etc. Não namoro - eu me apaixono. Não jogo, eu dou as cartas no jardim de Afrodite. Se sou louca, viva! Na reta final, qual um velho trem que dá seu último apito, atira a última fumaça ao céu, quero mais é a solidão dos dias em paz. Não fosse o velho bicho da paixão atrás da porta, debaixo da cama, ao telefone, naquele livro, naquele palco, naquela rua... A paixão. Ela é a dona de mim e da minha "loucura". E mesmo com o maior susto diante da liberdade minha, a paixão me puxa, a paixão me leva, a paixão me expulsa e um belo dia, ela volta... -
Encontram outro título pra justificar todo espanto - Você é Louca.
Ouvi muito isto. Sigo louca (LIVRE) e tentando entender cada fala.
Uma mulher que não se enquadra nas normas vive quebrando tabus.
Meu caminho pelas vielas da paixão é um nó sem fim, pois eu não abro as portas para nada e ninguém. Só me dou a quem desejo e me atrai e diz bem mais que atração apenas e diz um mundo e diz um encanto e diz poesias em sua fala, figura, caminho, estampa, voz e verdade. Por isto, só me apaixono por caras feras, com carisma e força (já me enganei também e das poucas vezes que me enganei foi com uma categoria chamada - zen. quando um homem se disser iluminado e vier com este papo de alturas, caia fora. estes se acham acima do bem e do mal e brincam com as pessoas, por acharem que tem o direito de não se dar, afinal, são tão puros e tão altos e tão iluminados que estão ali apenas para serem amados, admirados, tocados... entendeu? fuja deles, prefira os malucos todos, os bêbados, os tortos. fuja dos santos de pau oco) e então eu fico nesta via de mortes e ressurreições. A única coisa que sei é que minha loucura me salva de ligações pífias, uniões por interesses que não seja em si o encontro e a entrega, me salva do tédio, de um novo casamento sem afinidade, de dias e noites pensando em artimanhas e em como sobreviver dentro deste jogo doentio que é realmente o que embala a maioria dos casamentos, namoros e etc. Não namoro - eu me apaixono. Não jogo, eu dou as cartas no jardim de Afrodite. Se sou louca, viva! Na reta final, qual um velho trem que dá seu último apito, atira a última fumaça ao céu, quero mais é a solidão dos dias em paz. Não fosse o velho bicho da paixão atrás da porta, debaixo da cama, ao telefone, naquele livro, naquele palco, naquela rua... A paixão. Ela é a dona de mim e da minha "loucura". E mesmo com o maior susto diante da liberdade minha, a paixão me puxa, a paixão me leva, a paixão me expulsa e um belo dia, ela volta... -
Friday, November 16, 2012
O que tinha que ser...
O Que Tinha Que Ser
Tom Jobim e Vinicius de Moraes
Porque foste na vida
A última esperança
Encontrar-te me fez criança
Porque já eras meu
Sem eu saber sequer
Porque és o meu homem
E eu tua mulher.
Porque tu me chegaste
Sem me dizer que vinhas
E tuas mãos foram minhas com calma
Porque foste em minh'alma
Como um amanhecer
Porque foste o que tinha de ser.
Mais um título para Éder Jofre -
Mais um título para Éder Jofre
(Portal Cronópios e Editora Patuá)
- Participo desta Antologia com a Poesia: No tempo em que éramos invencíveis.
Breve notícias sobre o lançamento.
Breve notícias sobre o lançamento.
Thursday, November 15, 2012
Vuelvo al sur...Lançamento de "A flor dentro da árvore" em Porto Alegre, 07 de dezembro
Volto a Porto Alegre a convite de Sandra Santos para lançar meu mais recente livro - A flor dentro da árvore. Em um evento do dia 07 de dezembro no Castelinho do Alto da Bronze Espaço Cultural.
Volto ao Sul do Sul, nesta cidade que é parte da minha jornada poética. Lançamentos e publicações e partilhas. Porto Alegre em final de primavera, a flor e a árvore já se preparam...
Volto ao Sul do Sul, nesta cidade que é parte da minha jornada poética. Lançamentos e publicações e partilhas. Porto Alegre em final de primavera, a flor e a árvore já se preparam...
