Friday, July 12, 2013

Cenário Aroma de Anis



Kátia Torres Negrisoli vive em Adamantina. Nossas trocas poéticas sempre pelo mundo virtual ou via Correios deu um salto para este encontro em Curitiba. No cenário de um dos contos do meu novo livro _ Paraísos de Pedra _ O Café Express. Noite gélida e encontro para derreter a distância. Minha amiga de Adamantina é mesmo uma querida. Nosso encontro foi no cenário de um dos contos. Um conto antigo que reescrevi _ Aroma de Anis. Ali diante da Praça Santos Andrade. Em um café aconchegante. Bela noite poética. Valeu, Kátia.
***


fragmento de Aroma de Anis, Paraísos de Pedra _ Editora Penalux:


(...)

Em algum lugar Lá dança espalhando estrelas azuis.
Lá aonde eu nunca mais irei acalmá-la recostando no meu peito estraçalhado de amor sua cabecinha atordoada, enquanto ela repetia até adormecer:

Dói viver, dói viver, dói viver, dói viver...

Lá dizia que o gosto do céu é menta com chocolate.
Inverno de quase neve na cidade gélida, nossas bicicletas encostadas em algum lugar à nossa espera enquanto o sorvete derretia em nossas bocas ela repetia...

Céu! Este é o gosto céu: Menta com chocolate.

Em todos os invernos provarei o gosto do céu olhando o voo das pombas sentindo o aroma de anis de seus cabelos espalhados.
E um sopro suave à saída do Café Express me trará esta certeza: dela ao meu lado espalhando anis no ar com a ternura dos naufragados.

Bárbara Lia


Prédio da UFPR e ao lado fica a Praça Santos Andrade. Fotografia da Kátia. A que estamos juntas, pedimos para um moço bonito que estava no café tirar. Bela noite. Poesia de sabores e risos. ENCONTRO.


Thursday, July 11, 2013

Saturday, July 06, 2013

Shame

  _ Cena de Shame - Direção Steve McQueen  - Michael Fassbender e Carey Mulligan _



Respira fundo. Respira e entra no filme... Li algumas críticas. A sinopse nem ao menos toca no assunto _ incesto. Ninguém afirma, alguns dizem que existe uma insinuação de incesto e que o filme é sobre um cara viciado em sexo que não consegue ter uma namorada (no caso, uma colega de trabalho) e só faz sexo com prostitutas. Para mim soou mais nítido. Da primeira à última cena as reações dele à tudo que envolve sua irmã traz aquela sutil presença do amor homem / mulher. O silêncio, o desejo de não ouvir o que ela diz. E cena a cena ele vai revelando o que está em um lugar oculto, muito oculto. A interpretação dos dois atores é magnífica. Em alguns momentos do filme dá a impressão que algo já aconteceu entre eles. E que este momento criou aquela densidade e aquela tensão quando os irmãos se encontram. São conjecturas. O filme é sensacional por tocar em temas tão delicados e conseguir atravessar sem resvalar em nada pequeno. É sempre aquela tensão interior. Ele não diz a ninguém. Ele nem revela ao seu chefe que ele é o cara que baixa aqueles vídeos, ele não assume quando o chefe diz _ algum estagiário mexeu no teu computador... Os dois estão perdidos, isto é nítido. E não conseguem amparar-se por estarem a um milímetro do território proibido. E ver Shame no silêncio de uma tarde, com o sol agressivo depois de tantos dias cinzentos, dói mais. 
Prêmios são mesmo uma lástima. Em qualquer área. Não ter uma indicação ao Oscar, ao menos uma, mostra como é politicamente correta esta droga de Academia de Cinema. E daí se o assunto é incesto, e daí se o cara é viciado em sexo, e daí se ele anda nu metade do filme, se aquela menina linda consegue aparecer qual sua personagem, frágil, de cabelos descoloridos, pálida, a ponto de demorar um tempo para que eu percebesse que o filme era com ela.
Sim, eu sou desligada. Li sobre o filme e pensei em ir em busca dele. Mas, esqueci. Do nada, na casa da minha filha decido procurar filmes na tal Netflix e encontro o filme que invadiu a tarde de sexta-feira com um balde de água de beleza. Que bom saber que ainda fazem filmes como este. Que bom que existem diretores que não entram na linha politicamente correta, e ousam. Eles ficam sem os prêmios, e a Arte fica com a Beleza. E o que importa mais?
Premiam à exaustão filmes que falam de terrorismo. Isto sim é obsceno. A vida em si, o que somos nós como pessoas, as nuances da alma que a gente não compreende. Estas armadilhas na qual alguns caem e ficam sem saída. Tudo isto é humano. E não devia ofender mais que as guerras.
O filme não quer traçar nenhum caminho, provar nada, dar resposta. Mesmo o enredo. Não existem lições. E esta parte da vida é a mais rica. Para mim que não suporto mais tantas lições e tantas coisas tão redondinhas quadradinhas encaixadinhas buriladinhas. Para mim foi uma espécie de redenção...
Ponto para esta atriz que segue com uma surpreendente coragem. Para ela cai bem estes papéis de mulheres que são amadas mas não ficam com seus amores. Foi assim em _ Never Let me Go _ quando ela contracenou com Andrew Garfield. Foi também em _ Drive _ com Ryan Gosling, outro filme impactante, sem retoques, realidade crua lavada em humanidade. Foi em An Educacion que apresentou Carey ao mundo. Acho que ela tem um olhar de quem perdeu o amor. Tem lá dentro aquela tristeza embotada, uma mágoa que brilha, como se ela cobrasse do mundo o que lhe é devido. Ainda que não consiga. Ela cobra, encerra a dor na alma e depois dá aquele sorriso quase infantil. É uma estrela sem medo. Que escolhe estes papéis longe de estereótipos.
Este filme é de 2011. Eu sou aquela que vai narrando o que vê. E não ser crítica de cinema dá esta liberdade, não preciso estar em dia com a programação, apenas com tudo aquilo que lê e vê o meu coração.




