Thursday, October 30, 2008

Orientalismo





Programação:
Dia 29/10, quarta-feira:
Edward Said e o lugar da crítica ao orientalismo nos estudos humanistas
- Renato Queiroz (Antropologia, FFLCH-USP)
- Gabriel Cohn (Sociologia, FFLCH-USP)
- Mamede Jarouche (Letras Orientais, FFLCH-USP)
- João Quartim de Moraes (Filosofia, UNICAMP)
- Coordenação: Francisco Miraglia (Instituto de Matemática e Estatística, USP, e ICArabe)
Dia 30/10:
O orientalismo e os orientes

- Ana Maria Alfonso-Goldfarb (História da Ciência, PUC-SP)
- Emir Sader (Laboratório de Políticas Públicas, UERJ, e Secretário Executivo de CLACSO)
- Milton Hatoum (Escritor e Prof. de Literatura)
- Miguel Attie Filho (Letras Orientais, FFLCH-USP)
- coordenação: Arlene E. Clemesha (Letras Orientais, FFLCH-USP, e ICArabe)
Dia 31/10:
Projeção do filme "Conhecimento é o início" (Dirigido e produzido por Paul Smaczny, 93 min)

Seguido de debate com:
- Carlos Calil (Escola de Comunicação e Artes-USP, Secretário Municipal de Cultura de São Paulo)
- Sylvio Band (Engenheiro e pesquisador em Filosofia da História)
- Jorge de Almeida (Teoria Literária e Literatura Comparada, FFLCH-USP)
- coordenação: Soraya Smaili (Universidade Federal de São Paulo e ICArabe) e Mohammad Habib (Universidade de Campinas, UNICAMP e ICArabe)
*O seminário se realiza no Centro Universitário Maria Antonia, no mesmo momento em que se registram 40 anos da decretação do nefasto Ato Institucional no 5 da ditadura militar.


(Ainda dá tempo de participar deste simpósio!)


Esse simpósio promovido pelo Instituto da Cultura Árabe comemora 30 anos da publicação da principal obra de Edward Said - Orientalismo - expondo a maneira como suas idéias continuam inspirando novas apreciações e análises ao redor do mundo. Em Orientalismo, Said demonstrou pela primeira vez, de maneira sistemática, que o que se convencionou chamar de Oriente reflete uma construção intelectual, literária e política do Ocidente, como meio deste ganhar autoridade e poder sobre o primeiro.Ao demonstrar que na base do pensamento racionalista do século XIX está a criação identitária que opõe Ocidente a Oriente, a obra de Said tem instigado a própria renovação dos conceitos fundamentais das mais diversas disciplinas humanistas. Onde se percebe que o rigor e a suposta neutralidade axiológica têm sido decisivamente influenciados pelos interesses econômicos e políticos da sociedade produtora dos conceitos e métodos de trabalho que embasam essas disciplinas.
Coordenação: Arlene E. Clemesha, Francisco Miraglia, Márcia CamargosComissão Organizadora: Arturo Hartman Pacheco, Isabelle Somma, José Farhat, Michel Sleiman, Natália Nahas, Safa Jubran, Said Bichara e Soraya Misleh. Agradecimentos: Daniela Wasserstein (do Festival de Cinema Judaico) Apoio Cultural: Brasilprev e Instituto do Sono