Convite especial - para a exposição Retrospectiva de Rosane Morais - A flor dentro da árvore e Atos de Paixão de Túlio Henrique Pereira (dramaturgia)

Wednesday, November 14, 2012
Prendimi l'anima - Bárbara Lia
No táxi ela recordou o signo: Um selo com o personagem daquele filme da tarde que se encontraram no cinema. Sincronias. Na tarde em que ela foi aos Correios viu o moço retirar os selos da gaveta e atirar diante dos olhos dela aquela imagem que evocava o encontro com o amante. Comprou o selo, pensou em postar uma carta com ele. Depois, decidiu presenteá-lo - um signo. Qual aquele outro filme onde o personagem de Carl Jung entrega a Sabina Spielrein uma pedra e pede que ela a guarde. A pedra pequena representava sua alma, ele disse. E ele pediu que ela levasse sempre a sua alma com ela. Como a mulher no táxi se sentia tênue e quase dissolvida, sua alma era de papel. Sua alma era um selo dos Correios. A imagem daquele mito ali impressa, suas palavras de asas, as mesmas que ela ouviu abismada naquele cinema onde se conheceram. No táxi o silêncio da noite compactuava com o seu espanto e com a certeza de que ele a tinha entre seus dedos. Esquecera o signo ao encontrá-lo, esquecera a promessa de entregar a ele aquela memória que a representaria. Esquecera tudo. Só lembrava o corpo dele e aquele filme onde Jung e sua amante estão enlaçados. Só lembrava ela e ele enlaçados e loucos e aquele outro casal enlaçado do filme. Da importância de dar sua alma para alguém levar pela vida e daquele filme e dos corpos nus e do gosto do sexo dele ainda brilhando entre seus dedos e o calor que evaporava de seu gozo ainda aura de luxúria em sua roupa... Não sabia quase nada dele. Embarcara em uma jornada de corpos. Não podia dizer-lhe não desde que as primeiras palavras de desejo pingaram em sua tela por conta de insólitas sincronias de imagens. O cinema é culpado. Por muitas horas de sexo, por muitos beijos, suspiros, encontros, lágrimas, gozo, gozo, gozo. O cinema... E ele era culpado por ser pura doçura envolvida em magnetismo daqueles homens que olham e enlaçam, alma a alma. No caso deles, pele a pele, corpo a corpo, gozo a gozo. O silêncio da noite e as lâmpadas pálidas. Ela pagou o taxista, entrou quintal adentro leve feito pluma. Girou a chave na porta, entrou e abriu a bolsa. Sua alma dançava na bolsa grande como a lembrá-la que era preciso entregar, entregar a alma nas mãos dele... Sabendo que já a entregara ao ficar ao lado dele naquela cama larga, nus e enlaçados, qual no filme Sabina & Carl. Tudo estagnado naquela hora agoniada - La petit mort...
Amanhã ela enviaria pelos Correios a sua alma-papiro, sua alma-poema, sua alma-louca, sua alma-fêmea...
Bárbara Lia
Tuesday, November 13, 2012
A flor dentro da árvore / Noir / Cantata Fugace
A flor...
Poesia do livro Noir
A árvore...
Poesia do livro artesanal - Cantata Fugace - Poemas em Espanhol
Noir, último exemplar para a amiga de Adamantina
Barco de Lia no Rio de Cora
Poesia!
- Ensaio fotográfico da minha amiga de Adamantina Kátia Torres Negrisoli, dos livros a ela enviados.
A flor dentro da árvore - 2011
Noir - 2006
Cantata Fugace (Edições 21 gramas - 2010)
Monday, November 12, 2012
Corta!
filme ruim
(onde tudo dá certo no final)
Nunca choro, ainda que doa
viver dentro de enredos de Pasolini
ou dramas poéticos de Zurlini
Meu caminho - roteiro de pura Arte -
Deus/Fellini dirige
(Ele sempre sabe a hora de gritar: - Corta!)
Bárbara Lia
Imagens: cenas dos filmes - La ragazza com la valigia e la prima notte di quietta - valerio zurlini
Saturday, November 10, 2012
Torquato Neto
Cogito
eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora
eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.
