Sunday, September 30, 2007

AROMA DE ANIS





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Lá nota musical. Lá como eu chamo Laura. Assim como Letícia é Lê ou Bárbara é Bá. Lá. Lá e seus cabelos com perfume de anis. De todo o anis estrelado que ela atirava embaixo do travesseiro. Para acalmar a alma fera e dormir. Simpatia que a cigana ensinou. Lá agita os cabelos espalhando estrelas de anis pela sala. O moço do trompete no quadro da parede se embriaga, quase cai sobre as letras abaixo de seus pés.
J
A
Z
Z

Lá e suas crises sem hora marcada. Perdi a única montagem da peça do melhor amigo. “Memórias do Subterrâneo” soterradas no amparo da líquida ternura dela. Os olhos castanhos esverdeados mergulhados em uma mistura de vida/sal – lágrimas ininterruptas.
Recostar, como bom namorado, sua cabeça cansada em meu peito e ficar imóvel até que ela adormeça. Esqueça Dostoievski!
Lá na absurda curva de suas estranhezas. Sentada à mesa do Café Express diante da porta de vidro que dá para a Praça Santos Andrade hipnotizada pelo balé das pombas.
Pombas em bando, dezenas de pombas. Não apenas uma, e outra,
e mais outra, como no poema antigo...
Vão-se em bandos as pombas despertadas...
Não li entre as notas musicais da sua agonia. Nem nas pequenas metáforas suas. Nem nas flores que ela me trazia o seu pedido de socorro.
Uma rosa artificial desbotada - de papel machê. Ou uma flor daquelas que a gente sopra e ela dissolve-se branca... Era seu jeito de dizer que o sopro da vida poderia desfazer a flor em lá menor. Lá e suas insinuações mudas. Não li os signos.
Ela andava a ouvir boleros de Luis Miguel...

Te vas porque yo quiero que te vayas

A la hora que yo quiera te detengo,

Yo sé que mi cariño te hace falta

Porque quieras o no Yo soy tu dueño

...

Me encanta la media vuelta, angel...

E me torturava com um bolero triste a tarde toda.
Eu ignorava o brega e o triste quando ela me atirava ao chão com beijos de halls cereja me asfixiando de estrelas sabor anis quando seus cabelos caiam sobre meu rosto e ela gemia constelações inteiras como um cometa perdido procurando um lugar, um lugar para pousar e era a metamorfose cristalina: O rostinho dela molhado de suor encaixado no meu peito e ela adormecida. Linda! Longe dos boleros e fantasmas e rosas suicidas e flores que se desfazem em um sopro.
Por isto, não pensei em mais nada para depositar aqui nesta lápide branca além de um sachê perfumado de anis estrelado.
Em algum lugar Lá dança espalhando estrelas azuis.
Lá aonde eu nunca mais irei acalmá-la recostando no meu peito estraçalhado de amor sua cabecinha atordoada, enquanto ela repetia até adormecer:

Dói viver, dói viver, dói viver, dói viver...

Lá dizia que o gosto do céu é menta com chocolate.
Inverno de quase neve na cidade gélida, nossas bicicletas encostadas em algum lugar à nossa espera enquanto o sorvete derretia em nossas bocas ela repetia...

Céu! Este é o gosto céu: Menta com chocolate.

Em todos os invernos provarei o gosto do céu olhando o vôo das pombas sentindo o aroma de anis de seus cabelos espalhados.
E um sopro suave à saída do Café Express me trará esta certeza: Dela ao meu lado espalhando anis no ar com a ternura dos naufragados.
BÁRBARA LIA

Friday, September 28, 2007

ZODIAC
























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ZODIAC (direção David Fincher)

1º de agosto de 1969. Três cartas diferentes chegam aos jornais San Francisco Chronicle, San Francisco Examiner e Vallejo Times-Herald, enviadas pelo mesmo remetente. A carta enviada ao Chronicle trazia a confissão de um assassino, dando detalhes da morte de 3 pessoas e da tentativa de homicídio de outra, com informações que apenas a polícia e o assassino poderiam saber. As três cartas formavam um código que supostamente revelaria sua identidade ao ser decifrado. O assassino exigia que as cartas fossem publicadas, caso contrário mais pessoas morreriam.

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Baseado na investigação real do cartunista Robert Graysmith (Jake Gyllenhaal) - Que publicou o livro com o mesmo nome – Zodiac.

