Monday, December 31, 2012

Borges & eu






"Deus no orvalho" é o título de uma poesia dedicada a Jorge Luis Borges que escrevi no início deste século, com o passar do tempo voltei a citar Borges em alguns poemas. Reuni estas poesias em um livro de apenas 20 páginas e este pequeno diálogo com Borges está na coleção de livros artesanas - 21 gramas. No feriado prolongado eu coloquei este livro em um site provedor - ISSUU... O título do livro é o da primeira poesia que escrevi para Borges - Deus no orvalho - link para o livro:


http://issuu.com/barbaralia/docs/deus_no_orvalh1

Wednesday, December 26, 2012

2012



Sonetos no Rascunho - Março/2012

Polêmico e nosense para tantos, poético e terno para mim. Ainda bem que foi assim, só a Poesia visitou meu MUNDO - Meu pequeno santuário é a Palavra e meu coração só bate por amor extremado. Feliz 2013 e até lá.
Antologia - Amar, Verbo Atemporal
Minha Poesia "Umbrática Nuvem"
neste livro organizado por
Celina Porto Carrero
(Ed. Rocco)
                                                                            Poesias do livro - A flor dentro da árvore
                                                                                                               no site Musa Rara
                                                                                                                                                         Março/2012




Lançamento do livro
A flor dentro da árvore
Dezembro em Porto Alegre
Castelinho do Alto da Bronze


O conto "Aquela Viagem" integra a Antologia;
Ocultos Buracos - Pastelaria Editora
lançado em Lisboa em outubro/2012
Fragmento da minha poesia - Cigarras no apocalipse
n
a

Exposição: Volva
de Andrea Nardi, Eleonora Gomes,
 Lourdes Duarte, Milena Costa e Raquel Camacho.
Museu Alfredo Andersen
Muito Especial 2012 - Em Maio fui a Foz do Iguaçu - esta Maravilha da Natureza - em Agosto fui ao Rio de Janeiro para participar do lançamento da antologia - Amar, Verbo Atemporal e no início de Dezembro a Porto Alegre para lançar o meu livro de poesia - A flor dentro da árvore. Um ano lindo, pleno de horas únicas. A Poesia tem me levado a lugares, recantos, livros, encontros. Estes enumerados aqui são os de 2012. Em 2013 tem mais...
A produção literária migrou para a prosa, um romance concluído, outro iniciado. Que logo encontrem editores. A Poesia segue no ritmo poético dos trens antigos. Segue lenta e suave por uma paisagem solitária, em alguns dias me visita e em outros debanda para corações menos cansados. Bárbara Lia cansada de guerra, com a vontade de voltar a ser aquela loba, leoa, mulher que enfrentava TUDO. O tempo vem soprar esta humanidade implacável, o corpo estanca em um tempo de dor que enche o saco, mas, ao final, não impede que o verbo frutifique, que os livros aconteçam, que o poema permaneça, e que brotem nas madrugadas inconclusas, com o perfume inesquecível que só o poema tem. 


/


Visita ao Salão Internacional do Livro - Foz de Iguaçu;
Premiação Prêmio Cataratas - 2° Lugar
Maio / 2012





Monday, December 24, 2012

um poeta fictício



O personagem se chama Julio (Josep Maria Domènech) pai do personagem Juan Antonio (Javier Bardem) no filme Vicky Cristina Barcelona. Na cena onde Vicky (Rebecca Hall) e Juan Antonio chegam a sua casa, ele os recebe com entusiasmo, perguntando sempre por Maria Helena (Penélope Cruz) a ex do moço que o pai admira. O que vem a seguir é para deixar qualquer poeta pensando. Juan Antonio conta para sua acompanhante que o pai é Poeta e jamais publicou seus escritos. O pai considera que o mundo não merece a Beleza da Poesia. Penso neste poeta fictício... Ainda que ele tenha se livrado das agruras do meio literário, valeu a pena reter a Beleza? Se é que eram belos seus versos. E quanto à sua filosofia estranha? Afinal, o mundo merece ou não merece ter acesso aos versos dos poetas? E um vento provocativo rapta de um dia distante um verso que li, no tempo da felicidade, quando eu ainda não estava perdida nesta caótica arapuca que se chama - mundo literário - dois versos de Jorge de Lima, do poema n° 4 daquele livro - Anunciação e Encontro de Mira-Celi:

Os grandes poemas ainda permanecem inéditos,
e as grandes palavras dormem nas línguas secas.

