Tuesday, March 31, 2009

coletânea artesanal



Minha poesia - Rosa chá azul anil - na coletânea artesanal - ano III - XXII edição

Monday, March 30, 2009

uma imagem para Lia #8

Cuba - foto Izabel Liviski



.

à porta dos amantes

.

Só sei plantar palavras...

Andei esquecida das flores
e ontem procurei-as pela paisagem
Vi a flor de São João - que saudade!

Tão simples, no alambrado.
As flores da minha rua
que eu nem percebia

- amarelas violáceas rubras -

Talvez as flores te evoquem
o jarro à porta dos amantes insaciáveis
o sol a iluminar o amor e o jarro.

Bárbara Lia

Friday, March 27, 2009

céu

heaven paraíso céu ceia às cinco da manhã com o amor balé de beija-flores o parto da poesia o azul da filha comissária a companhia do filho adormecido em manhãs onde escrevo e me enlevo olhando este insuportável brilho de céu - céu sempre - uma voz o silêncio o céu é silêncio e caminhar pela estridente Kennedy dá vontade de comprar uma redoma e encontrar o vácuo hálito das manhãs primevas e a única certeza de céu é a ausência da estridência os desacatos os novatos sem nexo as abelhas cancerosas que roem as pétalas e não sabem extrair o néctar da rosa depois gritam aos quatro ventos que a rosa é venenosa e a rosa se cala as rosas não falam cartola e o silêncio mais antigo é o que persigo com a poesia como escudo prefiro meu canto mudo que aquele canto que espanta as açucenas as manhãs marinhas e de tudo o que vivi posso contar dez dias no céu e eu sei a cor o perfume e a cena o céu existe e vale a pena - Céu - a peça que vou ver hoje nesta overdose que é o Festival de Curitiba. para saber mais sobre a peça:
http://www.festivaldecuritiba.com.br/servlet/DetalhesEventoController?state=1&codEvento=1079

Thursday, March 26, 2009

estante #13

"Horizons Partiels" - Adriano Parise Editore - 1996 - JULIEN BLAINE

Esta poesia visual está no livro Horizons Partiels que Julien Blaine enviou-me logo após o Congresso Brasileiro de Poesia em 1997.

Julien Blaine, nascido em 1942 em Rognac, é um Poeta francês, um dos criadores do Poesia Ação (Cá entre nós, performance poética) um gentleman que sempre me convidou para as exposições do Ventabren Art Contemporaine - Je vous salue, Julien!

Tuesday, March 24, 2009

vitrine #5


andrew sage




Delírios em Amsterdã (fragmento)

Como um Van Gogh roto meu girassol-coração segue a luz de minha amada Serena. Como os marinheiros seguindo bússolas e estrelas. Van Gogh deixa ruivo o céu de Amsterdã e me sequestra para campos de trigo onde corvos tangem meu coração com o adeus da amada e a tétrica certeza da solidão calcinada.
Fujo dela nas noites lavadas de névoa envolvido na fumaça do cigarro, me sentindo exatamente aquilo que sou: o poeta solitário. Atirado no mundo, degredado da terra Brasil. Sepultando sonhos, esquecendo a aurora da minha vida, a minha amada querida, o mar azul do meu Rio de Janeiro. As nossas almas incendiadas da primavera vermelha que me atirou aqui - Amsterdã.
Longe do som do violão, da maresia, dos braços abertos de um Cristo triste abençoando uma cidade que me alucina de saudade.
Van Gogh não mora mais aqui. Tomei o seu lugar. Pinto estrelas de um céu que ninguém conhece: Só Van Gogh e eu.


Solidão Calcinada - (romance) p. 95
- Governo do Paraná - Secretaria de Estado da Cultura - 2.008

vitrine #4



M. Simandle





BÁRBARA

.
Cristal de fogo este sol de abril.
Felicidade ardida em oposição
à esta mágoa fendida.
Cerro negras cortinas,
na penumbra rasgo fotos
do passado.
Em rotação errada
nas paredes da memória
a mesma antiga declaração
dos homens sem imaginação...


