Monday, April 24, 2017

COLEÇÃO FICÇÕES AVULSAS e CANGURU – REVISTA DE LITERATURA E ARTE



COLEÇÃO FICÇÕES AVULSAS

A coleção ficções avulsas se propõe a reunir experiências de escrita do mundo contemporâneo. O gesto será o de colecionar em livro ou publicação de artista, escritas que fazem uso da palavra e/ou da imagem, cujas elaborações são disruptivas, muitas vezes parecendo não pertencer ao campo literário, por ser arte, nem no da arte, por ser literário. O nome da coleção foi trazido de um poema em prosa do livro crostácea (Medusa, 2011), da poeta e artista visual Joana Corona, pois muito nos diz para o sentido desta coleção.

A coleção inicia-se com os livros Chave do verso, de Ades Nascimento, Giramundo, de Caroline Lemes, Maresia, misericórdia, de Gabriele Gomes, Detritos e destroços, de Rafael Walter e Poesia incompleta, de Roosevelt Rocha.


CANGURU – REVISTA DE LITERATURA E ARTE

A Canguru é uma revista de literatura e arte, editada por Eliana Borges e Ricardo Corona, em diálogo com o conselho editorial formado por Douglas Diegues, Laura Erber, Debora Santiago, Reuben da Rocha, Júnior Pimenta, Alexandre Nodari, Henrique Saidel e Juliana Crispe.
A equipe da Canguru tem o objetivo de trabalhar com literatura e arte, a partir de assuntos propostos em cada número, procurando sugerir/estimular os colaboradores da edição. Não se trata de um tema, mas de um assunto que poderá ser desdobrado pelos colaboradores do modo como desejarem. A canguru publicará narrativas, poemas, imagens, ensaios, entrevistas. A cada edição será encartado em sua capa um múltiplo de artista.

A proposta que fizemos para esse primeiro número está relacionada com a “comunidade”. Há muitos textos sobre a “comunidade” na filosofia contemporânea, mas a nossa principal referência é a comunità pensada por Giorgio Agamben. Em A comunidade que vem (Autêntica, 2013 – Trad. Cláudio Oliveira), a comunidade está como algo sempre por vir e que se potencializa justamente porque está sempre chegando. Nos é singular a escolha do filósofo em pensar o assunto “comunidade” com uma série de conceitos, que são inventariados por ele para nos dizer de sua inoperância e, por isso, da sua resistência.

Colaboram nesta primeira edição: Adolfo Montejo Navas (poesia visual), Ana Pato (texto crítico), Antônio Risério (ensaio), Clarissa Comin (narrativa), Cleverson Oliveira (artes visuais), Coletivo S.T.A.R. (artes visuais), Diego Dourado (poesia visual), Fábio Gullo (poesia), Gabriela Noujaim (artes visuais), Gabriele Gomes (poesia e fotografia), Ícaro Lira (artes visuais), Janete Anderman (artes visuais), Jozé Roberto da Silva (artes visuais), Lidia Sanae Ueta (artes visuais), Natalia Barros (poesia), Regina Costacurta (artes visuais), Vanessa C. Rodrigues (narrativa).

A Canguru é uma publicação da Editora Medusa facebook.com/EditoraMedusa
Caixa postal 5013 - CEP 80061-981
Curitiba - PR - Brasil


A Canguru terá distribuição nacional em livrarias em parceria com a Editora Iluminuras Ltda www.iluminuras.com.br

O projeto editorial da Canguru tem apoio da COPEL através de projeto aprovado no Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura|PROFICE da Secretaria de Estado da Cultura|Governo do Estado do Paraná.

REVISTA INCOMUNIDADE, Edição 55 - Porto (Portugal)


INCOMUNIDADE traz editorial de Henrique Prior, artigo sobre a obra da pintora portuguesa, MARIA HELENA VIEIRA DA SILVA [ ilustração de capa], por Henrique Dória. A poesia de Antonio Barreto, de Bárbara Lia. Carlos Barbarito, Carlos Matos Gomes, Cecília Barreira. O artigo de Denise Bottmann sobre o plágio de tradução no Brasil. Eliana Mora. O artigo de Filomena Barata. Gladys Mendía, Isabel Rama, Jesus Bajo, Joaquim Maria Botelho, Jose Gil / Barbara Pollastri. A crônica de Luís Giffoni. Fragmento de DesMemórias, volume 2, de Marcia Denser. A poesia de Maria Toscano. Marinho Lopes, Mell Renault. Mais uma leitura de Moacir Armando Xavier. O artigo de Moises Cardenas sobre a poesia venezuelana. A poesia de Ney Ferraz Paiva e Noélia Ribeiro. O olhar de Caio Junqueira Maciel para a exposição de Wellington Dias [Diaswel Dias] em Portugal / Myrian Naves / Wellington Dias. A crônica de Ricardo Ramos Filho. A poesia de Romério Rômulo, de Ronald Augusto e de Ronald Claver. Rosa Sampaio Torres. Uma pensata zen-boêmia de Silas Correa Leite.

