Tuesday, June 30, 2009

Milk - A Voz da Igualdade


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Lembro de estar passeando por uma grande avenida de São Paulo, depois de passar a manhã com a poeta menina Rebecca Loise, entre a fumaça do café e as palavras que eu lia da escrita potente e bela de Rebecca. Lembro de passar diante de um cinema e ver o cartaz de Milk, da vontade de entrar, depois seguir adiante. Só vi Milk agora. E as comportas se abriram. Ressonâncias. O preconceito tem raiz eterna. Alguns avanços, mas, a mesma marca a mesma sanha a mesma manha mascarada de alguns que seguem com aquele olhar que escolhe. Milk libertou anjos e demônios. Na noite calada, outras cenas, outros tiros, outras manipulações, outras Anitas.


Viver é assustador

Em San Francisco

ou San Salvador

Milk queria viver

falar de amor

ao amanhecer.


Milk a Voz da Igualdade
Diretor: Gus Van Sant
Roteirista: Dustin Lance Black
Elenco: Sean Penn, Emile Hirsch, Josh Brolin, Diego Luna, James Franco, Alison Pill,

Monday, June 29, 2009

enquanto isto lá em Salvador...



Um convite do João Filho para o lançamento do seu novo livro - AO LONGO DA LINHA AMARELA, ao lado de mais dois autores - Marcos Dias e Aninha Franco.

Sunday, June 28, 2009

Emily!



Voltada cem por cento para o Universo de Emily Dickinson - Foto do quarto da poeta em - The Homestead - Casa onde Emily Dickinson viveu e onde atualmente é o Emily Dickinson Museum.


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I’m Nobody! Who are you?

Are you — Nobody — Too?

Then there’s a pair of us?

Don’t tell! They’d advertise — you know!



How dreary — to be — Somebody!

How public — like a Frog —

To tell one’s name — the livelong June —

To an admiring Bog!



(c. 1861)

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Não sou Ninguém! Quem é você?

Ninguém — Também?

Então somos um par?

Não conte! Podem espalhar!

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Que triste — ser — Alguém!

Que pública — a Fama —

Dizer seu nome — como a Rã —

Para as palmas da Lama!



Poesia de Emily Dickinson traduzida por Augusto de Campos - do livro NÃO SOU NINGUÉM (editora Unicamp). Matéria do Portal Cronópios:

http://www.cronopios.com.br/site/lancamentos.asp?id=3425

Diante da janela, o roseiral

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Testamento enterrado

à sombra do roseiral:
Deixo meu violão

para a balconista da padaria.

A erva benta

para a velha do sobrado.

A chaleira

que chia Villa-Lobos

para Frei Gustavo,

que costura almas

nas manhãs de quarta.

O livro de poesia

de Augusto dos Anjos,

para o cobrador do expresso 022.

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Assinado:
A menina dos olhos tristes.

Chico me chamava de Carolina,

mas era só um disfarce.

Sou eu a menina

que viu o tempo passar na janela,

sem ver.

Bárbara Lia

O sal das rosas - Lumme Editor, 2007

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Ontem pensei nesta poesia e tive saudades das roseiras da minha mãe - diante das janelas da sala.

Saturday, June 27, 2009

espaço leonardiano


clique na matéria para ler


Sopro de Deus

Sigo distraído e breve - piedade na alma,
opulência no calabouço.

Sigo sereno, neblina me abraça.
Meu corpo um jarro de esperanças.

