Thursday, June 21, 2012

Um pássaro bica o arabesco...





Um pássaro bica o arabesco
De uma sacada na Av. Ipiranga
Quer o aconchego de um lugar
Do táxi, sinto pena da ave
Aconchego é luxo de quem é nu
Sem pluma, carta celeste e ar
Se eu tivesse asas, passarinho
Nada mais faria a não ser – Voar!

Bárbara Lia
2011


Wednesday, June 20, 2012

Bárbara Bandini


O magnetismo da vida de escritor está na marginalidade e na liberdade. Pergunte ao Pó trouxe o mito sonhado. Resumo da espécie: Bandini. Dinheiro apenas para um café, saltar a janela do quarto pra fugir da dona do hotel e levar sempre com ele a revista onde foi publicado seu único conto. Amar a garota que faz pouco caso dele, cuidar dela até o fim. Quem abandona a amada é covarde e covardes não nasceram para escrever grandes livros. Volto ao mito Bandini, espero a primavera e chuto o balde da facilidade. Na verdade, nem é preciso.
Ontem li alguns debates sobre o novo edital da Bolsa FUNARTE. Agora a Bolsa de Criação Literária é para iniciantes. Quem publicou mais de dois livros com ISBN não pode enviar um projeto.
Perdi o prazo do Portugal Telecom, pois esqueci o bendito ISBN e faltavam três dias. A flor dentro da árvore não concorreu a nenhum prêmio. Agora tudo que tenho é para a Saúde. Plano de Saúde, remédios e cuidados pra tentar não morrer tão cedo. Isto não permitiu me inscrever no Jabuti. Falta de grana e excesso de idade que não permitiu participar do concurso da Revista Granta. Tudo agora é controlado e mapeado por números e a ARTE não pode ser tolhida, encaixada em idade ou registros de livros ou coisa que o valha. Ver autores tentando aceitar e acatar e lutar por estas pequenas migalhas que o sistema atira na tentativa de calar uma classe, já calada, me entristece. A outra via é via de Piva e Marcos Prado. É produzir a poesia genial que vai ser reverenciada após a morte. Entre ser agraciada com espaços regrados e bolsas/esmolas, prefiro a segunda via. A vida de Bandini, a via dos poetas renegados... A grande confusão é que sou Mulher e em um mundo Homem, é mais um espinho. É o que faz te arrancarem com ódio da carne da Poesia. No final da história, no corpo da Poesia  eu sou uma cicatriz. Na pele do lugar onde vivo o corte foi mais profundo. Alguns tentam negar e negar a existência da poeta. Até ver a marca nítida. Esta presença que é corte e grita. Chama mais a atenção que toda a pirotecnia do todo. E sigo, Bandini, pela vida. Quase despejada, sucateada por alguns, sem apoio da família (exceto os filhos): Em resumo, VIVA!

Tuesday, June 19, 2012

Eterno!


Em Março tirei esta foto durante o Show do Chico Buarque em São Paulo. Noite passada sonhei que tocava  violão e cantava uma canção do Chico. Acordei e esqueci a canção. Hoje é aniversário do Chico. Valeu, poeta! A eternidade é tua, mas, ainda assim desejo de alma muita paz e saúde para tecer poesia pela VIDA.


Peabiru em meu coração

Foto- Luiz Cesar
 (1961-2010)




O poeta Fábio Sexugi criou uma página = Memórias Peabiruenses = 
Nela um pequeno relato de memórias amoráveis desta cidade pequena e mágica - Peabiru. Preciso descobrir qual menino da minha cidade, em um momento poético a nominou - Parisbiru. Para quem lá viveu é ela a nossa cidade-luz. 

Monday, June 18, 2012

Alone/Enola








Alone/Enola  


A solidão 

É o avião

Que leva

A BombaAtômica


Bárbara Lia 


Friday, June 15, 2012

Manequins de Chernobyl



 

aço nas almas
olhares blasé
falsos sorrisos
marrom glacê
passarela fria
manequins
de Chernobyl
contaminam tudo       
em miséria radioativa
vidas vazias
feito script
de novela das oito
que passa às nove

