Monday, January 31, 2011

Book On Line



Uma só rosa no meio do inferno é o paraíso. Eduardo Lourenço escreveu isto, um poeta lusitano. Uma só rosa!



Rosa ou sub-rosa extra-rosa proto-rosa magma-rosa ex-rosa.


O furor daquela mulher desabrochou em uma rosa UNA. Os  pêlos dela nuvem lassa entre as coxas brancas, nuvem caramelo. Pêlos perfumados qual o coração. Afundava as narinas entre os pequenos lábios abraçado às suas coxas e cheirava como a um alucinógeno - o céu o céu o céu. Afastava a cortina de fogo  brando e violava sua flor acesa. O coração trôpego querendo alcançar o céu da boca... Estes são os dias em que as aves se debruçam para olhar uma cena e morrem de infarto. Estouram na calçada, pássaros caídos do nada. Mortos após contemplar a orgia amorosa – plena.
Bárbara Lia
Germina/2011
- Para ler meu primeiro e-book - link ao lado.
Amei a primeira publicação on line. Grazzie Germina!

Saturday, January 29, 2011

Artesanais

O rasurado azul de Paris - Poesias para RIMBAUD!

O rasurado azul de Paris e o Poema-Epopéia  Uma lua em teu ventre

Coleção dourada - Percepções, Adamare, Para Camille-com uma flor de pedra e Cigarras no Apocalipse




Ouro & Céu



Carinho poético da Kátia Torres Negrisoli, fotografou meus artesanais. A coleção Ouro & Céu - Quero retomar a produção dos livros e espero que 2011 seja serpenteado de fios, poesias, abraços, palavras, trocas e muito diálogo com os poetas do mundo, que engendrou esta pequena coleção de livros feitos à mão... fios & palavras & coração...
Os detalhes dos artesanais na Página - 21 GRAMAS. http://edicoes21gramas.blogspot.com/
Gracias Kátia pelo carinho com minha poesia, SEMPRE!

Tuesday, January 25, 2011

TOM!

  Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (25-03-1927 / 08-12-1994)


"Ele via o rio passar, roncando nas pedras, as águas espumaradas. Aquele ruído o apaziguava. Na outra margem, começava o pasto que ia dar no morro do Dirindi. 'Dindi' não era, como muitos pensavam, um nome de mulher. Mas sim toda aquela vasta natureza e seus segredos”

(Helena Jobim)
do livro "Antonio Carlos Jobim, Um Homem Iluminado" [Ed. Nova Fronteira].

Monday, January 24, 2011

Se um amigo em uma noite de verão...

envia uma poesia que fala do meu silêncio líquido, só resta dividir com quem ama poesia. Marcelo Bourscheid - além de um ótimo dramaturgo - comete poesias belas, esta ele fêz para mim... Pós-leitura de Constelação de Ossos (?) não importa, a solidão da personagem nasceu da minha solidão e fico observando a leitura que cada um faz do meu roteiro de estrelas amalgamadas. C'est la vie!


ESTAR SOZINHO
Para Bárbara Lia.

                             Líquido momento de sentir
                                       E estar sozinho.
                                       Mariana Ianelli


Aqui
não há
a voz das folhas secas
a te sussurrarem
- sob o peso dos teus passos –
segredos do outono.

O coração se calou.

O silêncio
aqui
já não te causa medo.
O silêncio
aqui
é líquido como o deserto
ou como a hora
líquida e incerta
de estar sozinho.
MARCELO BOURSCHEID
Poeta e Dramaturgo

"Constelação" de amigos





Cláudio B. Carlos (CC) é poeta e prosador, nascido em 22 de janeiro de 1971, em São Sepé, RS. Desde 2005 publica na internet.
Em 2010 criou O Bodoque – Grupo de Escritores.
Com o Grupo O Bodoque publicou “Pequeno tratado sobre o grande nada & outras insignificâncias”.
Publica experimentos poéticos em áudio e vídeo aqui: http://www.balaiodeletras2.blogspot.com/



Kátia Torres Negrisoli - poeta de Adamantina - com Solidão Calcinada e A última chuva.