"Bárbara, Bárbara.
Nunca é tarde
Nunca é demais”


Há que alguém me amar
sem desafinar letra e canção?
Como um barco sobre o Tejo,
como rosas se abrindo no chão.
Asas de colibri,
fogos de São João.

Uma canção que não seja tarde,
nem demais.
Que seja abril
nada mais.

A última chuva (ME ed. alternativas - 2007)
Bárbara Lia

vitrine #3


eduardo de lima



O sal das rosas


Leito de um rio de sal
Cresce em mim
o desnecessário

Apodreço em rosas
Rio sem foz
Lua duplo espelho
no coração das águas

Lembranças
esperanças
naufragam abraçadas
no involuntário rio
onde acordo
O sal das rosas
- Lumme editor - 2.007
Bárbara Lia

vitrine #2


joão barcelos
.



BARCO DE LIA NO RIO DE CORA


No escuro escrevo como quem

adora
teu olhar que o passado inteiro
descora.

Zero duplicado em infinito
ancora
- istmo - o oceano dos medos
deflora,
rasga em amor, imprime a tatuagem
canora.
Seres do Olimpo a ressuscitar
Pandora.
Amor - linha e linho - como Gil e
Flora.
Teu, meu corpo banhado em tesão na
aurora.
Teus, meus versos banhados no rio de
Cora.
Noir ed. do autor - 2.006

Bárbara Lia

vitrine #1

Monet

Gaivotas pousam estacas

entristecidas

Corredor surreal

e marinho

Tarde sem sol

Mar verde em acalanto

Montanhas em azuis

distâncias

Nuvens a formar

espectros no horizonte

Esta barca Estrela-da-manhã

Este capitão menino

entre céu e mar

Ar cinza de incêndio adiado

Mistérios de agosto

sem ti.

- O sorriso de Leonardo (Kafka ed. baratas 2004)

1° livro de poesias da Lia

* na barca rumo à Ilha do Mel - agosto de 2004

Monday, March 23, 2009

Frieda e Nicholas - filhos de Sylvia Plath


LONDRES, Reino Unido (AFP) - O filho dos poetas Ted Hughes e Sylvia Plath, Nicholas Hughes, cometeu suicídio na semana passada, 46 anos depois da mãe ter se matado, noticia o jornal londrino The Times. Nicholas Hughes, que sofria de depressão, se matou dentro de casa no estado americano do Alasca, informou a irmã dele ao periódico. Nicholas Hughes era professor de ictiologia e ciências oceânicas na Universidade do Alasca-Fairbanks, mas recentemente havia renunciado ao cargo para instalar uma oficina de cerâmica em casa. "Com profundo pesar devo anunciar a morte de meu irmão, Nicholas Hughes, que tirou a própria vida em 16 de março de 2009 em sua casa no Alasca", afirma Frieda Hughes em um anúncio publicado pelo Times. Nicholas Hugues era solteiro e não tinha filhos. Sua mãe, Sylvia Plath, americana, cometeu suicídio em fevereiro de 1963 ao deixar aberto o gás da cozinha de casa, depois de ter vedado com toalhas o quarto dos filhos. Ted Hughes, britânico, morreu em 1998, depois de ter vivenciado outra tragédia, quando sua companheira Assia Wevill também cometeu suicídio com gás, matando ao mesmo tempo a filha do casal, em 23 de março de 1969. Vários críticos acusaram durante muito tempo Hughes, por suas infidelidades conjugais, de ter sido a causa da morte da esposa. O escritor inglês evitou durante anos comentar publicamente a morte de Plath, até publicar, pouco antes da morte, Cartas de Aniversário, uma obra na qual recorda os sentimentos da época. Alguns críticos literários lamentam ainda que boa parte da notoriedade de Sylvia Plath se dever às circunstâncias de sua morte, e não a suas obras.

fonte:


Acabei de receber um e-mail da irmã do meu ex-marido - Soraya - que me ajudou a montar o clipe com versos e fotos de Sylvia Plath para uma apresentação de poesia, enviando esta notícia triste e quase inacreditável. Frieda é a última sobrevivente deste drama.