2012 foi o ano polêmico. Polêmico no Jabuti, e agora com esta premiação a um livro de Drummond no Prêmio da Fundação Biblioteca Nacional. Não dá para entender mais nada. Como sou quase bruxa, sabia que não devia me angustiar, gastar com inscrição para o Jabuti, tentar o Portugal Telecom ou este Prêmio da FBN que por pouco não enviei - A flor dentro da árvore. Enquanto não mudar esta postura das editoras de grande e médio porte e não passarem a publicar Poesia Contemporânea e enquanto não existir uma divulgação maior. Enquanto a Poesia seguir como este pequeno animal desconhecido, não adianta. Se pintar um Drummond na área, adeus para todos nós. Posso estar errada, mas, a maioria dos jurados gosta do que é palatável - principalmente no Jabuti. No fim de tudo o que o velho pai do moço bonito do filme fez foi precipitar o inevitável. Algum dia ele quedaria ao cansaço da falta de senso. E nem todas as mudanças e a tecnologia alteram esta verdade que evoca a 3º Lei de Newton: Toda força que um corpo recebe é conseqüência da força que ele aplicou. Se tua Poesia tem força, fique preparado para receber golpes inesperados de todo lado. Sem contar a falta de carinho e cuidado com que grande parte do mundo literário e as grandes editoras tratam os poetas deste tempo...

Tuesday, December 18, 2012

A Poesia virou uma puta em uma cidade bombardeada






Para vender livros é preciso alardear felicidade de placebo... Particularmente não gosto do estilo de Martha Medeiros, mas, um país que acompanhou alguém que escrevia assim: "Escuta: eu te deixo ser, deixa-me ser então" (Clarice Lispector), agora devora livros e livros e aclama quem escreve assim: "De toda a minha literatura, você é a minha melhor página." (Martha Medeiros). Coisa mais adolescente o que escreve esta mulher e todo mundo compra e todo mundo lê. Duas frases que falam de amor ou amado. A diferença está na potencialidade humana de quem diz um mundo em poucas palavras. Eu te deixo SER. Tudo está implícito em um pensamento. Densidade de Clarice. É proibido ser denso neste tempo. Está fora de moda mergulhar no humano, ninguém quer chegar perto do coração selvagem - dói. Esta vida virtual deste milênio trouxe a todos duas caras. Uma é aquela que se tranca no quarto, no banheiro, na casa e se vê nu, olhar de pássaro ferido, dúvidas na retina, medo... reflexo das almas verdadeiras. O outro rosto é qual Avatar - Azul. Uma máscara de igualdade, uma máscara de tola felicidade que todo mundo exibe, alardeia, publica... Viver (não) ultrapassa (mais) todo entendimento, Clarice... Todo mundo entende, dá receitas e jura pelos anjos da nova era (que os antigos anjos verdadeiros debandariam aos gritos diante de tantos corações falsos) juram diante de anjos fakes que tudo está em seu lugar. Eu, que não compreendo, eu que não visto azul Face, fico assim: Colhendo o espanto, escrevendo sobre o que ninguém quer saber. Dor? Pra quê? Para quem? Poucos conseguem acompanhar e conviver com o paralelo angustiante do meu grito, quiçá o rapaz que abre o meu livro e diz - Lembra Orides Fontela. Luz dentro, se é assim, é assim... Segue a poesia plena de cínicos signos, a prosa para curar por meia hora os corações civilizados. Nunca mais Clarice, Hilda, Fontela, Ana C. Tristes tempos, tristes trópicos e haja Água Viva para matar a sede verdadeira. Literatura sem humanidade é água no deserto, oásis imaginário - tremula, fascina, te faz correr, se atirar na areia e depois tudo desaparece... Fica mesmo as agulhadas sem piedade destas mulheres magníficas. Depois delas, quem tem coragem de apagar-se como estrela cadente para tentar gravar algum verso que diga - Viver dói, eu sou espectro neste mundo, o amor nunca me visitou, ou, ontem eu recolhi a Poesia e nela havia uma centena de cuspes mal cheirosos, em uma cascata branca e perfumada de jasmins, a lavei inteira... Ela estava quase morta de ser usada por tantos como uma puta em uma cidade bombardeada... O corpo dela pleno de arranhões que ela infligiu para tirar de si roupas que não são suas. Ela não estava feliz comigo e nem com ninguém. Disse a ela que vou dar um tempo em tudo, quem sabe um dia nos reencontremos no crepúsculo de um dia mais ameno. Ela seguiu renovada e leve, tal qual eu a vi pela primeira vez. Fiquei com um nó na garganta, quis dizer que ia ajudá-la, não pude prometer nada. Por causa dela, também estou a morrer. E vou continuar vendo a replicante figura dela, sem aura verdadeira, em todo canto... Acho que antes de dobrar uma esquina larga, ela se virou e sorriu...
Bárbara Lia
18/12/2012