 Bárbara Lia
2012

Tuesday, June 12, 2012

O homem




O homem é o animal mais carente da Terra. Esconde-se entre paredes e vive em grupos. Atualmente o bicho homem está no nirvana, pois existe um mundo onde ele se esconde entre pequenos espaços onde basta clicar – aceito – curti – compartilho - e lá está o bicho homem inserido no universo, aceito, aprovado e louvado. O bicho homem é o único que nasceu para ter um diferencial, por conta de algo que lhe foi doado – o raciocínio. Não tem rotas celestes impregnadas em sua gênese como os pássaros. Não tem a sabedoria das abelhas e nem a paciência das formigas. Tem apenas um bloco em branco à sua frente e quando ele nasce começa a ser aquilo que todo homem é – um narrador. De ato em ato vai narrando seus passos, vai inscrevendo sua vida e vai assimilando os códigos. O bicho homem já nasceu ferrado, pois vários livros se abriram à sua chegada e ele vai ter que obedecer muitos mandamentos: A família vai dizer coisas, a igreja vai dizer, a escola vai dizer, depois a roda de amigos, depois os filósofos se ele se interessar. Muitos não chegam ao patamar maior dos códigos humanos, muitos morrem sem conhecer – os poetas. Alguns passam a vida no vislumbre do belo, à sombra de uma beleza, em nostálgica angústia ao perceber que está perdendo algo, sem saber o que está perdendo. São estes olhares opacos que os fotógrafos captam em suas andanças. São estas vidas sem códigos, quiçá os mais felizes, quiçá os mais cansados da liberdade de existir.  O bicho homem precisa desviar de vírus vários  e eles estão em todo canto. Mas, não escapam destes vírus coletivos e tentam se integrar às leis. Por outro lado, os criadores das leis vivem se arvorando em deuses, em julgamentos vários. Não dá para contar quantos morreram por conta do julgamento humano, da falta de poesia, da suprema petulância dos que se colocam acima em um patamar medíocre a apontar o alvo. As flechas todas caindo em chamas em alguma cabeça que ousou pensar livre. Lá onde não existe o facebook, as siglas e as instituições. Neste lugar onde mora a rosa virgem e o cordeiro branco. As flechas caem, tudo é vermelho em um instante, um coração transpassado, mais um morto pela alcatéia faminta. Mais um pra validar o pensamento de Camus – Não há que se temer o  julgamento de Deus, quando se conheceu o julgamento dos homens.
O animal humano vai sair pela noite, vai fechar todas as portas do seu carro, vai entrar em sua garagem e acionar todos os alarmes, vai trancar todas as fechaduras de sua porta e vai cerrar as cortinas. Vai brilhar numa tela imagens que são de gelo, impenetráveis e inodoras. Ainda assim, ele vai se sentir feliz e vai sorrir. Inserido no universo comunitário a la admirável mundo novo. Todo mundo já tomou sua pílula Somma e todo mundo vai despir a alma para se tornar um, apenas mais na matilha, este feliz animal humano.

Bárbara Lia
junho de 2012

Sunday, June 10, 2012

Canção da rapariga inglesa para Álvaro de Campos





O Daily Mirror estendido sobre a mesa
A dor que chega à galope - de surpresa
Morreu o poeta futurista, engenheiro naval
Está de luto um País, chora Portugal


As pernas tremem o coração dispara
Odeio por segundos a vida cruel e avara
Que nunca o trouxe de volta a esta porta
E despejou a notícia - esperança morta


Sabes, por acaso, o que é o amar em Glasgow?
Tem aura lúdica, sopro de ancestralidade mítica
Entra na alma o amor e cola de forma granítica


Por isto o último lugar onde a ele acenei – Window
Blue – permanece qual na tarde da nossa despedida
Cortina de renda azul e um girassol que é uma ferida


Bárbara Lia

Da série de sonetos - O fim do futuro. Diálogo com Fernando Pessoa (e heterônimos).
Mais sonetos no link abaixo:

