aqui não é Paris, é quase La vie en rose
os podres poderes anulam o humano -
"cidade perfeita" - escoa nas canaletas
emparedados seguimos na cinza do dia
não há ciranda, anel que não me deste
fevereiro a fevereiro, nada virá, nem deus
rosas virgens mortas, musas do Templo
todos os beijos de Gilda - evaporam tristes -
enquanto serpenteia o toque dos sinos étnicos
e as figuras de Poty dançam nos umbrais
abandonam os murais em surreal alegoria
tremula em uma tela cinza o filme super 8 -
pedalinhos no Passeio / Público - a beleza dói
a Poesia valsa entre paredes, entre alamedas
somos Pernetas nos bosques ao som de Bach
Poetas são sempre os malditos degredados
em fictícios navios negreiros, empoeirados
de estrelas... não há espaço para o quântico,
o cântico, os salmos, a fala das mulheres
degolaram as bruxas e - ainda bem -
também as fadas - essa coisa enganosa
ser mulher é sangrar; fadas não sangram
não flamam... sou bárbara, sempre, meus versos
são como pecados atirados num rio secreto
- sinuosidade líquida entre as pedras tortas -
quem beber se envenenará de fogo e primaveras
e amor - a droga-mor
não haverá Paris, só vida em rosa tropeçando
em pedras ocres, cinzas, marrons, negras
pálidas pedras de toque que me faz invisível
ninguém entenderá - nem eu - se eu disser
que amo este lugar como um menino ama
a primeira mulher que tocou e lhe concedeu
espasmos arredios, um pequeno céu vadio
amo, pois também vi estrelas despencadas
os filhos crescerem, amores florescerem
e morrerem e florescerem
floresça!...
aqui é um não-lugar que me habita
e quando atravesso
o perfume mel de uma alameda branca
esqueço os nãos e sigo sim, assim,
tão feliz quanto a mais feliz
das mulheres que atravessa - alumbrada -
uma rua qualquer de Paris ou Pasárgada
Bárbara Lia
dezembro 2014
Imagem - Painel de Poty Lazarotto
ser mulher é sangrar; fadas não sangram
não flamam... sou bárbara, sempre, meus versos
são como pecados atirados num rio secreto
- sinuosidade líquida entre as pedras tortas -
quem beber se envenenará de fogo e primaveras
e amor - a droga-mor
não haverá Paris, só vida em rosa tropeçando
em pedras ocres, cinzas, marrons, negras
pálidas pedras de toque que me faz invisível
ninguém entenderá - nem eu - se eu disser
que amo este lugar como um menino ama
a primeira mulher que tocou e lhe concedeu
espasmos arredios, um pequeno céu vadio
amo, pois também vi estrelas despencadas
os filhos crescerem, amores florescerem
e morrerem e florescerem
floresça!...
aqui é um não-lugar que me habita
e quando atravesso
o perfume mel de uma alameda branca
esqueço os nãos e sigo sim, assim,
tão feliz quanto a mais feliz
das mulheres que atravessa - alumbrada -
uma rua qualquer de Paris ou Pasárgada
Bárbara Lia
dezembro 2014
Imagem - Painel de Poty Lazarotto
