
Se as pessoas olhassem mais para a poesia de Sylvia Plath e menos para o fevereiro
de 1.963: Londres, duas jarras de leite para os filhos, neve, água congelada na torneira...
Veriam o quanto é intensa e rica sua obra. Que importa alguns tentarem levar adiante a sua obra, se há um exército inteiro na plateia esperando o instante em que ela vai colocar a cabeça no forno? Ela sabia disto quando escreveu Lady Lazarus.
Incomoda-me um pouco esta fixação na pessoa e não na sua obra. Foi assim com Orides Fontela. Cada pessoa que fala de Orides Fontela não diz apenas que era a poeta da síntese,
que conseguia concentrar em versos mínimos um universo metafísico e filosófico. Sempre evocam o gênio rude dela, sua pobreza. Sem lembrar que a Arte é uma espécie de alquimia onde é preciso saber a fórmula secreta e transformar o cascalho em ouro, ou no caso dos poetas, palavras em vida, espanto, grito, aleluias, protesto, tudo isto com fogo dentro e água e ar, pois existe também a palavra morta, construída em cima do nada, o tipo de "poesia"
que alguém lê e pensa - e daí?
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30 de OUTUBRO - Porão Loquax - Sylvia Plath
Dia 27 de outubro Sylvia completaria 75 anos.
No porão do Wonka Bar, os atores Andrew Knoll
e Carolina Maia - do Grupo Processo Artes
Mundiais - vão dar vida a um roteiro que estamos
compondo juntos, um roteiro com fragmentos
de poesias, uma mini-peça teatral.
Sylvia e o Falcão é o título de um texto
que escrevi depois de ler os livros de Sylvia,
o livro de Ted Hughes, a biografia de Sylvia
e seu romance - A Redoma de Vidro...
Desde já o convite para a homenagem à Poeta.