Friday, June 08, 2012

os poetas




"Os poetas contemporâneos são céticos e desconfiados até, ou talvez sobretudo, de si mesmos. Só com relutância confessam publicamente ser poetas, como se tivessem um pouco de vergonha. Mas em nossos tempos estrepitosos é mais fácil reconhecer nossos erros, ao menos se estiverem atraentemente embalados, do que reconhecer os próprios méritos, pois estes se mantêm ocultos mais no fundo, e nós mesmos nunca acreditamos muito neles... Quando preenchem fichas ou batem papo com estranhos - ou seja, quando não podem deixar de revelar sua profissão -, os poetas preferem usar o termo genérico "escritor" ou substituir "poeta" pelo nome de qualquer outro trabalho que façam, além de escrever. Burocratas e passageiros de ônibus reagem com um toque de incredulidade e alarme quando descobrem que estão tratando com um poeta. Creio que os filósofos enfrentam reação semelhante. Contudo, estão numa posição melhor, pois na maioria das vezes podem ornamentar seu ofício com algum tipo de título universitário. Professor Doutor de Filosofia: isso sim soa muito mais respeitável.
Mas não existem professores de poesia. Afinal de contas, isso significaria que a poesia é uma ocupação que requer um estudo especializado, exames regulares, ensaios teóricos com bibliografia e notas de rodapé anexadas e, por fim, diplomas conferidos com pompa. E significaria, em troca, que não basta encher páginas de poemas, mesmo os mais primorosos do mundo, para tornar-se um poeta. O fator decisivo seria um pedaço de papel que traz um selo oficial. Lembremos que o orgulho da poesia russa, o futuro ganhador do Prêmio Nobel Joseph Brodsky, foi certa vez condenado ao exílio em seu próprio país justamente com base nessa idéia. Chamaram-no de "parasita" porque não possuía o certificado oficial que lhe assegurava o direito de ser poeta.
Há muitos anos, tive a honra e o prazer de encontrar com Brodsky. Notei que, de todos os poetas que eu conhecia, ele era o único que gostava de se chamar de poeta. Pronunciava a palavra sem inibição. Ao contrário: ele a falava com uma liberdade desafiadora. Isso devia ocorrer, é o que me parece, por causa da lembrança das humilhações que sofreu na juventude.

Em países mais afortunados, onde a dignidade humana não é agredida tão facilmente, os poetas almejam ser publicados, lidos e compreendidos, mas fazem pouco, ou quase nada, para se situarem acima do rebanho geral e da roda-viva do dia-a-dia. No entanto, ainda não faz tanto tempo, os poetas se esforçavam para nos escandalizar com suas roupas extravagantes e seu comportamento excêntrico. Tudo isso era só para encher os olhos do público. Sempre chegava a hora em que os poetas tinham de fechar a porta atrás de si, despir suas capas, seus penduricalhos e outras parafernálias poéticas e enfrentar - em silêncio, com paciência, à espera de si mesmos - a folha de papel ainda em branco. Pois, no final, é isso o que de fato conta."

Fragmento do discurso de Wislawa Szymborska quando recebeu o Prêmio Nobel, o discurso na íntegra pode ser lido aqui

Thursday, June 07, 2012

Una pizca de su ADN




Uma pitada de seu DNA. Tenho certeza que tenho uma pitada do DNA de Violeta Parra em mim - Pássara sem plano de voo.

Tuesday, June 05, 2012

Amar, Verbo Atemporal


Amar, Verbo Atemporal: 50 poetas brasileiros vivos e 50 poetas nascidos entre 1623 e 1897 integrarão esta Antologia organizada por Celina Portocarrero, editada pela Rocco, que será lançada no dia 6 de julho na FLIP.  Integro a Antologia com a Poesia inédita - Umbrática Nuvem. 
Cem poemas de Amar. Machado de Assis e Euclides da Cunha entre os "poetas do passado". Curiosa para conhecer os outros nomes dos poetas antigos, aqueles que meu pai amava. Adriana Lisboa, Andre de Leones, Bruna Beber, Ramon Mello, Marco Lucchesi, Thereza Christina Roque da Mota entre tantos outros poetas. Todos os poemas dos poetas atuais são inéditos. Aqui da cidade - Curitiba - Eu e Estrela Leminski. 