Wednesday, October 22, 2008

Ocean 1212-W



p/Ia Santanché


.
Point Shirley, a vida protegida feito um navio em uma garrafa - um mito branco e obsoleto - assim descreveria ela um dia esta passagem granulada de ternura, de um mar onde se recolhe conchas para um pai que se adora. Winthrop. Um gato chamado Mowgli, um irmão chamado Warren. Sylvia e seu elemento primeiro - a água. O mar e a pacífica entrada no mundo. Antes do peso dos pés gangrenados de Otho puxarem-na para o mar profundo da inconformidade. Lavar com o sal marinho o sorriso expandido. Secar este sal na pele até doer mais que ferroada de abelha. Princesa que não chegou a ser rainha. Concha que matou a pérola. Um caminho estendido de areias e oceano. Um pai a desvendar a vida social das abelhas e a enclausurar a abelha pequena em uma caixa de interrogação:
.
tenho um eu a recuperar, uma rainha
estará ela morta, estará dormindo?
onde tem ela andado,
com seu corpo vermelho-leão, suas asas de vidro?
.
Este primeiro rito de paz sob as asas dos avós maternos, os Schobers.
Em 1962, quando a BBC encomendou um pequeno trecho biográfico para Sylvia, ela o entitulou Ocean 1212-W. Um número que ela jamais esqueceu, o número do telefone dos avós. Mas, não dava mais para discar o número, adentrar a redoma-garrafa, voltar ao mar da infância, recolher conchas e abraçar Mowgli. Ocean 1212-W, o fio do telefone um cordão umbilical, uma chamada jamais atendida por uma menina, esta que pula e sorri diante de um oceano inumerável.

BÁRBARA LIA no caminho com SYLVIA PLATH
Sylvia Plath (27-10-1932//11-02-1963)


Monday, October 20, 2008

todos os cachorros são azuis


"A primeira liberdade é sair do cubículo. A segunda liberdade é andar pelo hospício. Liberdade, só fora do hospício. Mas a liberdade mesmo não existe. Estou sempre esbarrando em alguém para ser livre. Se houvesse liberdade o mundo seria uma loucura com todo mundo. Eu podendo sair por aí com Rimbaud e Baudelaire. Viajando para Angra dos Reis"
- Rodrigo de Souza Leão
.
O livro do Rodrigo de Souza Leão chegou hoje. Ficção científica ou fábula nonsense? Comecei a ler e veio a lembrança de um outro livro - Hospital Britânico - do argentino Hector Viel Temperley, estes mergulhos no inconsciente e no que a loucura pode engendrar mesmo de arte como em Artaud e Van Gogh, mas, ainda não passei da página 15 e pode me fazer companhia nesta noite. Eu costumo dizer boa noite para a poesia, beijá-la assim como eu beijo um filho, mas, não consigo enxergar o rosto da poesia, nublaram o cinza curitibano, enegreceram, soltaram os cachorros negros. Black dogs black dogs black dogs sinos ressoando espadas sibilando torres demolindo pentagramas encolhendo-se e enforcando todas as claves e as notas musicais semibreves e o DÓ e o DÓ, dó para valer, MI FA(z) SOL

dulcinéia catadora




7.
O tempo é o poema que embala os mortos?
O espaço é o tempo que sonha com os vivos?
O que é o sagrado?
(Marcelo Ariel - Me enterrem com a minha AR15)

O Marcelo Ariel enviou o seu livro da Dulcinéia Catadora, que é parte de um projeto que está abarcando cada dia mais poetas, e agora tem mais lançamentos do selo, recebi o convite do José Geraldo Neres

.

Quatro poetas lançam livros na Casa das Rosas
Dia 25 de outubro a partir das 17 horas

Não esperem encontrar livros impressos em gráficas, com capas feitas com o uso de computação gráfica e editoração eletrônica. As capas são recortadas de papelão comprado de catadores de papel e pintadas uma a uma, com guache, por artistas e jovens, sendo alguns filhos de catadores, outros, menores em situação de risco, recém-saídos da rua. Essas capas dão um colorido especial aos poemas dos autores Celso de Alencar, Whisner Fraga, Ademir Demarchi e José Geraldo Neres, que estarão na Casa das Rosas dia 25, sábado, a partir das 17 horas, recebendo amigos e autografando seus livros.
Embora com estilos bem diversos, este grupo de poetas que também têm livros "tradicionais" publicados e se dedicam há vários anos ao ofício de escrever, apresenta alguns pontos em comum: eles encaram a literatura como um ato de resistência, como forma de aquisição de conhecimento e de propor questões, estimular a reflexão. Neste sentido, abordam temas que afetam nosso cotidiano, que muitas vezes são ignoradas ou tratadas como tabus pela sociedade. E mostram uma inquietação no trato da palavra, muitas vezes desprendendo-se de formas já bem-estabelecidas e procurando experimentar, encontrar maneiras singulares de criar sua poética.
Claro fica, ao terem suas obras "editadas" como livretos com capas de papelão, vendidos a R$5,00, o papel atuante desses escritores que passam a integrar o coletivo Dulcinéia Catadora
.

