Monday, August 29, 2011

Bárbara Bela do Norte Estrela

Da Herança



Meu pai dizia que ela era forte
e era fiel ao seu amor
Bárbara Bela – de Alvarenga
A conjurada. A louca

Sou guerreira
– este é o nome -
estigma na alma
a vida uma batalha
amores degredados

Nome marcando
passos, destino, travessia
Quem dera ser Beatriz

A bela canção do Chico
A musa de Dante
Uma mulher feliz!

BÁRBARA LIA





Bárbara Bela - Alvarenga Peixoto


(remetida do cárcere da ilha das cobras)

Bárbara bela,
do Norte estrela,
que o meu destino
sabes guiar,
de ti ausente,
triste, somente
as horas passo
a suspirar.

Isto é castigo
que Amor me dá.


Por entre as penhas
de incultas brenhas
cansa-me a vista
de te buscar;
porém não vejo
mais que o desejo,
sem esperança
de te encontrar.

Isto é castigo
que o Amor me dá.


Eu bem queria
a noite e o dia
sempre contigo
poder passar;
mas orgulhosa
sorte invejosa
desta fortuna
me quer privar.

Isto é castigo
que o Amor me dá.

Tu, entre os braços,
ternos abraços
da filha amada
podes gozar.
priva-me a estrela
de ti e dela,
busca dois modos
de me matar.

Isto é castigo
que Amor me dá.

Saturday, August 27, 2011

Nowhere Boy


























"Lugar nenhum" é um lugar cheio de gênios, senhor?
Provavelmente, lá é meu lugar.


Os dramas do adolescente John Lennon em uma epopéia de ternura que inicia com esta resposta de John ao diretor do colégio. O homem que alega que, continuando como estava, John não serviria nem ao menos para trabalhar no cais do porto. Lugar nenhum. É o lugar onde vivem os gênios. Era o lugar do menino. Esquecido pelo pai e negligenciado pela mãe que o adorava à sua maneira. Uma crônica poética do nascimento do grupo dos meninos de Liverpool. Crianças, ainda, aprendendo os primeiros acordes. Apaixonados por Elvis Presley, solitários meninos com a cara e a coragem. Kristin Scott Thomas em uma performance intocável como a Tia Mimi. Até o momento de embarcar para Hamburgo ele era apenas aquele menino, uma dose de revolta, uma dose de ternura, a música, as perdas e o velho refrão da tia Mimi a cada vez que ele saia pela porta:
glasses, john!


O filme é dirigido por Sam Taylor - Wood e Aaron Johnson interpreta o jovem John Lennon

Thursday, August 25, 2011

Em África




Meu poema "Encantado Silêncio das Areias de Maputo" publicado na Literatas - Revista de Literatura Moçambicana e Lusófona.



Wednesday, August 24, 2011

Assaí



Muito bom lembrar Assaí hoje que é meu aniversário. Inaugurei minha vida nesta cidade de onde saí com três anos e da qual ouvia minha mãe falar com saudade, do tempo que ela ia com meu pai ao Cine Ouro Branco ver o seu ídolo Vitor Mature. Há mais de trinta anos estive lá e lembro a rua principal, a Igreja no alto de uma escadaria. Neste ano devo visitar minha cidade no encerramento dos projetos O TEXTO POÉTICO EM SALA DE AULA: BUSCANDO CAMINHOS PARA A FORMAÇÃO DO LEITOR projeto da Maria Zélia Bezerra Lopes  Professora de Língua Portuguesa e A POESIA COMO GÊNERO VIVO NA ESCOLA da Professora Rosana Torquato Galassi. Ambas do Colégio Estadual Barão do Rio Branco - E.F.M.P. Projetos supervisionados pela Secretaria de Educação. Estou em contato com as professoras desde o início do ano. Neste aniversário o presente mais terno é saber que algumas poesias estão sendo trabalhadas em sala e o projeto está em pleno andamento. Elas selecionaram poesias do livro artesanal "Chá para as borboletas",  do livro "A última chuva" e "O sorriso de Leonardo".  Uma rara emoção saber que os meninos e meninas - meus conterrâneos - estão trilhando a minha poesia. Isto é o que se pode chamar de pura alegria. Vou participar do encerramento do projeto dentro de mais ou menos dois meses ao lado de escritores de Assaí e músicos da região. Falar aos alunos, realizar recitais e a pedido das autoras do projeto realizar  uma exposição da minha obra poética. Livros e revistas e a confraternização com os demais autores. Grande emoção, estar lá naquele lugar que foi o primeiro que conheci, o primeiro que me conheceu.

