Sunday, December 28, 2014

2014 - resumo poético



















Peço licença aos amigos que mandaram mensagens (Sidnei Schneider e Frei Betto) para expor suas falas sobre o livro Respirar. O texto do Fernando Koproski está em sua página no Facebook e em seu blog, o de Isabel Furini em sua coluna... 


"A mais alta poesia gira ao redor desse livro, porque orbita ao teu redor com uma naturalidade absurda. Não conheço nenhum outro poeta que alcance as notas tão facilmente e seguramente quanto você. É tanta música e pintura e céu com aquele azul decisivo, que o verso se faz carne e sonho com a mesma desenvoltura."     Fernando Koproski     


"Poemas a um só tempo fortes e tocantes, que levam o leitor a entrar em uma certa frequência de sensibilidade toda tua, toda da tua poesia" Sidnei Schneider


"Barbara Lia grato por sua respiração poética. Você melhora a cada obra. Me emocionei com sua homenagem ao Rimbaud (p. 65). Meu abraço com amizade e paz" Frei Betto 

"Sua poesia é original, autêntica, ela não se deixa levar pela rima fácil, nem pelo estilo que a maioria aplaude. Bárbara Lia trabalha sua obra desde o interior, por isso seu trabalho tem raízes profundas. A poesia é também sua maneira de observar, de pensar, de questionar." Isabel Furini no site Paraná Imprensa.





Este foi o ano da Poesia. Para celebrar dez anos do primeiro livro, editei - RESPIRAR. No final do ano voltei aos artesanais com a série: Al-Andalus:
As horas incertas - Jardim Nonsense - O sal da primeira onda. 
Viva Lorca! Seus desenhos em destaque nas capas dos livros - feito em casa. Eu estou separando toda minha Poesia, tema a tema. Não vou tornar os livros artesanais uma edição normal. Vou separar toda minha poesia em pequenos livros artesanais, espalhar entre os leitores contumazes, deixar um registro dos meus escritos, por ser virginiana, talvez. Há alguns anos iniciei um projeto artesanal, e entre vendas e doações imprimi 300 pequenos livros daquela primeira seleção. Os títulos da primeira fase, a antologia - Rosas em Ruínas - com poemas de amor, e a atual antologia Al-Andalus, eles trazem poemas que considero bons poemas, mas, alguns não entraram nos livros que publiquei. 

Em outras publicações: Alguns poemas na Antologia - 101 Poetas Paranaenses. E, fechando o ano, a Antologia organizada por Isaías de Faria (MG) - Assim é que dizemos. Poesia, SEMPRE! 

Até 2015, com mais força e com coragem. Com a ARTE na algibeira. A ARTE, aquela, que tem o poder de transformar o mundo...

Monday, December 22, 2014

"Respirar" no Paraná Imprensa

Isabel Furini: Livros, presentes inesquecíveis – Parte 2

Respirar na coluna da Poeta Isabel Furini - Presentei Poesia no Natal.
Clicar no link acima "Isabel Furini: Livros, presentes inesquecíveis - Parte 2" para ler a coluna no site Paraná Imprensa...



Sunday, December 14, 2014

Assim é Que Dizemos






Assim é Que Dizemos
Antologia Poética 
Organização de Isaias de Faria
92 páginas
Anizio Vianna, Antonio Augusto, Bárbara Lia, Cássio Amaral, Flávio Otávio Ferreira, Gudu, Isaias de Faria, Israel Faria, Jumbo, Leone Tux, Maeles Geisler, Marcela Melo, Rafael Nolli e Wellington Ferreira. 


Os poetas aqui reunidos andam sem preocupação, cada um com sua verve/verso, cada qual se considerando livre pra dizer o que deseja. Os poetas aqui, incumbidos (talvez nem tanto) de passarem o que imaginam/pensam/fingem, em forma de poemas, seguem quebrando a regulação. Os aqui poetas são o que são.


Aceitei o convite do poeta de Minas, Isaias de Faria e enviei poesia para integrar esta Antologia. Assim é que Dizemos. Belo livro, projeto que sela um antigo elo poético estabelecido com alguns jovens poetas que fiz contato em Minas, e seguem levando a Poesia entre os dentes. Uma alegria estar ao lado do Cássio Amaral e Maeles Geisler, uma forte voz feminina a fazer companhia, ao lado de Marcela Melo (que ainda não conhecia) e estes meninos de Minas. Valeu Isaias. Belo livro.