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O diretor David Fincher recolheu as memórias do medo que sentia do serial killer quando era menino. Mark Ruffalo está na pele do inspetor David Toschi. Sou apaixonada por Ruffalo, mas, quem rouba a cena é Robert Downey Jr na pele do jornalista Paul Avery. O serial killer fez estragos em muitas carreiras de detetives e jornalistas. Uma sensação de derrota que o filme filtra muito bem. E a obsessão do cartunista que toma para si a incumbência e se debruça em evidências. O filme acompanha os jornalistas e detetives, o que o torna menos gênero terror e mais suspense. Sem aquelas cenas de crimes hediondos que, particularmente, não gosto. O suposto serial killer é o cara que a gente encontra ali na esquina. Sempre volto ao quarto da minha infância, debruçada na revista X-9, que meu pai colecionava. Lembrei novamente da fase das leituras arrepiantes vendo Zodiac. Eu devorava as histórias que eram um filme noir. Detetives do FBI e suas investigações... Eu caminhava com eles, palmilhava postos de gasolina de alguma estrada perdida no oeste americano, placas de aço rangendo sua ferrugem ressequida, alguns anúncios de gasolina. Oil cintilante da cor do petróleo. Ou néons de motéis com aquele anúncio No Vacancy. Cenários bucólicos onde aconteciam crimes bárbaros. Geralmente uma casa branca com cerca baixa. Atrás das cercas, rosas escandalosas. À frente, aquelas caixas de correio ovais. E na fofa terra entre folhas desmaiadas eles vasculhavam. Enfiavam pás, geralmente na hora que morria o sol, e uma chuva fina caia e a pá brandia um crânio em um som surdo. Começava o drama, tudo começa com um cadáver. Geralmente de mulher ou criança. Os assassinados. No final da revista de tristes assassinatos desvendados, devidamente adornados com fotos domésticas. No final da revista, na última capa, ficava a hora do espanto. As histórias de assombração.


http://www.zodiacmovie.com/

Monday, September 24, 2007

PRIMAVERA


Fique em silêncio
como um ramo seco
vem aí
uma primavera
a te florir

(Bárbara Lia)

Sunday, September 23, 2007

'AS PONTES DE MADISON'










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Fátuos amores persistem
na rotina fosca.
Eternos amores diluem-se em
........Cenas
........Poemas
........Sangue-açucena.
(Estrelas agregadas
à constelação
invisível)
.......Acima da cartografia
.......celeste,
.......cada amor postergado — uma estrela.
.......Via-Láctea invisível que nutre Deus.
Francesca!
Tua cena;
minha cena.
Um éden secreto
plantado
ao lado de uma ponte...
.......((belgas, romanas
.......suspensas
.......ou cobertas
.......como tua Roseman Bridge)
Beija-flores à flor da pele
bicando dentro
a orquídea de fogo
que se hospeda
após as horas mornas
breveternas.
.......Francesca!
.......Tua sina;
.......minha sina.
.......O infinito que cabe
.......Em um dia ou dois,
.......três ou quatro...
E a vida inteira a beber
as águas da estação do amor.
Até tornar-se pó e diluir-se
acima das águas onde imperam
pontes de leveza rústica e bela —
Velha Iwoa e suas pontes de Madison...

BÁRBARA LIA
Meryl Streep (Francesca)
Clint Eastwood (Robert)
- cena do filme - As Pontes de Madison

Sunday, September 16, 2007

Aurora

LORCA EN MI CORAZÓN

Gazal de espumas
treze constelações rimadas
clave de Fá escondida
na estrela mais clara.

Touro triste dança
ao manto de mariposas
vomita rosas
chora arraias.

Lua de Lorca
desfia-se à morte
incinera seus raios
em luto andaluz.

Corcéis golpeiam
o vento perfumado
que acariciou o poeta
em noites lendárias:

guitarras
pianos
poesias
títeres
Dali
verde
que te quis
azul
do(amo)res
castanholas
flores
flores
(vida em Granada)