link para esta edição:




Thursday, April 20, 2017

Lançamento do romance "As Filhas de Manuela" em Peabiru

Dia 18 de abril na Casa da Cultura de Peabiru.
O lançamento do meu romance "As Filhas de Manuela" foi um dos momentos mais líricos da minha vida. O Secretário de Cultura Arléto Rocha, Historiador e Poeta preparou uma surpresa poética que fez com que eu tirasse estas fotos que, pelo impacto do momento e pela emoção, algumas ficaram tremidas. Vale pela memória da beleza que é encontrar no lugar onde você sonhou pela primeira vez em ser Escritora, receber tão bela homenagem. 
Arléto montou uma instalação com os artefatos usados no tempo em que eu era menina. Fiz 61 anos em 2016, aos seis anos, início da década de 60 do século XX eu me mudei para Peabiru. Era tempo de poucas casas com luz elétrica, algumas ainda não tinham. Ao menos ali naquela cidade pequena. Televisão começou a aparecer em raríssimas casas e a vida era rústica (e bela). O ferro que a mãe usava o chuveiro de lata e o rádio à pilha. A máquina escrever do pai. Arléto colocou ao lado do título do livro - A Literatura em seu sabor natural. 
A noite foi bela, e seguiu com uma conversa/entrevista relâmpago - que ele fez comigo. Muito especial a homenagem e as flores que recebi da vice-prefeita Maria José como representante da Prefeitura Municipal. Lançar  um romance foi significativo, pois era meu desejo de menina. A Poesia me roubou pra ela, vivemos neste ménage à trois... Eu, a prosa, a poesia, mas era dia da menina publicar uma história. Fica esta memória intocada e rara. 

Instalação com artefatos do tempo em que vivi em Peabiru - no tempo em que eu servia Chá para as Borboletas - Lançamento do livro "As Filhas de Manuela - Organizado pelo Poeta e Historiador Arléto Rocha








eu e minhas irmãs: Terezinha Pepinelli e Léa Aparecida Soares Ferreira

Com minha amiga Toninha Melo

 Roberta Santos (a moça que ama "Constelação de Ossos"




Minha prima Gláucia Patrícia Soares 

 Sueli Rigonato

Maria Isabel Trivilin (Cronista no blog Minha Janela)
e o poeta Cícero Souza


Meus sobrinho Lincoln, a priminha Isadora, os primos Gláucia, Jeane, Agamenon,
minhas manas Terezinha e Léa e meu cunhado José Elber Ferreira


 A vice-prefeita Maria José e Arléto Rocha

Washington Luiz e Arléto Rocha


Gilson Mendes de Góis, Giselta Veiga e Arléto Rocha


                                                                   Maria Isabel Trivilin 




   No jornal Tribuna do Interior de Campo Mourão:

Sunday, April 16, 2017

As Filhas de Manuela - 18/04 - Peabiru


          18/04 - 19:30 - 22:00
          Prefeitura de Peabiru   
          Avenida Doutor Didio Boscardin Bello
          
          Lançamento - As Filhas de Manuela
                                 Bárbara Lia
                                 Romance


   Texto do convite:

A Escritora Bárbara Lia fará o Lançamento do livro "As Filhas de Manuela", obra esta premiada pela Fundação Eça de Queiroz em Portugal. Morando em Curitiba, Bárbara Lia passou sua infância em Peabiru-PR e hoje é um dos grandes nomes da Literatura Brasileira.

As Filhas de Manuela trafega pelo realismo mágico. É um romance de fôlego, inicia em 1839 em plena Guerra dos Farrapos e segue até os dias atuais. O enredo acompanha a vida de todas as descendentes de Manuela, uma garota simples de Paranaguá que, ao encontrar um oficial da Armada Nacional, muda totalmente de direção a sua vida pacata em uma busca e esta busca pelo homem amado a levará ao encontro de alguém cruel. Este homem, rejeitado por Manuela, amaldiçoará Manuela e as futuras gerações. Esta maldição acrescentará dor e perda e o adendo de levarem, todas as mulheres da estirpe de Manuela, uma sombra da cor do sangue. 