Monday, August 22, 2011

Glauber Rocha um poema anárquico

(Glauber Rocha - Vitória da Conquista, 14 de março de 1939Rio de Janeiro, 22 de agosto de 1981)


anda muito pobre o meu País, anda muito pequeno este lugar, anda tísico e cego o meu País, anda rastejando este lugar... os deuses morreram todos e não sobra um único sopro de beleza e nenhum grito de Liberdade.
não tem coragem o meu país, não tem horizonte, não tem som e nenhum grito que acorde as crianças e embale os meninos...
não tem poesia o meu País, não tem projetos, não tem eco de trombeta, aposentaram o apocalipse, não tem mais Glauber o meu País; ou tem alguns loucos soterrados pelo tempo asséptico do bom mocismo enojante, não tem vísceras o meu País, não goza mais este País, não fica nu, não ultrapassa a linha que vai fazer soar a engenhoca presa nos calcanhares, somos um batalhão de presos domiciliares, embebidos de mensagens protocolares de mil amigos e a solidão rindo sarcástica no sofá da sala...
não tem espaço para os loucos este meu País, é um País de doutores, de engomados o meu País, a Arte virou um cenário de entrega do Oscar, tanta gente concorrendo e uma platéia burocrática aplaude este cenário de cinema americano, esta caminhada desolada rumo ao Shouth  American way of life. É um País arena este País, de disputas de egos acima da ARTE, um País de réplicas e tréplicas...
O celeiro do mundo que vai seguir sem agarrar o cordão umbilical que é a corda que atracou a caravela de Cabral e sacudir as marés e dizer a que veio, prefere a placidez covarde este meu País,  quem sabe a bovinização eterna.
Você morreu e deu espaço para o início das outras mortes, toda a poesia, toda a utopia, toda a Liberdade, toda a delícia de extravasar a humanidade até a terra entrar em transe, e o silêncio foi sacudindo tudo e foi selando todas as bocas. E o sangue vivo de um País inteiro secou quando secou em seu corpo.
Viva Glauber e os loucos atirados vivos às catacumbas, os loucos livres que não podem erguer os braços e gritar como gritavas toda a sua Liberdade e o Encanto de SER QUEM ERA.

Bárbara Lia em reverência ao grande poeta anárquico...

Friday, August 19, 2011

A SEGUNDA MORTE DE HERBERTO HELDER - MARCELO ARIEL



A SEGUNDA MORTE DE HERBERTO HELDER
MARCELO ARIEL
Ed. artesanal 21 Gramas
2011


- para encomendar o livro: marcelo.ariel91@gmail.com




Ano passado encontrei Marcelo Ariel na Casa das Rosas, eu havia enviado um exemplar artesanal do meu livro - Cigarras no Apocalipse - onde publiquei um poema nosso "A esfinge na névoa". Marcelo disse que mandaria um livro para o projeto - 21 gramas. Nove meses depois nasce esta raridade composta por 2 poemas: Canto 1 e Canto 2, com apresentação do poeta Cláudio Willer e a tessitura de Bárbara Lia.

mais detalhes barbaralia@gmail.com


***

Dois pequenos fragmentos do belo texto de Cláudio Willer para A SEGUNDA MORTE DE HERBERTO HELDER:

"Marcelo Ariel é dos mais inventivos e intelectualmente estimulantes dentre os novos poetas brasileiros. Ainda será feita a interpretação de maior fôlego que sua obra merece. Mas, desde já, cabe observar que, desde Tratado dos anjos afogados, esse “poeta de Cubatão”, “poeta do mangue”, como já foi chamado, mantendo-se fiel à origem, ao mesmo tempo comprova que a criação poética é encontro do particular e do geral; do regional e do universal."

(...)

"Em comum com o extraordinário poeta português, a fusão ou hibridação de objetos e seres vivos, a ruptura de limites das coisas e dos corpos, as imagens luminosas como “osso do oceano”. A segunda morte de Herberto Helder, mais que etapa, é prosseguimento do mesmo registro de encontros com a “poderosa presença entrando / pela porta”, metáfora da poesia, e a “beatitude louca / de respirar tudo”, metáfora da inspiração poética."
***

Registro as palavras do Marcelo sobre o fazer artesanal, este é o pensamento que nos assola quando nos atiramos em um projeto solo, incendiados de Poesia. Um belo livro que enriquece o meu projeto levado adiante nas asas de Pégasus. Evoé!!

