Wednesday, July 03, 2013

La belle personne

Louis Garrel _ Cena de "La Belle Personne" de Christophe Honoré





"o poeta escreve sobre oceanos que não conhece" _ disse Neruda. Chico escreveu Budapeste sem conhecer Budapeste. Ouvi um dia desses Adriana Lisboa dizer que foi a Hanói pelo desejo de conhecer, e que já havia escrito o livro. Escrevo uma história e uma personagem puxa o fio até Paris. E senti uma vontade enorme de recriar poeticamente um homem francês assim, tipo _ Louis Garrel _ não aquele de "Os sonhadores", aquele de "La belle personne", aquele homem apaixonado, angustiado, que se senta na escada diante do prédio da amada e fica à espera. Nem sabe que ela já deixou a cidade e atravessa o mar em uma barca, a espiar este distanciar de um lugar. Melhor que morrer é afastar-se da morte. E o amor é uma morte, lenta. É esta agonia que não cabe dentro da pequenez do ser. Quem tem juízo não vende a vida para ter alguém ao lado. Preferem eternizar algumas horas, estas que se transformam  território de moradia, casa aberta para sua visita. Viver duas ou três horas com quem se ama _ em plenitude _ e voltar ao banal é como manter o graal e saber que ele existe. E Louis Garrel é esta materialização do intocado. Paris, idem. A menina que criou vida em um texto meu. Reunir tudo isto vai demorar um pouco, vai me tirar do centro das coisas, deste mundo virtual onde não sei trafegar, eu confesso. Quem dera fazer as malas, desembarcar em París, sentar-me naqueles cafés e ter esta mordomia que muitos tem, de deslocar-se fisicamente para o locais sobre os quais querem escrever. Eu não sei se isto traria um adendo. Chico e Adriana e suas falas chegam como uma brisa acolhedora para comprovar que posso criar um homem francês. Com carisma e paixão, qual o professor do filme _ la belle personne _ apaixonado por uma bela mulher que ele vai seguir pelas ruas, pelos corredores do colégio, pelos cafés, nadando na neblina de uma cidade fria, abduzido por ela, por ela que é daquele time de mulheres que saem de cena antes que esfume o encanto, estas que nunca ficam para recolher os estilhaço da beleza. As que deixam a beleza intacta. La belle personne.