Para quem ama Literatura e gosta de séries policiais - The Following - acenava como uma junção de paixões, que lentamente começa a esvanecer. As chamadas da série focando em Edgar Allan Poe e o enredo que se delineava nos primeiros episódios, atando cada passo do serial killer ao escritor, foi perdendo a cor e a forma e restou apenas uma série policial. Interessa prosseguir, pela série em si. Embora violenta demais. Embora eu deteste carnificina. Geralmente assisto Law & Order, pois nesta série não apresentam muita violência, tudo é mais focado no desenrolar da investigação e julgamento dos culpados. Em _ The Following - é preciso sangue frio. A série traz um Kevin Bacon maduro, maravilhoso em seu papel, mais lindo que antes. A mostrar que o tempo embeleza os homens. É isto. Ele é o agente do FBI responsável pela prisão do serial killer no passado, recebeu um tiro na ação, o que o obrigou a usar um marcapasso, e esta imagem de solidez e mistério somada à fragilidade dá um toque diferente à característica do personagem. É um agente que traz consigo uma espécie de maldição. Todos que ele ama, morrem.
No início eu acreditei que teria belas cenas com poemas de Allan Poe. Elas foram escasseando. Não tira o detalhe do enredo. O serial killer era professor de Literatura, apaixonado por Poe. Ele é preso e o agente escreve um livro sobre o caso. Ele decide que deve continuar a escrever o livro em parceria com o policial, foge da prisão e inicia o voo para a loucura. Insanidade é pouco para o que vem pela frente. Em resumo a sinopse apresentada quando a série surgiu é esta:
Série escrita por Kevin Williamson -- The Following -- é um thriller policial que deixará seus nervos à flor da pele desde o momento em que conhecer Ryan Hardy (Kevin Bacon) e Joe Carroll (James Purefoy).
Somente nos Estados Unidos há 300 assassinos em série em atividade. Já pensou se eles se comunicassem ou formassem uma aliança? O que aconteceria se ainda elegessem um líder? Conheça Joe Carrol, um dos assassinos em série mais carismáticos da história, o homem que há nove anos matou cruelmente 14 moças da Universidade da Virginia, onde era professor de Literatura. Ryan Hardy é um agente aposentado do FBI e foi escolhido para captura-lo. Agora, ele terá que voltar à ativa para conseguir rastrea-lo para logo descobrir que diversos seguidores resolveram se unir a causa de Carrol."
Em resumo, os seguidores de Joe Carrol são apenas assassinos. Em algumas cenas do início da série as referências a Poe eram maiores. Na cena onde a garota encontra os policiais com desculpas sobre ter algo a dizer e deixa cair a roupa ao chão e todo seu corpo está coberto por frases de Poe, e ela se suicida ali mesmo. As referências na parede de uma casa onde viviam os seguidores de Carrol, citando nome das mulheres dos poemas de Poe. Um homem com a máscara de Poe assombrando a cidade. Tudo vai perdendo o foco e resta apenas aquela sensação de que o roteirista falhou ao tentar a junção dos personagens do seu enredo ao labirinto poético de Poe. Principalmente por ser a Escrita - a arte de fingir - o poeta é um fingidor. O Obscuro Mundo de Poe, isto sim é criação, recriação, potência de mente criativa. O que confunde e dá nó na cabeça de muitos leitores, admiradores, é não ter a noção de como pode ir fundo no inferno, ou como pode subir às alturas uma mente criativa, e com as palavras criar mundos, tragédias, voos, miragens, histórias. Ainda assim, sigo acompanhando - The Following - pois é uma série policial, e tem este componente drástico - um homem movendo mentes doentias - nada é como a gente pensa, nunca se sabe em que ponto do enredo vai aparecer um seguidor deste maluco de lugares improváveis, tão grande é a rede de pessoas desta seita. Seguir torcendo para que a fragilidade daquele Agente seja o componente de pureza que vai lavar todo aquele sangue, para que ele possa - finalmente - ficar com a amada, que - é claro - a ex-mulher de Joe Carrol.
The Following no Brasil está na Warner Channel, Kevin Bacon mais lindo e gostoso que nunca.
Fragmento de - O corvo - Alan Poe, em tradução de Machado de Assis
Profeta, ou o que quer sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
Por este céu que além se estende
Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
No éden celeste a virgem que ela chora
Nestes retiros sepulcrais,
Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!
E o corvo disse: "Nunca mais".