"Tudo isso me lembra o movimento de poesia independente encabeçado por Cacaso, Ana C. e Armando Freitas Filho nos anos 70. Um Viva para Nós ! Se pensarmos em William Blake, na editora de Miss Woolf, na Editora Sabiá ( de Fernando Sabino) enfim as editoras de verdade são as artesanais, a coisa se profissionalizou ate a desfiguração."







Thursday, August 18, 2011

outro nome para saudade: 32 anos e as rosas vermelhas da minha mãe


com as minhas filhas; Tahiana e Paula

Sempre Shakespeare





O filme Anônimo fala sobre uma teoria da conspiração: William Shakespeare pode não ser autor de todas as obras que assinou. O Conde Edward de Vere seria o autor anônimo que não podia assumir este papel de poeta e dramaturgo por ser um nobre.  Rolland Emmerich é o diretor deste filme no mínimo instigante. Li uma biografia belíssima de William Shakespeare e é certo que ele é o poeta/dramaturgo que criou todas as peças eternizadas e os sonetos lindos. Shakespeare escapou da peste quando era criança. Todas as crianças que viviam ao redor de sua casa foram vitimadas pela peste. Muitos anos depois, em Londres, ele saiu em caravana com a companhia de teatro pelo interior do país para fugir da peste negra. Um mito este Shakespeare.
O filme estréia no Brasil em novembro.
Globe Theatre - London







O melhor da festa volume três




Participam da coletânea: Adão Iturrusgarai, Ademir Assunção, Alexandre Rodrigues, Altair Martins, Amilcar Bettega, Antonio Carlos Secchin, Antonio Cicero, Antônio Xerxenesky, Andréia Laimer, Augusto Paim, Bárbara Lia, Carlos André Moreira, Cardoso, Carlos Gerbase, Carlos Pessoa Rosa, Cássio Pantaleoni, Claudia Tajes, Cristian De Nápoli, Daniel Weller, Diego Petrarca, Douglas Diegues, E. M. de Melo e Castro, Everton Behenck, Flávio Wild, Guilherme Orosco, Guto Leite, Henrique Rodrigues, Henrique Schneider, Horacio Fiebelkorn, Jacob Klintowitz, Jeferson Tenório, João Gilberto Noll, Jorge Fróes, Laerte, Laís Chaffe, Leandro Dóro, Liana Timm, Lima Trindade, Lúcia Rosa, Luciana Thomé, Luís Dill, Luís Serguilha, Luiz Paulo Faccioli, Marcelo Spalding, Márcia Denser, Maria Rezende, Marcelo Sahea, Marlon de Almeida, Monique Revillion, Nei Lopes, Nelson de Oliveira, Nicolas Behr, Olavo Amaral, Paulo Ribeiro, Pena Cabreira, Ramon Mello, Reginaldo Pujol Filho, Reynaldo Bessa, Ricardo Silvestrin, Rodrigo Bittencourt, Rodrigo dMart, Rodrigo Rosp, Ronald Augusto, Sandro Ornellas, Sergio Faraco, Simone Campos, Tailor Diniz, Virna Teixeira, Wilmar Silva, Wladimir Cazé, Xico Sá.



Contém desde ficção de autores que estão publicando pela primeira vez em livro, até trabalhos de escritores consagrados e premiados no cenário literário nacional, como Sergio Faraco, escritor homenageado da FestiPoa 2010, Márcia Denser, Nelson de Oliveira, Altair Martins, Ernesto E. de Melo e Castro e Nei Lopes. De acordo com Fernando Ramos, organizador do livro, a publicação desse terceiro volume da coletânea consolida a ideia de elaborar-se a cada ano um volume que registra a memória do evento e possibilita ao público tomar contato com uma grande variedade de trabalhos literários produzidos especialmente para a ocasião.


Título: O melhor da festa volume três
Número de páginas: 264
Preço: R$ 25,00
Número de autores participando: 71
Conteúdo: poemas, contos, crônicas, cartuns e tiras
Projeto gráfico: Jorge Nácul
Capa: Márcio-André
Revisão: Press Revisão
Supervisão editorial: Laís Chaffe
Organizador: Fernando Ramos
Editora: Casa Verde
contato para compra - jornalvaia@gmail.com

Wednesday, August 17, 2011

A flor dentro da árvore




Até o final deste ano ou início do outro mais um livro - A FLOR DENTRO DA ÁRVORE. Selo Orpheu - Editora Multifoco.
Um presentaço de aniversário.
A FLOR VAI NASCER!
AXÉ!