Friday, October 17, 2008

Noir na antologia do Luis Serguilha

(clicar para ver a imagem)


patchwork #7




Saí pela janela e escalei a encosta até o alto de Bunker Hill. Uma noite para o meu nariz, uma festa para o meu nariz, cheirando as estrelas, cheirando as flores, cheirando o deserto e o pó adormecido, no alto de Bunker Hill. A cidade espalhava-se como uma árvore de Natal, vermelha, verde e azul. Olá, velhas casas, belos hambúrgueres cantando nos cafés baratos, Bing Crosby cantando também. Ela vai me tratar gentilmente. Não daquelas garotas de minha infância, não daquelas garotas da minha adolescência, daquelas garotas dos meus dias de universidade. Elas me assustavam, eram inseguras, me recusavam; mas não minha princesa, porque ela vai entender. Ela também foi menosprezada.Bandini, caminhando sozinho, não alto, mas sólido, orgulhoso dos seus músculos, apertando o punho para gratificar-se no duro deleite dos seus bíceps, o absurdamente destemido Bandini, sem medo de nada a não ser do desconhecido num mundo de misteriosa maravilha. Os mortos ressuscitaram? Os livros dizem não, a noite grita sim.
fragmento - pergunte ao pó - John Fante

.

"Por acaso há humildade na terra? Aparentemente qualquer um pode fazer o que quiser dela: cavar, revirar, plantar. Mas no fim ela engole todos os que a dominam. E fica lá, num silêncio eterno."
fragmento do livro Caixa Preta - Amós Oz

.
Fausto Wolff


.
"Sem leitura não se pode escrever. Tampouco sem emoção, pois a literatura não é, certamente, um jogo de palavras. É muito mais. Eu diria que a literatura existe através da linguagem, ou melhor, apesar da linguagem."
.

As nossas tristezas escondêmo-las nas jarras, temendo
Que os soldados as vejam e celebrem o cerco…
Escondêmo-las por futuras causas,
Tendo em vista uma celebração,
Uma surpresa ao longo do caminho.
Quando a vida for normal,
Sentiremos tristeza como toda a gente, por pessoais motivos
Hoje ocultados pelos grandes slogans.
Esquecemos as nossas pequenas chagas que sangravam.
Amanhã, quando o sítio sarar,
Sentiremos os seus efeitos secundários.
fragmento de Estado de Sítio - Mahmoud Darwich

.
Sem a cultura, e a liberdade relativa que ela pressupõe, a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva. É por isso que toda a criação autêntica é um dom para o futuro.
.
.

FIM DE 68
Contemplei da lua, ou quase,
o modesto planeta que contém
filosofia, teologia, política,
pornografia, literatura, ciências
exatas ou arcanas.
Nele há mesmo o homem, e eu entre eles.
E tudo é muito estranho.
Dentro de poucas horas será noite e o ano
terminará entre explosões de espumantes
e fogos de artifício.
Talvez de bombas e coisas piores,
mas não aqui onde estou. Se alguém morre
ninguém se importa desde que seja
desconhecido e longe.
Eugenio Montale
(tradução: Geraldo H. Cavalcanti)


patchwork #6




É monstruoso dizer-se que o artista não serve a humanidade. Ele foi os olhos, os ouvidos, a voz da humanidade. Sempre foi o transcendentalista que passava a raios X os nossos verdadeiros estados de alma.
Anais Nïn


.
Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.
Clarice Lispector


.
Não posso e não vou violar minha consciência para me adaptar ao que está na moda.
Lillian Hellman
. .

Uma palavra morre
Quando é dita
Dir-se-ia
Pois eu digo
Que ela nasce
Nesse dia
Emily Dickinson (trad. Aila de Oliveira Gomes)
.
O escritor original, enquanto não está morto, é sempre escandaloso.
Simone de Beauvoir
.

