Monday, October 23, 2017

- "Ave Roc" Roberto Echavarren - Medusa / 2017 - Coleção Américas Transitivas.





Como escreve bem o Echavarren!

Ainda estou na metade do livro, mas devorei cem páginas ontem durante a noite... Aventuras apócrifas de Jim Morrison. Romance histórico sobre os anos sessenta.
Estilhaça as fronteiras de gênero, romance delicado, escrito com maestria, encharcado de poesia, adoraria ler o original, mas este encontro com esta narrativa (tradução Antonio Roberto Esteves) faz oxigenar o sangue com flores de um tempo diferente, de escandalosa beleza.


Belíssima a coleção - Américas Transitivas - pode ser encontrada toda ela no site da ZOona II - Américas Transitivas - lançamentos dos participantes da Festa Literária, com direito a uma edição de - Ilhas - do Wilson Bueno. Presente sempre quando se lembra o Portunhol, as Américas, a palavra.


Videocontos: Solidão / Máquina (Revista Verbografia)

artesanais - trilogia

Durante este tempo dedicada a escrever poesia, dialoguei infinitas vezes com estas autoras: Sylvia Plath, Emily Dickinson e Frida Kahlo. Os poemas e textos que este diálogo criou estão nesta trilogia. A cada título uma referência à cidade onde cada uma delas nasceu. 
A lua é presença nos poemas de Sylvia e o título do livro é - Lua de Boston...

A lua não tem nada que estar triste,/ Espiando tudo de seu capuz de osso./ Ela já está acostumada a isso/ Seu lado negro avança e draga. (tradução Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça)

O espírito solar de Frida, o México vibrante a transforma em - Sol de Coyoacán. 

A cidade de Amherst abriga a nitidez absurda da poética de Emily, este cair sublime como orvalho na pétala, esta poesia magistral que atravessa séculos e se mantém nesta vanguarda que nada muda. A minha poeta mais amada e alguns textos e poemas a ela dedicados, por ela inspirados. Emly é - O Orvalho de Amherst

A trilogia do diálogo feminino traz livros com mais ou menos 21 páginas, tecidos de forma artesanal.

Cada livro artesanal custa R$.15,00 cada exemplar;
Quem compensar a trilogia eu dispenso valor de postagem e o total de cada trilogia é R$.45,00.
Detalhes no meu e-mail barbaralia@gmail.com






Tuesday, October 17, 2017

Poemas na Revista InComunidade

Algumas poesias na Revista InComunidade de Porto - Portugal, editada por Henrique Prior e Jorge Vicente. Clicar no link para a edição atual:

http://www.incomunidade.com/v61/index.php


Saturday, October 14, 2017

Trajetórias - Marcelo Bourscheid








Dia desses eu fui ao "Espaço de Arte - Artes Visuais e Cinema" para ver o dramaturgo, poeta, diretor de Teatro Marcelo Bourscheid no palco. O projeto se chama - Trajetórias - e leva ao palco atores, diretores, dramaturgos para uma conversa sobre suas trajetórias. Na noite o Marcelo foi entrevistado pela Marrara Mara. Amei relembrar meu ano no Núcleo Dramaturgia SESi. Marcelo cedeu um momento da noite para que eu pudesse ler um poema. Este poema escrevi em plena oficina do Roberto Alvim, nas aulas liamos nossos textos, com o coração na mão, e quando o Marcelo começou a leitura dele de "Antes do Fim" brotou um poema quando quando comecei a anotar aquela chuva de signos que caia sobre nossas cabeças, envolvida pela aura daquela história, com toda força daquele drama que evoca o mito de Ifigênia, enleado em chuva e mar. Isto foi em 2009. A peça estreou no ano seguinte e a sucessão de novos textos levados ao palco revelou um talento enorme da dramaturgia curitibana (ele esconde que é poeta), sou tiete, confesso. "Do cão fez se o dia" é uma obra de arte que a Inominável Companhia levou ao palco, arrebatou prêmios... Eu tento ver todos as encenações dos textos do Marcelo e me surpreendo sempre. Longa vida ao Teatro Curitibano e aos Espaços de Arte.