Padeço de uma solidão extremada, esta timidez de estanho e raramente meus livros tem texto de apresentação - Em A flor dentro da árvore  estou bem acompanhada com o texto de apresentação do poeta Sidnei Schneider para os poemas/diálogos com Emily Dickinson. Um pequeno ensaio de Kátia Torres Negrisoli e orelha de Marcelo Ariel.


...

Guimarães Rosa no Museu da Lingua Portuguesa / 2006


 Na exposição Grande Sertão: Veredas olhando o mapa de Minas Gerais... quem te conhece não esquece jamais... Minas Gerais

Brisa

Painel de poesia na parede do Wonka Bar - julho/2007 - projeto Porão Loquax




Entardecer lilás
brisa de raro fôlego
do deus das nuvens.
Pés descalços
liberdade de estar amando
na era dos mísseis
 
Bárbara Lia
O sorriso de Leonardo / 2003

Monday, August 15, 2011

O SORRISO DE LEONARDO





Criei uma página com poesias do meu primeiro livro - O sorriso de Leonardo - O livro foi lançado no dia 15 de dezembro de 2004, dia do aniversário do meu filho Thomas e do poeta Marcos Prado.


Sunday, August 14, 2011

CONSTELAÇÃO DE OSSOS

CAPA DE GELO EM SUAS ASAS DE VIDRO
A primeira poesia que fiz eu tinha dez anos. Tomada de uma tristeza estranha ao ver uma abelha morta coberta por uma fria camada de gelo no vaso de antúrio que existia nos fundos da casa. Mortificava-me o medo das abelhas nas tardes de primavera temendo uma ferroada, temendo a dor que era ser picada por uma delas. Elas chegavam sempre apavorando a minha infância. Ficava temerária esperando o instante da dor. E no final, a dor foi outra. Vi uma abelhinha morta em uma flor vermelha. Uma camada de geada a cobria, como o açúcar que cristalizava os doces que minha mãe fazia. Sob o gelo ela estava inteira. As asas de vidro e o corpo amarelo forte. Amei aquela abelha como quem ama pela primeira vez. Quis ressuscitá-la, mas, estava nítida a sua rigidez, sua vida estancada em um inverno, petrificada. Não recordo os versos, a poesia se perdeu. Falava de uma amizade desperdiçada, por medo, por puro medo de enfrentar a sua natureza. Minha professora disse que era filosófico demais para uma menina da minha idade. Depois disto, cada descoberta, ou perda, ou alegria ou dor, eu delineava em versos. Catarse. Pura catarse. Quando cresci, aprendi que a poesia merecia certo apuro e um carinho estético. Então eu comecei a compor poesia com cuidado, pura reverência. Guardei-as, guardei-as por anos a fio. Como quem guarda um pedaço de sua alma em uma concha secreta.

Constelação de Ossos
ed. vidráguas / 2010

Saturday, August 13, 2011

Tem um pássaro cantando dentro de mim


EM CARNE VIVA




Um poeta em carne viva
abriga a terrível pulsação
de um coração-estrela
e um silêncio
encravado nas entranhas
como filho bastardo
que nasce
à revelia do seu canto

Um poeta em carne viva
pisa as pedras
imaginando-as
seda da China

Um poeta em carne viva
é um louco no tribunal
das almas de chumbo:
culpado sempre

Culpado de ser humano da fala ao falo

Bárbara Lia
Tem um pássaro cantando
dentro de mim
2011

Wednesday, August 10, 2011

Chuva de Maçãs

Chuva de Maçãs

arvoredo sereno do paraíso
adão e eva:
chuva de maçãs

serpente amada
pele de sal
no silêncio da noite

pedra no caís
murmúrio de ondas
gaivotas. o espírito santo

sopra do mirante
e teu lábio me aquece
drops de hortelã

Bárbara Lia
2002





William Blake

Monday, August 08, 2011

Uma ponte para Maputo

Uma grande alegria ter enviado para Maputo alguns livros.
Para o  acervo em formação do Movimento Literário Kuphaluxa os livros:

A última chuva
Constelação de Ossos
Tem um pássaro cantando dentro de mim

A poeta Ana Rüsche se encarregou de levar os livros para Maputo - 32 kg de afeto - como ela nominou. Livros de autores brasileiros para Moçambique.
Ana passou alguns dias em Maputo, sua ida narrada aqui na Revista Literatas. Gracias a Ana Rüsche por levar estes exemplares, espero um dia pisar areias de Maputo como escrevi naquela poesia antiga.