I'm your man

Leonard Cohen - 1969 (fonte-wikipédia)



.

Final de semana iluminado - a partilha com as irmãs Jaude no sábado - Na noite de domingo, a benção vinda da TV a cabo que entre tantos filmes - a maioria descartáveis -e uma infinidade de programas que não acrescentam nada - Lá vem Cohen e ilumina a semana - a bela semana. Um documentário belo que vi. A vida a obra e os que admiram e cantam suas canções. O poeta tocou-me em ternura e calma zen. O mundo necessita outros Cohen's.

I'm your man
http://www.leonardcohenimyourman.com/

O documentário fez parte da seleção dos festivais de Berlim, Sundance e Toronto em 2006.


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Vontade de morar no coração de Leonard Cohen. Recolher de sua poesia toda palavra e dormir com elas, amá-las ao som de sua voz adocicada.
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Atrás das linha inimigas do meu amor - poesias de Leonard Cohen - lançado no Brasil - tradução do poeta Fernando Koproski:
http://www.7letras.com.br/detalhe_livro/?id=84

estante # 12


47.
A sabedoria interna
Para conhecer o mundo
Não é necessário viajar pelo mundo.
Posso conhecer os segredos do mundo
Sem olhar pela janela do meu quarto.
Quanto mais longe alguém divaga,
Menor é seu saber.
O sábio atinge sabedoria
Sem erudição;
Alcança a sua meta
Sem esforço;
Termina sua jornada
Sem viajar.
Lao-Tse

Sunday, March 22, 2009

Mukhtar Mai - um símbolo


Na Vivare da Senador Alencar Guimarães está exposta uma tela de Maria de Lourdes Jaude, o rosto da paquistanesa Mukhtar Mai. Tema de sua poesia no último dia das mulheres.

Uma carta





Em 2006 organizei um recital de Poesia Árabe em apoio aos civís do Libano. No caminho desta tessitura fortaleci o carinho pelo poeta Michel Sleiman e conheci algumas pessoas da comunidade árabe. Nosso Diwan na noite mais gelada do ano foi um canto com acompanhamento do alaúde. Neste mês passei alguns dias em São Paulo e quando estava lá a editora de -A última chuva - Tãniz Diniz escreveu dizendo que Maria de Lourdes Jaude estava à minha procura. Ela esteve na noite árabe e nunca mais a vi. Ontem tomei um café com ela e suas irmãs Hamila e Jane. Um encontro de poesia e revelações. Lourdes canta ópera pelas ruas para os moradores de rua. Quer levar a poesia para a praça - contraponto aos crimes e dores que as ruas carregam - eu me encolho dentro do meu silêncio, cada dia mais silenciosa. Mas, toparia um movimento de rua que colocasse a poesia no topo, sem as auréolas pessoais e o narcisismo deste tempo. Só a poesia. Lourdes é advogada que se especializou em urbanismo, por isto sua vida passa pela rua. Os seus habitantes passantes que são o espelho da cidade. Ela não usa internet e retomamos o velho amigo telefone e ontem sai de sua casa com algumas páginas sulfite que ela entregou. Eu acreditando que eram seus versos, quando li era uma carta. ...


fragmento da carta de Lourdes Jaude:

...


L'etoile du vers
.
Bénie et
amoureuse,
rayon du miel, La
belle comme
a igual de la
racine oú il y
a
.
Lumiére! Ton
incommensurable est l'
aimable chemin a guider...


Poema para a Escritora Poeta "A estrela do verso" ..."Os seus caminhos sabe guiar"... Pelo perfil da estória. História. Esse halo bendito que coroa o Amor como escola das Letras. Favo de mel que alinhava o pensamento poético de gamas diversas. A Bela da Raiz da Palavra onde há luz de quimeras. O seu incomensuravel é ser guia das estrelas de suas proprias ideias...


... segue a carta e a poesia traçada em sete páginas, os fragmentos brilhando como os pingos na vidraça da janela do ônibus enquanto eu lia. "O poema é sopro divino num varal onde cada um apanha o que vê ou sente"... "Poeta é aquele que colhe do espaço o romance como romãs em ramas no bosque da sensibilidade"...

