Sunday, April 14, 2013
Thursday, April 11, 2013
Tuesday, April 09, 2013
O Universo Graciliano - Sylvio Back
Imagem - Acervo IEB/USP
"Em O Universo Graciliano é por essa senda que o filme se imiscui, articulando preciosa iconografia fixa e em movimento, música de compositores alagoanos, na tentativa de vasculhar rastros, sombras e escombros imemoriais, onde verdades e mentiras se embaralham, sobre a maior esfinge da literatura brasileira."
Sylvio Back - Cineasta, poeta e escritor, autor de 38 filmes (12 longas-metragens) e de 21 livros (roteiros, poesia e ensaios)
Matéria completa no Diário Catarinense, basta clicar AQUI
***
O Universo Graciliano foi selecionado para o 18º Festival Internacional de Documentários - É Tudo Verdade - It's All True 2013:
http://bdetudoverdade.tempsite.ws/2013b/home.asp?lng=
Monday, April 08, 2013
70 flores para Emily
foto- Kátia Torres Negrisoli
"A flor dentro da árvore" com 40 páginas e 19 poemas, livro impresso na última semana de 2011 cumpriu seu itinerário com displicente elegância. Quase em silêncio. O livro em edição mínima - 70 exemplares - marca o meu momento de diálogo com a poeta Emily Dickinson. Nove poemas desta fase premiados em 2010 - Prêmio UFES - destes, inclui sete no livro. A apresentação é do poeta, escritor e tradutor gaúcho Sidnei Schneider.
Algumas poesias do livro no site Musa Rara:
Saturday, April 06, 2013
The Girl
Sonhei que aos vinte anos me envolvi com Hitchcock e que ele me presenteou com uma espécie de talismã que eu levava comigo. No sonho encontrei uma garota morena que insistia em dizer que era ela o grande caso de amor de Hitch. Olha só a confusão por conta do filme - The Girl - que assisti semana passada. Na conversa com a fictícia morena ela estava determinada a seguir como - a garota de Hitchcock- então dei a ela o meu talismã, amuleto, presente... Hoje acordei com o sonho ainda quente entre as mãos... E ficou tudo por isto mesmo.
Fiquei realmente impressionada com o filme, baseado no livro “Fascinado pela Beleza”, de Donald Spoto, “The Girl” conta uma história conhecida: a obsessão do diretor inglês por Tippi Hedren, protagonista de “Os Passáros” (1963). Toby Jones é um grande ator. Ele consegue fazer com que a gente deteste Hitchcock. Não creio em tudo que vejo, mas, creio na chateação que é ter alguém te assediando quando você não retribui tanto desejo. Em algum momento uma pena sublime do diretor vai nascendo dentro da gente e então ele faz algo que dá vontade de dar um tabefe naquele rosto eterno. Em todo caso, Hitch é incontestável e genial e eterno, apesar da garota. As cenas duras só de olhar (imagine interpretar) ficaram assombrando por um tempo. Certamente hoje nenhuma atriz faria o que ela fez, encarar pássaros ferozes ao vivo e a cores. Era uma maluca também a Tippi, ela aceitava tudo nas filmagem e se rebelava contra as investidas de Hitch. Muitos diretores e suas atrizes com suas histórias encarceradas em caixas de Pandora, quiçá. Deve existir uma química, um enlace, deve ser como um encontro mais explosivo que os de cama, tanto que alguns vão mesmo para a cama como a Kristen Stewart há pouco tempo. Hitchcock apaixonou-se e cedeu à humanidade, aos gritos de dentro. Isto não deixa de ser poético. Talvez o limite de tudo, o limiar do risco que ele colocou nos filmes, ele queria para a sua vida. Ele descobriu que não podia tudo. Ninguém pode. Lembro que uma jovem escritora disse-me uma noite em um café: Você é a Bárbara Lia, você pode tudo. Aquilo me assustou muito. Ninguém está acima do bem e do mal, Nem Hitchcock, muito menos eu.
"as loiras são as melhores vítimas"
* The Girl, produção HBO, com Toby Jones e Siena Miller.
"as loiras são as melhores vítimas"
* The Girl, produção HBO, com Toby Jones e Siena Miller.