Link para o Clube de Autores

Friday, December 12, 2014

GRUPO FATO




GRUPO FATO NA FNAC CURITIBA
Data: Terça-feira, 16 de dezembro
Horário: a partir das 19h30
Entrada Franca
Endereço: Park Shopping Barigui - Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 600 – Ecoville
www.agendafnac.com.br

Wednesday, December 10, 2014

Je t'aime... Coré Etuba






aqui não é Paris, é quase La vie en rose
os podres poderes anulam o humano -
"cidade perfeita" - escoa nas canaletas
emparedados seguimos na cinza do dia
não há ciranda, anel que não me deste
fevereiro a fevereiro, nada virá, nem deus
rosas virgens mortas, musas do Templo,
todos os beijos de Gilda - evaporam tristes -
enquanto serpenteia o toque dos sinos étnicos
e as figuras de Poty dançam nos umbrais
abandonam os murais em surreal alegoria
tremula em uma tela  cinza o filme super 8 -
pedalinhos no Passeio / Público - a beleza dói
a Poesia valsa entre paredes, entre alamedas,
somos Pernetas ns bosques ao som de Bach
Poetas são sempre estes malditos degredados
em fictícios navios negreiros, empoeirados
de estrelas... não há espaço para o quântico,
o cântico, os salmos, a fala das mulheres.
degolaram as bruxas e, ainda bem,
também as fadas - esta coisa enganosa...
ser mulher é sangrar; fadas não sangram,
não flamam... sou bárbara, sempre, meus versos
são como pecados atirados num rio secreto
- sinuosidade líquida entre as pedras tortas -
quem beber se envenenará de fogo e primaveras
e amor - a droga-mor
não haverá Paris, só vida em rosa tropeçando
em pedras ocres, cinzas, marrons, negras
pálidas pedras de toque que me faz invisível
ninguém entenderá - nem eu - se eu disser
que amo este lugar como um menino ama
a primeira mulher que tocou e lhe concedeu
espasmos arredios, um pequeno céu vadio
amo, pois também vi estrelas despencadas,
os filhos crescerem, amores florescerem
e morrerem e florescerem...
floresça!...
aqui  é um não-lugar que me habita
e quando atravesso
o perfume mel de uma alameda branca
esqueço os nãos e sigo sim, assim,
tão feliz quanto a mais feliz
das mulheres que atravessa - alumbrada -
uma rua qualquer de Paris ou Pasárgada

Bárbara Lia
dezembro 2014

Imagem - Painel de Poty Lazarotto

Tuesday, December 09, 2014

A arte de desaparecer



Atravessei uma noite de insônia ao lado dele. Iemanjá o levou, era 02 de fevereiro e o mar jamais será como antes. O cinema não será como antes. Acho que minha paixão por ele solidificou em - Capote - e depois eu fui ao - antes - e pensei em como alguém consegue desaparecer dentro de um enredo e ao mesmo tempo só ser. Sempre que vejo os filmes dele eu sou abduzida. E ele encerrou este ciclo em um filme onde toma o fio e só ele flana em um enredo a unir fios e a ser o que desaparece com Arte. Acho que, como disse Marcos Prado: desaparecer não é para qualquer um. E, sim, Philip vai nos tocar eternamente não apenas por música, mas, por todos os seus silêncios. Toda sinuosidade da fumaça que sempre existiu em seus personagens fumantes, displicentes, poéticos, ególatras feito Capote, misticamente loucos como no filme em que ele encarna o criador da Cientologia. Um fio de desdobramentos que só a sua fúria pode compor. Eu fico triste e feliz e fico muito furiosa quando penso que não existirá mais nenhum momento de ser levada por sua mão, passo a passo... Eu vi o último filme onde ele protagoniza este homem em Hamburgo a seguir no subsolo de descobertas e de jogos internacionais e ternura e paixão. Ele não existe, como os espiões não existem. Ele abdica, ama e abdica... não quer para si, quer o caminho que vai ajudar a melhorar toda esta encrenca. Sem saber que isto é discurso dos demagogos. Os melhores são os que fazem a melhor parte e ficam só com o grito de perdas na garganta... Acho que valeu, mas, continuo furiosa... Desaparecestes, enfim, para sempre... daqui para frente...