Monday, October 09, 2017

As filhas de Manuela

Para adquirir o livro contato via e-mail - barbaralia@gmail.com


As filhas de Manuela - Bárbara Lia
Romance
Menção Honrosa na Primeira Edição do "Prémio Fundação Eça de Queiroz" - Portugal
Capa: Félix Nadasr (1820-1910)
Edição Triunfal (SP)
ISBN 978-856117566-6



Sinopse:

As Filhas de Manuela trafega pelo realismo mágico.
 É um romance de fôlego, inicia em 1839 em plena Guerra dos Farrapos e segue até os dias atuais. 
O enredo acompanha a vida de todas as descendentes de Manuela, uma garota simples de Paranaguá 
que, ao encontrar um oficial da Armada Nacional, muda totalmente de direção a sua vida pacata em
uma busca e esta busca pelo homem amado a levará ao encontro de alguém cruel. 
Este homem, rejeitado por Manuela, amaldiçoará Manuela e as futuras gerações. 
Esta maldição acrescentará dor e perdas e o adendo de levarem, todas as mulheres da estirpe de Manuela,
uma sombra da cor do sangue.
Como cada mulher viveu esta peculiaridade e os desdobramentos deste encontro de Manuela com o amor
 e o ódio vai definir os passos futuros em um  ciclo de perdas e superações.

Monday, October 02, 2017

Buffet de Poesia na XI Bienal do Livro de Pernambuco


- Muito feliz com esta - volta ao início. Foi através deste projeto que meus poemas foram mostrados ao público pela primeira vez, em 1997 - aqui em Curitiba e no Congresso Brasileiro de Poesia em Bento Gonçalves. Quando o Carlos Barros convidou-me para esta nova edição do Buffet de Poesia fui invadida por uma sensação nostálgica como quem retorna a um lugar onde foi feliz.
Agora, os amantes da Poesia podem ir à Bienal do Livro de Pernambuco e conhecer este projeto - contado em detalhes abaixo pelo poeta que criou o Buffet. Tem cinco poemas meus. Publiquei um poema do Edu Hoffmann ao lado do meu, conheci a poesia do Edu neste projeto, sempre tão irreverente, ao mesmo tempo zen. Neste projeto várias vertentes poéticas e muitas vozes. Estou muito feliz por retornar ao meu momento primeiro.
Viva! A poesia é este espaço maravilhoso que oxigena o ar em tempos tão difíceis. Gracias Carlos Barros, sempre alavancando a beleza de várias formas, e espalhando versos de norte a sul. 





Buffet de Poesia© 
Projeto: Carlos Barros

Buffet de Poesia© é um Projeto Editorial, criado pelo poeta pernambucano Carlos Barros, que lançará trabalhos de vários autores, no gênero Poesia, de maneira inteiramente nova, permitindo que os leitores formem o próprio livro desejado, numa interatividade até hoje inédita no mercado editorial. Os trabalhos do Projeto são editados em folhas soltas, nas dimensões de 138 mm, por 210 mm, sendo o miolo em papel 90 gramas e as capas em papel 180 gramas. A ideia básica é expor e vender as páginas por unidade e a capa separadamente, dando assim, ao leitor, a real opção de escolha do livro que pretende adquirir, se desejar adquirir um livro. O Buffet de Poesia© permite que o leitor adquira desde uma só página, até o máximo exposto, com capa ou sem capa. No caso da compra de um volume, este poderá ser grampeado, ou embalado em sacos plásticos, conforme seu desejo. Dessa forma, o Buffet de Poesia© não é apenas um livro, mas uma ideia nova e inovadora, que muda a relação leitor/autor/editor, abrindo uma oportunidade de integração até então inédita entre os maiores interessados na literatura publicada, permitindo que o leitor/consumidor tenha papel ativo e positivo no mercado editorial.

Lançado em Curitiba-PR, em 1996, o Buffet de Poesia© chega agora ao Nordeste, através da XI Bienal do Livro de Pernambuco, a realizar-se entre os dias 06 e 15 de outubro de 2017, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda-PE.

O Buffet de Poesia© estará exposto no estande da “Terraço dos Gatos, gráfica artesanal”, gráfica oficial da Bienal.

Nesta nova edição, o Buffet de Poesia traz trabalhos de 16 (dezesseis) poetas das mais variadas cidades brasileiras, tais como de Recife e Ouricuri, em Pernambuco; Curitiba, Assaí, Jacarezinho, Ibiporã e Maringá, no Paraná, além de Rio de Janeiro-RJ, Montes Claros-MG, Cuiabá-MT e Porto Alegre-RS.