Saturday, March 21, 2009

estante #11





......Os nervos elípticos das metáforas desatam as bússolas sulfatadas
das periféricas emigrações-paraísos
..onde as insígnias dos comedores de planetas congestionam os ciclos
descoloridos dos úteros
..........para costelarem uma golfada de silêncio nos artelhos renascidos
sobre os cios mecânicos das fronteiras
.........que possibilitam aos sulcos figurativos das enlouquecidas bocas
....................................................uma habitação de espécies solares
As ressonâncias da lingua-sandália declinam-se perdidamente
................... ..sobre as técnicas implacáveis das luxuriantes cicatrizes
para preservarem as túrgidas vasilhas da luminosidade
...............................que impubesce as invasoras dinastias dos signos
........................................As cortesãs geométricas dos ancoradouros
retomam os resquícios imortais do bosque muscular
...........onde um farol vocálico inaugura a pulsação das fábulas
.............................entre o abandono sonâmbulo dum alfabeto terrestre
Luis Serguilha
A Singradura do Capinador
colecção golpe d'asa
Indícios de Oiro - 2005

estante #10


ficaram só nomes na paisagem dos nomes
dos amigos nomes dos pais nomes
dos inimigos nomes das árvores
nomes das pedras e das flores nomes
dos rios nomes dos capins ficaram só
nomes na despedida do que foi nomes
nas hastes nomes no ar no vento
nomes no tempo nomes é o que fica
ficarão pra sempre na paisagem:
nomes números & conceitos
Jairo Pereira
Espirithopéia
pg 157

Wednesday, March 18, 2009

Teatro #2




Relembrando a peça do Grupo Uninter - Céu.
Recebi o convite da Geisa Muller, com direito a fragmento de Ovidio.

"Pare, Cupido, de condenar seu poeta como um criminoso, eu que, tantas vezes, sob o seu comando, carreguei o estandarte que você me confiou. Frequentemente outros homens esmorecem; eu sempre amei, e se vc me perguntar o que faço ainda neste momento, eu amo."

Ovidio

Teatro #1

Uma mulher que, em um "jantar artístico" em homenagem ao famoso ator do Teatro Nacional e que faz até telenovela, percebe que está, na verdade, em uma reunião de talentos medíocres. Enquanto espera o famoso ator, que nunca chega, ela reflete sobre sua vida e o meio que a cerca, sob a lembrança de uma grande amiga de todos, enterrada naquele mesmo dia.

Festival de Teatro de Curitiba
dias: 20, 21, 22 e 25 às 19h
27, 28 e 29 às 21h
Ingresso: R$14,00 e R$7,00 (meia)
Casa do Damaceno - Rua 13 de Maio, 991 - inf.: 41-8493-3809

www.marcosdamacenocia.com.br
Texto e direção: Marcos Damaceno – a partir da obra de Thomas Bernhard

Com: Rosana Stavis - Composição, Adaptação e Direção Musical: Gilson Fukushima Violinista: Roger Vaz - Iluminação: Waldo León - Figurinos: Maureen Miranda
Arte e Design Gráfico: Foca Cruz - Fotos: Elenize Dezgeniski

Monday, March 16, 2009

A noite perfumada de Magnólia II




Segunda percepção – A luz se move


Vagalumes são faróis terrestres.
Siameses de estrelinhas verdes.
Espiões de meninas travessas.
Detrás das árvores de flores brancas eles abduziam Magnólia.
Piscavam, enfeitiçavam.
O luscofusco magnético fazia com que ela girasse em ciranda acompanhando a impossível luz.
Ninguém ensinou à Magnólia como colher vagalumes e estrelas.
A primeira vez que Magnólia entrou solenemente na vida, era esta a percepção:
Uma calçada clareada de chuva de mínimas flores brancas, uma janela com luz estranha lembrando o miolo de romãs e vagalumes distantes de seus dedos frágeis.
Magnólia colecionava palavras e não sabia qual a sua primeira palavra.
A mãe jamais dissera.
Por isto imaginava que sua primeira palavra tinha a ver com flor e luz e inseto que incendeia em luscofusco.
Talvez tenha sido um suspiro sua primeira palavra.
Ou uma interjeição.
Ah!
O que mais pode expressar o sentimento de inserção...
Talvez tivesse repetido o som da flor que cai suave e branca na calçada.
E este som era o prenúncio de que o paraíso está ali na esquina.
Andava com prenúncios de paraíso ouvindo o som da flor que cai.