Monday, December 08, 2014

Para Tom Jobim e John Lennon

Dois gênios morreram no mesmo dia. Dia 08 de Dezembro. Dois amores imortais.



John! Eu penso na minha paixão pela lua, e de quando um reles arbusto a encobria e, deitada de bruços na cama eu dançava no travesseiro para buscá-la, para fitar a magia... Alguns tem este destino de lua, que os toscos tentam tapar, nublar, engolir, matar... E a lua está lá... Basta buscar, virar a cabeça, um gesto mínimo... Acho que o mundo entende bem isto quando a luz lua tua foi apagada por um arbusto apodrecido, galho morto, sonso... Acontece. E como creio na atemporalidade, no sonho, na espera, no tempo flexível, ainda estás - sempre e sempre - às portas de strawberry field, ao lado dos meninos em um pub encantando e encantando, ainda estás travando a inútil batalha da paz, inútil e necessária, a utopia única, nosso delírio poético, nosso sonho, que quando acaba renasce, que quando murcha a água da tenacidade retorna para florir again and again. Então, eu pensei - não faz tanto tempo assim - quando li 34 anos daquela patifaria do Chapman, eu pensei não, não faz, pois na realidade, ainda estás ali, como a luz da lua nas noites, esperando pelo nosso olhar... e sempre vai ser assim... 













Tom Jobim
virou um espaço
onde pousam 
aves de aço
diferente 
do lindo lugar
onde pousava
Passarim






Thursday, December 04, 2014

04 poemas no site marllarmargens




Achei lindo um documentário que vi no Canal Arte 1 - documentário de Robert J. Flaherty – O homem de Aran.  Acho que de 1934, um documentário antigo mostrando uma pequena ilha no mar de Aran na Irlanda. A terra, só cascalho, o mar atirando as ondas naquela pequena extensão onde poucos tentam sobreviver e toda a poesia do ríspido e árido e o cultivo com força e coragem me deu a impressão que o Amor era exatamente assim, que é onde não existe terra e homens mortos enterrados que o amor floresce, enfim... Alguns poemas que selecionei e a poeta Jandira Zanchi publicou no Mallarmargens, é clicar no link abaixo:

http://www.mallarmargens.com/2014/12/4-poemas-de-barbara-lia.html

Wednesday, December 03, 2014

Promoção da Editora Penalux


Meu livro Paraísos de Pedra pode ser adquirido no site da Editora Penalux, na promoção de Natal, ao comprar o livro a editora envia um título-surpresa. Sobre Paraísos de Pedra neste link.





O Natal se aproxima. Já pensou em dar livros de presente? Em nosso catálogo, há gêneros e estilos para todos os gostos. A conferir:
Sim, livros são belos presentes. Tanto temos essa certeza, que daremos de presente um título-surpresa na compra de qualquer outro livro do nosso catálogo. Aproveitem!

A flor dentro da árvore no jornal Hora do Povo









No jornal Hora do Povo. Edição de hoje, quarta-feira, 03/12. Na coluna "Letras no HP", saiu o texto de apresentação do meu livro - A flor dentro da árvore - texto do poeta Sidnei Schneider.
A flor dentro da árvore foi impresso no final de 2011. 40 páginas. Um livo delicado com poemas que trazem como título versos de Emily Dickinson.

Link para o texto do HP:


http://horadopovo.com.br/2014/12Dez/3306-03-12-2014/P4/pag4j.htm


Friday, November 28, 2014

El Tao - Bárbara Lia



EL TAO


Yo pienso que es preciso ser simple
Y no adornar castillos,
Ni construir picadas que lleven al reino de las guerras.
Pienso en la sabiduría del Tao y me pongo ante
los cables eléctricos
Y amo los bienteveos y acaricio los pétalos
y me pierdo en los colores
Yo quería todo en una aurora de amor.
Los poderosos echando tesoros a los pies
De todos los que nunca tuvieron la mesa plena,
el vino ardiente de sangre de felicidad.
Yo pienso en Tao y en orientales palabras
Y trato de cultivar las flores
Que aún mueren en mis manos
Pues yo nunca en verdad supe
Ser tan simple como las palomas
nunca tan bella como granada madura
Ni tan suave como la rosa blanca
Ni tan callada como el arroyo de la infancia
Ni tan silenciosa como las estrellas
Ni tan buena como los maizales
Ni tan vida-nueva como la crisálida
Ni tan liviana como la mariposa
Ni tan luz como el alma de los héroes.