Tuesday, April 02, 2013
Réquiem para Martha
Martha Gellhorn (1908 - 1998)
Martha Gellhorn visitou-me nesta madrugada. Com sua voz firme a apontar verdades em uma história de amor enlaçada com a História do Século XX. Martha Gellhorn - Correspondente de Guerra, Livre e Bela. O filme Hemingway and Gellhorn é fiel na tradução da alma e da têmpera desta americana. Ela amou Hemingway, mas nunca abdicou da sua carreira de jornalista e escritora por ele. Por ser a única mulher a deixá-lo, li em algum lugar que ele a odiava. O filme não transpareceu isto. No filme ela é a narradora. Em uma entrevista ela fala de sua vida e carreira, uma Nicole Kidman maquiada, de olhar cansado, diferente das cenas onde ela conhece Hemingway (Clive Owen) e vive com ele um tórrido romance. Na sua luta contra o Fascismo ela se coloca no front. Depois disto, acompanha as guerras e se transforma em uma das maiores (quiçá) maior correspondente de guerra. Martha escreve bem, foca seu olhar no humano. Quer falar da guerra - as questões políticas - mas, as pessoas e suas dores sobressaem diante dela. As crianças mortas, ou as crianças que choram ao lado dos cadáveres das mães a sacodem, tal e qual, ou mais talvez, que a sua paixão por Hemingway. As mentes inquietas e criadoras trazem em si um potencial erótico infinito. Quando duas mentes destas se atraem e seus corpos correspondem, acontecem os grandes encontros de amor passional da História do Mundo. A inquietude de Martha e sua coragem foi o que de mais bonito me foi revelado neste filme. Hemingway dedicou a ela - Por quem os sinos dobram. No filme a figura de John dos Passos, interpretado por um ator que eu admiro muito, David Strathairn. Rodrigo Santoro em um papel que cai feito luva, de um revolucionário espanhol... Poéticas cenas mostram o fotógrafo húngaro - Robert Capa - e as imagens dele congeladas na tela.
Amo o sopro de renovação que chega com estas figuras essenciais. Martha nunca se colocou como apenas uma nota de roda-pé na biografia de Ernest Hemingway. E ela realmente estava à altura dele em sua jornada solitária pelo século, registrando as guerras e nunca abrindo mão de sua liberdade interior. Por cinco anos eles conseguiram algo quase improvável para estas pessoas solares: Viver a paixão em plenitude. Ernest fala sobre isto com Mary, a pessoa com quem ele viveu seus últimos anos de vida - Ela (Mary) era o tipo de mulher que cuida de um homem. Estas - geralmente - encontram maridos. As que não querem cuidar e nem serem cuidadas, vivem como Martha - esporádicas paixões, solidão assumida e a certeza de que construir com suas mãos um caminho - no caso dela, glorioso - vale todo o vazio do leito, da mesa, da sala. E para compensar, Deus sempre coloca um vulcão na vida destas mulheres. Estes que perpetuam - não pelo tempo de vivência - mas, pela força da experiência, do amor sem limites, da entrega extrema e do enriquecimento mútuo, que vale a pena, sempre vale a pena.
Sunday, March 31, 2013
Primavera atemporal com Samuel
The Pillow Book by Peter Grennaway
E
como explicar o desejo?
A
flor que se abre – à revelia-
Sôfrega,
desvairada, atônita
Tudo
se reparte
Em
crisálidas mirabolantes
Parindo
estrelas adormecidas
Aos
borbotões
Bárbara Lia
Bárbara Lia
SEGREDOS DE BEM-TE-VI
Tu - raiz - incendiando os labirintos da flor
A canção o grito o silêncio os passos a dor
Pisando nuvens e atirando palavras febris
Bilhetes sépia pelas frestas, gestos sutis
Casa de fogo, asas de cera, seda e estrela
Versos ao vento de um lugar - nadie os busca
As paredes espelhadas de som, água e vela
Bilhetes flanando plenos de amor que ofusca
O bem-te-vi saúda a cada nova manhã
Gritos de desejo lacrados atrás da porta
Versos memórias peles com febre
terçã
A gritar a saudade louca desfraldada
Bem-te-vi a espiar pela janela torta:
O beijo do homem de sol e da mulher alada
Bárbara Lia
***
Éramos Eros: Cio miraculoso uníssono
Éramos Eros: Como respirar mesmo ar
In
Até secar o Sol (2012)
----
As palavras rolavam na grama e
molhavam o chão com o desejo enrustido
As palavras eu as colhia e
depositava entre as coxas - O fogo adiado
Bárbara Lia
---
Hoje à
noite eu o amo pelo modo adorável como ele me deu a Terra.