- BÁRBARA LIA -

... pequena homenagem ao final da semana Lorca...
in mi corazón

Wednesday, September 12, 2007

GARCIA LORCA













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A - Semana Garcia Lorca - promovida pelo
TUT - Teatro da Universidade Tecnológica do PR
está me fazendo um bem incrível.
Mergulhar em Lorca.
Minhas tentativas de debandar do mundo virtual
é por que sou visceral.
Gosto de ver, ouvir e tocar.
Ouvir alguém falar sobre Garcia Lorca,
perceber sua respiração enquanto fala,
uma lágrima furtiva, como ontem.
Ontem Ilo Krugli abriu a janela atemporal.
O diretor de teatro que contou sua experiência
com o Grupo de Teatro Vento Forte...
Bastou cantar uma ciranda de Lia de Itamaracá,
e flores novas da primavera que chega caíram
dentro do meu coração.
É isto!
A ARTE!
Não é o que tenho visto
e que me causa estranhamento.
Ando muito triste com o panorama literário.
Fico mesmo triste quando é a imagem
que vale mais que a palavra.
Não a imagem da palavra dentro do poema,
mas, a imagem de quem escreveu o poema.
Por isto, ver alguém que faz Teatro
apaixonado por Lorca rasgou o tempo
e jogou de novo toda a poesia, sangue nas veias.
Lorca vive!


Vida nova. Tal e qual Chico Buarque escreveu em - Vitrines -
- catando a poesia que entornas no chão -
Quem entorna?
Poucos.
A estes poucos eu vou seguir alucinada.
Nesta dimensão onde eu posso seguir uma caravana gitana,
e colher palavras de Federico Garcia Lorca...
Ou abrir um livro e ler o poema
que o Rodrigo Madeira fêz para ele...



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No porão loquax segue a poesia na madrugada
- ontem o tema era - O inferno.
O inferno são os outros. Uma cidade.
O inferno existe? Não existe?
Ontem, cada qual deu sua versão de inferno
- Ontem Paulo Bearzotti e Keila Kern
foram Paolo e Francesca e leram Dante.
Rodolfo Brandão interpretou Homero,
enquanto o Octávio Camargo tocava ao piano.
Marcos Cordiolli encontrou referências na obra de Borges...



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a programação da Semana Garcia Lorca









Tuesday, September 11, 2007

Ciudad sin sueño

Federico García Lorca (1898 - 1936)

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CIUDAD SIN SUEÑO
(NOCTURNO DE BROOKLYN BRIDGE)
No duerme nadie por el cielo. Nadie, nadie.
No duerme nadie.
Las criaturas de la luna huelen y rondan sus cabañas.
Vendrán las iguanas vivas a morder a los hombres que no sueñan
y el que huye con el corazón roto encontrará por las esquinas
al increíble cocodrilo quieto bajo la tierna protesta de los astros.

No duerme nadie por el mundo. Nadie, nadie.
No duerme nadie.
Hay un muerto en el cementerio más lejano
que se queja tres años
porque tiene un paisaje seco en la rodilla;
y el niño que enterraron esta mañana lloraba tanto
que hubo necesidad de llamar a los perros para que callase.

No es sueño la vida. ¡Alerta! ¡Alerta! ¡Alerta!
Nos caemos por las escaleras para comer la tierra húmeda
o subimos al filo de la nieve con el coro de las dalias muertas.
Pero no hay olvido, ni sueño:
carne viva. Los besos atan las bocas
en una maraña de venas recientes
y al que le duele su dolor le dolerá sin descanso
y al que teme la muerte la llevará sobre sus hombros.

Un día
los caballos vivirán en las tabernas
y las hormigas furiosas
atacarán los cielos amarillos que se refugian en los ojos de las vacas.

Otro día
veremos la resurrección de las mariposas disecadas
y aún andando por un paisaje de esponjas grises y barcos mudos
veremos brillar nuestro anillo y manar rosas de nuestra lengua.
¡Alerta! ¡Alerta! ¡Alerta!
A los que guardan todavía huellas de zarpa y aguacero,
a aquel muchacho que llora porque no sabe la invención del puente
o a aquel muerto que ya no tiene más que la cabeza y un zapato,
hay que llevarlos al muro donde iguanas y sierpes esperan,
donde espera la dentadura del oso,
donde espera la mano momificada del niño
y la piel del camello se eriza con un violento escalofrío azul.

No duerme nadie por el cielo. Nadie, nadie.
No duerme nadie.
Pero si alguien cierra los ojos,
¡azotadlo, hijos míos, azotadlo!
Haya un panorama de ojos abiertos
y amargas llagas encendidas.
No duerme nadie por el mundo. Nadie, nadie.
Ya lo he dicho.
No duerme nadie.
Pero si alguien tiene por la noche exceso de musgo en las sienes,
abrid los escotillones para que vea bajo la luna
las copas falsas, el veneno y la calavera de los teatros.

