Wednesday, November 30, 2011

76 anos da morte de Fernando Pessoa

Uns dizem que sem esperança a vida é impossível, outros que com esperança é vazia. Para mim, que hoje não espero nem desespero, ela é um simples quadro externo, que me inclui a mim, e a que assisto como um espetáculo sem enredo, feito só para divertir os olhos — bailado sem nexo, mexer de folhas ao vento, nuvens em que a luz do sol muda de cores, arruamentos antigos, ao acaso, em pontos desconformes da cidade.

Livro do Desassossego
BernardoSoares - FernandoPessoa

Falecimento de Fernando Pessoa em 30.11.1935 - Lisboa

Tuesday, November 29, 2011

Flor e Árvore

Existe uma musicalidade que nasce no interior do silêncio e esta musicalidade está presente neste livro que você, leitor tem em mãos.

Penso que nossa consciência se divide em uma parte que observa e outra parte que vive, nos poemas de Bárbara Lia acontece, uma delicada fusão destas duas partes da consciência, temos aqui uma poética que se alimenta desta fusão e com uma elegante concisão ata, costura estas duas metades de um eu lírico, que todos no fundo possuem e poucos sabem fazer cantar e florescer num poema que no fundo é como a flor de uma árvore, que poderíamos sim, chamar de árvore da vida, a poesia seria justamente essa flor, que Bárbara soube tão bem indicar no meio desse misterioso jardim onde cresce a árvore da vida, não é esta flor, uma flor no Ártico como apontou Rimbaud em uma de sua iluminações, é uma flor-árvore que cresce em toda parte, como poderá intuir, quem ler este belo livro.

Marcelo Ariel sobre meu livro em construção - A flor dentro da árvore

meus poemas mais belos

meu neto Arthur no apartamento da bisavó Nila, minha sogra, brincando com a bike da tia Soraya
as plantas da bisa
Arthur, filho da minha segunda filha Tahiana...

Meu filho Thomas, com a tia Soraya


Tahiana , Arthur e tia Soraya


Meu poema primeiro, Paula, em Porto Seguro...


Não costumo falar de mim nesta vida poética que é onde eu sou apenas mãe e avó. Neste final de ano estou feliz por estar driblando as crises de hipertensão, muito Inderal e Losartana Potássica, pouco sal e uma vida longe das tensões, cá estou, sobrevivendo ao caos da vida de poeta... Eles são os poemas mais belos, os que a vida inscreveu em mim e que eu fui tecendo rima a rima, metáfora a metáfora... No livro - O sal das rosas - tem um verso, onde eu digo dos filhos. Em Assaí um aluno perguntou se eu escrevia sobre os meus filhos. Escrevo sobre eles quando falo de belezas, ainda que não diga seus nomes. Para o Arthur escrevi o meu primeiro texto infantil. Um encontro improvável entre ele e o avô, o pai dos meus filhos, que morreu há um ano e não vai estar aqui quando o Arthur estiver maior. Foi o primeiro texto para crianças, espero que ele leia em breve, com carinho, que é o jeito dele de viver tudo... Outro dia tirei uma foto dele com seus livros, fiquei muito feliz por ser um livro o primeiro presente que minha filhota comprou para ele quando ele era recém-nascido. Eles são - o que me pertence - no sentido de vida partilhada... Poesia pura.



O QUE ME PERTENCE


O que é maior que eu
faz parte de mim.
A chuva cabe no mar,
a areia no deserto. Sempre foi assim.

O que é maior que eu
abraço feito fosse Deus.
As coisas pequenas vazam.
Choro por elas, uma noite talvez.

No outro dia
sol clareia a alma.
Descubro o que é meu

para sempre. Os sonhos, as lembranças.
Nossos passos calmos na areia.
O riso dos meus filhos, isto me pertence.

Bárbara Lia
in O sal das rosas

Friday, November 25, 2011

Não: não digas nada!

Não: não digas nada!
Supor o que dirá
A tua boca velada
É ouvi-lo já

É ouvi-lo melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das frases e dos dias.