O amor - única navalha que me corta.
Aprendi que somos sopros de Deus - instantes.
p. 18


O sorriso de Leonardo

Estou aglutinando em uma página as poesias e as alegrias do meu primeiro livro lançado em 2004. Enquanto escrevo um romance - sem título definido - e um livro de poesias que deve estar pronto até setembro... e participo da oficina do núcleo sesi de dramaturgia... é isto e otras cositas más.


http://www.barbaralia.blogspot.com/

Wednesday, June 24, 2009

estante #21

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Frei Betto enviou-me seu último livro, com a dedicatória:
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Bárbara,
Muita fome de justiça.
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No ritmo do tempo e da História o Brasil vai se acomodar e jamais os arquivos da ditadura serão abertos. Dizem em matérias parcas que a ditadura foi ditabranda. Os registros dos sobreviventes traz a realidade. Fernando de Brito, dominicano, encarcerado com Frei Betto e Ivo Lesbaupin, mantinha um diário na prisão. Publicado pela Rocco - Diário de Fernando - Nos cárceres da ditadura brasileira, abre o leque do cotidiano. Frei Fernando entregou ao amigo Betto o seu diário e Betto escreveu um novo livro. Difere do outro livro de Frei Betto - Batismo de Sangue. É uma câmera que segue os passos de Fernando, sua visão e os questionamentos de sua alma. Proibidos de celebrar missa, improvisavam. O momento sublime onde os frades celebram a missa com bolacha Maria e Ki-suco está no filme Batismo de Sangue de Helvécio Ratton. Batismo de Sangue abrange um universo amplo, a vida no convento, a decisão dos frades de aderir ao movimento de resistência, a prisão deles por estarem ligados à ALN de Marighela e sobretudo o desenlace cruel com a morte de Tito, que não suportou as rachaduras de sua alma, imposta pela tortura, pelo exílio. O diário de Fernando está contido entre as grades e isto traz um desconforto ao leitor, mas, também abre a cortina da dor e escancara a realidade crua e nua. Quatro décadas depois, os carcereiros e torturadores seguem suas vidas, sem responder pelos atos de crueldade. Abaixo, alguns fragmentos do livro, pinceladas de momentos dos frades na prisão. Não vou publicar aqui no meu azul cenas de torturas. Estão no livro, na pele dos torturados, estão inscritos no passado recente da Pátria como mancha que não se lava.
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fragmentos:
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(Um grupo de jovens frades dominicanos de São Paulo se engajou na resistência à ditadura. Presos em 1969, a tortura levou um deles à morte: Frei Tito de Alencar Lima. Outros três - Ivo, Fernando e Betto - permaneceram quatro anos na prisão)