Wednesday, November 26, 2014

Respirar




Passei quase o ano inteiro em médicos, hospitais, meio a exames e uma enxurrada de remédios e nadando em dor, por conta de um machucado no meu pé direito. Quando li sobre os sintomas tardios da poliomielite, há algum tempo, nem sabia que breve sofreria impasses capazes de interferir na rotina. Com uma vontade ferrenha e por saber que os livros nascem como crianças, quando tem que nascer... Separei poemas e editei - Respirar. Foi o suficiente para tornar 2014 muito especial. Respirar é um lindo livro e estou bem feliz por esta epopeia poética embalada em minaretes azuis. Espero que em 2015 eu retome o ritmo da Literatura e que consolide este momento em que minha saúde se recupera. Sem mais dores. Que os anjos digam - Amém!
Respirar tem 124 páginas e imprimi apenas 100 exemplares. Qual meu primeiro livro em 2004, aliás, Respirar nasceu para celebrar dez anos de edição de livros. 
Digamos que este ano foi uma trégua para uma guerreira. Hoje ao preencher uma página inteira com um texto de deve engendrar um novo romance, respirei... Respirar! Escrever! Um novo livro vai nascer...
Se eu voltar apenas em 2015 é por um tempo merecido de passagem. Das muitas dores, remédios, etc. para retornar ao tempo poético da criação. Não, eu não escrevi sobre esta dor. Eu não escreverei sobre ela, quiçá nem sobre outras dores de 2014. Quando Manoel de Barros morreu, bateu uma nostalgia do Paraíso. De estar naquele espaço onde o olhar não se contamina. E não quero contaminar-me, apenas abrir os olhos de névoa lavados, atravessar o finalzinho deste túnel e voltar a colher as flores da Poesia. A estrada é longa, intensa, extensa, pontilhada de palavras, e eu as amo, desesperadamente.

Monday, November 24, 2014

II Sarau Literário: "Experiências Poéticas na Escola"


Regina Goes mandou esta foto com as flores que ela recebeu em meu nome no Sarau da minha cidade natal.






     Os poetas de Assaí no evento II Sarau Literário: "Experiências Poéticas na Escola"



O Sarau aconteceu dia 14 e ontem recebi o e-mail da Rosana Torquato com as notícias. Espero retornar em um próximo evento. As alunas Flávia Roberta Ferreira, Amanda Cristina Bella e Bárbara Danusa apresentaram meu poema "Os loucos que eu amo". Tem Poesia na cidade onde nasci e fico feliz por estar presente na leitura dos alunos, que venham outras noites de Poesia. Parabéns aos professores do Colégio Estadual Barão do Rio Branco. A notícia do II Sarau no link abaixo, site Revelia do poeta Mattheus Hermanny:

Thursday, November 20, 2014

Fragmento de um discurso fictício, ou algumas palavras para ressuscitar a Primavera




(Fragmento de um discurso fictício, ou algumas palavras para ressuscitar a Primavera)

Bárbara Lia

Romper: Partir, fender, despedaçar, quebrar, arrebentar: romper as cadeias, as amarras.