Wednesday, September 27, 2017

ZOONA II – Américas Transitivas - Festival Literário - Outubro/2017








"O festival literário ZOONA II – Américas Transitivas se realiza em Curitiba, na Capela Santa Maria, de 16 a 19 de outubro, e em Foz do Iguaçu, na UNILA - Universidade Federal da Integração Latino-Americana, de 23 a 25 de outubro.
O tema transversal desta edição, resumido no título, são as fronteiras, as transições e misturas nos saberes e práticas literárias.
Com diálogos e ações artísticas intercruzados ZOONA II - Américas Transitivas pretende discutir e difundir estéticas e ideias a partir do Paraná e criar pontos de vista transperiféricos por meio dos trânsitos, dos diálogos entre diferenças e dos pensares e fazeres em rede.
Essa perspectiva visa uma abordagem dos fenômenos literários que considera as redes não apenas como um meio de difusão de literaturas nacionais ou de mercado, mas, principalmente, como espaço multidimensional de trocas e aprendizagens intermedidas por afetos, ideias, estéticas e atuações conjuntas."


link para o site do ZOONA II - Américas Transitivas

http://zoona.editoramedusa.com.br/

Sunday, September 17, 2017

"You may say I'm a dreamer / But I'm not the only one" John Lennon

"Imagine" só deveria ser cantada por crianças ou anarquistas. Ou - para não ser muito radical - por aqueles que quando recebem o pão da paz o corta ao meio e dá a quem é crucificado neste mundo... Ele não é o único sonhador, mas está implícita esta fala na canção: a convocação é para os sonhadores. Também pode assobiar a canção aqueles que dão as costas a este mundo sórdido, o mundo - esta putaria. "Imagine" da boca pra fora anula toda a poesia. Acho que John concordaria.

imagem - Wasim Pummarin

Friday, September 15, 2017

Teatro de Segunda - Curitiba Pulsa - Um ano de um projeto bem lindo.





(Parece que foi ontem, mas começou há um ano. Um lindo projeto dos dramaturgos; Marcelo Bourscheid, Don Correia e Eduardo Ramos)

**


É com muito orgulho que anunciamos o 12º evento do Teatro de Segunda. 
Mais de 800 pessoas já passaram pelo Ap neste último 1 ano de evento, para ler, ouvir, sentir, confraternizar, integrar e promover resistência e união, tão importante no momento atual em que vivemos. 

NOVIDADE: 
Para celebrar nosso 1º ano, convidamos dramaturgos para lerem seus próprios textos, em formato de cena breve com músicos tocando ao vivo!
Para completar a roda de leituras/cenas, abrimos ao público o envio de textos curtos de até 10 minutos, para sortearmos e também lerem na noite do evento.
Os textos podem ser enviados para: teatrodesegunda@hotmail.com

Convidem os amigos, venham celebrar o ano 1 do Teatro de Segunda!

Terá bolo de aniversário e comidinhas e bebidas à venda!
Ingresso de sempre: Traga sua bebida favorita!

17/09 - Homenagem - Carmen Silvia Presotto - Sampa e Poa

Tuesday, September 12, 2017

"Procura-me ali. Viva"

Vida 


Descruzo os dedos
os versos, o olhar
invento um acorde
percorro caminhos
linhas, rugas, vincos

toco os poros
mais expostos
colho os sonhos
mais ativos
acordo o vento
destampo o tempo
circulo o infinito
foram-se os muros
tiro a máscara
cá estamos, livres
...e menos sozinhos
saudade...
Eros és minha verdade!
Carmen Silvia Presotto



Creio nos sinais que o Universo aciona em nossa direção. Na noite do dia 10 eu publiquei este poema de Hilda Hilst no meu Facebook. O poema abaixo brilha como uma mensagem agora que ela (Carmen) não vive mais aqui. Como se o Universo já alertasse o desejo (dela) e certamente do próprio Universo. Devemos procurar os que amamos no que espelha a vida deles. Esta pequena sincronia que me faz ver tudo mais claro ora que passa aquele momento que doeu muito:  a notícia da morte da Carmen. E o último poema que ela colocou e este que eu coloquei antes de saber de sua partida é como um notícia. Aquilo que - quiçá - ela nos diria. Um canto à vida...


Não me procures ali
onde os vivos visitam
os chamados mortos.
Procura-me
dentro das grandes águas
nas praças
num fogo coração
entre cavalos, cães,
nos arrozais, no arroio
Ou junto aos pássaros
ou espelhada
num outro alguém,
subindo um duro caminho.
Pedra, semente, sal
passos da vida.
Procura-me ali.
Viva.
Hilda Hilst 

Carmen Silvia Presotto, dói demais te dizer adeus.