Bárbara Lia

Friday, March 13, 2009

Toma os teus ponteiros

Toulouse-Lautrec



Que esse ar que me falta
é o troco dos relógios que invento.
2008, de fato, foi o ano da lama.
Todavia, que venha o vinho,
mais chuva no ninho,
&, por favor, meus corações todos num só umbigo.

Rebecca Loise
.
Minha amiga Rebecca escreve. Mantém seu blog e uma coluna em um jornal de sua terra - Dourados. Universitária, cursa Psicologia em São Paulo e me concedeu algumas horas da sua semana - reencontro e trocas - sentar novamente em um café e ler nossos escritos, comemorar e pontuar esta jornada. Uma menina que assombra com sua força de alma e com sua escrita.
Capturei estes versos de seu blog (link ao lado)
.
- Poeta em Viagem - São Paulo 13.03.09

Tuesday, March 10, 2009

Um poeta em carne viva

Um poeta em carne viva
não cabe
nas reentrâncias simétricas
das mentes obtusas
que desconhecem
os mapas de Tolkien
o barco bêbado de Arthur
a Pasárgada de Bandeira.
.
Um poeta em carne viva
abriga a terrível pulsação
de um coração-estrela
e um silêncio
encravado nas entranhas
como filho bastardo
que nasce
à revelia do seu canto.
.
Um poeta em carne viva
acorda com o poema
escorrendo na pele
e anota rápido o verso-raio
que invade o torpor
de estar vivo.
.
Um poeta em carne viva
pisa as pedras
imaginando-as
seda da China.
.
Um poeta em carne viva
é um louco no tribunal
das almas de chumbo:
culpado sempre.
..
Culpado de ser humano da fala ao falo.
.
Bárbara Lia
Sampa - 13:35 - março precioso.

Monday, March 09, 2009

Céu

(clicar na imagem)




A VOLÁTIL CIA. DE TEATRO DO UNINTER

convida para o ensaio aberto do espetáculo:

CÉU

Sexta-feira, 13/03/2009

HORÁRIO: 21H

TEATRO UNINTER

ENTRADA PELA RUA DO ROSÁRIO, 147

(próximo ao LARGO DA ORDEM)ENTRADA FRANCA



----- Geisa Muller convida para o ensaio aberto - e para a apresentação durante o Festival de Teatro de Curitiba------


cartas bahianas


Sunday, March 08, 2009

mujeres

Mi vestido cuelga aqui - Frida Kahlo - 1933.
Papilla Estelar, 1958, a pintura de Remedios Varo.


.
Um arrepio de emoção, pousar o olhar em um quadro de Frida Kahlo um dia antes do dia das mulheres. O vestido que ela pintou entre uma infinidade de signos novaiorquinos, um carimbo de sua etnia e força tolteca, evocação de sua saudade. O vestido em um varal que se estende entre um vaso sanitário e uma ânfora com uma fênix no alto. Um presente único neste dia que eu ouso celebrar: Ser mulher! Gosto desta fase de Frida, onde o tumulto e o estranhamento com outro país suscitou o quadro que está nesta exposição, o outro onde Diego despenca de um prédio, o outro onde o dedo necrosado sangra na banheira. No sábado uma festa que antecipa o dia de todas as mulheres. Quatro Mulheres. Um passeio ao museu, um jantar à luz de velas. Crepes & Martinis. Quatro Mulheres. Neuza Pinheiro me apresentou Shirley K. e Ana Machado. Uma tarde/noite de belezas. Os quadros todos belos, mas, como a compactuar este instante com as pintoras eternizadas ali que certamente comungam conosco a hóstia de fogo a vida o vôo o sonho o espanto, na exposição não me detive em Orozco, Siqueiros, nem mesmo em Rivera. A grandiosidade dos muralistas mexicanos esqueço, para contemplar a fêmea tessitura, o vendaval surreal desta mulher que me domina e a candura de uma outra mulher alimentando a lua com uma papinha de estrelas moídas. A ternura do coreto de madeira (amo coretos!) flanando no espaço meio a um mar de estrelas. A lua na gaiola - pura poesia. A lua é só uma criança faminta, devo lhe dizer - tu que temes a lua.
Dia da mulher, estou em São Paulo, é no Instituto Tomie Othake que acontece a exposição - Latitude: Mestres Latino-americanos. Confesso que quem me levou até lá foi Frida, mas todo o acervo está bem bonito.