18 h no Bar "O Torto" depois do Apocalipse - Bárbara Lia








Picasso



(...)


O pesadelo da noite seguinte foi amenizado pela presença de Samuel, um rosto conhecido no meu sonho. No meu pesadelo estranho ele costurava a pele de um homem branco como a aurora, bem na altura do coração. Aos pés do homem uma infinidade de harpas negras. Os gestos de Samuel eram frenéticos. Uma agulha grande com um fio cirúrgico tecendo em ritmo alucinado uma infinidade de pequenos “xis” no peito do homem, unindo peles separadas. O sangue do homem era ralo, vermelho pálido. Eu me comunicava com Samuel qual me comuniquei com o pássaro do sonho anterior – telepaticamente. Ele me dizia que o sangue dele era ralo, pois ele era fraco como as árvores jovens. Estagnado de amar e sem coragem para nada. Samuel dizia que são os fracos que engendram o apocalipse. Que eles não dão seu sangue e ossos para o mundo, que eles não acenam para as naus que partem e nem as esperam no caís quando regressam com a vitória ou a derrota. Os fracos aceitam as marés e os ventos. Os fracos são notas musicais em uma fictícia partitura. Eles compõem a Sinfonia Negra das Vidas Perdidas. Uma lágrima caia pela face bronzeada de Samuel enquanto ele narrava. Ele segredou que odiava os fracos, os que levam a vida como quem quer se livrar dela, aqueles que aceitam os falsos dogmas para não questionar nunca. Não se debruçam sobre suas almas, não descem ao porão viscoso das verdades que cada qual guarda dentro de si. Enquanto fazia aquele pequeno sermão sobre os covardes, ele chorava. Cada lágrima fervia e evaporava como se a pele dele súbito se tornasse o Etna. Outra lágrima caiu e era granizo, mínima pedra de gelo. E então brotou a lágrima viscosa, sêmen aperolado. E o rosto dele foi sendo banhado de todo líquido, amalgamando em estrias de fogo e gelo e ao redor a vida semeada nas gotículas de sêmen. Indaguei se não se incomodava em jorrar seu sêmen pelos olhos e ele sorriu e iluminou a cena. A sutura no peito do homem branco não impediu que uma harpa rasgasse a pele logo abaixo e caísse aos pés dele eletrizando sons entre Lá e Sol. Era um trabalho vão, mas, Samuel ajoelhou-se, tomou a agulha e retomou o trabalho. Cerzia a pele rasgada com as mãos ensanguentadas e os olhos jorrando lágrimas. Lágrimas de gelo e água fervente, sêmen cristalino, visgo de orvalho, gota de chuva, neve do Himalaia, urina de pássaro, sumo de jabuticaba. Os olhos dele em uma miríade de cores em uma simbiose estranha. Após cada lágrima o rosto dele voltava a ser de novo aquela limpidez divina de pele firme e lisa, de barba recém-feita, de covinhas tentadoras, de cicatrizes eróticas.

(...)

Fragmento do romance inédito -  Bárbara Lia

(Quando descrevi este sonho da garota sem nome, o velho que tinha a pele costurada foi inspirado neste quadro de Picasso. Pensava nele enquanto escrevia sobre o homem frágil que tinha a pele rasgada por harpas negras... O livro tem como personagem central uma garota que cai do viaduto e perde a memória, Samuel é o policial encarregado de desvendar o mistério e descobrir quem ela é... Este romance escrito neste ano tem toques de realismo mágico, a Literatura Fantástica batendo na porta... Pode entrar)


Saturday, December 15, 2012






“Toda coberta de insidioso musgo”


Sol magenta de maio
Alma dos ancestrais
No corredor
As goiabeiras
O relógio cuco
O mundo tinha musgo
No chão
Nas paredes
Nos alfarrábios
O mundo inabitado - Esquecido
Que se fecha sem ruído
Em saudade - Evapora
Azul de signos
Molhado de lágrimas