Meditando sobre o caráter pétreo da palavra: romper as amarras.
E sobre o meu ímpeto radical de só viver o harmonizado.
Quando um fio rompe, nada fica entre meus dedos.
Estico a fita dos sonhos até o limite do impossível, pois sei que ao soltá-la nada amarrará de volta...
Romper o ciclo neurótico de um engano.
Algumas pessoas se decepcionam amorosamente e a reação é trágica. 
Vivem para pugnar em outros a dor que lhe causaram.
Enlaçam em um jogo sórdido as paixões sem mácula de alguém que nem sabe que é só o objeto de um descaso para validar uma vingança perpetrada.
Deve ser bem dolorido viver do sangue de corações ignorantes que tropeçaram em uma cilada.
Prefiro a dor absorvida e a redenção e nunca levar os trapos de uma perda para cerzir dentro de outra alma fazendo com que se contamine com dores que não são suas.
Acho que amor tem um quê de pureza que nem está no corpo.
Um dia ouvi algo ríspido como a flecha do demônio... Eu era uma "tentação do inferno" e via esta pessoa como "coiso". De mim só sei que amor envolve o todo e somos o todo quando levamos à reboque alma e corpo e alguns mistérios. Há prostitutas mais puras que aqueles que abraçam o que é das alturas e se nominam - iluminados - para julgar e punir e tentar antecipar um juízo de valores. Morro de medo dos "iluminados". Se quando amo sou toda e em tudo e se nunca - invento amor - para vingar dor antiga, então, o amor atravessa o ciclo. E o que resta é a memória adocicada, temperada de vida, pois o encontro dos amantes nada é mais que a humanidade ampliada, e dentro da minha pequenez em tudo, nunca induzi a nada, pois só posso abrir minha alma se puder entrar em outra alma inteira e sem farrapos do passado, sem contaminar ninguém com dor ou vingança mesquinha. É preciso ser forte. É preciso sentar e olhar nos olhos e dizer - isto é um jogo que fazes. E acreditar que o jogo é finito, mas, ele nunca é... Um dia eu quis abraçar o corpo dele e curar tudo, eu quis lavar aquela nódoa, quis entender, daria o mundo por um tempo onde aquela interrogação imensa desaparecesse e libertasse, todas as correntes a nos soltar. Hoje descobri que a fita do sonho tem que ser desatada, que a vida é linda demais para te prender em um círculo onde alguém come teu coração à bocadas pequenas, e sangra e segue e depois do pedaço arrancado uma flor pousa como bálsamo, pra depois arrancar outro pedaço e coração não se regenera. Não é fígado de Prometeu e o amor não é uma pedra. O amor é uma asa, aquela canção, as pedras que trituramos, o amor é (foi) a boca mais bela e mais sarcástica, o amor é a primavera aconchegada de esperança, a neve branca que nublou o fel. O amor É. Eu sou. A vida É. O pássaro segue, a fita voa, cai em um lugar, vai virar serpentina das noites dos desgraçados, e a Poesia vai ficar como a cicatriz de um amor que foi, sim, tão lindo em mim, mas, que acaba, como acabam as estrelas, como secam os rios, como acaba a vida de um poeta que é pássaro, como é finita a canção, toda canção, por mais bela... Soltei o fio. Soltei o fio do sonhos... Acabou o tempo... Restou a liberdade.

Monday, November 17, 2014

O sal da primeira onda - Bárbara Lia



Vivo o encanto de quem esperou uma vida
Por esta plenitude de concha
Quando se abre para uma pérola olhar o mar
- pela vez primeira –
E se deixa lavar de vida e sal.

Bárbara Lia
O sal da primeira onda
21 gramas - artesanal /2014

Friday, November 14, 2014

O sal da primeira onda - Bárbara Lia

by Diane Arbus



alma arredia
rosa tardia
corpo arredio
sol com frio


O sal da primeira onda
(21 gramas /artesanal)