Como cada mulher viveu esta peculiaridade e os desdobramentos deste encontro de Manuela com o amor e o ódio vai definir os passos futuros em um círculo de perdas e superações.


Vou lançar "As filhas de Manuela" na cidade onde sonhei - pela primeira vez - ser escritora. A cidade dos poemas da infância, onde eu servia chá às borboletas. Foi à sombra de um cinamomo onde um balanço rústico era espaço de sonho e voos. Foi ao embalo das folhas em uma qualquer tarde de primavera, eu teria doze anos talvez, talvez nem isto. Pensei com encanto nos livros que lia, na melodiosa poesia que ouvia pela casa, nos enredos que me enfeitiçavam, naquele mistério que era alguém tomar o leitor pela mão e levar para lugares distantes e "mares nunca dantes navegados". É o momento em que se deseja com tanta verdade que o sonho fica flanando. Ainda que os anos passem e não exista nada além de uma memória a força do pensamento consolidou o hoje, e neste hoje a menina volta ao chão onde servia chá às borboletas para lançar um romance, de mulheres fortes, de essência fêmea, de coragem e sem rasgos de Poliana, ou lacinhos cor de rosa. A vida é dura, mais que pedra... Mas como é incrível e rara, e como guarda as coisas belas para o final, como um filme, como um filme...

A fotografia da sereia - escultura de José Moser é de Luiz Cesar Hladü. A sereia da varanda da casa do escultor era o encanto da nossa meninice. Eu amava perder o olhar naquele objeto de arte, quiçá o primeiro que vi na vida. Muitos anos depois um moço fotógrafo fez o registro da imagem quando foi fotografar o escultor Conrado Moser em Peabiru, José  Moser não mais vivia. O fotógrafo deixou as fotografias quando se separou da mulher com quem se casou, que pelo ata e desata do destino era eu. Guardo esta imagem como a memória do tempo feliz. Guardo memórias, uma cidade, um encontro que durou dez anos e me fez mãe de três filhos, uma década de história do meu único casamento. A vida é este mistério este ata desata, este acende apaga, este junta e separa, e as estrelas guardam no silêncio o mapa das nossas vidas, e quiçá não saber o enredo seja o que torna a vida esta aventura maravilhosa.


Luiz Cesar Hladü (1961-2010)

Tuesday, April 11, 2017

como os gregos aos mármores de elgin






"Faça de Atena sua deusa e amor'
Péricles


Eu lutaria por ti
como os gregos
pelos mármores
de Elgin 

Atena sorriria
ao ver-me
depositar-te
com cuidado
no teu chão


Eu dançaria
ao ver o centauro
no Parthenon

E as estrelas
- nossas camaradas -
ergueriam um brinde
aos "loucos da imortal
loucura"

Eu lutaria por ti
na primeira linha
da batalha
lágrimas escondidas
pela balaclava

Sim! Eu lutaria por ti
como os gregos
pelos mármores
de Elgin
Bárbara Lia

imagem: museu britânico

Monday, April 03, 2017

Convite - lançamento de "As Filhas de Manuela"



Dia 16, no primeiro espaço poético que frequentei aqui: Feira do Poeta.


As Filhas de Manuela
Bárbara Lia
150 páginas
Capa: Félix Nadar (1820-1910)
Triunfal Gráfica e Editora (SP)



As Filhas de Manuela trafega pelo realismo mágico. É um romance de fôlego, inicia em 1839 em plena Guerra dos Farrapos e segue até os dias atuais. 
O enredo acompanha a vida de todas as descendentes de Manuela, uma garota simples de Paranaguá que, ao encontrar um oficial da Armada Nacional, muda totalmente de direção a sua vida pacata em uma busca e esta busca pelo homem amado a levará ao encontro de alguém cruel. Este homem, rejeitado por Manuela, amaldiçoará Manuela e as futuras gerações. Esta maldição acrescentará dor e perdas e o adendo de levarem, todas as mulheres da estirpe de Manuela, uma sombra da cor do sangue. Como cada mulher viveu esta peculiaridade e os desdobramentos deste encontro de Manuela com o amor e o ódio vai definir os passos futuros em um círculo  de perdas e superações.