Wednesday, July 03, 2013

La belle personne

Louis Garrel _ Cena de "La Belle Personne" de Christophe Honoré





"O poeta escreve sobre oceanos que não conhece". Disse Neruda. Chico escreveu Budapeste antes de conhecer Budapeste. Ouvi - um dia desses - Adriana Lisboa dizer que foi a Hanói pelo desejo de conhecer, e que já havia escrito o livro. Escrevo uma história e uma personagem puxa o fio até Paris. E senti uma vontade enorme de recriar poeticamente um homem francês assim, tipo Louis Garrel. Não aquele de "Os sonhadores", aquele de "La belle personne". Aquele homem apaixonado, angustiado, que se senta na escada diante do prédio da amada e fica à espera. Nem sabe que ela já deixou a cidade e atravessa o mar em uma barca, a espiar este distanciar de um lugar. Melhor que morrer é afastar-se da morte. E o amor é uma morte, lenta. É esta agonia que não cabe dentro da pequenez do ser. Quem tem juízo não vende a vida para ter alguém ao lado. Preferem eternizar algumas horas, estas que se transformam  território de moradia, casa aberta para sua visita. Viver duas ou três horas com quem se ama (em plenitude) e voltar ao banal é como manter o graal e saber que ele existe. E Louis Garrel é essa materialização do intocado. Paris, idem. A menina que criou vida em um texto meu. Reunir tudo isto vai demorar um pouco, vai me tirar do centro das coisas, deste mundo virtual onde não sei trafegar, eu confesso. Quem dera fazer as malas, desembarcar em Paris e sentar-me em um daqueles Cafés e ter esta mordomia que muitos tem, de deslocar-se fisicamente para o locais sobre os quais querem escrever. Eu não sei se isso traria um adendo. Chico e Adriana e suas falas chegam como uma brisa acolhedora para comprovar que posso criar um homem francês. Com carisma e paixão, qual o professor do filme "La belle personne", apaixonado por uma bela mulher que ele vai seguir pelas ruas, pelos corredores do colégio, pelos cafés, nadando na neblina de uma cidade fria, abduzido por ela, por ela que é daquele time de mulheres que saem de cena antes que esfume o encanto, estas que nunca ficam para recolher os estilhaço da beleza. As que deixam a beleza intacta. La belle personne.