Tuesday, September 04, 2007

PÉ DE SANTA BÁRBARA

Eu tinha doze. sonhava ser jornalista, correspondente de guerra, escritora. Era a menina-poeta, criando mundos. Metáforas e vôos. No balanço à sombra daquela árvore que me acolheu manhãs, manhãs, manhãs... Tinha manhã de geada, tinha manhã de sol irascível, tinha manhã amena...
No balanço de madeira, ou varrendo as minúsculas folhas da árvore eu alimentava esta certeza - quero ser escritora.
Tive os filhos que sonhei. Amores, mais que imaginei.
Nada tão cor pastel ao som daquela música de Doris Day - Que sera sera - trilha sonora da infância...
ou - Caminhando contra o vento, sem lenço sem documento - que foi a trilha sonora do primeiro amor...
Sonhava, à sombra de uma árvore, e tinha um cara anotando lá em cima, anotou os pedidos. Anjo competente...
Anotou cada pensamento pequeno, cada desejo secreto mesmo não revelado. Fez de minha vida um enredo diverso... E eu me sentei à mesa e encarei todos os banquetes- Bárbara audaz, que não foge da guerra, nem do que a vida trouxe de bandeja - meus banquetes - de rosas, de ossos, de chuva, de dentes rangendo, de estrelas espocando, de madrugadas de descobertas, de ternura, de mágoa...
Bebi a vida, solenemente, gota a gota...
...
Vou dar uma trégua no blog - acho que era isto que ia escrever, e quase conto minha vida. Necessito um tempo para escrever uma história.

A ÚLTIMA CHUVA






















um tango com Deus

tranquei os covardes na sacristia
e explodi o templo

desci a rua de pedra rasgando em fúria
os ídolos e seus pedestais
as estátuas e seus ancestrais.

tranquei os covardes na sacristia
e tombei as torres áridas
que nunca chegarão ao céu
e impedem o tráfego
da poesia & pássaros.

tranquei os covardes na sacristia
guardei nas dobras da alma
os que amo e são meus,
na clareira incendiada de papoulas
dancei um tango com Deus.
Bárbara Lia

Para ler sobre - A última chuva (ME ed. alternativas, 2.007)

Guia de Poesia de Luiz Alberto Machado
http://www.sobresites.com/poesia/poeta/barbara.htm

O SAL DAS ROSAS

















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http://www.lummeeditor.com/


KAMIKAZES

Doze kamikazes
arrastam a delicada açucena.

Doze kamikazes.
As lágrimas descem
feito fontes.

Nenhuma música
de anjos sonoros,
nenhuma.

Nas nuvens que passeiam,
exausto de tédio, atira longe
o grão da maldade – o dragão da guerra.

BÁRBARA LIA

A POESIA DO PERTENCIMENTO DE BÁRBARA LIA
Quando eu disse à poeta Bárbara Lia que percebesse, mediante circunstâncias singulares, o que realmente fazia sentido e que se traduzia em um sentimento de pertencimento, minha intenção era que estimasse tal noção partindo de critérios avaliativos subjetivos, ou seja, do que fosse mais verdadeiro e autêntico em sua vida e projeto literário; e não pensei que ela levasse tão a sério aquelas palavras. Qual não foi a minha surpresa quando me deparei com o poema que abre este “O Sal das rosas”, cujo título é “O que me pertence”. Somos assim, e que bom. Movidos algumas vezes pelo verso do outro, por palavras escritas ou proferidas em algum momento, em alguma luz ou treva, e que o atento escriba sabe captar em suas faixas, para irradiar na sintonia de outros canais. Afinal, o que mais nos pertence, além da extensão de nós mesmos e de nossa alma? Algo como os filhos, por exemplo; ou a própria literatura, porque viaja nessa dimensão, do pertencimento mágico ao real, num movimento pendular entre o que temos e somos e o que anelamos e projetamos. E, afinal, o que não nos pertence? Algo que nos escapa ou no qual nãonos encaixamos, este sentimento de não-adequação tão comum à própria noção de não-pertencimento. E a quê? A tantas coisas inumeráveis, situações e coisas não-poesia.
O projeto de Bárbara Lia continua, ainda que na contramão das coisas não-poesia, das condições não-pertencimento, contrapondo-se justamente pelo viés do autêntico e do verdadeiro, do que mais lhe pertence. E aqui, neste “O Sal das Rosas” ela os apresenta, como se vê, na maioria dos poemas, seja através do “riso dos filhos”, dos amores e dores, ou do seu constante exercício de pensar e reescrever o mundo de suas leituras e diálogos, indissociáveis, de todo modo, de suas identificações ideológicas, passionais e de sua busca constante pelo ideal humanista.
Márcio Davie Claudino
Poeta – autor do livro “O sátiro se retirou para um canto escuro e chorou” SEEC- PR. Curitiba, verão de 2007.