Wednesday, November 12, 2014

Assaí em Poesia - II Sarau Experiência Poética na Escola





Quando participei do I Sarau do Colégio Estadual Barão do Rio Branco na cidade onde nasci - Assaí - conheci a professora Regina Goes, que era uma das poetas homenageadas. Ela se aproximou e presenteou-me com um pano de prato bordado em ponto cruz e disse que aquele bordado havia sido feito por sua mãe e ela queria me dar por recordar de quando a mãe dela contava de sua amiga Patrocínia (minha mãe), eu recolhi palavras em minha memória e lembrei minha mãe contando sobre uma família de amigos e dela e meu pai frequentemente dizer o nome - José Goes. Quando fui convidada para ir até lá neste novembro para o II Sarau, eu disse da minha atual condição. De não poder (momentaneamente) andar, então eu recebi notícias. Dos alunos a lerem meus poemas, a escolher o poema que dirão no palco do II Sarau, acompanhando a preparação eu recebi da professora Rosana Torquato o convite e que poderia indicar alguém para me representar... Lembrei da amizade que uniu nossas mães e optei por indicar a Regina Goes para representar-me no II Sarau. Na minha pequenina Assaí, nesta sexta-feira, a poesia sobe ao palco, os alunos estão entusiasmados e vou estar lá, se não em corpo físico, com todo meu amor pela cidade onde nasci, pelas crianças do Colégio, pela garra das professoras que levam poesia para a sala de aula, pela alegria de estar viva e ser parte das horas belas... Que o Sarau tenha a mesma aura de simplicidade encantada do primeiro sarau, e que os meninos e meninas conterrâneos sigam a ler, sempre... Na minha passagem pela cidade naquele primeiro evento, na volta recebi um e-mail da Regina com um poema que lembra este vínculo ancestral, a amizade dos nossos pais...


ENCONTRO DE POESIA


AQUELE CASAL , QUE DIRIA !
PATROCINA E LADERCIO AMARAL
ERAM , NA VERDADE
SERES QUE EU CONHECIA.
NÃO CONHECI DE MENINA
NEM TÃO POUCO CONHECI EM CRESCIDA
ERAM DAS LEMBRANÇAS FILIAIS
PELOS PAIS SEMPRE REFERIDA.
DOS CONSELHOS DE PATROCINA
MAMÃE SEMPRE RECORDAVA

LÁ VINHA EXUBERANTE
FALAR DA AMIGA DISTANTE
ELE AGRIMENSOR DE OUTRORA
OUTRA TERRA PROCUROU
MAS A DISTÂNCIA E A SAUDADE
OS CASAIS NÃO AFASTOU

NUMA VISITA HÁ TEMPOS
JÚLIA NÃO CONTEVE A EMOÇÃO
PUDE ENTÃO
CONSTATAR SUA GRANDE ADMIRAÇÃO

VEJA QUE ENGRAÇADO
NUM ENCONTRO DE POESIA
CONHECI
QUEM DIRIA,
A FILHA
BÁRBARA LIA !

OBRIGADA, SENHOR
POR ESTE MOMENTO
DE PURA NOSTALGIA
ONDE NOVAMENTE
LADERCIO E PATROCINA
JOSÉ E JÚLIA
REENCONTRAM-SE
EM REGINA E BÁRBARA LIA.

 E ELES CONSEGUIRAM MATAR A SAUDADE NOVAMENTE...

 Regina Goes

Friday, November 07, 2014

da liberdade




Se eu sou livre? Eu sou tão livre como as damas da noite, as camélias nos galhos, os flamingos que vicejam acima da branca areia de uma praia em África, mais livre que a luz que rebenta frestas e atira vida nos cárceres.
Bárbara Lia
(O sal da primeira onda - inédito)

da beleza
























sempre vi beleza
onde não havia
mãos atadas
a refletir nas paredes
- pássaros -

a cada olhar de aço
- lâmina fria -
espada kamikaze
a matar-me

a luz da lâmina
cai na parede
esconde o sangue
de mil mortes quietas

sempre vi beleza
onde não havia
em cada amor
em cada travessia

minha sombra
nas paredes
a denunciar-me:
- pássara -

Bárbara Lia

Sunday, November 02, 2014

Todas as tardes de maio serão tuas - Bárbara Lia


Edgar Degas





Alma mais cansada que bailarinas de Degas
Alma translúcida de luz eternizada por pincéis
Alma desgastada de pingar como vela acesa
O que pode ser apenas lágrimas pelas mariposas mortas
Cegas pela luz: viver é magoar corações
Ferir a cada manhã - mesmo sem querer –
E viver com a liberdade atada presume ir cortando gargantas
E viver não traz candura como insistem os livros sagrados
Viver soa como sino de igreja na hora da elegia
Um morto a cada toque do ângelus
Um morto por dia para que um homem tenha a audácia de ser livre
Isto soa triste e parece e é...
O que se pode fazer se um homem livre mata uma pessoa por dia
(Pode até que seja ele mesmo)
Enquanto outros - não libertos - demolem aldeias inteiras
Escravizam órfãos e incineram os pátios da esperança
Um homem escravizado fecha as portas e as comportas das fontes de água
Ergue barricadas ao redor do verde
Impede o casamento das libélulas e o voo de algum pássaro raro
Um homem livre existe – quiçá - a cada milhão
Um homem aprisionado a gente encontra a cada esquina
Mais de cem em cada quadrante de quinhentos metros
Milhões em um estádio e dezenas na coxia das estrelas
A estender a perna a cada estrela que sai do palco, vestida de bailarina,

