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O rio da minha aldeia
Bárbara Lia
O Tejo nunca passou pela minha aldeia.
Terra vermelha e sol.
O rio que me batizou
Ficava na chácara do leiteiro.
Primeiro abraço gelou as magras pernas.
Revelou mistérios - riacho com gosto de Deus.
Adulta, cruzei rios de dimensões imensas.
Pontes largas que não trouxeram Deus.
Deus vive nas pequenas coisas.
Os grandes rios são catedrais.
Deus às vezes se exila e percorre milhas
Para acariciar anjos em riachos tristes.