NOIR




















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BARCO DE LIA NO RIO DE CORA


No escuro escrevo como quem
adora
teu olhar que o passado inteiro
descora.
Zero duplicado em infinito
ancora
- istmo - o oceano dos medos
deflora,
rasga em amor, imprime a tatuagem
canora.
Seres do Olimpo a ressuscitar
Pandora.
Amor - linha e linho - como Gil e
Flora.
Teu, meu corpo banhado em tesão na
aurora.
Teus, meus versos banhados no rio de
Cora.

Bárbara Lia



TEXTO CRIATIVO SOBRE ´´NOIR´´ DE BARBARA LIA
A Sonoridade dos tigres das metáforas mobilizam as homenagens solares e a Barbara encaminha as linfas dos elementos energéticos até à desvairada obscuridade das criptas. As palavras como cordas expansíveis desencarceram os pássaros loucos da sua interioridade. NOIR símbolo da febre submarina e dos silêncios das escamas incandescentes que flutuam sobre as abóbadas da angústia e do medo. NOIR PALAVRA INESGOTÁVEL tentando completar a Barbara em sucessivos renascimentos. O lugar inaugural da catarse canta a solidão da rebeldia e transpõe a diminuição dos abismos como a verdadeira arte da mudança. Barbara restaura os magnetismos das palavras para iluminar a decisão primordial do desejo, libertando o silêncio e a vida absoluta porque quer a manifestação sensual na incorruptibilidade do ser.
Barbara diz ´´que é a palavra´´, ou o vivo movimento das origens das suas impulsões plenas de mistérios e de metamorfoses poéticas, revelando regeneradoramente o jogo erótico onde os astros soltam as línguas infindáveis. Os vestuários das inflexões atravessam os instantes do cromatismo das feridas, este circulo de crisálidas alucinantes que BARBARA encandeia com a violência dos seus ecos, com o naufrágio da claridade dos ritmos, com o sal-húmus das gargantas dos cenários.
As imagens ampliadas dos corpos fluem através das mandíbulas líquidas que proliferam sobre os acordes inatacáveis deste livro, porque a Barbara modela-se a si própria entre as unânimes correspondências: aqui a reciprocidade das vibrações forma os cavalos dos limites onde as loucas marchas despertam os halos do pulsar erótico.
A performance da palavra explora o bálsamo perfeito e descodifica a arqueologia dos sentidos. Barbara explora a jubilação da folhagem humana, desenha a efervescência da comunicação para consumar o ciclone paradisíaco ou a loucura da graça do absurdo .
O balanço afrodisíaco e vegetal sopra sobre os espelhos enunciadores da andadura dos signos onde a gigantesca luz do amor é sempre trágica e incompreendida.
O olhar de NOIR abre o ancoradouro solar e tropeça nas árvores cósmicas como um corpo secreto a alimentar as coordenadas criadoras doutro corpo, porque quer abraçar livremente o mundo.
A musicalidade ramifica a navegação da génese das palavras e eleva a Barbara a uma paisagem de fantasia. O sofrimento humano interroga as fugas inextinguíveis como uma constelação de aprendizagens sobre obstáculos permanentes.
NOIR procura profundamente a respiração visual do desejo, relembrando Ramos Rosa ´´ que não pode adiar o amor para outro século ainda que o grito sufoque a garganta´´.
LUIS SERGUILHA
Nasceu em Vila Nova de Famalicão - Portugal, em 19 de 1bril de 1.966, Já foi arqueólogo da época Castreja e agora é arqueólogo das palavras. Publicou - por várias editoras - os livros: O périplo do Cacho, O externo tatuado da visão, O murmúrio livre do pássaro, Lorosa’e - Boca de Sândalo,
Embarcações, A singradura do Capinador, O outro, Entre nós (narrativa)

O SORRISO DE LEONARDO

















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BEM-TE-VI


Ramagem arranha janela.
Sonho: Aeroporto fantasma.
Espíritos de náufragos do Titanic.
Ku Klux Kan ateando fogo ao enforcado.