Torquato Neto
(09/11/1944 - 10/11/1972)
Friday, November 09, 2012
Cinema Americano / Thais Gulin
fragmento de - Cinema Americano - de Rodrigo Bittencourt
A ponte de safena Hollywood e o sucesso
O cinema a Casa Branca a frigideira e o sucesso
A Barra da Tijuca Hollywood e o sucesso
Prefiro os nossos sambistas
O cinema a Casa Branca a frigideira e o sucesso
A Barra da Tijuca Hollywood e o sucesso
Prefiro os nossos sambistas
Prefiro o poeta pálido anti-homem que ri e que chora
Que lê Rimbaud, Verlaine, que é frágil e que te adora
Que entende o triunfo da poesia sobre o futebol
Mas que joga sua pelada todo domingo debaixo do sol
Que lê Rimbaud, Verlaine, que é frágil e que te adora
Que entende o triunfo da poesia sobre o futebol
Mas que joga sua pelada todo domingo debaixo do sol
Prefere ao invés de Slayer ouvir Caetano ouvir Mano Chao
Não que Slayer não seja legal e visceral
A expressão do desespero do macho americano é normal
Esse medo da face fêmea dita por Cristo é natural
Não que Slayer não seja legal e visceral
A expressão do desespero do macho americano é normal
Esse medo da face fêmea dita por Cristo é natural
É preciso mais que um soco pra se fazer um som um homem um filme
É preciso seu amor seu feminino seu suíngue
Pra ser bom de cama é preciso muito mais do que um pau grande
É preciso ser macho ser fêmea ser elegante
É preciso seu amor seu feminino seu suíngue
Pra ser bom de cama é preciso muito mais do que um pau grande
É preciso ser macho ser fêmea ser elegante
Prefiro os nossos sambistas
Balada Literária 2012
Balada Literária 2012 - De 28 de novembro a 2 de dezembro
Homenageado - Raduan Nassar
link para a programação:
http://baladaliteraria.zip.net/
Wednesday, November 07, 2012
Mia Couto segue encantado e encantando
Parece que foi ontem, Mia Couto. Todo encanto de Maputo que ficou flanando dentro. Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra foi o primeiro livro que li, depois de ler matérias e matérias na Internet. Depois de ler poemas, biografia. Em 2006 encontrei a escritora Helena Sut em um café. Ela voltava de Portugal e estendeu aquele livro azulado com um pégasus branco na capa: Raiz de Orvalho e outros poemas, da editora Caminho. Um presente pra mim, de Portugal. Traçou alguns paralelos entre nossas poesias. Fiquei me sentindo estranha, sempre fico estranha quando alguém me eleva ao lado dos meus mitos. Ainda nem acredito que sou poeta, foi outro dia, foi quando ele lançava Um rio chamado tempo... Foi neste tempo de primavera e anseio que atravessei a cidade para ir atrás da primeira possibilidade de publicar um livro. Toda vez que ele vem ao Brasil eu penso: Não é desta vez, ainda. Não posso ir até lá.
Amanhã Mia Couto está aqui. Na minha cidade, convidado do Marcelo de Almeida em seu projeto - Conversa entre amigos - que é sempre nas Livrarias Curitiba. O encontro com o Mia foi transferido para o Teatro Paulo Autran, no Shopping Novo Batel, amanhã 19:30. Estava aqui contando as horas para ver este escritor fabuloso, este poeta moçambicano e apareceu um imprevisto. Família. Se meus filhos e neto me chamam, isto é mais que ver o Mia Couto. Não se abandona o céu e eles são meu céu...
Um dia desejei aprender com Mia Couto como "estrondar o encanto". Gosto de ler autores que te atiram meio a ondas de beleza e com elas te elevam súbito enquanto você lê um livro. Estas guinadas inesperadas. "Encantado silêncio das areias de Maputo" foi recentemente publicado na Revista Literatas, de Maputo... Entrou no meu livro Noir(2006)... Sempre escrevo aos que admiro, ou sobre eles. Algum dia eles entram em meus poemas. Mia entrou, sua imaginada figura pra sempre caminhando por uma branca praia, combinando com a luz de um dia bonito. Os escritores levam pras suas vidas o tom de seus livros. Não dá pra imaginar Alan Poe nesta luz que cega os olhos. Quando penso em Alan Poe tem sempre o lúgubre ao redor. Uma casa escura, um silêncio sinistro e é claro - corvos. Quando penso em Borges eu vejo escadarias, labirintos, bibliotecas, alfabetos vários. Vejo um lugar tranquilo também, alamedas, seus passos calmos ao lado de Estela Canto. Esta luz de Mia que o atira em seu próprio lugar, solar, branco, marinho... Tem a ver com sua vida de biólogo, com sua escrita perfeita que encanta, com a calma que ele transmite. Então, ele vai seguir encantado pra mim. Não importa. Algum dia em outro lugar em outro palco em outro espaço em uma noite ou dia, quiçá eu possa me aproximar com um livro, tímida como sempre fico diante dos gigantes, tentando pedir pra que ele assine e dizendo meu nome e guardando como relíquia o livro e as palavras.
