
Tangência
de ferros nos trilhos rasga em ternura
Que ofende
de tão bela.
Existirá
paisagem de dor mais fecunda que
Trens
rasgando trilhos?
Nuvem ao
redor, que nuvem aquela?
Cenário
trepida por trás de uma cortina
Estremecida
Até o ar
se emociona quando o trem se aproxima
Diante
dele a ternura de açúcar fervido
balançando
em dobras de olvido
Esquecer!
Ser este
trem que parte e vai levando diante dele
Uma
cortina
Nossos corações diluídos acima dos trilhos
Eu e
você... Recorda?
Recorda a
fumaça do teu cigarro
Tua pele
clara, o gozo líquido
-
Cortinas de açúcar -
Recorda?
Recordam
– eternamente –
Trens
triturando trilhos
Bárbara Lia
O sal das rosas (2007 - Lumme Editor)