Anaïs Nin
SÉPIA
Minha luxúria é sépia
Habita estúdios de 1930
Estouro de purpurina
A cada flash do tesão
Minha luxúria - Polaróide
antiga
Imprime postais esmaecidos
Sorrisos em conta-gotas
Minha luxúria lacrou
O livro do amor
- utopia dos desgarrados –
(Adeus suspiros de Monalisa
Carícias de carpideira
Despedidas na soleira)
Minha luxúria é parto à revelia
Quando chegas com fórceps
Quando chegas com toques
Quando tocas meu clitóris
Quando roças meus mamilos
Quando afogas o amor
No mar dos improváveis
E ressuscitas o desejo
Retirando-me das entranhas de Eros
Pra me batizar com teu sêmen
Abençoado sêmen
Amém
Bárbara Lia
até secar o sol - 21 gramas
Humprey Bogart - Ingrid Bergman
d'hiver noir avec le bébé
ORGASMOS DE ÍRIS
Teus
olhos enlaçavam os meus
em orgasmos de íris.
Inflorescência de estrelas.
Sempre acordo antes do sol.
Agora, que comecei a te amar,
amanheço antes que o dia.
Espanto as Bacantes gélidas,
que seguem o perfume da tua pele-
lírio do recomeço.
Pedras
destilam a bílis
e a mágoa vai vazar em áridas notas
de um blues sem juízo.
As
sapatilhas – talismã – azuis
seguem- te em paralela senda.
A dez centímetros e um véu.
O mar recua ante teu passo,
estátuas vertem
suor ao teu lado,
dentro o sol, não te permite sombra...
... E teus olhos enlaçavam
meus olhos
em orgasmos de íris...
Bárbara Lia
in Noir (2006)
O amado na praia de mármore
BRISA
Entardecer lilás
brisa de raro fôlego
do deus das nuvens.
Pés descalços
liberdade de estar amando
na era dos mísseis.
Bárbara Lia
O sal das rosas
Lumme/2007
CONCHA ROSSA
Gosto dos sonhos feito filmes.
Peço aos anjos – Não me acordem!
Quero pisar algas, morangos, açucenas.
Leve flanar que só o sonho alcança.
Pensei haver sonhado aquele encontro
e raptei concha rossa naquela praia.
Dorme no meu quarto, na orla
do meu leito. Não foi sonho,
foi céu real. E o céu é eterno.
Bárbara Lia
-Revista Travessa dos Editores
edição de aniversário/2004
VIOLETAS BRANCAS
Sigo teus passos, feito asteca, sonhando
a terra eterna e rica – tua pele.
Pele de diários, onde leio a lua.
A maré suave que me enlaça nua,
a terra eterna e rica – tua pele.
Pele de diários, onde leio a lua.
A maré suave que me enlaça nua,
écharpe de brisa e aurora, corais gris.
Adeus soledade de pedra. Paloma triste
em vôo riste, ao longe.
O deus-do-sol-do-meio-dia, colibri azul
Adeus soledade de pedra. Paloma triste
em vôo riste, ao longe.
O deus-do-sol-do-meio-dia, colibri azul
da era atômica, é um sopro de luz e sons.
Sonhos delineados na tela fria.
O mundo sangra e transforma a garça
Sonhos delineados na tela fria.
O mundo sangra e transforma a garça
em íbis rubro. Leio um salmo antigo,
acordo em manhãs violetas. Tenho por companhia
um pequeno vaso de violetas brancas.
Bárbara Lia - O sal das rosas - Lumme/2007acordo em manhãs violetas. Tenho por companhia
um pequeno vaso de violetas brancas.
Friday, March 29, 2013
Madrugadas com Rimbaud
Stefano Bianchetti/Corbis
A vela acesa, o estábulo, o feno
O vento rutilante lá fora
Uma estação no inferno
Um grito dentro
Que ainda espanta
Em todas as catedrais
As pombas brancas
****
quando ele corria
pelos telhados de ardósia
as pombas arrulhavam
em ventania
seu casaco - vela sacudida
estremecia
a maré da monotonia
***
Dans L’air
Tínhamos a mesma idade
Quando vimos o mar
Este mistério de impaciência
Tínhamos a mesma impaciência
–
Rimbaud e eu –
Por isto
Pisamos telhados
Ao invés do chão
Por isto
Machucamos nossos amores
Com nossas próprias mãos
Por isto
As velas acabam na madrugada
Antes que o poema acabe
- Por isto, tão pouca a vida
para tanta voracidade -
Bárbara Lia
O rasurado azul de Paris
- Coleção Artesanal 21 gramas.