Lúcélia Grasso - Minha amiga desde os bons tempos do primeiro curso universitário - lá no interior - conheci a Lu em Campo Mourão e mais de três décadas ela - ainda é - a amiga pra o que der e vier...


A poeta Gabriela Caramuru - Vestida Noir - lendo Noir

Sunday, January 23, 2011

"manhã tão bonita manhã"



MANHÃ DE CARNAVAL
Composição: Música: Luiz Bonfá - Letra: Antonio Maria


Manhã, tão bonita manhã
Na vida, uma nova canção
Cantando só teus olhos
Teu riso, tuas mãos
Pois há de haver um dia
Em que virás

Das cordas do meu violão
Que só teu amor procurou
Vem uma voz
Falar dos beijos perdidos
Nos lábios teus

Canta o meu coração
Alegria voltou
Tão feliz a manhã
Deste amor

Tuesday, January 18, 2011

CASA DA MEMÓRIA TRISTE - MÁRCIO DAVIE CLAUDINO

(revisitação à Desdêmona)

1

Hoje a lua está mais leve
prenhe de presságios.

A sua cisma está mais leve
mas ela ainda pensa que enlouqueceu.

Recorda sempre o tempo
em que andou por casas de saúde

mas nem uma palavra
sobre os abismos meus.

2

Ela desliza num mar platinado
de antigos sonhos e quartos

escondida
da sindrome do pânico

bebe nossas memórias
nos garrafões do vento.

3

Lolita de Egon Schiele
reinaugurou virgens uivos

e reabilitou velhos lobos

Agora arrepende-se por quase tudo
e desmonta-se num choro incomensurável.

4

Hoje
vim buscar seus fiapos

sentir o fogo do seu coração
colher o orvalho de sua testa


ouvir seu pranto (sua lógica infiel)
pelo engano de todos esses anos.

5

Hoje
fui chamado à sua casa

onde enterrei um baú de ossos
e versos lamentáveis.

Muito depois desse tempo
meus braços criaram carnes

minha boca teve fomes
meu sangue latejou de desejos

minha alma nutriu-se
de outros sonhos

6

Vim aqui servir-lhe o café da manhã
na bandeja da ilusão.

A mesma que um dia
também me serviu.

Volto
para trocar as camisas

(de quem é a da derrota?)

ao final do jogo
em que tudo deu errado.

7

Mas sobra ainda nos retratos
a ponta de um sorriso triste

E após uma entrega
das mais felizes

atuamos em outros campos
com camisas desprezadas

(Torcendo um pelo outro?
Não, que a paixão é egoista).

8

Hoje
superado o desastre da perda

(Somos solidários no câncer e no desamor)

amparo, ainda ssim,
outras flores mortas ejaculadas

e dos desertos
teus áridos solos de amor

9

Nossos dedos
não trocaram alianças

nem fomos mais felizes
do que ainda podemos ser.

Somos apenas peixe e anzol, lua e sol,
num horizonte tardio

que se entreolham
num breve sorriso meio triste

cheio de suposições
que podem dizer muitas coisa e nada

ou qualquer clichê, como esse
de um poema que troca sua camisa desprezada;

10

Hoje o sol está mais leve
prenhe de augúrios.

Reverencio a casa
de outra amada

-


(Antologia 44º Femup - 2009
3º Lugar Nacional)

Thursday, January 13, 2011

Tuesday, January 11, 2011

FLORES SÉSSEIS, VIDROS E ÁGUAS: CONSTELAÇÃO DE OSSOS - Darlan M. Cunha






Fico-lhe especialmente grato pelo seu livro enviado a mim - Constelação de Ossos -, o qual me falou alto pela bela sintaxe, pelo pensamento bem concatenado, enfim, agradou-me de fato.
Tomei a liberdade de escrever algo das sensações que ele me trouxe. AQUI:

http://paliavana4.blogspot.com/2011/01/12.html

Sunday, January 09, 2011

Casé Lontra Marques

Reparto com os leitores do chá esta bela mensagem do Casé:

Onde o silêncio
Leio sempre com atento prazer o que escreve. Seus textos — sinuosamente elaborados, sinfonicamente concisos — fundam, com singular potência, territórios onde o silêncio propicia uma outra forma de sobrevivência. - Casé Lontra Marques.