Wednesday, June 26, 2013

Paraísos de Pedra _ lançamento dia 27 de Julho




A partir do dia 02 de Julho à venda no site da Editora Penalux.
Para quem está em Curitiba, tarde de autógrafos dia 27 de Julho.

Tuesday, June 25, 2013

fragmento de: A noite dos vivos _ Bárbara Lia



foto: Ricardo Pozzo (poeta, organizador do evento Vox Urbe _ Wonka Bar)

*

O homem sem sapatos trajando bermuda bege sobe na lateral do chafariz e conversa com o cavalo. Espero o amigo, anoitece. A lua crescente; a vida minguante. O homem diz ao cavalo as coisas do dia, seu dorso negro acaricia e se afasta para dizer em tom de brincadeira a frase tão verdadeira:
_ Mas, você é feio, hein?
A água não jorra, neste fim de tarde, do símbolo fálico do chafariz do Largo da Ordem.

Um cavalo que baba (goza?)... O que secou? O sêmen ou a lágrima? Muito estranho esse cara que fala com o mármore com intimidade de amigo. A água parada, a vida parada, o homem descalço a conversar com as pedras e eu a esperar o amigo... 

Paraísos de Pedra _ Bárbara Lia
Ed. Penalux
lançamento julho/2013

Saturday, June 22, 2013

Vinagre _ Uma Antologia de Poetas Neobarracos _ 2ª Edição _ Ampliada


http://pt.calameo.com/read/002515624634ef893c090


Organizada por Fabiano Calixto

Adalberto do Carmo,Ademir Demarchi, Adriano Scandolara, Airton Souza
Alberto Lins Caldas, Alberto Pucheu, Alex Simões
Alexandre Guarnieri,Alexandre Lettner dos Santos, Alexandre Revoredo
Amandy González, Ana Lucia Silva, Anderson Lucarezi, André Fernandes
André Luiz Pinto, Andréa Catrópa, Baga Defente, Bárbara Lia
Beatriz Azevedo, Beto Cardoso, Bettto Kapettta, Bruno Gaudêncio
Bruno Latorre, Bruno Prado Lopes, Caetano Minuzzo, Caio Fernando
Camila do Valle, Camillo José, Cândido Rolim, Carina Castro
Carla Kinzo, Carlito Azevedo, Carlos Antonholi, Carlos Eduardo Marcos Bonfá
Carolina Tomasi, Cecília Borges, Chris Oliveira, Cide Piquet, Cinthia Kriemler
Cláudio Portella, Danielle Takase, Danilo Tobias, Davi Araújo, Denis Moreira da Costa, Diego de Sousa, Diego Vinhas, Dimitri Rebello, Diogo Mizael
Dirceu Villa, Domenico A. Coiro, Donizete Galvão, DouglaSouza, DuSanto
Edson Bueno de Camargo, Eduarda Rocha, Eduardo Sterzi, Elaine Pauvolid
Emmanuel Santiago, Érica Zíngano, Fabiano Calixto, Fabiano Fernandes Garcez
Fabiano Maffia Baião, Fábio Aristimunho Vargas, Fábio Gullo, Fabrício Corsaletti
Felippe Regazio, Flávio Corrêa de Mello,Fred Girauta, Gabriel Pedrosa
Geovani Doratiotto, Gigio Ferreira, Giuliano Quase, Graça Carpes
Guilherme Gontijo Flores, Guilherme Salla, Hélio Neri, Heyk Pimenta,Igor Alves
Israel Antonini, Ivan Antunes, Jeanne Callegari, Jessica Balbino,Jéssica Chelsea Cassiano Alves, João Campos Nunes, Jorge de Barros, José Antônio Cavalcanti
Jota Mombaça, Júlia de Carvalho Hansen, Julia Mendes, Juliana S. Müller
Jussara Salazar, Katerina Volcov, L. Rafael Nolli, Lara Amaral, Leandro Rafael Perez
Leandro Rodrigues, Leo Gonçalves, Leonardo Chioda, Lisa Alves, Lucas Bronzatto
Luciana Miranda Penna, Maiara Gouveia, Makely Ka, Mamede Jarouche, Marcelo Ariel,Marcelo Noah, Marcelo Sandmann, Márcio-André, Marco Cremasco
Marcos Visnadi, Marcus Oliveira, Mariela Mei, Maykson Sousa, Micheliny Verunschk, Nairana Melo, Nícollas Ranieri, Nina Rizzi, Nydia Bonetti,Orlando Lopes, Paula Corrêa, Paulo de Toledo, Pedro Marques, Pedro Tostes, Rafael Courtoisie, Raphael Gancz, Renan Inquérito, Renan Nuernberger, Renan Virgínio
Ricardo Domeneck, Ricardo Pedrosa Alves, Ricardo Rizzo,Rodrigo Garcia Lopes
Rodrigo Lobo Damasceno, Rodrigo Moreira Pinto, Roque Dalton,Rosana Banharoli
Rosane Carneiro, Rubens Guilherme Pesenti, Rubens Zárate, Sandra Santos
Sérgio Bernardo Correa, Silvana Tavano, Simone Brantes, Takeshi Ishihara
Tarsila Mercer De Souza,Thadeu C. Santos, Thiago Cervan, Thiago Galdino
Thiago Mattos,Tiago Cunha Fernandes, Tiago Pinheiro, Tito de Andréa.Vânia Borel
Waldo Motta, Walter Figueiredo, Wladimir Cazé, Zeca Lembaum

