Thursday, November 23, 2006

TECENDO ESTRELAS DE VAN GOGH





TECENDO ESTRELAS DE VAN GOGH


Estrelas escorriam da tela na solidão do museu
Aparei gotas de céu em minhas mãos
Enovelei-as e possui por um tempo
Estrelas abrasadas de loucura
E o azul mais azul que pode o azul ser


Museu de Nova Iorque em delírio
Corre-corre. Alarmes. Vigias
Não revistaram minhas mãos
Um céu enovelado que me aquece
E apaga – primaveras sem teus beijos 
Invernos de angústias


Teci um manto de estrelas emaranhadas
Um manto enfeitiçado
Das estrelas da noite do artista
Tenho mãos de fada e tenho tanto amor
Quanto essas estrelas deslumbradas


Quando chegar aquele que amo
Com seus olhos - que são para mim - música
E para outros - mel
Quando ultrapassar a escura porta
E se quedar no branco leito...
Eu o cobrirei com o céu

BÁRBARA LIA




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