Sequência horripilante:
A mulher sem olhos na cama,
entre lençóis úmidos de chuva.

Acordo com o bem-te-vi
na manhã de sol
na mesma paisagem.

BÁRBARA LIA

O SORRISO DE LEONARDO (Kafka ed. 2.004)
A poesia de Bárbara Lia junta um lirismo muito
feminino à realidade que todos os dias bate
à porta dos seus olhos.
Poética dos homens, da terra, mas,
também dos sonhos onde
“Para quem dorme a chuva tem
A magia do canto das sereias”
FERNANDO AGUIAR
(Lisboa, 1956)
Desde 1972 que se dedica à poesia
experimental e visual.
Desde 1983 apresentou mais de 100
performances poéticas
em vários países europeus,
Canadá, México, Brasil,
U.S.A., Japão, Colômbia
e em Cuba.

HERMANOS

O primeiro site que publicou minha poesia fora do Brasil foi - Ala de Cuervo - da Venezuela.
De um contato com Teòdolo Lòpez Mèlendez, que conheceu minha poesia, penso que através do site cronópios.
*
*
- Depois a Argentina - a poesia "Camino" no site
Conestabocaenestemundo. "ANTOLOGIA: POETICAS de MUJERES de America"
"Nuestro largo combate fue también un combate a muerte con la muerte, poesía. Hemos ganado. Hemos perdido, porque ¿cómo nombrar con esa boca, cómo nombrar en este mundo con esta sola boca en este mundo con esta sola boca?" OLGA OROZCO
*
**
Mês passado, ao acaso, descobri - Águas de Alexandria - publicado em um site de Portugal -
Edit - on Web.
- Géneros en volta - e uma epígrafe:
A poetisa e professora de História Bárbara Lia faz poesia com a água da Alexandria.
**
***
... agora de novo em espanhol:
LA LUPE
Círculo Internacional de Literatura Vanguardista
El escritor vanguardista busca en el arte algo que responda a esa novedad interna que vive el hombre, apoyándose en el descubrimiento original que uno lleva por dentro.
Juego constante de símbolos, necesidades que no se adaptan a formas fijas, la negación a la versificación tradicional, son algunas de las características que hacen a un vanguardista, ya que lo fundamental no es lograr un sonido agradable, sino perseguir la libertad de expresión adecuada a su mundo interior.
- Os editores de La Lupe encontraram-me. A minha página está em construção. Entre los hermanos. Não importa se aqui na América do Sul, ou em Portugal, a minha poesia atravessa fronteiras que meus pés ainda não alcançaram, mas, alcancarão um dia, eu que amo muitas terras...

Saturday, September 01, 2007

EL ABRAZO PARTIDO












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o ABRAÇO PARTIDO - dANIEL bURMAN - 2.003

- Como tantos jovens argentinos, Ariel sonha em deixar o país parfa tentar uma vida melhor no exterior. Sua família judaica de descendência polonesa, parece ser o atalho mais fácil para conseguir sua cidadania européia. Mas, para isso, terá que lidar com assuntos familiares abafados pelo tempo, como o desaparecimento do pai durante sua infância. Como pano de fundo, o diretor Daniel Burman explora as relações interculturais cotidianas de Buenos Aires, onde coreanos, italianos, espanhóis, peruanos e tantos outros povos disputam as escassas oportunidades de trabalho.

03 DE SETEMBRO - 19H
04 DE SETEMBRO 14h30
PROJETO CINE FAP
MOSTRA DO NOVO CINEMA ARGENTINO
Auditório da FAP - Faculdade de Artes do Paraná

CONEXÕES



















Conexão Maringá, editado por Valéria Eik completa 1 ano. O site publicou uma poesia minha do livro - O sal das rosas - Nas páginas seguintes também alguma poesia. No site Rondônia ao vivo - Momento Lítero Cultural nº 65 - editado por Selmo Vasconcellos, e no jornal O rebate. Selecionei poesias do livro - O sorriso de Leonardo. Minha poesia nem quer saber de nada, vai por aí, atrevida, ignorando o sorriso triste da poeta. Vontade de pedir prá ela dar uma trégua, para que eu possa contar a minha história... Quem sabe, nesta primavera.
Momento Lítero Cultural – nº 29, do jornal
www.jornalorebate.com , do diretor/ editor-chefe
José Milbs de Lacerda Gama