PROJETO: 32 kg de Afetos contrabandeados em Papel
de 1º a 5 de agosto de 2011
Ana Rüsche cumpriu extensa programação entre entrevista, oficina literária e palestras... Mais notícias nas páginas de Maputo:













Friday, August 05, 2011

A flor dentro da árvore

“O gelo da morte na vidraça”





Láudano para as dores reais
estas que bailam
nos olhos ejaculados

Para as dores invisíveis
chá de espectros
na chávena em chamas

Nunca me livrarei
dos vampiros anêmicos
Nunca os expulsarei
da mesa rústica
de sal e conchas

Ao meu redor
a dança alucinada -
reverso do tango:

Ódio amornado em mel
Ódio guardado vaporoso
Ódio consagrado em si bemol

Purpurina enfática cai
Nas feridas frias
Como manto de rainha bastarda -
Azul - de ódio adulterado

Bárbara Lia

Wednesday, August 03, 2011

The Edge of Love - a única coisa mais perigosa que a guerra é o amor




"A primeira visão que incendeia as estrelas"

O primeiro amor incendeia as estrelas? I don't no. Neste caso fico com o soldado William que apostava no último amor. Inverno e o filme que narra os relacionamentos do poeta Dylan Thomas, quando ele reencontra, em plena Segunda Guerra, o seu primeiro amor. Um quatrilho explosivo. A esposa verdadeira Caitlin. Vera, o primeiro amor de Dylan, e um soldado (William) que fica obcecado por Vera e a pede em casamento antes de se mandar para o front. Muita poesia jorrando na tela...




AMOR NO HOSPÍCIO






Uma estranha chegou
A dividir comigo um quarto nessa casa que anda mal da cabeça,
Uma jovem louca como os pássaros


Que trancava a porta da noite com seus braços, suas plumas.
Espigada no leito em desordem
Ela tapeia com nuvens penetrantes a casa à prova dos céus


Até iludir com seus passos o quarto imerso em pesadelo,
Livre como os mortos,
Ou cavalga os oceanos imaginários do pavilhão dos homens,


Chegou possessa
Aquela que admite a ilusória luz através do muro saltitante,
Possuída pêlos céus
Ela dorme no catre estreito, e no entanto vagueia na poeira
E no entanto delira à vontade
Sobre as tábuas do manicômio aplainadas por minhas lágrimas deâmbulas.


E arrebatado pela luz de seus braços, enfim, meu Deus, enfim
Posso de fato
Suportar a primeira visão que incendeia as estrelas.


DYLAN THOMAS(tradução: Ivan Junqueira)





Dylan Thomas nasceu em Swansea, no País de Gales, a 27 de outubro de 1914. Considerado um dos maiores poetas do século XX em língua inglesa, juntamente com W.Carlos Williams, Wallace Stevens, T.S. Eliot e W.B. Yeats


Dylan e sua esposa Caitlin

Monday, August 01, 2011

lezama


Começar a semana com este fragmento do livro de Luis Eustáquio Soares
- José Lezama Lima - Anacronia, Lepra, Barroco e Utopia (Edufes)




Hay, pues, una dimensón última en el hombre, donde ya se le regala el espacio gnóstico, donde ya se le vuelve favorable "lo otro sagrado", es decir, lo invisible, lo irreal, la infinitud, buscan su momentánea transparecia, el signo en la materia, o ya la posibilidad en la infinitud.
(Lima, la posibilidad en el espacio gnóstico americano)

(pg; 47 de José Lezama Lima - Anacronia, Lepra, Barroco e Utopia)


Até aqui li apenas dois livros de Lezama - Paradiso e La cantidad hechizada. Neste último ele fala de um poeta cubano - Juan Clemente Zenea - e da narrativa que Zenea fêz do Crepúsculo colhi a poesia Chiaroscuro, da nitidez estampada naquele livro de um horizonte de fogo:



CHIAROSCURO

Bárbara Lia




Hora suspensa. Horizonte de sangue.
Despediu-se o sol, não brilha a lua.
Barcas estremecem em marés de fogo.

Sinos dobram a Ave-Maria.
O Bem chora a evaporação do dia.
Lágrimas de anjos pela humanidade crua.

Encontro e fuga de almas no ocaso,
Bebendo o sangue solar – poção
De luz para os dias de aço.

Crepúsculo incendiado.
Átimo de esperança: Um Serafim alado,
Flauta de estrelas flana acima de algas e corais.

Toca a música divina estremecendo cristais.
(Jazz, blues, salsa cubana, sinfonia?)
Som azul unindo sangue celeste e marinho.

Serafim, flauta e sol
Evaporam em silêncio de prece.
A branda noite abraça o arrebol.

O eco da flauta aos puros adormece.