Sinto-me livre para fracassar.
Hilda Hilst


AXIOMA
Sempre é melhor
saber
que não saber.
Sempre é melhor
sofrer
que não sofrer
Sempre é melhor
desfazer
que tecer
Orides Fontela

Thursday, October 16, 2008

PROESIA

Degas


Depois de ler SOLIDÃO CALCINADA Frei Betto enviou-me um cartão com estas palavras:

"Agradeço a saga de Pietra, Esperança e Serena, toda PROESIA"
A Marina pinçou palavras dos textos em forma de versos, então lembrei as palavras do meu amigo Frei... Tem sido uma alegria ouvir algumas opiniões sobre o livro.


" Mesmo em meio aos escombros
o amor nasce em flor teimosa
que rompe a terra, o cimento
e beija as botas dos carrascos."


" O olhar desfaz em vinho minhas vestes.
E entre o fogo que me chega acariciante
percebo-o temerário. O amor lembra
mortalha lilás e ele o ignora.
Teme a morte.
Abraça-me em timidez de estanho ardente
e nossas peles assim de calor dividido
não conseguem separar-se."

" Percorrer a trilha,
recolher solenemente
os grãos da saudade.
Trilhar o meu corpo
que se cobre a outros
olhares e se despe
quando chegas como
um vento impreciso,
sem aviso, e apenas
anuncias como dono
do meu segredo e alma
-Estou aqui!"
( BÁRBARA LIA )...

trechos do livro "Solidão Calcinada"

estes fragmentos foram pinçados pela minha amiga Marina T. Maneschy, de Belém, de uma parte do livro (narrativa da personagem Serena)

De Shakespeare a Lennon, passando por Jane Austen





Meu momento - tia coruja - Meu sobrinho Lincoln, no palco do Teatro em Campo Mourão, em homenagem a Lennon, dia nove. Saudade de ouvir uma canção dos Beatles na voz do Lincoln. O outro sobrinho Flávio, vive em Londres com a namorada Mel. Foram visitar Stratford-upon-Avon, lá onde Shakespeare nasceu e me escreveram dizendo que pensaram em mim, e que gostariam que um dia eu aparecesse por lá, pela terra do William. Quiçá? O postal que enviaram de Londres é para me atiçar mesmo. E neste ambiente todo Inglaterra, culminou com um filme que vi, baseado na vida de Jane Austen. Tem gente que me procura em Curitiba, mas, faz tempo que eu deixo um esqueleto cansado fechado em um apartamento em um bairro chamado Portão e vou para outras paragens. Os lugares confessáveis eu publico. Algumas coisas só quando escrever minha biografia. Penso que está na hora de começar a escrever a minha história, para tal qual Fernando Pessoa disse no poema Tabacaria - Para provar que sou sublime.

Becoming Jane - filme de Julian Jarrold, baseado nas cartas de Jane Austen.
Um retrato da escritora antes da fama e seu romance com um jovem irlandês (James McAvoy) - Anne Hathaway interpreta Jane Austen. Nada de excepcional no filme, além de perceber que nada muda com o passar dos séculos. Jane Austen sonhava "viver da sua caneta". E de como ela cortava as palavras de seu texto, literalmente, com tesoura, formando um mosaico bonito na folha. Estas coisas que a gente vê e percebe as manias dos escritores, estas pessoas voluntariosas, como era Jane.

Sunday, October 12, 2008

Fausto Wolff


Eu tenho a mania de apagar algumas postagens. Vez por outra publico e apago. Mas, como diz minha filha Paula - o blog é teu, você escreve o que quiser. E segue o blog escrevendo e apagando - mania de virginiano - excesso de crítica, estas coisas. Uma destas postagens apagadas, além de alguma poesia, informava que o Jean Scharlau publicou o meu texto em homenagem ao Fausto Wolff, na revista eletrônica - O lobo. Jean Scharlau, lembro deste nome, pois foi para ele que o Fausto pediu que eu enviasse minha poesia, lá pelo ano de 2.003... É muito especial lembrar estas pequeninas coisas. Que foi no site dele, do escritor que eu mais admiro, que pela primeira vez a Internet conheceu esta poeta. Agora, o que escrevi quando tomei conhecimento da morte do Fausto, o Jean pescou na rede e publicou entre uma série de homenagens:

Wednesday, October 08, 2008

Patchwork #4




Quarta percepção – A alma é um beija-flor.