Carmen Silvia Presotto (1957-2017)
 Poeta, editora, autora de "Dobras do
Tempo", "Encaixes", "Postigos".


"Irmão do meu momento, quando eu morrer/ Uma coisa infinita também morre. É difícil dizê-lo:/ MORRE O AMOR DE UM POETA./ E isso é tanto, que o teu ouro não compra./ E tão raro, que o mínimo pedaço, de tão vasto/ não cabe no meu canto." Hilda Hilst.


Uma pessoa infinita estava morrendo e eu pressentia. Era esta a dor dentro de mim ontem e hoje e eu nem sabia. Achava que era só o cansaço mental que fazia tudo ruir dentro, esta sensibilidade minha que capta e eu nem sei o que capta, até saber. Eu soube. E dói este momento em que um fio se rompe pra sempre no mundo material e fica pela eternidade na imaterialidade das coisas que vivemos e fizemos juntas.
Mais de sete anos deste vínculo, uma epopeia feminina e muitas trocas. Carmen Silvia Presotto é uma mulher incrível, mãe avó, poeta, editora, amor de seu amor, amiga de tantas pessoas, uma pessoa incrível, e por estes caminhos da vida ela acabou por tornar-se editora de dois livros meus. 
Os que marcam a vida fixam as cenas desde a chegada. Tão nítido ela naquela manhã de sábado no Festipoa, ela tinha pressa, mas pegou meu contato. Nossa conversa começou ali e se estendeu e ficou como uma pequena guirlanda de flores delicadas esticada no céu entre Curitiba e Porto Alegre por sete longos anos. Estas coisas de mulheres que preservam seu destino de beleza e vão descartando as coisas espinhosas, as coisas poucas, os embates que não levam a nada. Carmen queria editar um livro meu, em plena copa do mundo de 2010 sou surpreendida com sua chegada . Lembro aquela conversa longa naquele ônibus de turismo - passeio em dia gélido - e, depois, jantamos no bar do Alemão. Eu não podia dar a ela o livro de poesia que ela me pedia naquele ano, eu tinha um romance - eu dizia. Sensível e ainda que não fosse como ela premeditara, ela abraçou "Constelação de Ossos" e o editou, com aquele entusiasmo peculiar. Pela primeira vez passei dias com ela em Porto Alegre. Ela sabia do meu jeito arredio desde sempre. Na última vez em sua casa ela disse que era meu jeito de me proteger. Sim, é. Eu não tinha a espontaneidade dela, dialogar com toda gente, falar de poesia noite e dia, publicar, criar um site, uma editora, virar o mundo. Eu estava na minha caverna, uma espécie de ermitã que ela acolheu e fez sentir inteira e plena como poucas pessoas me fazem sentir em ambientes desconhecidos. Era suave de flor e firme de aço. Era humana. Amava a família maravilhosa, a neta que foi a primeira pessoinha que me veio à mente há pouco quanto soube de sua partida. Doeu demais saber desta ruptura que não considero justa: que aquela garotinha não vai conviver com esta avó tão rara.
Há um ano estávamos totalmente mergulhadas em outro livro. Foi como um sopro no tsunami da vida, quando ranhuras surgiram em um diálogo com quem ia editar - Forasteira - e eu lembrei nosso final de semana de inverno, e lembrei que Carmen se abalara de Porto Alegre até aqui em busca de um livro de poesia e escrevi e disse: quer editar um livro de poesia? Eu tenho um agora. Fizemos no ritmo do momento dela, dentro da possibilidade e foi assim que ela me segredou algo e ficamos (sempre ficamos) certos de que o obstáculo será vencido. Nosso âmago de guerreira nubla toda possibilidade de derrotas. Tínhamos certeza de que tudo ficaria bem. Acho que é isto que chamam de fé. Uma espécie de construção em câmara lenta que depositou em minhas mãos um livro especial para mim: Forasteira. 
Lembro a gente ouvindo Bob Dylan no carro. Era outubro. Era primavera. Era um adeus e eu nem sabia. Lembro nossas últimas conversas, nosso último encontro. Os planos dela que ficam suspenso e a certeza de que não vai acabar nunca esta saudade e que as coisas que ela viveu comigo e com tantos poetas e amigos e os que ela amou e a amaram solidificam uma memória poética tão plena de - Encaixes - e tão cristalina como a gota clara de Vidráguas, que ora se converte em lágrima.
Uma lágrima no orvalho pra você, Carmen. Estou em estado de choque ainda, como quem não crê.