És melhor do que tu.
Não digas nada: sê!
Graça do corpo nu
Que invisível se vê.
Fernando Pessoa

Thursday, November 24, 2011

A FLOR DENTRO DA ÁRVORE - BÁRBARA LIA



- Bárbara Lia                                                                   Emily Dickinson






“Sinal cifrado para enovelar o divino”



Trinta e dois ventos
da rosa dos ventos
Vinte e um gramas
do peso da alma
Oito países
a comandar a Terra
UM Deus louco
pelas ruas bombardeadas


“O pedigree do mel não diz nada a uma abelha”





O rancor dos homens
Contaminou as flores
As abelhas
Morreram de cólera
Adocicada

Último zumbido
Acordou o Sol
Em cadência afinada
Qual canção do Vangelis




“Uma migalha de mim”



Teço
Um ego-vidraça
Para que enxergues
Meu Eu


Teço
Uma nuvem lassa
Cortina que qualquer mão
Atravessa


Teço
Um hímen de fumaça
Sobre a virgem essência
- tudo o que sou Eu





“O gelo da morte na vidraça”



Láudano para as dores reais
estas que bailam
nos olhos ejaculados

Para as dores invisíveis
chá de espectros
na chávena em chamas


Nunca me livrarei
dos vampiros anêmicos
Nunca os expulsarei
da mesa rústica
de sal e conchas

Ao meu redor
a dança alucinada -
reverso do tango:


Ódio amornado em mel
Ódio guardado vaporoso
Ódio consagrado em si bemol

Purpurina enfática cai
Nas feridas frias
Como manto de rainha bastarda -
Azul - de ódio adulterado




“A liberdade de morrer”





As asas que tu me destes
Rotas de Invernos
Ancoradas na ausência

As asas desfraldadas
Em suicídio adiado
No parapeito viscoso
- Décima espiral do Inferno de Dante



“Dame el ocaso en una copa!”


Velhas estradas bifurcadas
Lentas aparições de fantoches
Nas alamedas do nada

 
 
 
“Doce como o massacre de sóis”



Oito canhões na praça de guerra
Apontam para o peixe
Que traz a paz nas guelras


Quatro gaivotas suicidas
Lambem o babado azulado
Do triste mar-flamenco

Lembro um filme de Babenco:


Ana e o vôo
Mariposas no quarto lúgubre
Suas mãos em concha
A esmagar a eternidade insalubre

Bárbara Lia
do livro - A flor dentro da árvore

- Títulos das poesias deste livro são versos de Emily Dickinson
- A foto com roupa negra (qual Emily) é de 1976, nem tenho certeza, é em uma idade mais próxima à idade de Emily Dickinson nesta que é uma de suas poucas imagens...
- Local de venda do livro:

Joaquim Livraria & Sebo
Rua Alfredo Bufren, 51 - Centro
Curitiba (PR)

telefone - +55 41 3078-5990

e-mail info@joaquimlivraria.com.br

(a livraria colocou alguns exemplares na estante virtual)

Wednesday, November 23, 2011

SUBLIMAR

Tu és o Louco da imortal loucura,
o louco da loucura mais suprema.
A terra é sempre a tua negra algema,
prende-te nela a extrema Desventura.

Mas essa mesma algema de amargura,
Mas essa mesma Desventura extrema
faz que tu'alma suplicando gema
e rebente em estrelas de ternura.

Tu és o Poeta, o grande Assinalado
Que povoas o mundo despovoado,
De belezas eternas, pouco a pouco.

Na Natureza prodigiosa e rica
Toda a audácia dos nervos justifica
Os teus espasmos imortais de louco!

