Wednesday, August 03, 2005

Campos de trigo








Os campos de trigo continuam azuis a florescer pássaros
e acalentar o pão que aquece a alma de quem ama
e de quem não ama.
Os campos de trigo seguem embalando a lua com
uma sonata ao futuro sem fome.
Os campos de trigo esqueceram Van Gogh e seus corvos
pois não há mais dor no homem, é tudo realidade consentida.
Não há mais um espanto diante do existir,
morreu o sorriso sábio de quem ergue sua obra para que o mundo
floresça em primaveras, que o artista não pôde viver.
O maestro com a batuta, o poeta com sua lapiseira grafite nº7,
Van Gogh e seu pincel derramando estrelas e sustos.
Nem mil girassóis de Van Gogh vão calar a dor que assola
Ninive, Candahar, Bagdad, O sertão, O chão desumano da Pátria,
Nigéria, Haiti, Etiópia...
Os campos de trigo não aceitam mais espantalhos,
como os homens não precisam mais proteger o coração
para que o amor não os atinja,
pois o amor foi sepultado na última primavera.
Espantalho de braços abertos,
colorido, alardeando um campo-minado-coração,
foi varrido pelas máquinas da indiferença que regem
o sarcástico-mundo-cão.
Os campos de trigo...
Indiferentes, seguem solares, seguem em chama,
espalhando grãos, dançando ao vento das almas ignaras.

Bárbara Lia

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Entre a Ternura e a Vertigem o Amor encontra a sua casa. Ou, o Amor em dois tempos.

  Sou Poeta. As “antenas da raça” desabam antes que o raio penetre, pela extremada sensibilidade. Antecipam. Sou dos “antecipados”. Dos que ...