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Durante quase quatro décadas, apenas duas ou três pessoas sabiam da existência de um outro documento, inédito, de inestimável valor histórico: o diário de prisão de Frei Fernando de Brito. Ao longo de quase quatro anos, Fernando muniu-se de coragem e dedicação para registrar o dia a dia no cárcere. Obstinado monge das catacumbas anotava em papel de seda, em letras microscópicas, o que via e vivia. Em seguida, desmontava uma caneta Bic opaca, cortava ao meio o canudinho da carga, ajustava ali o diário minuciosamente enrolado e remontava-a. No dia de visita, trocava a caneta portadora do diário com outra idêntica levada por um dos frades do convento. O risco era permanente, sobretudo em decorrência das frequentes revistas a que éramos submetidos, em especial ao nos dirigir às visistas e nos retirar de volta à cela. (...)
Como registra Fernando neste diário, ainda que desconfiassem da caneta que o acompanhava às visitas, ela escrevia, e as suspeitas dos carcereiros estão longe de superar a imaginação criativa dos encarcerados. Do mesmo modo que se deu vazão a este diário, saíram também através de nós denúncias de torturas, de assassinatos e das condições prisionais.
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Betto passou vinte dias como eremita involuntário em cela solitária. No cômodo de 3x1 cabia apenas uma cama. Não havia água nem sanitário; era-lhe permitido ir ao banheiro apenas uma vez ao dia, às 8h. Para controlar os intestinos, amassava a comida até virar papa. Nos primeiros dias, urinava num canto da cela. Depois, graças à embalagem de plástico da firma que fornece laranja à PM, sobremesa de todos os dias, passou a colecionar saquinhos, que cheios de urina, retornavam vaziaos de sua única ida ao sanitário.
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Com o laudo deste médico, o juiz autorizou o diretor a permitir que, durante o dia, eu fique fora da cela e ajude na enfermaria.
Para minha saúde, o efeito não tem sido promissor. Os fantasmas que povoam a minha mente persistem. No entanto, facilito o contato clandestino entre os presos políticos. Levo recados orais e bilhetes entre os pavilhões, inclusive para a ala feminina. Marlene Soccas, a dentista, fixa o bilhete em minha arcada dentária, no espaço antes ocupado pelo molar, arrancado há tempos.
Semana passada vivi um aperto. No banho de sol um companheiro entregou-me um bilhete; ajustei-o no lugar do molar. Zezinho, chefe da carceragem apareceu; irônico pediu o bilhete que eu tinha na boca. Como insistisse, fiquei bravo, reagi sério: "Eu exijo respeito. Se acha que estou com o bilhete, me denuncie ao diretor. Mas pare com essa provocação!" Ele afinou e deu as costas; mais que depressa, engoli o bilhete.
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Ivo escreveu carta de quatro folhas. O censor o convocou, disse que o regulamento só permite duas. Ele dividiu as quatro em dois envelopes. Pagou selo em dobro, mas o regulamento foi cumprido! E depois dizem que Kafka exagerou em seus escritos...
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Julho de 1971
Morreu o pai de Elza Lobo. Dr. Marconi Júnior permitiu-lhe passar ao pátio da ala masculina e autorizou a descida do Betto para consolá-la. Os dois caminharam juntos cerca de uma hora. Dia seguinte, levada à Auditoria Militar, Elza foi interrogada pelo juiz. Queria saber detalhes da conversa com Betto. Não acredita que falaram da fé na vida eterna.
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Setembro de 1971
Nosso julgamento iniciou-se às 10h de segunda, 13. O promotor falou duas horas; os advogados das 14h às 17h30. A defesa prosseguiu, dia seguinte, por mais quatro horas. Mário Simas encerrou com a leitura do poema de Drummond, "A noite dissolve os homens", dedicado a Portinari.
O juiz não permitiu a apresentação de nossas testemunhas de defesa: alegou "escassez de tempo".
Viva a ditadura!
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Todos sentiríamos como inestimável prêmio lotérico ver o próprio nome incluído na lista de presos a serem trocados pelo embaixador suiço. Exceto Tito. Recebeu a notícia como mau agouro. Nenhum traço de alegria relampeja em seu rosto, em contrataste com a euforia dos demais contemplados com a iminente liberdade. Nosso confrade reflui-se a uma tristeza muda. A tartaruga mantém o pescoço encolhido dentro do casco. Enquanto o governo cuida das providências para embarcar os que figuram na lista e bani-los do território nacional, Tito passa o dia na cama, ocupado em orar, ler, fazer yoga e, de vez em quando, dedilhar o violão para que notas soltas deem ressonância ao seu lamento gutural. Sabe que sua resistencia às sevícias serve-lhe, agora, de alvará de soltura. Mas não quer arredar o pé do Brasil. Aqui a sua terra, o seu povo, as suas raízes. O exílio parece-lhe um imenso deserto no qual se pode caminhar com liberdade, sem contudo saber a direção certa e muito menos o destino.

Diário de Fernando - Nos cárceres da ditadura brasileira
Frei Betto
(Editora Rocco, 2009)
288p

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site do filme Batismo de Sangue:

http://www.batismodesangue.com.br/

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poesia de Drummond citada no livro:

http://www.astormentas.com/din/poema.asp?key=9470&titulo=%C0+Noite+Dissolve+os+Homens

Friday, June 19, 2009

Meu beatnik preferido

ERA UM ROSTO QUE AS TREVAS MATARIAM...