O assinalado - Cruz e Sousa


Making Off - A Atriz Maria Ceiça e o Diretor de - O Poeta do Desterro - o Poeta Sylvio Back

Na noite de ontem o Canal Brasil apresentou o filme de Sylvio Back - Cruz e Sousa - O poeta do Desterro. O filme seguido do Making Off.  Uma homenagem a Cruz e Sousa. Lições poéticas.
Os poetas ainda sublimam toda a sua dor, escrevendo. Isto não tem nada a ver com sentimentalismo. O sentir é inerente ao ser o Humano e a função do poeta é revelar Humanidade quando verte uma poesia para o papel. Alguns poemas são apenas catedrais de palavras e é preciso não se apoderar do título de poeta por conta deste agarrar-se aos signos. Não é Poesia se não existir a fagulha humana dentro e não é poesia se existir apenas um relato piegas calcado apenas no sentir, enfim.
O que Cruz e Sousa veio lembrar na noite foi a SUBLIMAÇÃO de sua dor, quanto mais dor mais pureza em versos, mais luz dentro.
O tempo rasgou dentro de minha alma algumas palavras que eu achava essenciais (quiçá eu não tenha sofrido o suficiente para preservá-las)... Mas, diante de tanto sofrimento transformado em Arte,  só resta desengavetar a palavra e vestí-la, com este azul que visto agora. Vestir o sublime e seguir capturando signos. A vida é um mistério tão intenso que não tem explicação.
As coisas vão acontecendo, à revelia. Cremos ter as rédeas dos dias e o mapa e o traçado do caminho. Quanta enganação.
Esta coragem de folha despencada que segue o vento e se entrega à uma liberdade sem rota, é o nirvana. Um tempo eu ousei soltar-me ao vento das estações. Confesso que vivi.
A chave está ali à minha espera: Leveza e Sublimação. Sem elos e sem prisões.
A leveza abre aquele canal para os mistérios.
Não pude coordenar meus horários pra ir de Assaí direto para o Rio de Janeiro no coquetel de abertura da exposição do Rodrigo de Souza Leão - Tudo vai ficar da cor que você quiser. Tentei. Não consegui. Ir até minha cidade natal foi especial. Estava voltando para casa no dia 09 e na minha frente um carro tinha a placa que começava com as letras MAM. Foi um sinal, a lembrança do amigo, a certeza de que - ainda que ausente - o MAM estava ao meu lado naquela noite, a homenagem ao longe. Estas sincronias.
E gravar a fogo tatuagem mensagem recado na parede no céu na lua, estes versos que me incitam à alquimia possível:

(...)
Mas essa mesma algema de amargura,
Mas essa mesma Desventura extrema
faz que tu'alma suplicando gema
e rebente em estrelas de ternura.
(...)




  •  Sinopse de Cruz e Sousa - O poeta do Desterro.
    Reinvenção da vida, obra e morte do poeta catarinense Cruz e Sousa (1861-1898), fundador do Simbolismo no Brasil e considerado o maior poeta negro da língua portuguesa. Através de 34 "estrofes visuais", o filme rastreia desde as arrebatadoras paixões do poeta em Florianópolis até seu emparedamento social, racial, intelectual e trágico no Rio de Janeiro.
  • Tuesday, November 22, 2011

    o quarto das palavras



    FEVEREIRO

    Louveciennes. Voltei para casa para um amante terno e ardente. Carrego comigo cartas ricas e melancólicas de Henry. Avalanches. Preguei na parede de meu escritório duas grandes páginas de palavras de Henry, escolhidas casualmente, e um mapa panorâmico de sua vida, para um romance não escrito. Cobrirei as paredes com palavras. Será la chambre des mots [o quarto das palavras].

    Anaïs Nin
    Henry & June
    L&PM Pocket
    Diários não expurgados de Anaïs Nin (1931 - 1932)

    Tuesday, November 15, 2011

    Saturday, November 12, 2011

    Assaí - Uma tarde em poesia

    Na tarde da chegada, conhecer o colégio - aqui a Inês Furukawa, prof. Rosana Galassi e a Diretora Edná. Na chegada uma das alunas recepcionou-me com o buquê, toda poesia...




    Inês, Maria Zélia e sua filha Nayara, Edná, eu e Rosana diante do painel dos poetas da cidade



    Os alunos do projeto aguardam para conversar comigo


    Muito bom dialogar com os meninos e meninas do projeto - falar mais sobre minha poesia...