Tuesday, June 18, 2013

o ódio pequeno...




O Ódio Pequeno


Bárbara Lia



A revolta do vinagre vai mudando tudo...
Desfaz o cenário, muda o panorama, interdita ruas, traz novos ventos, ignora as siglas.
A revolta do vinagre move as pessoas e remove a ferrugem de décadas, quiçá séculos.
A revolta acena como uma mãe na janela que diz entra...
A casa é tua, que bom que você voltou, estava sentindo a falta, um filho não deve viver no ar, no escuro, no chão, atrás dos muros...
Um filho precisa tomar posse da mesa, beber o leite tirado no dia, comer o pão assado pela manhã...
A revolta do vinagre mudou tanto em tão poucos dias...
Só não tirou o ranço do ódio fascista de alguns corações.
Como se todos despissem o antigo e atravessassem um rio para começar puros.
E alguns levassem aquela mancha antiga, o ódio pequeno aninhado na palma da mão.




Monday, June 17, 2013

Vinagre: uma antologia de poetas neobarracos



Link para a Antologia:

 Vinagre - uma antologia de poetas neobarracos

O Grito do Sangue Tupiniquim - Bárbara Lia



 O Grito do Sangue Tupiniquim - Bárbara Lia


Águas de maio de 68 nosso sangue
Barricadas e Bastilha nosso sangue
DNA de Guevara e Cohn-Bendict _
Nosso sangue _ DNA de Graciliano,
Pagu, Oswald. Sangue Tupiniquim
Sangue dos meninos mortos pelo AI-5
Marcha ao ritmo de “Grândola Vila Morena”
Desliza ao som de “A las barricadas”
“Há de ser outro dia”
“Caminhando contra o vento, 
sem lenço, sem documento”

E este vinagre nas mãos é tão inofensivo...
O sangue dentro _ este é o estopim e o grito _
Este ninguém tira de nós, ninguém tira de mim...