Thursday, March 28, 2013
Tuesday, March 26, 2013
Um outono com Camille
Para Camille, com uma flor de pedra. Poesias inspiradas na vida de obra de Camille Claudel. Escrevi em um outono. Imprimi na série de livros artesanais - 21 gramas.
Após receber o livro, Kátia Negrisoli traçou algumas linhas sobre os poemas. Nesta publicação em formato e-book ele traz a apresentação da Kátia Torres Negrisoli. A capa eu "roubei" da divulgação do recital do livro - O sal das rosas - no projeto Porão Loquax, pois ele tem a flor e a garota que lembra Camille jovem. O desenho de Brenda Santos - O sal das rosas. A rosa que é doada a Camille. A rosa publicada internamente é de Ane Fiúza. Minha amiga que ilustrou o livro - Noir. Estes diálogo femininos somados para compor este pequeno livro. Para Camille... com uma flor de pedra.
link para o livro no provedor ISSUU:
http://issuu.com/barbaralia/docs/para_camille_-_livro_artesanal_2
link para o livro no provedor ISSUU:
http://issuu.com/barbaralia/docs/para_camille_-_livro_artesanal_2
Saturday, March 23, 2013
Uma manhã com Shakespeare
Desdêmona - Rodolfo Amoedo
DESDÊMONA
Olhou-me como nuvem
A sugar os vapores
Da minha alma
Por que ele é meu deus
Guardei-o em um lago
Onde Iago
jamais chegará
Bárbara Lia
A última chuva (2007)
Mulheres emergentes ed.
|
Uma tarde com Dante
fonte:
Crucificar a alma da rosa no caos do sangue de uma geração que é sombra em si. No limiar do céu a rosa mística abre apenas para Beatriz. Liberar o humano só quando o Verbo ungir as catedrais e os estádios. Molhar as aquarelas, os palcos e o negro silêncio profundo dos megabytes.
Bárbara Lia
O sal das rosas/Lumme 2007
Inferno by Stradano - fonte wikipédia
“A liberdade de morrer”
As asas que tu me destes
Rotas de Invernos
Ancoradas na ausência
As asas desfraldadas
Em suicídio adiado
No parapeito viscoso
- Décima espiral do Inferno de Dante
Bárbara Lia
in A flor dentro da árvore
Thursday, March 21, 2013
Dia Internacional da Poesia - Os poemas que eu vestiria III
A ESTRELA PRÓXIMA
A poesia é
impossível.
O amor é mais
que impossível.
A vida, a morte loucamente
impossíveis.
Só a estrela, só a
estrela
existe.
- Só existe o impossível.
Orides Fontela
Subscribe to:
Posts (Atom)
La nave va...
Meus livros
https://www.editoracloe.com/product-page/50-poemas-escolhidos-pela-autora https://editorakazua.net/ https://www.loja.prosanova.com.br/olho...
-
Amedeo Modigliani Paris e um amor Ode de absinto E dança A voz de Piaf acorda As pedras de um beco: “C'est lui pour moi Moi pour lui...
-
Serviço: Lançamento da 2a. Temporada da websérie Pássaros Ruins Data: 11/09/2016 - Domingo Local: Cinemateca de Curiti...
-
Javier Beltrán (Federico García Lorca) e Robert Pattinson (Salvador Dalí) em uma cena do filme - Poucas Cinzas - que revi e voltei a sentir...
-
(Leitura poética de “Trato de Levante”) Livre. O poeta é livre. Canta Neruda com amor revolucionário. Depois que tanto...
-
Louis Garrel _ Cena de "La Belle Personne" de Christophe Honoré "O poeta escreve sobre oceanos que não conhece...
-
F rida inventou um novo verbo para dizer “Eu te amo”: Yo te cielo. Rimbaud queria reinventar o amor: L'amour est à réinventer. Quiç...
-
É incrível que elas tenham nascido na mesma data, Clarice em 10 de dezembro de 1920 em Chechelnyk, Ucrânia e Emily Dickin...
-
INSÔNIA Este é o século da nossa insônia Mentes plugadas em telas isonômicas Longe dos mitos e da cosmogonia Dopados de “soma” e ...


.jpg)


.jpg)