Sunday, September 10, 2017

Ser avó tem sido a melhor parte da vida...


(esboço de um poema para Laura)


quando você flor madura
e eu - memória
ouça mais estrelas
que pessoas
quando você flor feliz
quero estar por perto
só para ver a dança
da tua aura contagiante
como este riso de agora
quando você flor iluminada
e eu, quiçá, tua saudade
eu viverei nas linhas parcas
nos fragmentos do teu plasma
e em cada louro, Laura,
de uma vida salpicada de Amor
e vitoriosa, como teu nome
Bárbara Lia

Wednesday, August 16, 2017

As filhas de Manuela - Bárbara Lia










                                    lançamento em Peabiru - Casa da Cultura - com Maria Izabel Trivilin


As Filhas de Manuela
Bárbara Lia
148 páginas
Capa: Félix Nadar (1820-1910)
ISBN 978-856117566-5
Triunfal Gráfica e Editora (SP) 
Menção Honrosa na primeira edição
do Prémio Fundação Eça de Queiroz
(Portugal)

RS.30,00 + remessa

contato: barbaralia@gmail.com

As Filhas de Manuela. Romance. Realismo Mágico. 
Inicia em 1839 em plena Guerra dos Farrapos e segue até os dias atuais. 
O enredo acompanha a vida de todas as descendentes de Manuela, uma garota simples de Paranaguá que, ao encontrar um oficial da Armada Nacional, muda totalmente de direção a sua vida pacata em uma busca e esta busca pelo homem amado a levará ao encontro de alguém cruel. Este homem, rejeitado por Manuela, amaldiçoará Manuela e as futuras gerações. Esta maldição acrescentará dor e perdas e o adendo de levarem, todas as mulheres da estirpe de Manuela, uma sombra da cor do sangue. Como cada mulher viveu esta peculiaridade e os desdobramentos deste encontro de Manuela com o amor e o ódio vai definir os passos futuros em um círculo  de perdas e superações.

Saturday, August 12, 2017

um poema...





eu me permito errar
e me permito cair
em contradição
eu me permito dor
e me permito chão
e me permito ruínas
e me permito caos
eu me permito ser
quem se perde 
dentro de si
eu me permito gritar
e provocar os céus
com mil perguntas
eu me permito rasgar
cada fibra del cuore
para tecer uma flor
sangrada e livre
eu me permito amar
e acordar
como quem nasce
de novo
eu me permito flanar
entre o inferno
das noites a sós
e o sol
que me abre
as manhãs
eu me permito
ser inteira
sem medo
eu me permito cair
e levantar
nas madrugadas
para colher
as estrelas tontas
que despencam
em seu próprio céu
como eu

Bárbara Lia
Inverno de 2017

imagem - Francesca Woodman

Thursday, August 10, 2017

Forasteira no site "Toca a falar disso"





Sobre "Forasteira" no site "Toca a falar disso":



"Puro lirismo. É assim que pensamos Bárbara Lia, autora de Forasteira, ao abrir a primeira página do livro. A alma da poeta que traduz o inconformismo pela desumanidade e que também mergulha nos sentimentos mais íntimos, revela-se a cada estrofe.

Com uma identidade peculiar na escrita e uma personalidade marcante que fica bem pontuada em cada frase, a autora nos conduz por todos os caminhos que a visão da alma poética é capaz de levar. A inquietação infantil do mundo a descobrir, o florescer dos sentimentos, o compreender-se mulher na totalidade dos sentimentos e percepções, o entusiasmo pela vida e os dissabores pelas vivências que deixam marcas, são os reflexos que por entre as palavras que dançam nas páginas bem elaboradas, dessa menina-mulher.

Que fez a travessia pelo mundo e pelo tempo, sem perder a docilidade e o sonho de menina, mas ao mesmo tempo, acumulando no olhar, a experiência e as marcas de quem percebe o ser humano na sua mais dura vertente. Forasteira da vida e de si mesma, segue por vários caminhos, na arte da escrita e mantém inalterado o poder transformador de não se conformar com o feio, o distorcido, o desumano, seja na poesia ou na vivência, e revesti-lo de encanto , beleza e compaixão.