Vinagre: uma antologia de poetas neobarracos

Edições V de Vândalo, 2013








meu namoro com fulana foi uma trepada que durou 6 meses
minha trepada com beltrana foi um namoro que durou uma tarde

cacaso



Friday, June 14, 2013

18h no no Centro Cultural Brasil Moçambique - Maputo - 27/06


"Ousado projeto, grandioso, como compete a quem empunha a pena do "Luís de Ouro" ( Carlos Drummond de Andrade), "Camões, grande Camões" (Manoel du Bocage) e quer dizer ao mundo as novas armas e os novos varões assinalados que da ocidental praia lusitana; da americana praia brasileira; das africanas praias guineenses; cabo-verdianas, são-tomé-e-principenses, angolanas e moçambicanas; das indianas praias goenses; das chinesas praias macauenses; e das oceânicas praias timorenses; por mares, ares, sites navegados à exaustão, passaram ainda "além da mágoa" e "em esforços e guerras" — com a palavra — "conquistaram" novas formas de expressão." 

fragmento do prefácio de _Paulo Seben


A antologia _ A Arqueologia da Palavra e a Anatomia da Língua _ lançamento no Centro Cultural Brasil Moçambique. Organizada por Amosse Mucavele, lançamento em Maputo, no segundo semestre em várias cidades brasileiras. Estou lá entre os poetas lusófonos com dois poemas. 
Viva a Língua Portuguesa! 

Friday, June 07, 2013

Paraísos de Pedra - primeira aparição

Para ler um dos contos do meu novo livro, o link é este, disponibilizado pela Editora Penalux:

http://pt.calameo.com/read/0018123011f0e38e24a17





Um dia desses eu contava para a Fran Ferreira que, uma vez, fui escrever minha biografia e escrevi um livro erótico. Ao embalo de uma paixão por alguém erótico à medula, o livro começou _ História da minha vida _ e terminou _ Henry & June _ ou quase, um relato similar aos relatos de Anaïs Nin e Henry Miller. Quer dizer, o erotismo é sempre presente em tudo que escrevo. A Fran disse: _ Publica! Quem sabe...
Quem ler este conto disponibilizado pela Editora Penalux _ que é primeiro do livro _ vai pensar que está diante de um livro erótico, que nada! Sei que isto ajuda a vender, mas, não pratico a falsa propaganda. Algum dia vou fazer como Hilda Hilst e publicar uma novela pornográfica, o mundo vai conhecer minha poesia, enfim. Não apenas os amantes da Poesia, mas, o mundo. Por ora, fico com a ternura de ser quem é acolhida com seus versos, com ternura, sim. Sem nenhuma petulância, sem ser citada apenas por amigos (aliás, meus amigos estão distantes deste meu enredo poético e isto me deixa muito em paz) não cobro nada, não os quero dizendo que eu merecia isto ou aquilo, pois acho isto patético. Há quem precise deste tipo de bajulação, eu prefiro a luz verdadeira desconhecida. Despertar em quem nem me conhece uma fala, isto se chama _ reconhecimento verdadeiro. Ser adulada por política, ser indicada por contatos, ser alguém que usa de um _ podre e pobre poder _ para alçar escadas... Isto é para os fracos.
O meu livro de contos surgiu do meu desejo de narrar memórias da infância. Ainda que estas memórias estejam salpicadas de invenção e que eu as tenha transformado em uma quase ficção. O meu desejo foi possível neste diálogo com os editores da Penalux. Por esta razão, Paraísos de Pedra traz, na segunda parte do livro, o mergulho na cidade mais amada _ Peabiru. Com a poeira cristalizada de beleza e as estrelas eletrizadas no céu de antes, os passos de uma menina poeta, que nem se sabia poeta ainda. E, a saudade latente dos domingos no cinema, e dos quintais. Ah! Os quintais...
Este conto que a Editora disponibilizou abre o meu novo livro. O nono livro.


Friday, May 31, 2013

Onde andará Esmeralda Green? - Bárbara Lia







#
Desde menina eu levo este mundo debulhado em pele sangrada e urina em minhas costas: 


Cheiro de pólvora e crianças putrefatas. 

Este mundo viscoso, de óleo raro e mesquitas flamejantes, mantos brancos, negros, azuis, olhos de lince, 

olhos de cobra, olhos de harpias, olhos de demônio...

#



prosa poética da série: Onde andará Esmeralda Green? 


Bárbara Lia


Imagem: Girl in green - William James Glackens





Esmeralda Green?
É mais ou menos assim...
Fragmentos fora da ordem, anotações, poemas, livros inacabados, interrogações. Parte de uma pequena história plasmada para dar sentido ao caos. A Poesia no reino da ficção: Uma velha senhora aluga o sótão para moças solteiras para complementar sua renda parca. Por um tempo, lá viveu uma garota que pintou de verde o sótão, comprou cortinas, lençóis, enfeites verdes. A garota vestia-se de verde, pintava de verde suas unhas e todo o esplendor verde ficou lá quando ela se foi. Na cama ela esqueceu seu caderno de capa verde. Este é o legado de Esmeralda Green, o que restou da garota, entre o verde e o espanto.

Wednesday, May 29, 2013

Em julho...








Paraísos de Pedra traz narrativas da Infância da autora na cidade de Peabiru e contos que utilizam como cenário a cidade de Curitiba: Memória e Invenção. 
“Paradiso” trafega por locais curitibanos: A Feira de Artesanato do Largo da Ordem, o chafariz _ A fonte da memória _ do escultor curitibano Ricardo Tod que evoca os tropeiros que vinham a Curitiba para comercializar seus produtos transportados por carroças e mulas. Naquela época os animais utilizavam o pequeno bebedouro _ ainda existente _ no Largo da Ordem. O bar Sal Grosso _ reduto de poetas e artistas. O Café Express e a Confeitaria das Famílias. O Mercado das Flores, a Rua XV...
“Cinema Paradiso” utiliza títulos de filmes para narrar uma infância mágica vivida em Peabiru. Alguns garotos da cidade a denominaram _ Parisbiru. Uma cidade que tem o poder de cravar dentro da alma dos que ali viveram uma indescritível nostalgia que faz com que o pensamento sempre retorne para suas ruas marrons, para sua praça pequena e para os detalhes que fazem desta cidade uma espécie de paraíso perdido.
Os contos da maturidade tem a urgência de dizer: A vida escoa. 
Os da infância perdem-se em relatos da memória, longos como os dias em Peabiru. O sol ao lado, sempre.



A imagem da capa é do reporter fotográfico curitibano _ João Debs
O livro tem 110 páginas
ISBN 978-85-66266-34-3
Selo Castiçal, da Editora Penalux - Guaratinguetá (SP)

Sunday, May 26, 2013

Sonhatório - Fran Ferreira




aquilo que em mim sonha
de vinte a trinta de abril de dois mil e treze

Fran Ferreira




_

dia dois

abro la puerta al hombre de mis sueños, que traia
entre sus manos un ramallete de margaritas
presurosas, deshojo una a una cada flor
-... me quiere, no me quiere, me quiere... ¡no me
quiere! - y el definitivo pétalo se escurrió sin
esperanza entre sus dedos
el se fué muy triste, estaba ilusionado
comigo
yo me dormi de nuevo queria volver a soñar


--


Ontem no Café do Paço da Liberdade, dentro do Projeto Café, Leite-Quente e Poesia encontrei a Fran e o Adriano:

O livro de Poesia da Fran Ferreira, com o tema _ Sonhos _ e a apresentação do vídeo _ Sonhatório. Leitura de Poemas da Fran Ferreira e do Adriano Smaniotto, do primeiro livro do Adriano _ Arcano_ que, por coincidência, tem como tema _ Sonhos.
O Caderno Poéticas é organizado pelo poeta Rafael Walter, ele prometeu-me o Caderno publicado em homenagem ao Cláudio Bettega. Sempre uma emoção relembrar o Cláudio Bettega. Foi uma tarde poética, encontrar os poetas que já caminham há muito por esta estrada, como Batista de Pilar. Ouvir os poemas da primeira publicação da Fran. O enlace dos fios da poesia. Ando a publicar uma sequencia de sonhos, sonhos antigos, sonhos dos dias de hoje. Aquela vontade que brota ao ter um livro artesanal nas mãos. Depois do lançamento do meu livro de contos, vou retomar o projeto _ 21 Gramas. Amo tudo que é artesanal. Valeu Élisson Silva pela convocação destes dois poetas. Sempre uma alegria voltar ao palco do começo, onde há muito tempo também li meus poemas no Café do Paço. Valeu Fran Ferreira e Adriano Smaniotto. A Poesia segue, entre o sono e a vigília, retirando com as mãos úmidas de vida, os sonhos. Nossos sonhos.