(LAWRENCE FERLINGHETTI)

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Era um rosto que as trevas matariam
................................num instante
.....um rosto facilmente magoável
...................................por riso ou luz

..........."Pensamos diversamente à noite"
................................disse-me certa vez
reclinando-se languidamente

........................................E citaria Cocteau

"Sinto que há um anjo em mim" diria
................................."que eu abalo
....................................constantemente"

...........Sorriria então olhando a esmo
.................me acenderia um cigarro
.............................sorrindo e se erguendo
e estirando
..............sua doce anatomia

............................deixaria cair uma meia

[Tradução: Nelson Ascher]


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poesia encontrada nesta página:
http://www.avepalavra.kit.net/poesia2/poesianet200.htm

Thursday, June 18, 2009

Canção para Jane e Edith


Só em pensar que existe um jardim inglês

Um lago retangular pleno de flores d’água

Cercado por lanternas vermelhas e névoa

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Só em pensar que sob alguma árvore

Três cavalos meditam ao entardecer

Um branco, um negro, um caramelo

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Só em pensar nas similaridades ternas

Viver da minha caneta como Jane Austen

Tricotar casacos para o amado como Edith Piaf

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Só em pensar na árvore frondosa da infância

O cheiro do leite doado pela Jackie K (eu era pobre)

Sou pobre ainda e não gosto mais de leite

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Só em olhar tudo e recolher os ossos espalhados

Cerzir a pele. Lavar o sexo das paixões pífias para o amado puro

Longe das ruas geladas e do assédio dos demônios empalhados

BÁRBARA LIA

Tuesday, June 16, 2009

lendo Kerouac




“Tristessa”
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Ame quem te ama e conheça o inferno

Fogo a fogo no porão do medo

Fogo a fogo no cabelo da Medusa

Atiçando cobras

Atiçando demos.

Ame quem te ama e conheça a dor

Amputar pernas braços sexo e coração.

Ame quem te ama

Nesta luta cega

Boitatás no milharal

Não sobra espiga sobre espiga

E o espantalho, mudo, tira o chapéu

E dança triste no chão de palhas.

Ame quem te ama e conheça o inferno

Dois sustos travestidos de sons

Querendo narrar o que o humano não narra

Escrevendo em aramaico o avesso do vivido....

Ame quem te ama

E se arrependa de viver rezando pelo amor.

Ame quem te ama

E descubra

A agulha fina e gelada do olhar

O rio de deus que rola tua nuca quando ele te toca

O que é não sentir o corpo do outro

Cópula de luz.

O que é ter a língua presa o corpo preso o gesto preso

E a alma livre pluma de algodão te levando

Onde não quer

Onde não deve estar, nem teus pés, nem tuas mãos...

in A última chuva

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-escrevi a poesia acima, após a leitura do livro de Kerouac:

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"A maneira selvagem como Tristessa fica de pé, as pernas afastadas, no meio do quarto para explicar algo, como um viciado em uma esquina do Harlem, ou em qualquer outro lugar, Cairo, Bang Bombayo e todo o bando de Felás dos Palmeirais da Extremidade das Bermudas às asas do albatroz pousadas que cobrem de penas as rochosas da costa do Ártico, só o veneno que servem das focas Gloogloo dos esquimós e as águias da Groelândia, não é tão ruim quanto aquela morfina da Civilização Alemã à quel ela (uma índia) é forçada a se submeter e a morrer por ela em sua terra nativa.

Jack Kerouac

bloomsday 2

Ted Hughes & Sylvia Plath casaram-se em 16 de junho de 1955. Dia de Bloom.
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Você estava transfigurada
Tão esguia e nova e nua.
Úmido ramo de lilás ao vento.
Você tremia, soluçava de júbilo, você era o abissal
Transbordando de Deus.
Você disse que viu os céus se abrirem
E revelarem riquezas, prestes a chover sobre nós.
Levitando a seu lado, eu submetia-me
A um tempo estranho: O futuro enfeitiçado.
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Na igreja erma, sinistra de ecos,
Vejo você
Tentando conter as suas chamas
Dentro do vestido de malha rosa
E das pupilas - grandes jóias lapidadas
Plenas de flamas de lágrimas, jóias grandes
Sacudidas num copo de dados, a mim oferecidas.