    Depois, conversar com os conterrâneos, descontração na hora do café


    Alunos da 5ª série do Colégio Estadual Barão do Rio Branco, Assaí
    Alunos da 8ª série


    mais fotos para o álbum de recordação

    os meninos e eu


    Registrar o momento com uma palavra-poema
    Valeu, Assaí! Um lugar que leva Poesias aos pequeninos em um tempo tão rude, isto é para marcar
    como exemplo de beleza. Uma epopéia vibrante e curativa que me levou de volta às ruas da
    cidade, ao ponto zero do meu nascimento e ao encontro de tantas pessoas especiais.  

    Thursday, November 10, 2011

    A Homenagem

    Hoje acordei e vi as fotos do jantar do encerramento do nosso evento em Assaí. Pensei naquela frase que diz que "os profetas não são bem recebidos em suas terras"
    Contrariando o que está escrito, fui muito bem recebida em minha terra natal - Assaí.
    Os poetas são profetas disfarçados, realmente. Nós sabemos, quanta verdade foi rascunhada, lida, anunciada e propalada pelos poetas do mundo, desde sempre... para todo sempre.... A nota abaixo saiu no site Assai Online. A poeta bem recebida em sua terra. Grata Assaí, pelo carinho e pelos muitos abraços, pelos dias belos que me devolveram inteira e renovada e plena desta beleza que é a POESIA. O evento encerrou com música sertaneja, para lembrar o pai, sempre esta figura essencial na minha vida. Com o compositor local Diego Souza e a dupla João Marcio e Fabiano...



    Deu no Assaí Online:

    Vários professores, autoridades e alunos estiveram reunidos nesta terça 8, em virtude do 1º Sarau Poético do Colégio Estadual Barão do Rio Branco, que homenageou alguns poetas assaienses. O evento aconteceu em razão do projeto do PDE (Programa de Desenvolvimento Educacional) das professoras Rosana Gonçalves Torquato Galassi e Maria Zélia Bezerra Lopes, com os temas “Poesia como gênero vivo na escola” e “O texto poético em sala de aula construindo caminho para formação do leitor”, que vem sendo trabalhado por elas desde o mês de agosto. Durante a cerimônia de encerramento os poetas foram homenageados com a leitura de algumas de suas obras pelos alunos e receberam também uma lembrança oferecida pelas autoras do projeto. Alguns alunos também leram poesias feitas por eles mesmos dentro de sala de aula, onde também trabalhavam sobre textos poéticos de músicas interpretadas pela dupla sertaneja João Marcio e Fabiano da cidade de Ibiporã. A Dupla compareceu ao evento e deu “canja “de alguns de seus sucessos como “Casa das Primas” e “Sempre te Amei”. Também com eles estava o jovem compositor Diego Souza que recebeu homenagem dos alunos interpretando uma de suas composições.Destaque para a poetisa assaiense Bárbara Lia que hoje mora na cidade de Curitiba e veio à cidade especialmente para receber a homenagem, e rever alguns parentes como o casal Francisco Soares e Ana Gonsales. Bárbara chegou na cidade na segunda, 7, e na manhã desta terça foi recebida no Colégio Barão para um café da manhã com os professores.



    Com o término do evento, poetas homenageados e convidados foram recebidos em um jantar na chácara da professora Leni.

    Professoras do Colégio Barão do Rio Branco e a Diretora Edná - quarta da direita para a esquerda - no jantar de encerramento.

    Maria Zélia Bezerra Lopes com o marido Cilso, celebrando o encerramento deste belo projeto de Poesia em sala de aula. Uma alegria dialogar com ela por tantos meses, acompanhando à distância toda a evolução dos alunos, que não se interessavam tanto por poesia e ontem ela me segredou, alguns estão lendo Fernando Pessoa. Gravo com cuidado em meu coração suas palavras -

    Agradeço por tudo que fez pelo incentivo à leitura dos nossos alunos. A sua vinda à Assaí foi um marco na educação e cultura do povo assaiense.