Monday, March 27, 2017

Uma brasa acesa de amor e morte - Bárbara Lia





O Rio de Janeiro
é uma brasa acesa
de amor e morte

Iemanjá pranteia
o diabo goza
as estrelas gritam
as areias respiram
a dor e a glória

o Cristo quer
descascar  a pedra
descer ao asfalto

sambar na quarta-feira
e em cinzas
diluir

— para nunca mais ver tanta dor, ancorado no azul distante.

Bárbara Lia
uma brasa acesa de amor e morte

e-book do selo independente da revista gueto
para ler clicar aqui


Os poemas deste livro são lavados em revolta, alguma mágoa, quiçá desesperança em tempos inóspitos. O poema acima nasceu ao ver esta fotografia - Rocinha à noite - de Kay Fochtmann.
O selo editorial gueto, é um selo independente da Revista Gueto. Um projeto que traz prosa e poesia contemporânea. O meu e-book é o livro 4 do selo. Pode ser lido gratuitamente nessas plataformaspdfmobiepub

Saturday, March 25, 2017

Imagens da noite no TUC - CuTUCando a Inspiração

Quando o Geraldo Magela fez o convite para ler poesia no dia 24/03 no TUC no evento capitaneado por ele - CuTUCando a Inspiração - eu não sabia que minha poesia seria o destaque, a ficha caiu um dia antes. Dias corridos demais. Muitas coisas e a roda-viva. Foi uma noite que me pegou de surpresa. Muitas emoções. Muito lindo. Nem sei como dizer sobre este momento, e vou guardar com cuidado em meu coração.

Dans l'air
Tínhamos a mesma idade
Quando vimos o mar
Este mistério de impaciência

Tínhamos a mesma impaciência

– Rimbaud e eu –



Por isto

Pisamos telhados
Ao invés do chão

Por isto
Machucamos nossos amores
Com nossas próprias mãos

Por isto
As velas acabam na madrugada
Antes que o poema acabe

- Por isto, tão pouca a vida para tanta voracidade.
- Bárbara Lia
(O rasurado azul de Paris - 
poemas para Arthur Rimbaud)


Fco com este poema, dois poetas meninos escolheram este poema para me homenagear na noite. Os poetas relembraram Rimbaud, o Igor V. da Silva em uma linda performance, entre os poemas meus que ele escolheu para apresentar este que evoca - Rimbaud. O mesmo que o Jairo Lima D'Araruna escolheu para uma linda performance em uma junção de poemas dele, o meu e Augusto dos Anjos. Foi bem lindo. Muito especial a Rosa Leme ler um poema do Cláudio Bettega, pois nos conhecemos na mesma noite - eu, ela e o Cláudio, e tenho pensado muito nele, uma saudade. A Elciana Goedert leu - toquei seu berço silencioso - e fiquei emocionada, tem sempre a figura do meu pai em cada passo, em cada homenagem... Osmarosman improvisou uma canção com meu poema que tem a canção Drão do Gil, e tudo foi mesmo uma avalanche e estou aqui zonza, feliz, extenuada... Muita poesia, encontros e a alegria de reencontrar o Pozzo, Pedro Carrano, Decio Romano, o Jefferson Bandeira, Batista de Pilar... e outras pessoas queridas que não conhecia ainda como a Silvana Mello... Bela noite capitaneada pelo Magela...

Por falar em Capitão, entre os poemas de "Forasteira" escolhi este para ler:


O Capitão! Meu Capitão! Nossa temida viagem está acabada;
O navio superou toda sua dificuldade, a recompensa que nós buscávamos já foi alcançada
                            Walt Whitman





Oh captain! My captain! Eu te queria vivo quando vencesses as ondas
Na areia rindo para o infinito - forte como o mastro e inebriado de sal -
O roteirista das esferas teima em matar o herói para melhorar o filme
Oh capitain! My capitain! Num dia qualquer plantarei uma amendoeira
Para honrar-te (em delicadeza) e em cada primavera, uma vela acesa
Se hoje morto jaz cubro-o com um pano alvo, onde um pintor tecerá
As horas augustas, as batalhas justas, o riso sal e tua saga sem igual
Oh capitain! My capitain! Os grandes morrem na batalha. É certo que
Fixam seus rastros como uma fornalha (a marcar caminho aos seus)
E como tenho sido toda tua – Capitain! My capitain! - dos pés ao crânio
Mergulho em tua luz que me leva a ser - também – eterna água triunfal