Pincéis de Degas flanando ainda ao redor

Bárbara Lia
Livro inédito: Todas as tardes de maio serão tuas.

Saturday, November 01, 2014

Algumas palavras...






A cada livro recebemos uma pequena enxurrada de palavras, no meu caso, poeta maldita e à margem, quase tudo permanece em meu coração e no silêncio das caixas de mensagens. Gosto deste segredo, deste momento restrito. Cada momento é como um pequeno colóquio poético com leitores, escritores, amigos íntimos... Se eu abrisse a Caixa dos Meus Segredos... Por ora, partilho algumas falas: Genial, é o que "Respirar" significa para uma menina-flor - Bianca Lima. O que me deixa feliz com a minha Poesia é a partilha, de filha pra mãe como a Bia diz. Minha mana Fá divide o livro com amigas, assim, uma publicação com mínimos exemplares acaba por dobrar o círculo de leitores. Algumas coisas marcam mais um coração de poeta que estas colunas de jornais, o Everton Bortotti dizendo que sua irmã confiscou meu livro para ela, a Loraine que o levou em uma viagem e acabou deixando com um amigo. Estas pessoas sem um rosto para mim, e que tomam posse da essência da tua escrita. Isto é lindo, lindo. Tudo é sopro de poesia. Meu amigo Sidnei Schneider diz em uma mensagem que os "poemas a um só tempo fortes e tocantes, que levam o leitor a entrar em uma certa frequência de sensibilidade toda tua, toda da tua poesia", e assim, sigo a Respirar os dias e feliz pela decisão de publicar mais este livro de Poesia. 

Algumas palavras:


"Barbara Lia grato por sua respiração poética. Você melhora a cada obra. Me emocionei com sua homenagem ao Rimbaud (p. 65). Meu abraço com amizade e paz" Frei Betto 

"Sua poesia é original, autêntica, ela não se deixa levar pela rima fácil, nem pelo estilo que a maioria aplaude. Bárbara Lia trabalha sua obra desde o interior, por isso seu trabalho tem raízes profundas. A poesia é também sua maneira de observar, de pensar, de questionar." Isabel Furini no site Paraná Imprensa.

"Eu, de minha parte, posso dizer que estou muito feliz agora, ao ver que grande poeta vc se tornou, a grande poeta que eu sabia que vc era e que tantos mais nesse país já descobriram que você é. A mais alta poesia gira ao redor desse livro, porque orbita ao teu redor com uma naturalidade absurda. Não conheço nenhum outro poeta que alcance as notas tão facilmente e seguramente quanto você. É tanta música e pintura e céu com aquele azul decisivo, que o verso se faz carne e sonho com a mesma desenvoltura. Parabéns por este livro magnífico e que venham mais 10 anos e muitos mais livros. Um abraço do amigo, Fernando Koproski."
- Fragmento de texto da página do Fernando Koproski no Facebook, meu primeiro amado editor sobre este livro que nasceu para celebrar dez anos do nosso primeiro livrinho azul, lembro que naqueles dias foi sua voz o convite para o primeiro livro pequenino e de suas mãos recebi a primeira impressão da minha Poesia. Viva a Poesia! Esta que alguns levam na asa direita como quem leva o Graal.