Thursday, March 05, 2009

Reflexões sobre o mundo árabe contemporâneo





Cursos Icarabe
Curso do Icarabe Reflexões sobre o Mundo Árabe, agora
em Curitiba
Associação Comercial do Paraná, no Auditório Carlos Alberto Pereira de Oliveira – 9º andar;

XV de Novembro, 621 - Centro – Curitiba/PR (estacionamento próximo)
Nos dias 12, 13 e 19, 20 de março

Inscrições até dia 9 de março

Início das aulas, dia 12 de março
mais informações:

Wednesday, March 04, 2009

Prosa & verso

Ano passado conheci Izabel Liviski, um amigo comum indicou-me. Izabel optou por estudar uma autora contemporânea, e especificamente o meu livro - Solidão calcinada - para um trabalho acadêmico. No embalo da conversa sobre a dita - escrita de mulheres - saboreando um chocolate quente, conheci Izabel, que também é fotógrafa. Naquela tarde apresentei o meu livro - as personagens femininas e seus diários - e o texto dela começou a ser gestado ali, em uma tarde fria de final de primavera...
Não devo publicar seu texto, apenas a frase final que cita Orlando.
Uma bela experiência esta.
O poeta Márcio Claudino incluiu minha poesia em sua monografia de final de curso e considero o mais completo - até hoje - sobre a minha poesia. Izabel ficou com a prosa e amei o fecho e o encerramento do texto dela, que é mesmo aquilo que faz parte do meu caminho - escrever com todos os sentidos, agregando a alma e o corpo, para que não se torne esta escrita cerebral que espanta o leitor. Escrever e seguir sabendo como é o território inteiro, erguer minha mansarda e continuar apenas assim, dona de mim. Agregar esta precoce situação de ter pessoas estudando seus livros - e mesmo que isto seja o prêmio: os leitores e a escalada toda - sei que é o início, o começo de meu caminho como escritora.
Deixar a frase de Lygia Bojunga sempre diante dos olhos:
É preciso antes de mais nada levantar a casa.

*

Estudos Avançados - II - História (Gêneros da escrita: literatura, história e a teoria feminista sobre a escrita de mulheres) - Izabel Liviski

**
...emprestamos a frase que Virginia Woolf disse em/para Orlando, e que parece se aplicar também à nossa autora: “Pois, segundo parece – seu caso prova isso -, escrevemos não com os dedos, mas com a pessoa inteira. O nervo que controla a pena enrola-se em cada fibra do nosso ser, amarra o coração e trespassa o fígado."