    Valeu Maria Zélia, eu que fico feliz por você e pela Rosana Galassi  trilharem esta avenida nada fácil da Poesia para, com seus Projetos, apresentar a magia da PALAVRA aos pequeninos da minha Terra.

     com a Inês Morikawa no jantar delicioso na Chácara da Professora Leni...

    as fotos e o texto no site Assaí Online

    Wednesday, November 09, 2011

    pássara poeta de volta ao ninho





    Uma publicação da SEEC / Imprensa Oficial do Paraná


    ...


    Inês K. K. Morikawa, uma das pesquisadoras desta obra e Vice-Diretora do Colégio Estadual Barão do Rio Branco presenteou-me com este livro quando da minha visita ao Colégio Barão do Rio Branco, onde fui recepcionada na tarde do dia 07 de novembro pelos alunos dos Projetos de Leitura do PDE. Uma emoção enorme ao encontrar os pequeninos da minha terra. Meus conterrâneos à minha espera, com seus olhos brilhantes, suas muitas perguntas, seu entusiasmo, recolhendo a poesia que descobriram através das professoras que até eles levou os poetas que nasceram naquela cidade.
    Muito feliz em ter o registro deste tempo que sempre quis conhecer mais. O livro traz imagens da cidade e dos Trabalhadores do  Ouro Branco. Quando meus pais falavam para mim sobre Assaí, contavam sobre a cultura do algodão, que era a grande riqueza da minha cidade. Encontrei algumas imagens da cidade do tempo em que eu lá vivi. Muito bom ter esta referência territorial. Era assim, era o meu lugar. Meu primo Chico Soares levou-me até o lugar do nascimento. Uma parede de tijolos diante de um terreno baldio. Era antes da casa de tijolos, que já não mais existe, uma casa de madeira onde viviam meus pais, meus irmãos mais velhos no dia do meu nascimento. Encontrei o ponto zero da minha vida e pensei - Foi aqui. Tudo começa em um lugar. Este lugar ao sol. Esta rua calma. Esta parede que esconde o primeiro choro. Este momento em uma cidade de Ouro Branco e Sol Nascente. Esta vontade de encerrar um ciclo e recomeçar. Renascimento... É para isto que vivemos.




    Mariza Avelar, minha prima, Professora do Colégio Estadual Conselheiro Carrão trouxe a peça final. Outra lacuna que preciso preencher. Saber mais sobre estes irmãos da terra do sol nascente. Ainda encontramos muitos japoneses, os que trazem os traços desta mistura de brasileiros e japoneses. Aquelas meninas com olhos negros, calmos, aqueles gestos que só eles sabem. Mariza foi uma das pesquisadoras deste livro. Muita luz nestas capas de ouro claro. Esta alegria de voltar com os livros de Assaí na mala. Deixei por lá alguns livros meus. Estas trocas belas. A vida segue com a poesia e com este banho de memórias, saudades, emoções que fazem a voz calar ao lembrar o pai em um poema. Então é isto, pai, foi pra você este momento. A filha que torna a um lugar onde tudo começou, naquele tempo em que embalavas as noites entre as fraldas e mamadeiras.

    Assaí = Amanhecer / Aurora de Algodão


    com Rosana e Maria Zélia  -           no palco lendo meus poemas -    no hall de entrada, minha obra exposta


    a diretora Edná  na abertura do sarau                                              ouvindo a leitura da minha poesia





    Os meninos e as meninas coloriram a noite da poesia, com seus poemas...


    1º Sarau Poético do Colégio Estadual Barão do Rio Branco, de Assaí, na noite desta terça-feira, 8.
    O evento prestou homenagens aos poetas assaienses Bárbara Lia, Chrystianne Lopes, Francisco Kuya, Ione Maria Kuya, Luiz Sérgio Piornedo, Mattheus Hermanny, Paulo Kuya, Regina Góes, Terezinha Thomaz, Walerian Wrosz e Wanderley Sueiro. Desembarquei na minha cidade natal, que não visitava há décadas para ler poesia, receber homenagens e matar as saudades. Uma alegria inexplicável...