Magnólia sabia que não era só corpo.
Enrustida dentro vibrava em agonia ou alegria:
A alma.
A alma tem o peso de um beija-flor.
21 gramas.
Sabia depois de Guillermo Arriaga e de seus enredos únicos. Finalmente o cinema americano tinha alma, embora fosse alma de um mexicano. Tinha alma e ela pesava 21 gramas.
Na infância a percepção da alma trazia um estranhamento que a tirou do tédio.
Então somos algo mais...
Mais que barro, bem mais que terra & água modeladas por um Criador.
O sopro de Deus tinha 21 gramas e inflava dentro esta angústia ou esta sensação de hosana.
Sabia que a alma pesava pouco quando era feliz. Elevava a potências infindas quando vinha a dor. A dor aumentava o volume metafísico do elemento que nos aproximava de um éden.
Magnólia não gostava de perder tempo pensando no éden. Achava um desperdício viver em função do desconhecido.
Achava enganação acreditar no perdão e em reinos que cobririam todas as dores...
Na varanda do amado, em um final de inverno, ela veria o beija-flor.
A um palmo de seu rosto.
Penugem de veludo verde escuro olhos mínimos negros.
Esteve mais próxima do beija-flor que jamais estivera de outra alma.
Um diálogo de olhares de Magnólia com o beija-flor:

- Voas?
- Por vezes...

Foi a resposta de Magnólia à súbita interrogação.
Para provocá-lo pensou – sabendo que eles lêem mente como todos os pássaros...
- Minha alma tem o peso da constelação Ursa Maior -O beija-flor arregalou os olhos negros e teve pena de Magnólia.
Ela queria tocar o veludo verde que cobria o corpo mínimo e ele se foi sem que ela tivesse tempo de estender as mãos.
BÁRBARA LIA

Monday, October 06, 2008

Homenagem a Lennon em Campo Mourão


patchwork #3

.
Algumas pessoas já nascem com um genoma de Deus? Uma substância a mais na alma, ou no sangue, ou nos ossos? Onde Deus pincela a genialidade? Na Alma? Os gênios riem altas gargalhadas como Amadeus... Wolfgang Mozart...
Eu queria decifrar o segredo da beleza, ler em uma partitura os símbolos que soassem como um bálsamo. O encanto é. Ninguém narra, mas tenta. Em sinfonia, como Mozart, em lírica alegoria de palavras, como os poetas. Em ti o encanto é luz apenas, e não necessita nem de música nem de palavra.
Bárbara Lia

Saturday, October 04, 2008

patchwork #2






as águas do entendimento
a insistência em prolongar o céu
só sabem manchar o belo
rasurando as tintas
que um pintor sábio traçou
cronologia sonsa, inócua
um dia em teus braços
sela o éden
por uma vida
dura mais que uma década
de noites frias
regadas à vinho Santa Ana
e acordes de Mozart.

Bárbara Lia

- Quando conheci o Francisco dos Santos, editor da Lumme, que publicou meu livro - O sal das rosas - recebi um livro com pinturas. Francisco dos Santos é artista plástico. A imagem acima está neste livro, e também no endereço abaixo:

patchwork #1



imersa em cena de Dali
bebendo chispas/raios mel
dos olhos teus
lágrimas caindo no rio
pentagrama
compasso de folhas
acordes de pássaros
e voz navalha
de Tetê Espíndola

Bárbara Lia
(Estava revirando arquivos e li um fragmento retirado de um romance e pensei naquilo do poeta ou escritor jogar ao lixo o que é mais belo. Por isto, as poesias inacabadas e os textos cortados de romances, vou colocar aqui no blog - um mosaico - patchwork de idéias, poesias, diário - e quiçá um tempo sem voltar aqui para escrever outra história)

Wednesday, October 01, 2008

conexões

O perfil no Mosaico do site Conexão Maringá
Uma poesia na edição n°10 da Revista Lasanha: