Sunday, September 30, 2012

Em Lisboa


Continuo por aqui... Em Lisboa meu conto - Aquela Viagem - na Colectânea - Ocultos Buracos.
Gostei imensamente do nome da rua: Rua da Fábrica de Material de Guerra, nº 1. 
Munição não vai faltar.





Curitiba revisitada II


Eu tenho um sonho e cada dia que passa ele se incorpora ao real.
Mudei-me para a "Casa de Marte" - casa da cor da superfície do planeta Marte. Agora eu abraço a Curitiba perdida. Aprendo a sublimar e lavar o que há de radical em mim. Duas ou três criaturas que falam em nome de um lugar - não são um lugar. O lugar é o mesmo que acolheu esta mulher, seus filhos, seus sonhos. Volto ao útero verde a ao vento precioso das manhãs que só Curitiba tem. Mudar é sempre bom. No meu caso foi curativo. Agora eu acho graça das artimanhas dos pequenos de alma. Reviso um livro, penso no próximo passo. A Poesia retorna como uma maré cálida a meus pés. Este é o cenário curitibano onde agora trafego, ao lado da Arthur Bernardes, o verde, os corredores nas manhãs. Caminhar quadras e quadras para ir ao Supermercado, respirar o verde. Ver as flores que anunciam a primavera do recomeço. Isto não tem preço.

Curitiba revisitada I


imagem



Milhões de eternidade cabem num suspiro*




Os transformes
Estalam o aço
Na Ópera de Arame

 

O ar antigo
Sopra na fissura
Da porta

 

Escondo-me
Em um caramanchão
De nuvens

 

Tu segues o som
Dos meus suspiros
Vitorianos

 

Em um segundo
Estou nua e branca em tuas mãos
O resto... Você sabe

Bárbara Lia

* verso de Emily Dickinson

La Niña de Fante



Texto meu que encontrei no blog Palavras & Outras Coisas Mais

Friday, September 28, 2012

verão anárquico





Oitavo dia da criação
Verão anárquico
- Instante branco -
Elemento novo:
mezzo uommo
mezzo angelo

Bárbara Lia


'a dor é mais visível na primavera'




O olho doente
da primavera
segue-me

Estende tapetes
de flores 
venenosas

Viro à direita
sigo a trilha de pedras
áridas escarpas

Vivi o necessário
para ver a maldade 
que floresce

Esta dor espalhada ao meu redor
pelos tolos que se escondem
atrás da frívola primavera

Bárbara Lia
in A flor dentro da árvore (2011)
p. 22

Ágora Anis




Cinco décadas
Gestando o agora
Ágora anis

Bárbara Lia

Canteiros







Passei a manhã
plantando clepsidras
espero chuvas primaverís
para que o tempo
floresça em canteiros

Bárbara Lia

angústia





O pássaro azul do lençol
se enche de angústia
empalidece
sempre que me deixas

Bárbara Lia

pressa de mentir

   Imagem comeunpratofiorito


O amor 
nunca foi
e não deu 
em nada
resta no ar
esta cantiga
com pressa 
de mentir

Bárbara Lia

chanson


         qualquer roupa
depois do amor
é lixa áspera
a arranhar 
a pele beatificada
pela hora sacra

Bárbara Lia

Thursday, September 27, 2012

A poeta do sol nascente



Assai - Situada no Norte do Paraná. Minha cidade natal. Meu nome e local de nascimento em junção poética traz uma espécie de personagem: A Guerreira do Sol Nascente.
Quando era garota e procurava o significado de meu nome eu encontrava - Estrangeira. Com o tempo mudaram o significado do meu nome para Guerreira. Achava Estrangeira mais poético, pendendo para um filme de Arte. A estrangeira. Seguido por Lia, meu nome assinalou o meu martírio. Naqueles tempos Lia significava - Aquela que tem olhos tristes e cansados. Por muito tempo quando eu evocava o meu desejo arquivado de ser escritora eu comentava que minha biografia teria exatamente este título:
- Estrangeira de olhos tristes e cansados -
Lia mudou também para um outro significado pequeno - Ovelha.
Sou contraditória pela escolha deste nome, nasci e cresci assinalada por este vaticínio - Guerreira Ovelha. Ovelha Negra. Há mais de meio século deixei este lugar onde nasci. Nada recordo. Uma única imagem minha que narrei em um texto. Uma fotografia com três anos de idade. Sim. Minha família sempre foi pobre. Não sei qual o meu rosto primeiro. Não sei nada a não ser as narrativas.
Nasci neste lugar, onde hoje existe um belo portal. Uma cidade colonizada por japoneses. A cidade mudou, estive lá há quase um ano para participar do Projeto de duas professoras do Colégio Barão: Mª Zélia e Rosana. Uma emoção ser reconhecida como poeta, estar em meu lugar e dizer meus versos, levar poesia aos meninos que lá nasceram em outro tempo.
-- pequeno texto de uma provável biografia...



Arigatô, Ramón!

Qual o pai da menina do filme O livro de cabeceira desenhastes anagramas em minha pele... A palavra Liberdade e os sonhos do sertão que você cultivou docemente. Arigatô, meu pai. No lugar onde nasci existia a maior colônia de japoneses do nosso Estado. E tua vida era zen. A minha vida era um risco. Pequeno traço escuro no papel de arroz – olho de pássaro. Um pequeno pássaro de papel branco cortando as planícies e misturando-se ao algodão que os sitiantes plantavam. Era assim nossa Assai. Nada lá é memória para mim, Ramón. Nada.

Olho para esta foto que é o que restou da minha vida em Assai. A minha primeira foto.

Esta imagem:

Tenho três anos e estou em uma estrada de chão. Estou descalça. O vestido é novo. A foto sépia descortina uma roupa clara, simples. Estou bonita, ainda que descalça. Os cabelos curtos morenos lisos. Uma franja pequena. Um rostinho delicado. O vestido deixa à mostra a sequela de Pólio. Não tenho nenhuma foto antes desta, é a primeira. A sacramentar o meu destino. Estaria sempre só pela estrada da vida. Sépia. Minha vida Sépia. Nem colorida e nem em preto e branco.

Ramón sempre perguntava a cada manhã quando eu me sentava para a primeira refeição.

- Teve sonhos coloridos ou em preto e branco?

Décadas se passaram e hoje devo dizer ao meu pai, onde quer que ele se encontre – Sempre sonhei colorido, mas, quando ia revelar meus sonhos no Laboratório da Vida a revelação era sempre – Sépia.

Meus sonhos nunca puderam ver a luz dos dias. Demoravam tanto que ao chegarem até mim não passavam de fotos amarelecidas, este sépia eterno...

Ainda assim:


Arigatô, Ramón!


O ideograma – palavra – desenhado na altura do meu coração, cada vez que recitavas os versos de Gonçalves Dias, de Camões...

E quando a noite caia e a casa ficava quieta o teu vulto curvado sobre uma mesa calculando a distância entre uma e outra gleba. Gleba, que palavra esta, Ramón? Quando eu ia ao colégio e aprendia o básico, não sabia a professora que eu tinha um dicionário atado ao meu uniforme de menina. Que nas noites eu ouvia lendas gregas e lendas indígenas. E que me contavas sobre a tua vida de menino entre os índios. Eu me assustava só de ouvir a palavra jaguatirica. O sertão teu era bordado na mata-junta como se um filme estivesse impregnado e aquela madeira clara fosse o primeiro celulóide a projetar em uma fictícia tela um reino de águas claras e cipós. A lua clara era minha amiga, por compreender que ela foi a primeira lâmpada da vida do pai. Cada vez que ele contava como se atirava de uma escarpa muito alta nas águas do rio eu sentia o tremor das águas. O dom dele: Com carinho e cuidado me levar ao caminho que ele havia percorrido e me ensinar a escrever antes mesmo das primeiras aulas. Era um tédio de abelhas e sapos as aulas da mulher morena no pequeno Grupo Escolar. Eu já havia escrito hinos em meu coração e já dedilhara todo o alfabeto da natureza.

Arigatô, Ramón.

Pelas serestas e pela poesia.

O que te leva a ser, dentro de uma metáfora, como o pai daquela garotinha do filme de Peter Greenaway, que pinta em sua pele anagramas e a partir desta infância constrói uma escritora.

O que não sabias é que eu teria que sair mil vezes à chuva para apagar cada história pincelada em meu corpo. Que meu corpo quase viraria chuva, de tanta chuva.

Tinta negra e jocosa escorrendo cada vez que tive que apagar um enredo prometido para deixar meu corpo de novo – página branca.

Pura metáfora.

De real mesmo uma impressão eterna – teus lábios em minha testa.

Quando lembro todas as nossas despedidas dá um nó na garganta.

O carinho fecundo do teu beijo.

O carinho de cada adeus pousando seus lábios finos em minha testa, uma reverência eterna.

O beijo do pai era para lacrar a minha mente de ouro. A sua menina nota dez, que não ia nunca ser miss, nem atleta, nem corredora de maratona, nem nada... Ia ser apenas a sua enrustida poeta. Embora ele tenha morrido antes da minha vida tomar este rumo da escrita, ele lia minha alma sensível e dividia comigo tudo o que sabia. Como quem deposita hieróglifos em minha alma. Anagramas em minha pele. Um tesouro que eu guardei. Cada palavra. Cada conto. Cada lenda. Cada estrela que apontou com seus dedos morenos.
Bárbara Lia

The Tale of Genji - Lady Mirasaku Shikibu - 1008

Chapter 23 - The Warbler’s First Song

Tosa Mitsunobu Japanese (c. 1434 - c. 1525)
The Warbler’s First Song (Hatsune), Illustration to Chapter 23 of the "Tale of Genji" (Genji monogatari), Muromachi period, dateble to 1509-1510




"Upon the cloudless mirror of this lake, Clear is the image for ten thousand years"



Há alguns anos entrei em uma exposição insólita - A exposição era da loja "O Boticário" e passeava pela História do Mundo - Para falar dos perfumes evocavam livros e lendas. Na Exposição existia uma sequencia de signos de todos os capítulos deste livro - The Tale of Genji - Copiei rusticamente em um caderno que tinha - O símbolo composto por linhas retas em desenhos vários e o título de cada capítulo. Reproduzo o signo do Capítulo 23 e uma ilustração do Capítulo - Uma frase do mesmo Capítulo. O momento de retorno ao encanto deste que é considerado o primeiro romance literário - é cíclico, geralmente em dias frios.
Detalhes sobre o livro neste link:

Aquela Viagem na Colectânea de Histórias Horríveis e Impossíveis


Lançamento em Outubro - Colectânea - Ocultos Buracos - da Pastelaria Studios - Portugal.
Breve coloco o link para a compra do livro e notícias do lançamento.
Aquela Viagem - meu conto que está neste livro - foi escrito em 2009 estava guardado, talvez, para este momento. Depois de Seth (que narra os passos de um serial killer e foi premiado no Concurso - Contos Grotescos: Prêmio Edgar Alan Poe) outro conto com o toque do suspense e do mistério e da certeza de que alguns homens se envolvem em tramas obscuras, em segredos e medos. Este é meu primeiro conto publicado em Portugal. Até o final do ano outra Antologia além do oceano. Seguimos. O canto na garganta e a alma envolvida na aura da Primavera.

Wednesday, September 26, 2012

A flor dentro da árvore - Bárbara Lia







“Uma migalha de mim”



Teço
Um ego-vidraça
Para que enxergues
Meu Eu

Teço
Uma nuvem lassa
Cortina que qualquer mão
Atravessa

Teço
Um hímen de fumaça
Sobre a virgem essência
- tudo o que sou Eu

Bárbara Lia
in A flor dentro da árvore (2011)

Tuesday, September 25, 2012

EXPOSIÇÃO - CÓDIGO COLETIVO em BH




MUSEU NACIONAL DA POESIA
Belo Horizonte - Minas Gerais
munapbr@yahoo.com.br
...
Tel.: (31) 8838-7367

25/09/2012 - 06h às 18h
EXPOSIÇÃO - CÓDIGO COLETIVO de SANDRA SANTOS
Local: Galeria da Árvore - espaço Museu Nacional da Poesia. Parque Municipal Américo René Giannetti.

25/09/2012 - 18h30 às 19h30
ENCONTRO Internacional Terças Poéticas, com a poeta Sandra Santos/RS apresentando Código Coletivo.
Local: Palácio das Artes Av. Afonso Pena.
sobre o CODIGO COLETIVO:

(exposição CODIGO COLETIVO na 6ª Primavera dos Museus)

Monday, September 24, 2012

Marcos Prado





Bebo o sangue da luna rossa. Bárbara figura vestida de pele de ovelhas que mal cobre o sexo. Lilith devassa, louca alada e nua escondida em uma roupa de senhora. Não sou esta dama no salão de chá, cadeiras bordadas de flores da Confeitaria das Famílias. Vomitando asteriscos e estrelas e dissecando a XV da Federal à Boca Maldita ao lado de meninos de camiseta Hering branca e óculos de Clark Kent, tomando coca-cola. Na hora do ângelus pisam partituras de ossos e surfam no caos, dominam suas ondas... Suas pipas são estrelas inconclusas, com fios esgarçados que eles alcançam da torre da Catedral. Ninguém diria que ferve nas veias um rio vermelho encharcado de blues, nesta saudade órfã do triste homem azul. Pode que ele nos espie no canto da confeitaria em um ângulo discreto, com aquele olhar maroto e aquele chapéu escuro. Pode que ele acompanhe meninos poetas, andando sobre os muros e explodindo em vida ao nosso lado. A gente pensa que é a brisa de fim de tarde na XV - é sopro de Marcos Prado - Este cara eterno que nos mata de saudade...
Bárbara Lia

Reescrevendo o poema - Saudades de Marcos Prado - que foi publicado aqui
Poesia dedicada ao França e Leprevost, nascida de uma conversa na Confeitaria das Famílias... 

Sunday, September 23, 2012

1997


   Em Bento Gonçalves (RS) - Cerimônia anual da Pitangueira Poética. 1997

2011



QUINTA POÉTICA – 38a edição - 30 de junho de 2011 - Casa das Rosas - São Paulo
Nesta edição li minhas poesias ao lado dos poetas Gracco Oliveira (Diadema - SP) e Maiara Gouveia (São Paulo – SP)

Thursday, September 20, 2012

Amor, inspiração atemporal - Cleberton Santos (Edição de setembro - Germina Literatura)







Sobre - Amar, Verno Atemporal - link abaixo:


http://www.germinaliteratura.com.br/2012/livros_inspiracao_atemporal_por_clebertonsantos.htm

O silêncio que te faz meu...





Se a primavera semeia a aura de sua chegada
e os canteiros abraçam esta mulher cansada
Se as "minhas crianças" estão felizes
unidas mais que elos de corrente eterna
Se o azul dos teus olhos cobre a cidade
e Pavarotti proclama em Nessum dorma:
"E o meu beijo romperá o silêncio
que te faz minha!"
Calo beijos e toda poesia
e guardo-te no silêncio que te faz meu...

Bárbara Lia

2005



Entrevista a Rodrigo de Souza Leão para o site Germina:

http://www.germinaliteratura.com.br/pcruzadas_abril.htm

2006





Imagens e vídeo da apresentação do livro Noir em Osasco - 2006

Wednesday, September 19, 2012

Em Lisboa

Lançamento Breve, em Lisboa. Meu conto "Aquela Viagem" integra esta Antologia de Histórias Horríveis e Impossíveis - Ocultos Buracos - editada por Pastelaria Studios Editora. No futuro informo o caminho para adquirir o livro e desta vez não posso ir ao lançamento, por enquanto. Portugal é para o futuro, não muito distante, espero...




Tuesday, September 18, 2012

Luc e Miguel na Ilha Texel






Link para o livro - Luc e Miguel na Ilha Texel.


Este livro é um conto. Uma pequena narrativa que nasceu após a morte do meu ex-marido. Nosso neto - Arthur - ainda não completara um ano. Uma das coisas que pensei quando da sua morte foi a perda desta beleza - Ver o Arthur crescer. Assim, nasceu este texto. É parte daquilo que a Literatura permite. A realidade pode ser adulterada, ainda que apenas nas páginas do livro. Este desenho da capa é meu. E o moinho é um lugar metafísico onde os sonhos se tornam realidade.

Encontrei um site que permite publicar textos.
Preciso formatar alguns livros que pretendo publicar neste lugar;


O link para o meu pequeno livro dedicado ao Arthur e seu avô está aqui:







Monday, September 17, 2012

Ana C.




Tenho medo de perder este silêncio. Vamos sair? Vamos andar no jardim? Por que você me trouxe aqui para dentro deste quarto? Quando você morrer os caderninhos vão todos para a vitrine da exposição póstuma. Relíquias. Ele me diz com o ar um pouco mimado que a arte é aquilo que ajuda a escapar da inércia. Outra vez os olhos. Os dele produzem uma indiferença quando ele me conta o que é a arte. Estou te dizendo isso há oito dias. Aprendo a focar em pleno parque. Imagino a onipotência dos fotógrafos escrutinando por trás do visor, invisíveis como Deus. Eu não sei focar ali no jardim, sobre a linha do seu rosto, mesmo que seja por displicência estudada, a mulher difícil que não se abandona para trás, para trás, palavras escapando, sem nada que volte e retoque e complete. Explico mais ainda: falar não me tira da pauta; vou passar a desenhar; para sair da pauta.
Estou muito compenetrada no meu pânico. Lá de dentro tomando medidas preventivas. Minha filha, lê isso aqui quando você tiver perdido as esperanças como hoje. Você é meu único tesouro. Você morde e grita e não me deixa em paz mas você é meu único tesouro. Então escuta só; toma esse xarope, deita no meu colo, e descansa aqui; dorme que eu cuido de você e não me assusto; dorme, dorme. Eu sou grande, fico acordada até mais tarde.
ANA CRISTINA CESAR (1.952-1983)
- do livro Luvas de Pelica - Inglaterra, Novembro 1.980

Sunday, September 16, 2012

Manoel de Barros





O Olhar


Ele era um andarilho.
Ele tinha um olhar cheio de sol
De águas
De árvores
De aves.
Ao passar pela aldeia
Ele sempre me pareceu a liberdade em trapos.
O silêncio honrava sua vida

Manoel de Barros
Auto-retrato aos 90
Dulcineia Catadora


La Mirada

Él era un andariego.
Él tenia uma mirada llena de sol
de águas
de árboles
de aves.
Al pasar por el Pueblo
siempre me pareció que era liberdad vestida en trapos.
El silencio le honraba la vida.

http://www.dulcineiacatadora.com.br/home.html

Saturday, September 15, 2012

O livro do desassossego - Bernardo Soares



Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto. Faço férias das sensações. Compreendo bem as bordadoras por mágoa e as que fazem meia porque há vida. Minha tia velha fazia paciências durante o infinito do serão. Estas confissões de sentir são paciências minhas. Não as interpreto, como quem usasse cartas para saber o destino. Não as ausculto, porque nas paciências as cartas não têm propriamente valia. Desenrolo-me como uma meada multicolor, ou faço comigo figuras de cordel, como as que se tecem nas mãos espetadas e se passam de umas crianças para as outras. Cuido só de que o polegar não falhe o laço que lhe compete. Depois viro a mão e a imagem fica diferente. E recomeço.
- O LIVRO DO DESASSOSSEGO - Bernardo Soares.


Friday, September 14, 2012

Viva!





Não posso publicar o que escrevo, pois vai para um concurso.
Não posso falar sobre o que escrevo. Segundo meu amigo Frei Betto, não dá sorte. Além do mais, acabo delatanto um livro que precisa ficar inédito.
Fico publicando poemas de amor...
Não devo publicar meu poema de amor que está na Antologia - Amar, verbo atemporal - Não acho ético.
Assinei um contrato de cessão de direitos. Fico aqui com o meus versos antigos e nada de novo que eu possa dar aos meus leitores.

Pensei em um blog que criei onde postei algumas poesias do livro - O sorriso de Leonardo - Uma pequena amostra do livro. Poesias ilustradas com Desenhos e Telas de Leonardo da Vinci. Boa leitura! Boa tarde! Estou viva, compondo uma obra. O sol anuncia uma primavera amena. Tudo está em seu lugar. 


Thursday, September 13, 2012

Eles falam de amor - Eugenio Montale




Desci um milhão de escadas


Desci, dando-te o braço, ao menos um milhão de escadas
e agora que aqui não estás é o vazio a cada degrau.
Mesmo assim foi breve nossa longa viagem.
A minha dura ainda, mas já não me ocorre pensar
nas conexões, nas reservas,
nas ciladas, nos vexames dos que crêem
que a realidade é aquilo que se vê.

Desci milhões de escadas dando-te o braço
e não porque com quatro olhos talvez se veja melhor.
Contigo as desci porque sabia que de nós dois
as únicas verdadeiras pupilas, ainda que tão ofuscadas,
eram as tuas.

Eugenio Montale 
(1896-1981)
Prêmio Nobel de Literatura - 1975

(tradução Equipa "O Ponto de Encontro")
poesia encontrada neste link do site Luso Poemas

Tuesday, September 11, 2012

O Centauro no Jardim






O CENTAURO NO JARDIM
Sou uma esfinge
leoa-mulher
e amo
um centauro em um jardim.
Morreria por ele.
De herança:
minha pata-leoa.
minha mão escritora.
A mesma que tocou os cabelos
do mitológico ser
e o amou
um amor enjaulado
um amor siderado.
Dói amar um ser
que cavalga em poesia
que grita belezas no silêncio…
A esfinge se cala
e entrega
de mão beijada
o centauro amado
a quem jamais
o amou assim.
Bárbara Lia
(Leitura poética do livro O centauro no jardim, de Moacyr Scliar)


Há mais de dez anos uma poesia surgiu logo após a leitura do livro - O centauro no jardim - Não sei dizer qual livro vai gerar versos. A maioria se completa ao final da leitura, alguns ficam martelando dentro da alma, uma palavra, uma inquietação... A leitura só termina quando nasce o poema. Estes diálogos acontecem com filmes, com telas, com outros poetas. O centauro no jardim segue ilhado no jardim, não entrou em nenhum livro meu. Fico meses e até anos sem pensar no livro e na poesia e como um filho distante que chega sem aviso ele retorna: A visita nostálgica.

Tuesday, September 04, 2012

Volva

Serviço:


Exposição: Volva de Andrea Nardi, Eleonora Gomes, Lourdes Duarte, Milena Costa e Raquel Camacho.
Abertura: 17.08. 2012 às 19h
Exposição até dia 23 de setembro de 2012
Local: Museu Alfredo Andersen
Rua Mateus Leme, 336
Curitiba/Pr.
http://grupoovo.blogspot.com.br/


O Grupo Ovo tem como uma de suas principais inquietações o universo feminino: os mistérios de seu corpo e da sua subjetividade. E nada é mais instigante para uma pesquisa estética, do que o rito de passagem representado pelo nascimento.
Volver ao local de origem da vida, a experiência única de nadar no líquido amniótico, sentir-se aconchegado, e finalmente vir para a luz, é o convite para essa viagem inusitada que nos fazem as artistas Andrea Nardi, Eleonora Gomes, Lourdes Duarte, Milena Costa e Raquel Camacho. (Izabel Liviski) -
Ler o texto completo sobre esta exposição no site Contemporartes no link abaixo. Fragmento do meu poema - Cigarras no Apocalipse - integra este projeto, evidenciando outro nascimento - o nascimento do poeta... Até dia 23 de setembro no Museu Alfredo Andersen. Vamos lá!
 

Monday, September 03, 2012

05/09 - Dia da Amazônia







Decreto:
Proibido derrubar
qualquer árvore

(exceto para
construir
berços
e violinos)

Bárbara Lia
in Tem tem pássaro cantando dentro de mim (2011)


Greenpeace:
http://www.greenpeace.org/brasil/pt/

O ritmo da prosa



Saudades da mulher ávida que se sentava nas platéias e bebia com ansiedade cada palavra dos seus autores mais amados. Lembro de ouvir Ana Miranda dizer que ficou nove anos pesquisando, sem sair com amigos, sem vida social, debruçada em documentos e encerrada em Bibliotecas na pesquisa que propiciou aquela obra maravilhosa - Boca do Inferno. Eu estava encantada com o livro, com a autora que estava em minha cidade. Recordo estes dias como o bálsamo primeiro, o sopro, a poesia. Eu buscava os ícones para me espelhar em seus caminhos. O mundo virtual onde todos caimos torna quase uma lenda esta mulher (Ana) em um lugar, desconectada do mundo, cobrindo a mesa e a cama com toda a papelada que vai engendrar uma história magnífica. Insisto. Por pura teimosia de virginiana e guerreira - Insisto. Por isto, eu calo meu blog, não estou presente em tanto alarde que permeia as redes, fico aqui nesta trincheira do ontem, cultivando um enredo, pois eu ainda sou a menina de doze anos a voar nos verões de ouro no balanço rústico da casa feliz, compondo aquela certeza de que um dia seria escritora. Sinto saudades de ouvir algo que espelhe a vida de um escritor tal qual eu presumia. As manhãs caladas, o batuque das letras, o mundo descortinando o novo. O ritmo da prosa é este. Por estar neste ritmo eu não estou postando aqui. Neste ano a poesia brilhou aqui e ali - Os sonetos dialogando com Fernando Pessoa nas páginas do Rascunho. A publicação de A flor dentro da árvore. O Prêmio Cataratas que me levou ao evento em Foz do Iguaçu no mês de Maio. O convite de Celina Portocarrero que me levou ao Rio para festejar a Antologia - Amar, Verbo Atemporal. Penso em voltar ao verso como quem volta ao amante mais desejado. Por enquanto é a prosa, o ritmo lento, a pesquisa, o apego ao silêncio. Lá fora a vida literária é puro alarde. Muitos acreditam que é preciso ser visto para ser lembrado. Eu penso que só uma obra de valor pode fazer qualquer autor ser lembrado em qualquer tempo. Se a Literatura deixar de ser o que até aqui tem sido, prefiro me isolar para sempre. Quem não é visto não é lembrado para mim tem cheiro de pop pobre e equivale a dizer que tudo vale a qualquer custo. Que graça tem isto? Que graça tem se a magia maior é o momento da criação? E só ele importa e sem ele nada há. Mergulho nele e faço deste momento a minha Festa. 

Saturday, September 01, 2012

Sáfaras noites bárbaras...


fac-simile da poesia - Wild Nights - Emily Dickinson



Tradução da poesia está na página de Emily Dickinson no link acima, em tradução de M. C. Ferreira:







Sáfaras noites bárbaras! 
fosse eu por ti 
vi'king's - cenário e fúria 
nossa luxúria! 

Correr coxias 
Donne's - compassos - 
porto in'seguro 
e cuor ingrato! 
De um bote ao éden 
THALASSA! THALASSA! 
possa essa noite ricochetear 
maremotos!

Emily Dickinson
trad. M.C. Ferreira

REPRESENTAÇÕES DA MULHER NA LITERATURA DE AUTORIA FEMININA PARANAENSE: UM OLHAR SOBRE A NARRATIVA DE BÁRBARA LIA - Adriana Lopes de Araujo






Texto publicado em:
Anais do XIV Seminário Nacional Mulher e Literatura / V Seminário Internacional Mulher e Literatura - disponível em PDF na Internet link AQUI

Página onde é possível ler todos os textos:
http://www.mulhereliteratura.com.br/