"Doce como o massacre de sóis"




“Doce como o massacre de sóis”



Oito canhões na praça de guerra
Apontam para o peixe
Que traz a paz nas guelras

Quatro gaivotas suicidas
Lambem o babado azulado
Do triste mar-flamenco

Lembro um filme de Babenco:

Ana e o vôo
Mariposas no quarto lúgubre
Suas mãos em concha
A esmagar a eternidade insalubre

Monday, June 04, 2012

Para Camille, com uma flor de pedra



Nióbide blésse




À sombra da noite clara
Latona no meu encalço
Espectros da última primavera


O Rio Loire, um duplo do Aqueloou
Meu Monte Sípilo é Ville-Èvrard
Onde endureço carne e alma


Delírios brancos, visões:
Escunas leves com velas de vidro
E tombadilho de pétalas
Estilhaçam na roupa cinza
Ferem-me, beijam-me – qual o amor


Meu ódio espelha o trágico
Anseio que o mundo petrifique
Qual Zeus petrificou Tebas


Sonho com o anjo da restauração
Acordo. Nada se restaura

Tudo igual:
Cama dura de ferro
Urinol fétido, trincado
Três tâmaras secas
Dois gatos no cio a quebrar
O silêncio arredio da madrugada


Os loucos acordam com vislumbres de luz
- Átimo de lucidez.
Acenam lenços de seda à Latona fria
Choram um beija-flor e já no corredor
Vestem o olhar vazio.

Andam autômatos como rios mortos
Deságuam cinzas
No jardim de Ville-Èvrard.

Bárbara Lia
Para Camille, com uma flor de pedra
21 gramas/2010


Saturday, June 02, 2012

O sal das rosas / Constelação de Ossos


O sal das rosas e Constelação de Ossos - À venda na Livraria Cultura - aqui - os demais livros da coleção artesanal e A flor dentro da árvore sob encomenda através do meu endereço eletrônico - barbaralia@gmail.com


O poeta Márcio Davie Claudino escreveu sobre o livro - O sal das rosas - para ler acessar o site:


O poeta Darlan Cunha escreveu sobre o romance - Constelação de Ossos - para ler acessar o blog do Darlan Cunha,  neste link:



Na coluna Lançamentos da Gazeta do Povo,  uma nota sobre Constelação de Ossos:
"A escritora paranaense Bárbara Lia, mais conhecida por escrever e publicar textos poéticos, surpreende com uma longa narrativa em prosa, fluente e lírica. Constelação de Ossos é uma trama narrada por uma personagem chamada Lynx, para quem as experiências dolorosas do passado parecem ser uma âncora que a impedem de seguir em frente. Metáforas e sonoridades inesperadas conduzem o leitor da primeira a última palavra, em um fluxo contínuo." (Gazeta do Povo - 30/01/2011 - Caderno G)

21 gramas











Dans L’air



Tínhamos a mesma idade
Quando vimos o mar
Este mistério de impaciência
Tínhamos a mesma impaciência
– Rimbaud e eu –


Por isto
Pisamos telhados
Ao invés do chão


Por isto
Machucamos nossos amores
Com nossas próprias mãos


Por isto
As velas acabam na madrugada
Antes que o poema acabe


- Por isto, tão pouca a vida para tanta voracidade.

O rasurado azul de Paris
Bárbara Lia
volume 15 da Coleção 21 gramas






H

Foto Kátia Negrisoli
Detalhe da capa do livro e fragmento do poema Sakountala - Para Camille, com uma flor de pedra. Volume 17 da coleção 21 gramas. Apresentação de Kátia Torres Negrisoli. Capa de Brenda Maria Santos - http://oscaprichosdemaria.blogspot.com.br/


21 Gramas é o meu inventário poético, coleção de poesia publicada de forma artesanal para registrar as poesias que não estão - ainda - em livros impressos de forma tradicional. Ao final da minha seleção, que iniciou em 2010, a coleção 21 gramas engendroou 21 livros com mais ou menos 21 páginas cada livro. Por encontrar interesse entre os leitores de poesia que acompanham minha caminhada, imprimi mais de 300 pequenos livros, conforme ia formatando a coleção e dialogando com poetas, leitores, companheiros deste caminho poético.

Tuesday, May 29, 2012

outono



Outono em Paris - fonte: wikipédia



Folha de plátano
baila ao sol

Acha crepitante
desaba no solo triste

Epitáfio da folha:

Não desapareço
feito espuma nas ondas

Regenero o solo
com ternura feroz

Para colorir azaleias,
gardênias e girassóis

Bárbara Lia




Friday, May 25, 2012

Ernest Hemingway e Martha Gellhorn





 

MARTHA GELLHORN ON LONELINESS

I have my own medicine against loneliness reaching the degree of despair: I read. I read as one swims to shore—when reading anything, I am not there, and therefore not alone; I am somewhere else, in the book, with those people. Probably the reason I read mainly novels; I join other lives. And also when writing because then too, I am not there, not me, not this special mass of blood and flesh with all its tedious problems; I am a conveyor, a tool, I am living in the lives I am making. Beyond these two medicines, I have nothing. But once you accept being lonely, dearest Betsy, it becomes much easier; one is not frightened of being alone.