II Sarau Poético do Colégio Estadual Barão do Rio Branco - Assaí



MUITO emocionada com um e-mail da Rosana Torquato que é professora da Escola Barão do Rio Branco em Assaí, cidade onde nasci. Em 2011, no primeiro Sarau, fui até lá como convidada no encerramento de um Projeto poético. As professoras Rosana e Maria Zélia realizaram projetos incluindo poetas nascidos em Assai, e deste contato muita alegria, trocas, encontros e reencontros. Agora recebo notícias do II Sarau. Fico feliz por saber que a Poesia está nas salas de aula. Rosana diz do entusiasmo dos alunos. Ela convidou-me para ir ouvir as crianças e eu fiquei triste por não poder viajar. Voltei ao Hospital, ao pé machucado que nunca sara. Em agosto fiquei duas semanas sem colocar o pé no chão, estou há dois dias sem colocar meu pé direito no chão... Remédios e mais remédios. Pena. Gostaria de voltar ao meu lugar, ouvir as crianças declamando meus poemas e ouvir Poesia de poetas da minha cidade e de todo meu País, é a vida... 



Com os alunos e a professora Rosana




noite do sarau - 2011




A Arte

A propaganda marqueteira da política é pobre e nociva, sim... Mas, existe outra que é mais sofrível e inócua: a da Arte. A ARTE é mais sábia, e todo esforço em elevar um nome é patético, pois não é o Humano que eleva, mas a ARTE assinala e cria o cenário. Não adianta dizer para um amigo queimar os escritos, como Kafka pediu, era desejo da ARTE que ele permanecesse. O que permanece não é decidido por curadores e semanários, prêmios, antologias, etc.  Alguns não são os ditos - Assinalados - e querem permanecer e para isto se esforçam em apagar aquilo que os nubla, podem demolir a matéria alheia, jamais o desejo irreverente e forte do espírito da ARTE. Beleza não se constrói com nada além do espírito da beleza, para marcar seu nome na ARTE é necessário antes de tudo Não-ser, e dentro deste Não-ser esvaziar-se e oferecer-se, uma Liturgia. E além da Arte emoldurada e sangrada, há que se ter CARISMA.  

Friday, October 24, 2014

poesia em tempos grotescos



Emily Blunt e Ewan McGregor no filme - Amor impossível





A saudade leva-me a pescar momentos
Qual o pescador ao peixe sonhado
As horas pescadas no rio da memória
Valsam serenas

(Brilhantes escamas cintiladas)

Bárbara Lia
(o sal da primeira onda)

Wednesday, October 22, 2014

"Respirar" por aí...




A poeta Isabel Furini publicou dois poemas de "Respirar" em sua coluna no site "Paraná Imprensa"> Muito obrigada pelas palavras  e pelo espaço. A Poesia segue...

Link para a matéria na coluna da Isabel Furini:


Saturday, October 18, 2014

poema inédito de um livro em construção






deus e o mar de aran
branco raivoso - ireland’s tides
indomável deus rebeldia bruta
que açoita rochas e crianças
deus tem um elemento de amor
este elemento raro
fecundado em chão de algas
clama sóis e estações gentis
e paciência e força
na terra onde cadáveres repousam
não nasce amor
esta matéria ignorada
necessita oceanos montes e atrito
amor é semente de angústia
que floresce em estrelas
– de céu mar e pedra -
centelha de cassiopeia

Bárbara Lia 



Vi um documentário - O Homem de Aran: Em uma ilha da Irlanda uma pobre família de pescadores sobrevive em uma árida paisagem e a despeito das dificuldades diversas a família se mostra unida, no plantio, na pesca, sob tempestade.
O poema acima escrevi no dia que vi, ele engendrou um livro que é uma novela escrita em forma de poesia, por ora é isto que posso contar... O homem de Aran foi filmado em 1934 por Robert Flaherty...



“Por meio do cinema eu me esforço em dar a conhecer um país, assim como as pessoas que aí vivem. Esforço-me em torná-las as mais interessantes possíveis sob seu aspecto mais autêntico. Só me sirvo de personagens reais, de gente que vive no local filmado porque, ao final das contas são, realmente, os melhores atores. Ninguém é mais expressivo que os irlandeses, neste domínio, incontestáveis. Os negros, tão espontâneos, possuem o próprio natural, assim como os polinésios. Mas existe um germe de grandeza em todos os povos e cabe ao autor do filme descobri-lo: achar o incidente particular ou mesmo o simples movimento que o torna perceptível. Penso que os filmes dramáticos um dia serão feitos dessa maneira.”       (Robert Flaherty)