**

*
DUAS TENDÊNCIAS DA NOVÍSSIMA POESIA CURITIBANA NO ALVORECER DO SÉCULO XXI - MÁRCIO DAVIE CLAUDINO DA CRUZ...
-mínimo fragmento da monografia - Márcio estudou duas tendências - vital e onírica - estou entre os poetas de escrita onírica, embora o próprio Márcio tenha me segredado que muitas poesias minhas têm este aspecto visceral e vital...
*
A poesia de Bárbara Lia quer sempre atrair o universo do sonhador para o real, para a rua, para a casa, para os amigos e para o que mais lhe pertence intimamente: filhos, amigos, amores: “guardei nas dobras da alma / os que amo e são meus” (A última chuva, p. 17)
[1]. E por que o real é fato nos McDonald’s da vida e no “fluxo anêmico dos carros (de luxo)” (A última chuva, p. 15), a mística busca dessa poesia é erotizar e sonhar a partir do real, com a espreita ritual da vidente na “água calêndula no ralo” que “revela”: a forma exata do rosto estrangeiro e o sexo formigueiro de prostituta de Veneza... Espie pelas frestas do Zeppelin dos sonhos... Meu mundo: Sem Florais de Bach Feng Shui Mantras.” (A última chuva, p. 15). Revelando formas de rosto e sexo pelo transe e pelos sonhos, o mundo se compõe de ausências, “sem florais de Bach / Feng Shui / Mantras”. Sem esses auxílios místicos para viver. A realidade avistada com estranhamento significa, em poesia, colocar ao lado de um termo real outro surreal. Porque é preciso revigorar a realidade, virando o disco, tocando outra faixa. Estar atento à faixa que emerge súbita, fora do plano cotidiano é tarefa de quem avista, de repente, coisas ditas como: “andando por calçadas molhadas / -uma lâmpada grávida / estremecida de sol” (A última chuva, p. 11), “o algodoal menstrua / sangue branco / antes da primavera” (Noir, p. 31)[2], “meninas nuas em camas de areia / com o pó negro de Kohl / derretendo em prazer / no olhar” (Noir, p. 41), “Como quem olha entre as frinchas de um biombo, / vi tuas mãos – lua de Isfahan” (p. 27). Os elementos em A última chuva são líquidos e noturnos, nota-se o emprego abundante do vocábulo água, além de outros correlatos como chuva, lágrima, gota, pingos, lago, menstrua, bebe, vinho, chá, abraço líquido, vendaval molhou, enxurrada, enxágua, sede, sangram, óleos, barco. A maioria dos poemas traz essa marca indelével, a considerar a partir do próprio título do livro. A poeta prefere a água à areia, pois, dentro do silêncio quebrado pelo ritmo incômodo dos pingos de “uma torneira vazando / enlouquecendo em azul / a noite”, o tempo é marcado pelo elemento líquido que “cai em ritmo de segundos, / tatua o tempo em estilhaços líquidos”.

(...)

[1] LIA, B. A última chuva. Belo Horizonte: Mulheres Emergentes Edições Alternativas, 2007.
[2] LIA, B. Noir. Curitiba: edição do autor, 2006.

Tuesday, March 03, 2009

Ressonâncias

Está na hora de explodir as outras torres gêmeas - Sebastião Nunes
http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id=3845

Lendo o texto acima do Sebastião Nunes e pensando:
como é bom encontrar ressonância em algo.

Monday, March 02, 2009

O sorriso de Leonardo





Lembro que foi na Biblioteca do Muma que encontrei a Biografia de Leonardo Da Vinci. Muito impressionada com o livro e com a descrição de Leonardo escrevi algumas poesias e fiquei mesmo com o desejo do inacessível - saber como era o sorriso de Leonardo. Homem sério este Leonardo. Mente e alma pululando e pulando de estrela em estrela e de uma teoria a outra teoria para construir pintar e deixar os inventos tantos e os quadros que deixou. O cientista genial, o poeta livre que não gostava de ver pássaros em gaiola, nunca pintou um autorretrato sorrindo.
Um jornalista científico - Piero Angela - notou que existia um nariz no texto que ele lia, em um manuscrito de Leonardo Da Vinci - Códice sobre o voo dos pássaros - e utilizaram novas técnicas - técnicas de investigação criminal - para revelar o rosto escondido.
Estava assistindo ao noticiário da Band News quando ouvi a notícia, antes de mostrarem a imagem eu pensei - naquele momento que antecede à uma revelação - será que neste ele está sorrindo? Que nada. Belíssimo, mas, sério. O sorriso de Leonardo vai continuar sendo impossível de ser vislumbrado, mas, pode ser imaginado e então a imaginação - que é das capacidades a mais bendita - inaugura uma luz neste rosto bonito.
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Um texto sobre a descoberta do rosto escondido:

Sunday, March 01, 2009

Uma imagem para Lia #7

Foto do meu amigo Cássio Amaral
(Violetas roxas/solo sagrado)
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