A

A solidão até então aturdida tateia a luz incerta do dia. Não direi que há conforto nesse instante já distante; prefiro pensar na cicatriz próxima à escrita - aquela que não quero, com intrincado temor, dedilhar.

B

(Ainda não recebemos notícias da última colheita; não explicarei porque não estamos preocupados. Reafirmamos a vontade de palavra, recordando as mortalhas que mastigamos quando selamos a língua da qual não restará qualquer sinal.)

                                                             C

Ainda ergo os olhos do sono, mesmo quando recuso o amparo - improvável - do corredor. Depois amanheço prorrogando o café entre os lábios gretados. (Assim que o silêncio não puder mais recuar, o calor envolverá as paredes que evitarei recuperar.)

(IV)

Porque prevejo o seu regresso,
observo
o intervalo entre os temporais

(sobre
o solo do hálito)

Porque pressinto a sua potência,
grafo
na manhã - em meio ao centeio -

uma cifra híbrida

(sobre
um solo cada

vez

mais ácido)

CASÉ LONTRA MARQUES
SABER O SOL DO ESQUECIMENTO
Aves de àgua - Coleção Área Clara / 2010

**

O silêncio que Casé citou em uma mensagem que recebi com carinho. O silêncio onde teço toda a minha poesia, toda minha invenção em enredos que me fazem migrar para a prosa. O silêncio, este que anseio loucamente. Ao pressentir que escapava de mim este silêncio, compus a ode ao silêncio que está no livro - Coreografia do caos. Ando em busca deste silêncio para germinar as ideias várias que pululam em meu coração. Cada ano que nasce traz uma infinidade de sementes em um cesto que algum anjo sapeca deixa na janela do meu quarto. Ano passado foi em uma destas horas mornas desta cidade morta - que fica morta a cada janeiro - que iniciei o livro que tem como cenário o - grande mar redondo - Paranaguá. E neste início de ano um anjo erótico serpenteou poesia na minha pele e tudo engendra líricos manifestos em louvor ao corpo e ao encontro dos corpos.
O silêncio que ando laçando nas manhãs, como uma amazona ensandecida, guardando-o entre as paredes desta casa para poder beber esta poesia profunda que o Casé enviou. Um tempo para ler o sol do esquecimento, a densidade do céu. Uma alegria esta partilha com os poetas do mundo.



grávida de filmes - compondo um tema que enlaça a tela e a letra e a alma

Tuesday, January 04, 2011

Barbara







Rappelle-toi Barbara
Il pleuvait sans cesse sur Brest ce jour-là
Et tu marchais souriante
Épanouie ravie ruisselante
Sous la pluie
Rappelle-toi Barbara
Il pleuvait sans cesse sur Brest
Et je t'ai croisée rue de Siam
Tu souriais
Et moi je souriais de même
Rappelle-toi Barbara
Toi que je ne connaissais pas
Toi qui ne me connaissais pas
Rappelle-toi
Rappelle-toi quand même ce jour-là
N'oublie pas
Un homme sous un porche s'abritait
Et il a crié ton nom
Barbara
Et tu as couru vers lui sous la pluie
Ruisselante ravie épanouie
Et tu t'es jetée dans ses bras
Rappelles-toi cela Barbara
Et ne m'en veux pas si je te tutoie
Je dis tu à tous ceux que j'aime
Même si je ne les ai vus qu'une seule fois
Je dis tu à tous ceux qui s'aiment
Même si je ne les connais pas
Rappelle-toi Barbara
N'oublie pas
Cette pluie sage et heureuse
Sur ton visage heureux
Sur cette ville heureuse
Cette pluie sur la mer
Sur l'arsenal
Sur le bateau d'Ouessant
Oh Barbara
Quelle connerie la guerre
Qu'es-tu devenue maintenant
Sous cette pluie de fer
De feu d'acier de sang
Et celui qui te serrait dans ses bras
Amoureusement
Est-il mort disparu ou bien encore vivant
Oh Barbara
Il pleut sans cesse sur Brest
Comme il pleuvait avant
Mais ce n'est plus pareil et tout est abîmé
C'est une pluie de deuil terrible et désolée
Ce n'est même plus l'orage
De fer d'acier de sang
Tout simplement des nuages
Qui crèvent comme des chiens
Des chiens qui disparaissent
Au fil de l'eau sur Brest
Et vont pourrir au loin
Au loin très loin de Brest
Dont il ne reste rien