_ Uma produção da HBO: Hemingway e Gellorn - O escritor e sua terceira esposa durante a Guerra Civil na Espanha. Deve demorar a passar em nossos cinemas, quem sabe... No Salão Internacional do Livro eu perguntei ao Eric Nepomuceno - Em que momento os poetas e escritores deixaram de ser a voz de seu povo? Ele considerou isto um ponto positivo, aqui no Brasil. Que bom que não precisamos mais ir pedir apoio ao Chico Buarque ou Niemeyer... Sim, vivemos outro momento. Diferente dos dias obscuros. Sim, é neste ritmo que gira a roda viva. A Palestina perdeu seus maiores representantes - Mahmoud Darwich e Edward Said. O que tentei dizer, mas, naquele instante não encontrei palavras, é que os poetas não são mais ouvidos pelos "donos do mundo", ao menos é o que penso. A Globalização foi a pedra que matou a Beleza. Darwich era respeitado por outros grandes homens, bem como Said. No entanto, nem toda a Poesia e a Clareza de suas mentes, nem a obra dos dois e toda poesia palestina não foi suficiente para mudar o panorama que segue segundo as leis globais. Os acordos que acabam sempre pendendo para o mesmo lado. Uma pena. O mundo perde a chance de ser mais humano e a voz dos poetas ninguém ouve mais.

Uma Poesia na Flip





**

"Umbrática Nuvem" na Antologia - Amar, Verbo Atemporal. Em fase de edição pela Rocco. Uma Antologia de Poemas de Amor organizada por Celina Portocarrero. Ela entrou em contato e pediu uma poesia inédita. Envolvida com os dois últimos romances que escrevo, a Poesia fica esperando ali, atrás da porta. Falta material. Os poemas chegam aos poucos. Da última safra, os sonetos/diálogos com Fernando Pessoa que o Rascunho publicou em Março, a poesia premiada no Prêmio Cataratas e alguns poemas de amor. Quem não tem uma paixão engatilhada nas veias pingando versos em conta-gotas? Foi desta minúscula produção que extraí este poema - Umbrática Nuvem - registro mais que belo de uma paixão.
O Lançamento da Antologia vai acontecer dentro da Flip (Off Flip).

Tuesday, May 22, 2012

Dalton


(Presente do meu amigo Pedro Carrano. Escritor e Jornalista, trabalha no Jornal Brasil de Fato. Livro de bolso de aspecto rústico, a capa com o mesmo papel do miolo. Amo livros de bolso... E livros artesanais.)


Uma manhã quando entrei na antiga Livraria Guerreiro o Eleoterio Burrego segredou com o entusiasmo nas dobras da voz, ele que é uma pessoa calma e maravilhosa - Faz um minuto que o Dalton saiu daqui. Eu disse- Jura? Eu não confessei o meu pouco entusiasmo em querer conhecer quem não deseja ser conhecido como cidadão comum e nem falar com quem não deseja falar com estranhos. Ainda assim, ficou aquela aura de mistério: O Dalton havia passado por ali. Sei que ele anda como um cidadão comum. Usa calça jeans, uma camisa simples xadrez e um boné. É assim que imagino o Dalton, como o fotografam à revelia por aí. Parabéns ao escritor. Um passo a mais em um caminho pleno. Uma lição. Que os livros belos apareçam e que os escritores se recolham. Só o que escrevemos importa. Curitiba no mapa e o frio enlaçando nossa alegria. Viva Dalton!
Vencedor do Prêmio Camões 2012.

Monday, May 21, 2012

Bárbara Lia / Remedios Varo #5

Remedios Varo - Visita ao passado



“O silêncio como um oceano laminado”


Garras negras da morte
Farpas azuis da noite
Branca coruja de tocaia
Minha mãe rezando
Na sala
Meu pai fazendo
Um cigarro de palha
Bárbara Lia
A flor dentro da árvore (2011)

La nave va...

"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura

  "Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura da escritora Francine Cruz. https://www.youtube.com/watch? v=IxpCcdUM7...