Bárbara Lia 
in A flor dentro da árvore


Wednesday, December 12, 2012

A flor dentro da árvore - poesia bárbara lia





foto - kátia torres negrisoli

O amor nos tempos do cólera

"Solitário entre a multidão do cais, dissera a si mesmo com um toque de raiva: 'O coração tem mais quartos que uma pensão de putas'." - O amor nos tempos do cólera - Gabriel Garcia Márquez


O ano termina. Um dos momentos sublimes deste ano foi no dia das mães, no encerramento do Salão Internacional do Livro em Foz do Iguaçu onde fui receber o Prêmio Cataratas (2° lugar), ouvindo Eric Nepomuceno contar sobre a sua amizade com Gabriel Garcia Márquez. A leitura deste livro em 1995 reascendeu o meu desejo antigo de escrever romances. Aquela sensação de menina - quero narrar histórias como estas que fazem as pessoas entrarem em outro lugar e acompanhar outras vidas. A proximidade de Eric Nepomuceno com o amigo é narrada com a ternura de quem sabe que a lâmpada do tempo tem prazo de validade, para todo mundo. O que resta dos grandes escritores geniais é justamente esta vida/livro, como  se eles permanecessem vivos e eternamente ao nosso lado. Este romance em especial me cativou muito. Não consegui ficar tão deslumbrada com Cem anos de solidão. Fascinada com Florentino Ariza, seu amor secular, sua espera instigante, sua vida atabalhoada à espera de um único instante. 




Javier Barden no papel de Florentino Ariza





Bárbara Lia in Noir, sept ans plus tard:



Guardar a malha branca
Despida entre seios e dentes
- Relíquia –

Qual personagem de Garcia Márquez
Que comprou o espelho do restaurante
Na noite em que ele refletiu a amada

Tuesday, December 11, 2012

a flor dentro da árvore em porto alegre

Os outros Quixotes do evento - dia 07 em Porto Alegre: Sandra Santos - curadora do evento - sua trajetória poética nos escritos e na vida podem ser lidos aqui - o escritor de Atos de Paixão (dramaturgia) - Túlio Henrique Pereira, cuja trajetória literária pode ser conhecida aqui - e a artista plástica Rosane Morais. E eu, com o livro de poesia - A flor dentro da árvore. Minha trajetória poética aqui


Poetas de Poa:

Eliane Marques

Alexandre Brito


Juliana Meira

Sidnei Schneider e "A flor..."


Túlio Henrique Pereira e eu


Sunday, December 09, 2012

E a flor vai para...


Rosane Morais em sua exposição "Retrospectiva" suas obras de Arte - à flor da pele - e os meus poemas - a flor dentro da árvore. Um diálogo inesperado para mim. Ela vestia um vestido/convite. Até as pedras do pequeno castelo transpiravam poesia na noite do dia 07.



- Rosane Morais -

MPB para completar a noite no Castelinho... Renato Borba teclando... Não era noite ainda e a música enchia o ar. 



Juliana Meira - Uma poeta e(m) Flor



O Castelinho do Alto da Bronze tem duas pequenas torres. Em uma delas o Túlio Henrique Pereira com seu livro - Atos de Paixão - e na outra torre eu com - A flor dentro da árvore. Nos andares inferiores a exposição da Rosane Morais, ao lado os músicos e acima de nós um céu quase noturno que ao final da noite abençoou-nos com a chuva fina - Uma festa!


_ Pausa para um Café no Parque da Redenção com Ana Cristina Gonzales e Sidnei Schneider - Sábado para ver Porto Alegre.





                              Festa para Mãe Oxum ontem, dia 08, dia dela que é Padroeira de Porto Alegre


-flores amarelas na orla-



Túlio & Sandra e o momento de mergulhar nas raízes do Rio Grande do Sul - Maravilha!



E a flor vai para...