Saturday, May 18, 2013

No sofá de Jung n° 2




**


Meu pai não era meu pai e minha mãe não era minha mãe. Éramos os três bem jovens em uma casa que nunca vi. Luis Serguilha, o poeta de Portugal, veio visitar-me. Em uma grande lanchonete deitamos em um sofá e nos cobrimos. Minha prima Gláucia viu o poeta e ficou paquerando-o, não quis olhar para mim e ignorou que eu estava com ele. Quando ela saiu eu a chamei. Ela teve um chilique e disse que era vergonhoso, nós dois ali, em um lugar público, como um casal. Saímos _ Serguilha e eu  _a andar pela cidade e súbito estávamos nadando em um mar verde jade e uma estátua de pássaro passou por nós, levando no dorso dois amantes. Parei para olhar. Serguilha dizia que devíamos continuar e eu fiquei abraçada ao imenso pescoço da ave verde _ de musgo e mar.

Bárbara Lia
9/6/2009

Friday, May 17, 2013

A palavra é Pedra.



Para Camille, com uma flor de pedra












Para Camille, com uma flor de pedra:



Este livro foi inspirado na vida e obra de Camille Claudel. Como olhar-se no espelho. Camille esculpiu Sakountala (O abandono) antes de perder o amor de Rodin. O encontro de dois artistas em potencial e a rejeição, a exclusão, que fez com que ela se fechasse em conchas e abdicasse de tudo sendo sepultada viva por sua família em um hospital de loucos, abandonada até a morte. Nada soa tão trágico quanto este choque entre os dois. Se Rodin viu nela uma sombra à sua Arte? É possível. Rodin com todo o seu valor não conseguiu superar a genialidade dela com suas Mãos de Deus. Mas, esta rejeição fez com que ela se consumisse no fogo como Sakountala e não renascesse - Fênix. Este estranhamento de ver o sepultamento em vida da beleza (dela) encontrou  ressonância em minha alma passional e insubmissa.
Para isto me nomeei irmã de Camille, em intemperança pura- Filhas de Sakountala. Vesti sua pele, usando de licença poética, nos poemas de   Hamadríade - a ninfa das árvores. Camille era belíssima e usava guirlanda de flores nos cabelos. No final da vida, para ressuscitar sua época de realeza, ela esculpiu o busto da ninfa e deixou que uma cascata de nenúfares rolasse por suas costas. A dor do amor e da perda que ela viveu com Rodin se concretiza em dura pedra. Algumas perdas e estranhamentos meus se concretizam em palavras, das pedras, a mais indestrutível. 
Náiade, ninfa da água doce. Em Náiade me visto de momentos e me cubro feliz nas noites com um lençol de nebulosas. Eco era uma Oréade (ninfa da montanha) . A ninfa Eco é a personificação perfeita deste momento do passado:  Desprezada por Narciso. 

Bárbara Lia


* No livro,  optei por manter os títulos dos poemas em francês, incluindo a poesia  RUE NOTRE-DAME-DES-CHAMPS. Neste endereço Camille vivia quando conheceu Rodin. As demais esculturas – SAKOUNTALA – (ou, O Abandono);  L’IMPLORANTE (A Suplicante);  L’ÂGE MUR (A Idade Madura);  HAMADRYADE  (Hamadríade); LE DIEU ENVOLÉ (O Deus que Voou) e NIÓBILE BLESSÉE (Nióbile Ferida).

O livro integra a "Coleção 21 Gramas". Projeto de 2010. Livros artesanais.