O Livro é o retrato fiel da alma da autora, relatado por Fernando Koproski no prefácio, traduzindo com perfeição o que encontramos na vivência poética de Bárbara Lia: filha de Florbela Espanca com Vinícius de Moraes. E isso já revela tudo.

Um abraço tropical"

DRIKKA INQUIT

link para o texto

Tuesday, August 08, 2017

As filhas de Manuela - Bárbara Lia



Para adquirir o romance "As Filhas de Manuela" 
contatar e-mail: barbaralia@gmail.com



Manuela
Grande Mar Redondo

Sobre mim passam, com a sua cacofonia,
os corvos em bando negro.

Sylvia Plath

Manuela não sabe de nada que acontece ao redor. Não sabe das expedições guarapuavanas que se atiraram na missão de domar os índios e conquistar aquele território. Os homens dão ordens para os cavalos pararem e ficam olhando aquela garota bela, queimada de sol. Manuela baixa o olhar. O intrépido Mauro
Risério adianta seu cavalo. Ele é filho de um dos homens da comitiva. Ele fica a dançar ao redor dela com seu cavalo. Ele a olha com seus olhos claros gélidos. Como quem quer invadir seus olhos tristes, ir andando com seu cavalo alma adentro como quem tem oitocentas perguntas. Manuela não move um músculo da face. Ele desce do cavalo e segura a garota pelos ombros. Manuela desmaia.

Bárbara Lia - As filhas de Manuela - Triunfal ed. - 2017
150 páginas
ISBN 978-856117566-5
R$.30,00

compras via e-mail: barbaralia@gmail.com

Saturday, August 05, 2017

fragmento: As filhas de Manuela




(..)conheci uma escritora triste que sempre fica na Livraria Ponte de Tábuas, tomando um cappuccino e escrevendo. Ela me vê. Conversamos telepaticamente. Ela diz que gostaria de ver Proust e não eu. Eu pergunto. Quem é Proust? Passo horas ouvindo sobre Proust. Ela o admira. E ela diz que adoraria que eu fosse Proust, pois eu poderia dizer se os escritos dela são Literatura ou desabafo. Poesia ou nada. E ela lê para mim e eu ouço e acho lindo. Ela diz que achar lindo não significa muito. Ela diz que as pessoas choram com propaganda de margarina e gostam de axé. Eu não sei bem o que é axé. Digo que meu avô ouve umas óperas belíssimas e que minha avó adora Chico Buarque. Ela sorri e diz: — Berço de ouro o teu, Mel. Eu sorrio. Nasci em berço de ouro. Sim. Eu nasci. Ela diz que tem nome de escritora: Virginia. As minhas tardes ganham nova alegria. Sento-me diante de Virginia e tenho aulas de Literatura. De vez em quando ela se queixa por eu não ser Proust, mas, com o tempo deixa de humilhar-me por causa de Proust e começa a ser mais amiga.

Bárbara Lia
As filhas de Manuela
página 133
Triunfal Ed. (2017)
ISBN 978-856117566-5




















contato - e-mail: barbaralia@gmail.com

Thursday, August 03, 2017

skyleros dermis: um diálogo com Paul Klee no site Mallarmargens




Há quase dois anos eu teço um diálogo com Paul Klee, mixando arte & dor. Klee morreu vítima da esclerodermia. Eu vi ressuscitar o vírus que veio morar no líquido cinza da minha medula, e o nome científico é - síndrome tardia da poliomielite - sofri dores físicas, fiquei impedida de andar em muitas ocasiões e consegui estabilizar minha saúde depois de uma romaria por meia dúzia de médicos... Já posso fazer de conta que isto não aconteceu comigo. Esta é minha especialidade: negar dor. No caminho desta dor, desde 2008 até aqui dei de cara com Klee. Dialoguei com ele, sua Arte, sua beleza. E quiçá um dia eu publique estes textos que flanam entre a revolta com a dor e a libertação possível que germina em toda espécie de Amor.
No carnaval encontrei um estudo científico e uma fotografia que me fez chorar, a realidade física de Klee diante da esclerodermia... Não sei se conseguirei amar mais um artista do que amo este homem, a beleza absurda de um ser. Ele era poeta, um grande poeta, alguns títulos de seus quadros são versos. 
Klee é inesgotável, eterno, terno, belíssimo...

Link para o texto:

http://www.mallarmargens.com/2017/08/skyleros-dermis-barbara-lia.html