    Os alunos que participaram destes projetos do PDE 2011 desenvolvidos pelas Professoras Maria Zélia Bezerra Lopes e Rosana Torquato Galassi. Ao final abraçaram a aura poética, transpirando versos e lendo poesias...
    Rosana Torquato Galassi e Maria Zélia Bezerra Lopes

    Uma menina de Assaí



    Um momento poético: Regina Goes, Professora do Colégio e uma das homenageadas contou-me que conheceu meus pais, em uma visita que eles fizeram aos seus pais. Velhos amigos e esta lembrança do que não vivi. As vidas de nossos pais partilhadas há meio século atrás e uma vontade de recolher as cenas do ontem para matar a saudade...
    Meus primos que me acolheram. Francisco Soares Neto, vereador da nossa cidade. Filho do ex-prefeito Lupercio Amaral Soares. Sua esposa Ana Gonsales Soares,  ex-diretora do Colégio Barão do Rio Branco, partilhando esta bela celebração da poesia.



    Fotos - I Sarau Poético/Colégio Barão do Rio Branco no Site Assai Online.




    Uma menina de Assaí, que de lá saiu com quase quatro anos. A única imagem que tenho da minha infância nesta cidade. Uma menina descalça em uma rua de terra, como quem está deixando um lugar. Um lugar para onde voltou poucas vezes. Volta agora. A poesia na alma, a vida nas dobras do vestido. Um momento de paz, aquela aura branca da infância, como os algodoais. Um lugar para apertar a tecla pause, deixar lá fora todo o odor que exala das horas mornas, dos sacrifícios vãos, dos amores mortos, da vida que escorre bruta, de toda a dor que o pequeno Cadu grita em seu poema, no palco. Sim, existe. Existe este terror. É tarde para os homens, ou talvez ainda não seja. Existe o cansaço da vida escorrendo real, quase sangue que alcança os passos. Mas, é hora de apertar a tecla pause, voltar ao ninho branco. Sorrir e repartir, o pão e a poesia e a realização de um momento. O empenho das mestras, o apoio de toda uma Escola. O apoio que se estende à comunidade que abraçou isto e concordou em permitir que o lado material fosse suprido. A grande festa, os alunos com as camisetas espalhando que existe Poesia no ar, no lugar, no lugar onde eu nasci... E de onde eu saí, assim, esta menina de Assaí...

    Saturday, November 05, 2011

    a poesia segue...

    professoras Maria Zélia e Rosana, com Wanderley Sueiro e aluna Lessiany
    foto do site Revelia, do poeta Mattheus Hermanny


    As professoras Maria Zélia e Rosana, do Colégio Barão do Rio Branco - Assaí (PR), organizaram projetos para levar o texto poético para a sala de aula. Acompanho este desenrolar sublime através das notícias que chegam via email. Os alunos participaram de oficinas e escreveram poemas. Os poetas que residem na cidade visitaram o Colégio para narrar suas experiências. Uma maratona poética que migrou das salas de aula para as ruas e casas. Fiquei muito feliz por estar presente no desfile da cidade no Dia da Independência, na homenagem aos poetas que lá nasceram. Muito bom ver a poesia em destaque. Os alunos envolvidos com a palavra e professores escolhendo este belo gênero literário para seus projetos em sala de aula. A poesia segue, nos corredores escolares, nas ruas e nas casas.  
    Vou sentir saudades. As belas coisas sempre deixam saudades.




    foto do site do Colégio Barão do Rio Branco - SEED / PR

    TUDO VAI FICAR DA COR QUE VOCÊ QUISER






    Tudo vai ficar da cor que você quiser
    Exposição de Rodrigo de Souza Leão
    Abertura dia nove de novembro de 2011, quarta-feira, às 19h
    MAM-RJ
    Museu de Arte Moderna
    Rio de Janeiro
     
    Exposição (curadoria de Marta Mestre e Ramon Mello) e lançamento de livro-catálogo crítico, com textos de Heloisa Buarque de Hollanda, João Magalhães, José Aloise Bahia e Paulo Sérgio Duarte (Edições Pinakotheke, Rio de Janeiro, RJ, Brasil)

    Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Avenida Infante Dom Henrique, nr. 85, Parque do Flamengo, Telefones +55 (21) 2240-4944 e 2240-4899, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

    Wednesday, November 02, 2011

    O SAL DAS ROSAS - BÁRBARA LIA



    O SAL DAS ROSAS





    Leito de um rio de sal.