Bárbara Lia in Forasteira (Vidráguas/2016)

Ricardo Pozzo, Pedro Carrano, eu e Elciana Goedert


com Rosa Leme

com Jeferson Bandeira

com Decio Romano


Geraldo Magela - curador do evento

Joel Ferreira


Igor V. da Silva

Ricardo Pozzo


Jairo Lima


Ganhei - Nutrisia - livto da poeta Elciana Goedert (Mariana Edições)


Vanessa Moreno, Silvana Mello, Rita Dellamari, Nola Amaro, Siomara Reis Teixeira e Iracema Alvarenga



Pedro Carrano



Batista de Pilar






Wednesday, March 22, 2017

Thursday, March 16, 2017

As Filhas de Manuela - Menção Honrosa no Prémio Fundação Eça de Queiros - Pré-venda do livro - lançamento em Abril.




A partir de hoje inicio a pré-venda do meu livro "As Filhas de Manuela".
O lançamento previsto para a primeira quinzena de abril. 
O valor do livro na pré-venda será de R$.30,00 - sem custos de remessa
O valor normal do livro será de R$.35,00 + remessa via Correios. 
O livro já foi enviado para a gráfica e deve ficar pronto em duas semanas.
Para adquirir em pré-venda, contato via e-mail barbaralia@gmail.com para detalhes da
compra. 


Sinopse:

As Filhas de Manuela trafega pelo realismo mágico. É um romance de fôlego, inicia em 1839 em plena Guerra dos Farrapos e segue até os dias atuais. O enredo acompanha a vida de todas as descendentes de Manuela, uma garota simples de Paranaguá que, ao encontrar um oficial da Armada Nacional, muda totalmente de direção a sua vida pacata em uma busca e esta busca pelo homem amado a levará ao encontro de alguém cruel. Este homem, rejeitado por Manuela, amaldiçoará Manuela e as futuras gerações. Esta maldição acrescentará dor e perda e o adendo de levarem, todas as mulheres da estirpe de Manuela, uma sombra da cor do sangue.
Como cada mulher viveu esta peculiaridade e os desdobramentos deste encontro de Manuela com o amor e o ódio vai definir os passos futuros em um círculo de perdas e superações.
O livro recebeu a única Menção Honrosa da primeira edição do Prémio Fundação Eça de Queiroz - em Santa Cruz do Douro, Portugal, em 2015. 

As Filhas de Manuela
Bárbara Lia
150 páginas
Projeto gráfico: Vanessa Araújo da Silva
Capa: Félix Nadar (1820-1910)
Triunfal Gráfica e Editora (SP)



Monday, February 27, 2017

Cabocla


acho tão bonito ser cabocla
eu sempre achei uma benção da lua
ser uma cabocla da terra brasileira
morena pele canela olhos de graúna


acho lindo ser cabocla
mistura de branco e índio
no grupo escolar rústico
aprendi a equação das raças
como se fosse tabuada
e o resultado eu lia e sorria
= cabocla

acho que não penso em pele
acho que penso em palavra
cabocla é palavra estelar

dizer cabocla é como traçar
as asas dos pássaros
as flechas e os arcos
as cabanas os riachos

eu sou cabocla
por ser por querer
cabocla até morrer

Bárbara Lia



...

fotografia -eu,  aos vinte e dois anos no Clube 10, na cidade de Campo Mourão (PR)

Wednesday, February 22, 2017

Como costurar água - Bárbara Lia








O amor costurou sua boca 
O amor  atou suas mãos
O amor cegou os seus olhos
O amor neutralizou os aromas
O amor tornou insípido o céu
O amor deitou-a na relva
E a inoculou com o silêncio
Em  uma noite rasa no Ocidente
Pós-longas noites desorientadas
Ela soube, enfim:

Para dizer de amar

Toda palavra é nonsense









O Amor é uma explosão sinistra



Nunca fui de ninguém
O mundo me entedia
A pergunta antiga
A febre do homem:
— Viver pra quê?
Nunca vi inteiro
Os que me amaram
Seus corpos
Dobrados sobre mim
Sufocava-me
Não desacreditei do amor
Simplesmente
Nunca o vivi plenamente
Isto o deixa vivo
Como um amanhecer
Virgem e apocalíptico
Esperando para romper
Em uma explosão
Sinistra







Como costurar água
Bárbara Lia

(livro em construção)

imagem - Helen Levitt