Jacques PRÉVERT, Paroles (1945)


©1972 Editions Gallimard




BARBARA - Jacques Prévert

Tradução de Manuel Barata
À Lídia Martinez

Lembra-te Barbara
Chovia sem parar sobre Brest naquele dia
E tu caminhavas sorridente
Alegre feliz resplandecente
Sob a chuva
Lembra-te Barbara
Chovia sem parar sobre Brest
E cruzei-me contigo na rua de Siam
Tu sorrias
E eu sorria também
Lembra-te Barbara
Tu que eu não conhecia
Tu que me não conhecias
Lembra-te
Lembra-te portanto daquele dia
Não esqueças
Um homem sob um pórtico abrigado
Gritou o teu nome
Barbara
E tu correste para ele sob a chuva
Resplandecente feliz alegre
E lançaste-te nos seus braços
Lembra-te disso Barbara
E não me queiras mal por te tratar por tu
Trato por tu todos os que amo
Ainda que os tenha visto uma só vez
Trato por tu todos os que se amam
Ainda que os não conheça
Lembra-te Barbara
Não esqueças
Esta chuva sábia e feliz
Sobre o teu rosto feliz
Sobre esta cidade feliz
Esta chuva sobre o mar
Sobre o arsenal
Sobre o barco de Ouessant
Oh Barbara
Que parvoíce a guerra
Quem és tu agora
Sob esta chuva de ferro
De fogo de aço de sangue
E aquele que te apertava nos braços
Amorosamente
Morreu desapareceu ou é ainda vivo
Oh Barbara
Chove sem parar sobre Brest
Como chovia antes
Mas nada é igual e está tudo destruído
É uma chuva de luto terrível e desolada
Não é a mesma tempestade
De ferro de aço de sangue
Simplesmente nuvens
Que rebentam como cães
Cães que desaparecem
Na torrente da água que cai sobre Brest
E vão apodrecer longe
Longe muito longe de Brest
Da qual nada resta


tradução aqui:
http://musicamestro.blogspot.com/2008/05/jacques-prvert_25.html
 
Vesti a pele desta Barbara de Brest. Um encanto fazendo vibrar dentro quando encontro uma poesia com meu nome - este lindo poema de Jaques Prévert - e encontro a tradução, até uma canção com Ives Montand e descubro que a melodia de Barbara e a poesia de Barbara ficou tanto tempo longe de mim, de meus olhos e da minha admiração.

Saturday, January 01, 2011

CONSTRUÇÃO DE PERSONAGENS FEMININAS EM SOLIDÃO CALCINADA, DE BÁRBARA LIA



CONSTRUÇÃO DE PERSONAGENS FEMININAS EM SOLIDÃO CALCINADA, DE BÁRBARA
LIA
Adriana Lopes de Araujo (Mestranda – UEM/PR)
Lúcia Osana Zolin (Professora – UEM/PR)
X SEL – Seminário de Estudos Literários
UNESP – Campus de Assis



RESUMO: Nossa proposta é tecer considerações acerca das personagens femininas que integram a obra Solidão calcinada da autora paranaense Bárbara Lia, a fim de evidenciar como tais personagens são construídas e representadas ao longo da narrativa, se reduplicam, questionam ou ironizam as relações de gênero. Em vista disso é que o estudo se insere no âmbito dos estudos de gênero e da Teoria Crítica Feminista. Importa salientar, ainda, que a análise refere-se a um primeiro momento do projeto de pesquisa intitulado A personagem na literatura de autoria feminina paranaense contemporânea, coordenado pela Profª. Drª. Lúcia Osana Zolin e com o apoio da Fundação Araucária. O projeto objetiva um estudo acerca da personagem que compõe a prosa de ficção contemporânea (publicada a partir dos anos 1970), de autoria feminina, no Paraná para, posteriormente, organizar um banco de dados a ser disponibilizado com vistas a pesquisas futuras mais específicas.
 
 
Para ler o estudo da Adriana Lopes de Araújo:
 
 
 
 
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