O que importa é seguir a traduzir o silêncio, a ver-se para não macular os livros com a falta de humanidade. Só aquele que se vê dentro pode inserir a humanidade naquilo que cria. E a humanidade faz muita falta hoje em dia. Seja bem-vindo à Curitiba, Mia. Seja acolhido com a força de um lugar que lê sua obra com ternura, que se encanta e respira fundo e pensa como pensei enquanto te lia: Que coisa mais linda...
(Escre)ver-me
nunca escrevi
sou
apenas um tradutor de silêncios
a vida
tatuou-me nos olhos
janelas
em que me transcrevo e apago
sou
um soldado
que se apaixona
pelo inimigo que vai matar
Fevereiro 1985
Mia Couto
Raiz do Orvalho e outros poemas
p. 60
Ed. Caminho
A morte é um silêncio suspenso
e o sol um silêncio vermelho
Nuvens em seu passeio
diante da janela do apartamento
Uma sinfonia em tons vários
a gritar – Silêncio!
Silencio.
Branca como estrelas e algas
passeio alvas areias de Maputo
olhando ao redor
em busca de Mia Couto
ansiando que ele me ensine
a estrondar o encanto
Bárbara Lia
(fragmento da poesia - Encantado Silêncio das Areias de Maputo - Noir (2006) - poema reescrito)
Wednesday, October 31, 2012
Dia D
imagem: Wikipédia
Há 110 anos nascia Drummond, em Itabira (MG). O site Germina em uma publicação - Especial Dia D - o homenageia. Lembrei a leitura do Carlito Azevedo na FLIP, uma homenagem belíssima.
Tuesday, October 30, 2012
5ª BookCrossing Blogueiro
Aderi ao 5° BookCrossing Blogueiros e vou começar a "esquecer" livros por ai. Um livro apenas entre os dias 08 e 16 de novembro - é pouco. Na última mudança separei livros que quero doar, então vou doar via esta poética atitude. Meu amigo Carlos Barros criou este movimento com outro nome lá pelo anos de 1994 /1995- era - tem poesia no meio do caminho - alguma coisa assim. Lembro que o Carlos era o campeão de projetos criativos. O Disque-Poesia era bem legal, a gente discava um número e ouvia um poema. O Buffet de Poesia, onde cada um escolhia os poemas para compor o livro que ia comprar, o primeiro projeto poético que participei na vida. Além de ter o dom de incentivar e mover e dizer pra uma mulher que lhe entrega o primeiro manuscrito escrito em sua vida: - Menina, tu és uma escritora - Carlos era um movimento vivo em prol da Poesia. Bons tempos. Foi ele que puxou o fio, que me tirou da gaveta, que jogou minha poesia em um projeto, à revelia do meu desejo e que incentivou a participar do primeiro concurso, que rendeu a minha primeira menção honrosa (crônica) na UBE/RJ em 1997. Então, hoje lembro o Carlos repassando livros e livros em minhas mãos. Lembro o meu caminhar sutil em cafés, praças, ônibus. "Esquecendo" belos livros pelo caminho. Lembro que foi em uma destas andanças com livros pela vida que caiu em minhas mãos - O amor nos tempos do cólera. E eu senti um desejo infindo de escrever belos romances, em estado de choque com aquela narrativa belíssima do García Márquez. Embora produzir um selo que contenha um recado simples assim:
Este livro foi esquecido de propósito, quem o achar pode fazer o mesmo. "Esquecer" o livro em algum lugar - banco de praça, ônibus, shopping, cinema, lavanderia, bares, panificadoras, etc.
http://luzdeluma.blogspot.com.br/2012/10/vem-ai-5-edicao-do-bookcrossing.html
Thursday, October 25, 2012
Enigma
que contém
outra palavra
uma dor
uma dor
que agasalha
um céu
uma rota
que dá asas
e tira o ar
fotogramas
em flor
de algodão
noir
sept ans
plus tard
roshanak:
a flor
dentro da árvore
21 gramas
alma beijo
e flor
alma beijo
e flor
kami
sky
kamikases
sky
kamikases
Bárbara Lia
Roshanak - palavra iraniana que significa - Pequena Estrela
Kami - no xintoísmo, ser com poderes que um ser humano comum não tem como: espíritos da natureza, protetores ancestrais...
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