    Cresce em mim

    o desnecessário.



    Apodreço em rosas.

    Rio sem foz.

    Lua duplo espelho

    no coração das águas.



    Lembranças,

    esperanças

    naufragam abraçadas

    no involuntário rio

    onde acordo.




    O sal das rosas (Lumme Editor)


    Tuesday, November 01, 2011

    tem um pássaro cantando dentro de mim - Bárbara Lia

    MAR ABSINTO




    ***



    quando ele corria
    pelos telhados de ardósia
    as pombas arrulhavam
    em ventania
    seu casaco - vela sacudida
    estremecia
    a maré da monotonia




    ***

    DANS L’AIR


    DANS L'AIR


    Tínhamos a mesma idade
    Quando vimos o mar
    Este mistério de impaciência
    Tínhamos a mesma impaciência

    – Rimbaud e eu –

    Por isto
    Pisamos telhados
    Ao invés do chão

    Por isto
    Machucamos nossos amores
    Com nossas próprias mãos

    Por isto
    As velas acabam na madrugada
    Antes que o poema acabe

    - Por isto, tão pouca a vida para tanta voracidade.



    ***



    A vela acesa, o estábulo, o feno
    O vento rutilante lá fora
    Uma estação no inferno
    Um grito dentro
    Que ainda espanta
    Em todas as catedrais
    As pombas brancas



    ***

    MAR ABSINTO




    Nossos olhos de dezoito anos
    acomodaram o mar
    Sobrou a maré em torno
    um sussurro de conchas
    a nos acordar nas noites brancas

    Nossos olhos de dezoito anos
    beberem do mar/absinto
    como ao vinho santo.

    Nossos olhos negros e azulados.
    Uma sereia recolhendo a rede
    os corações de dois poetas ali - enredados

    Nossos olhos de dezoito anos
    Nossas almas milenares.
    Nossos amores fracos à soleira da incerteza.
    Tanta beleza em ti, Rimbaud!
    Tanta ausência em mim!

    E nas marquises
    bêbados ainda caminham
    buscando o sol
    que você guardou pra mim



    PEQUENO TRATADO DA DELICADEZA

    p/Rodrigo de Souza Leão

    Rimbaud te espera
    No barco bêbado encalhado
    Em um mar crispado de turmalinas
    - lágrimas dos poetas -
    Nas mãos, duas taças de absinto
    Para brindar a vida fera
    Dois homens de branco
    Ancorados na beleza
    A repartir
    O fogo santo
    O espanto
    O canto
    O eterno canto
    Dos poetas...

    - Por delicadeza

    Perdi minha vida -

    Por delicadeza
    Entregamos a vida
    Aos escarros
    Por delicadeza
    Entregamos a carne
    Aos caninos ávidos
    Por delicadeza
    Atravessamos a bruma
    Com lírios brancos
    Nos braços
    Rimbaud sempre à espera
    Para brindar
    A eterna primavera

    Páginas 29 a 35 do livro - Tem um pássaro cantando dentro de mim
     

     








    TEM UM PÁSSARO CANTANDO DENTRO DE MIM

    CANÇÃO PARA JANE E EDITH


    Só em pensar que existe um jardim inglês
    Um lago retangular pleno de flores d’água
    Cercado por lanternas vermelhas e névoa

    Só em pensar que sob alguma árvore
    Três cavalos meditam ao entardecer
    Um branco, um negro, um caramelo

    Só em pensar nas similaridades ternas
    Viver da minha caneta como Jane Austen
    Tricotar casacos para o amado como Piaf

    (Recolher ossos espalhados. Cerzir a pele
    Lavar sexo e coração para o novo amor
    Longe das ruas geladas e do assédio
    Dos egos afetados)


    Bárbara Lia