Em primeiro lugar uma flor para Emily Dickinson. Ao pensar - flor - vejo as pétalas vermelhas das flores do dia do evento que vieram comigo para casa. Estou aqui. Estou aqui, de novo, estou aqui. Estou em Curitiba e o cinza é para lembrar que o sol e o Guaíba e os sorrisos estão estancados no plano da memória desta viagem surpreendente. Em primeiro lugar uma flor para Emily Dickinson, que foi para ela este livro, foi por ela este livro. Em segundo lugar uma flor *livro* para Sandra Santos que há quase um ano disse - Você precisa lançar este livro no Castelinho. Os adiamentos tantos para, finalmente, lançar o livro em Poa. O convite que permitiu o encanto e os encontros. Obrigada ao Túlio Pereira, companheiro de lançamento e cafés pleno de interrogações e trocas sobre nossos possíveis passos, novos escritos e os planos... Se cada escritor pudesse fazer cair na alma dos que podem permitir estes sonhos materializados. Onde estão os Mecenas? Nunca mais um Renascimento. Não entendam Mecenas como - as leis do mecenato - é neste espaço de possibilidade que estancam os "donos do pedaço" os que não estão olhando esta fatia de ternura: dois poetas confidenciando em um café, dois escritores à beira do lago, duas mulheres tentando encenar um texto maravilhoso no palco. Haja dinheiro público vazando para quem - muitas vezes não precisa ou muitas vezes coloca ele (o dinheiro) como o fator principal de sua arte, muitos que só estão nessa por terem proteções e apadrinhamentos - Sim, eu sou radical. Sim, eu estou cansada. Cansada de ver poetaços sucumbindo ao cansaço de não encontrar a mínima alameda, nenhum caminho, nenhum lugar. Cansada de ver poetas encerrados em seu próprio ar até murcharem como as flores de estufa abandonadas, todas as portas fechadas, todas as portas...
E voltando ao Porto Alegre... Obrigada às meninas poetas - Eliane Marques e Juliana Meira. Ao Cesar Pereira que evocou os velhos dias, seus passos dentro da Poesia Concreta, na sacada de um Castelo de Pedra. Um abraço ao Alexandre Brito que evoca a densidade dos meus versos. Obrigada a todos daquele dia 07, enfim. Os fragmentos de falas a valsar como aquela chuva fina. A partilha. Uma carícia essencial do Sidnei Schneider e da Ana Cristina Gonzales que foram anfitriões em um sábado lindo, um amigo de ouro o Sidnei, contemplar o Rio Guaíba, sentar em um café no Parque da Redenção e encontrar - ao acaso - Armindo Trevisan. Ganhar de presente uma aula sobre Arte, assim, em uma tarde de sol, diante de uma catedral gótica. Ah! O lançamento. Dois autores, uma artista plástica, muitos risos, a chuva que nos pega de surpresa ao final da festa. Comemorar. Comemorar. As imagens? Sim - As fotografias. Por enquanto alguns momentos que registrei. Dentro em breve mais imagens do evento.

182 anos do nascimento de Emily Dickinson nesta segunda-feira.
92 anos do nascimento de Clarice Lispector. 
Aniversário da Sandra Santos no dia do evento.
E eu me sinto presenteada. 

O lançamento foi especial, loas à Poesia, Pura alegria.
Ah! e os músicos com Renato Borba enriqueceram a noite com a mais bela MPB.
E burburinhos de chuva & champanhe.
Passos de fantasmas de outro tempo.
Poesia em pequeno castelo de pedras.
Sem Pedra no Meio do Caminho.
Quase um ano da impressão de _ A flor dentro da árvore_ 
E a quem ofereço estes versos arquitetados dentro do silêncio? Ao sublime arquiteto que neste momento está deslocando as estrelas para compor suas curvas nos astros. Uma vontade de dizer: Niemeyer, que pena que não somos eternos. Isto causa esta dor e estranheza, merecias a eternidade neste mundo... 
Mais fotos dos lançamentos - de "A flor dentro da árvore" e "Atos de Paixão" de Túlio Henrique Pereira. Imagens da Exposição Retrospectiva de Rosane Morais, assim que possível.


Thursday, December 06, 2012

Uma flor, um castelo...

          O poeta chileno Leo Lobos no - Castelinho do Alto da Bronze - Porto Alegre



Uma trégua de alguns dias aqui na minha página. Vou para Porto Alegre e volto com notícias do lançamento do livro - A flor dentro da árvore. Pela austeridade e nobreza de Emily Dickinson muito bom lançar este livro, que é uma espécie de reverência a esta poeta incrível, neste espaço tão lindo. 

Fêmea!