Friday, May 10, 2013

Paraísos de Pedra _ Bárbara Lia _ Editora Penalux


"Paraísos de Pedra traz narrativas da minha infância na cidade de Peabiru, e contos que utilizam como cenário a cidade de Curitiba. Memória e Invenção. Os contos da maturidade tem a urgência de dizer: A vida escoa. Os da infância perdem-se em relatos da memória, longos como os dias em Peabiru. O sol ao lado, sempre."
A _ Editora Penalux / Livros que iluminam _ abraçou a ideia e aprovou a publicação deste livro. No início do próximo semestre o lançamento de Paraísos de Pedra, minha estreia em narrativas curtas.
O título evoca a palavra "Paraísos", por trazer dois lugares, cidades onde vivi: Peabiru / Curitiba. Dois Paraísos. E na busca por uma imagem para a capa, vasculhando monumentos da cidade, encontrei o trabalho do repórter fotográfico João Debs. Em busca do bebedouro do Largo da Ordem, encontrei as fotos dele, uma delas _ A Ninfa da Praça Osório _ impressionou-me. Entrei em contato com João, depois de descartar as imagens do Largo da Ordem, conversando sobre a Ninfa, ele resumiu em algumas frases poéticas algo que assinalou a certeza de que a Ninfa era a imagem para o meu livro. Ele falou alguma coisa sobre, ser esta mulher desgastada, que se volta e lança seu olhar para trás. Ele não sabia que eu era esta mulher com a alma arranhada, rasurada e maltratada que lança um olhar sobre sua infância. É esta Poesia (nada do que faço escapa da Poesia) que a imagem representa. Paraísos de Pedra. Nos contos que tem como cenário _ Curitiba _ as esculturas e as ruas de pedra estão presentes. Por isto, meu livro vai narrar estes dois momentos. A infância de pedra (ainda que feliz) e os contos com cenários de esculturas e ruas de pedra da cidade onde agora eu vivo.
***



Fragmento de "A noite dos vivos"


(...)
Esse espaço de pedras é por onde passam os vivos. Réstias de frases cintilam em um espaço por onde caminhei hoje e ecoam em mim como notas de um piano antigo...
- Aquele professor de Geopolítica é genial...
- Eu não sei desenhar na pedra...
- Então... O que teu pai disse?...
Sair com uma frase incompleta de cada colisão com pessoas dialogando no caminho, um conto na cabeça, uma dor no pé de pisar pedras tortas. Depois, sentar no banco para ouvir o diálogo (monólogo?) do homem livre. Esperando o amigo que me disse um dia.
- Cansei de vomitar vinho Campo Largo.
Pedras raras ainda guardam vômitos de meninos como se eles vomitassem o sangue dos parasitas, dos falsos profetas, dos inquisidores, dos covardes.
O homem se despede e algo se move, como se o cavalo voltasse sua horrenda face (ele é mesmo feio) para se despedir do amigo. O único que se enternece e lhe diz boa noite, mesmo que depois diga:
- Como você é feio!
O mundo se parte ao meio e eu fico com o pedaço de mundo onde tem o Relógio das Flores (memória de um sonho como iluminura medieval), com as pedras lavadas do bom e velho vinho Campo Largo e o lampião antigo que acende para ajudar o pálido crescente - foice fosca do apocalipse - a iluminar a noite dos vivos.

Bárbara Lia - Paraísos de Pedra - Editora Penalux.

A Ninfa da Praça Osório _ João Debs

Erotic 4



Photographed by Inez van Lamsweerde & Vinoodh Matadin
Ryan Gosling  & Michelle Williams







 :: O desejo saciado é o céu que nos visita ::
 :: O desejo saciado é o amor envelhecido ::
O desejo é um velho sábio, que sacode o ar
E segue sua trilha morto de pena do amor _
Este impostor _ Que há séculos e séculos e
Séculos amém nubla esconde a dádiva mor
            _ Eu te desejo  e _ Tu me desejas
           Utopia não nos sacia... Só o desejo
           Só o desejo que chegou sem aviso
           Registro, AR _ telegrama onírico à
 Nossa frente _ A nos gritar para não adiar
 Teu desejo e Meu desejo _ Murmuramos:
       Eros nos Proteja! Nos Proteja! Amém!



fragmento do poema
Nunca direi te amo - Bárbara Lia

La nave va...

"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura

  "Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura da escritora Francine Cruz. https://www.youtube.com/watch? v=IxpCcdUM7...