-fragmento de - Vestido de malha rosa -
Cartas de Aniversário - Ted Hughes
trad. Paulo Henriques Brito.

Monday, June 15, 2009

Big Sur e as Laranjas de Hieronymus Bosch

A esta altura sinto-me compelido a tocar numa questão que, embora altamente pessoal pode interessar a todo mundo. Como escritor de alguma fama - talvez uma fama duvidosa -, tenho, naturalmente, muitos jovens escritores entre os meus visitantes, ou escritores em potencial. Quando sou informado de seus objetivos e propósitos ao escolher a atividade de escritor, sou obrigado a me fazer as perguntas mais fulminantes. De que maneira, pergunto a mim mesmo, sou de fato diferente desses novatos? O que ganhei, produzindo um livro após outro, e que eles não têm? E por que deveria encorajá-los, quando tudo o que fazem é aumentar minhas próprias dúvidas honestas? Vou explicar... todos esses rapazes (e moças), como acontecia comigo, antigamente, não desejam nada mais, nada melhor do que escrever o que querem e ser lidos pelo maior número de pessoas possível. Querem expressar-se, dizem. Muito bom. ("E qual é a dificuldade?", torno a me perguntar.) Depois que se expressarem querem ser reconhecidos e comentados por seus esforços. Naturalmente.("Quem vai impedir?") E sendo reconhecidos, sendo aceitos, querem gozar os frutos do seu trabalho. ("Humano, demasiado humano.") Mas - e aqui está a questão, a questão vital: será que vocês, meus queridos jovens entusiastas, têm qualquer idéia do que querem dizer, ao falar em "frutos do trabalho"? Já ouviram falar de "fruto amargo"? Não sabem que, com o reconhecimento, ou o "sucesso", se preferirem usar esta palavra, vêm todos os males da criação? Não percebem que, ao realizar seu propósito, jamais terão permissão para colher a recompensa com que sonham? Sem dúvida, imaginam para si mesmos um lar tranqüilo no campo, uma esposa amorosa que os entenda e um bando de crianças felizes, satisfeitas. Visualizam a si mesmos produzindo uma obra-prima atrás da outra, num cenário onde tudo funciona como um mecanismo de relógio.
Mas que decepção os espera! Que aborrecimentos e tormentos estão de emboscada para vocês! Dêem-nos seus pensamentos mais poderosos, abalem o mundo até os alicerces - mas não esperem escapar do seu calvário! Quando tiverem lançado suas criações, tenham a certeza de que serão voltadas contra vocês. Serão grandes exceções, se não forem esmagados e engolfados pelos monstros que vocês mesmos gerarem. Com certeza, chegará o dia em que olharão para o mundo como se ele jamais tivesse recebido o impacto de um único pensamento elevado. Ficarão aterrorizados e perplexos ao ver até que ponto tudo se tornou inteiramente torto, até que ponto vocês e aqueles com quem competiam foram mal compreendidos. O mundo que inconscientementem ajudaram a criar os reivindicará não como mestres ou árbritos, mas como suas vítimas.
HENRY MILLER
Big sur e as laranjas de Hieronymus Bosch
tradução Sonia Coutinho
José Olympio Editora, 2006

Saturday, June 13, 2009


Retrato de Gregor Sampsa II - Rodrigo de Souza Leão
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Lençol de Kandinski

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Poetas gozam

Cenas açucenas

Lençol de Kandinski

Que cobre

O sangue coagulado

Da humanidade ferida

A esconder a realidade

Que rasga suas almas

De madressilvas

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BÁRBARA LIA


blog do Rodrigo de Souza Leão:

http://lowcura.blogspot.com