Matisse





Gostei imensamente de ler a dissertação de Mestrado de Adriana Lopes de Araújo - Solidão Calcinada e Constelação de Ossos entre os livros estudados para compor - A REPRESENTAÇÃO DA MULHER NO ROMANCE CONTEMPORÂNEO DE AUTORIA FEMININA PARANAENSE - a orientadora: Profª. Drª. Lucia Ozana Zolin. Outras duas autoras neste estudo - Bebéti Gurgel e o livro - Pecados Safados - e Karen Debértolis e o livro - A estalagem das almas.



No texto me detive no quadro "Fases da literatura de autoria feminina paranaense" - Estas fases estão assim colocadas. A primeira fase - Feminina (1859-1944) com Júlia Maria da Costa: Flores Dispersas - Volume I e Volume II e Didi Caillet: Reviver. A segunda fase - Feminista (1944-1990) com Didi Fonseca: Ele, Pompília Lopes dos Santos: Abismo e  Iracelina Torres de Toledo e Souza: Uma Trajetória. A terceira fase - Fêmea (a partir da década de 1990) com Bárbara Lia: Solidão Calcinada e Constelação de Ossos, Bebéti do Amaral Gurgel: A quem interessar possa, O diário Secreto de Carolina e Pecados Safados, Karen Debértolis: A estalagem das almas, Eliane Somacal: A maldição, Maria Paula Ramos de Assis: Quando florescem as azaleias, Paola Rhoden: Caminhos sem volta e Dezessete anos e Silvia Peregrino de Freitas Rocha: A sacerdotisa.

Muito bom ler a classificação da minha escrita - Fêmea. Esta volta ao estado bruto adornada com a evolução e a roupagem de nossa época. Já não queremos ser as que vão podar os passos do macho que subjugou-nos por milênios, queremos ser a docilidade fera, a partilha em tudo, e isto é muito bom. Ainda não existe espaço para esta postura em nosso mundo. Fico me perguntando se um dia haverá. Quando Rita Lee canta - Eles amam as loucas, mas, se casam com a outra - está definindo o destino destas mulheres que tomam pra si seu destino, caminho, escolhas (inclusive de afetos, companheiros, amantes, etc.) esta falta de lugar no que diz respeito às relações, ou não... Alguns caras já assimilaram a nosso liberdade com tudo que ela tem de bom. Mas, apenas alguns... É preciso ser muito macho para encarar uma fêmea. Mas, não macho no sentido latente do imaginário latino-americano. Ser macho dentro, macho no âmago, aquele que olha de igual para igual e sabe que cada um tem a sua essência de vida e que é dentro desta essência bruta que mora esta possível partilha. É isto, mas, era para escrever sobre uma tese, de mestrado, era sobre personagens de ficção, no entanto, o autor que inventa não diz o que há de humano em nós.  A humanidade a gente não inventa a gente vive. E não dá para negar: Escrever é colocar a alma nua sobre a mesa. A mestranda ao relatar minhas personagens relatou esta mulher inteira. Esta que rompe com o patriarcado, que toma para si o próprio destino. Este é o meu grito. O estudo dela fala sobre este direito ao Grito. Ainda sem saber se alguém nos ouve e, se ouvindo, vai traduzir o que nossa voz quer dizer, ainda assim - Gritamos. Pois, mesmo com direito ao Grito muitas mulheres se calam e seguem com a roupagem das bisavós, é mais fácil, é mais cômodo. Da minha parte não abro mão da minha parcela de liberdade de ser mulher e livre e abraçar o tempo e romper as barreiras que conseguir e seguir batendo com a cabeça na parede daquelas barreiras que não consigo demolir. Eu sou assim... E as personagens dos meus livros, também...

Sunday, December 02, 2012

aquecendo os tambores...


Sexta-feira (dia 7) em Porto Alegre o evento de Dezembro no Castelinho do Alto da Bronze Espaço Cultural - Lançamento de - A flor dentro da árvore.


Grata aos sites que divulgaram o evento - Solda Cáustico:
http://cartunistasolda.com.br/2012/11/23/castelinho/

e Site Germina em sua coluna - classificados:
http://germinaliteratura.blog.uol.com.br/

Aos poetas Sidnei Schneider e Sandra Santos - Obrigada!

Saturday, December 01, 2012



A Editora Vidráguas (Carmen Silvia Pressoto e Ricardo Hegenbart) criaram a página - Vidráguas - dentro do Facebook. A Loja Virtual Vidráguas dentro do aplicativo Likestore. Nesta página é possível encomendar o meu romance - Constelação de Ossos - publicado em 2010.