Friday, June 29, 2007

GUIMARÃES ROSA NO ACT

























sábado, 30 de junho...
Leitura pública de Guimarães Rosa, com Luís Melo e direção de Márcio Abreu

Saturday, June 23, 2007

CONCHA ROSSA
















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Gosto dos sonhos feito filmes.
Peço aos anjos – Não me acordem!
Quero pisar algas, morangos, açucenas.

Leve flanar que só o sonho alcança.
Pensei haver sonhado aquele encontro
e raptei concha rossa naquela praia.

Dorme no meu quarto, na orla
do meu leito. Não foi sonho,
foi céu real. E o céu é eterno.
BÁRBARA LIA
(poesia publicada em abril de 2.004
na Revista Etcetera - Travessa dos Editores)


Ilustração - Ana Luisa Kaminski:
www.luisakaminski.nafoto.net

Thursday, June 21, 2007

ANA C.








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foto - Cecília Leal

P/Armando Freitas Filho

eu me tenha iludido! eu me tenha iludido! a repetição é fundamental, meu caro. a repetição é fundamental, mas eu me sinto um pouco assim assim, vamos embora, vamos dizer que tudo não passa, vamos dizer que medéia te espera: medéia tem um aspecto mais moderno do que se podia imaginar. ando tal como um hamster, corro pra lá e pra cá qual exatamente um hamster (e não um hamster ferido). chega um ponto. eu sinto falta. digamos que é hora de começar a escrever ''as memórias''. imaginárias memórias boreais. tudo tão antigamente sugestivo. imaginá-las auroras. munir-se de exemplos. contando-as criticamente. este projeto me atrai. o que é a metafísica? eu sinto que me desgarro, me des-garra rútila no portal.eu tenha me iludido!espero qualquer chegada com uma frase: eu tenha me iludido.acho que vou me suicidar.
ANA CRISTINA CESAR

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"Lendo Ferlinghetti não penso/em Nova York no verão/ mas nos cheiros de pessoas que não suspeitam que têm cheiros/e em mim de volta/tentando decifrar saudades/ficções do Humaitá/ lendo Ferlinghetti não penso nos amantes cobertos pela árvore/resistindo e rasgando-se/de novo/penso sim"
ANA CRISTINA CESAR
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para Ana C.:

AUSÊNCIA.

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


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Wednesday, June 20, 2007

AL- TUTILI









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Jean Auguste Dominique Ingres


Poética circular
Contam que muáchaha é um estilo de poema típico do Alandaluz, em que o poeta busca reproduzir sons circulares. É quase um canto tal é o efeito anelar da sonoridade do poema em árabe. O tema, em geral, é o da paixão não correspondida, o abandono, a indiferença: “A amada do poema árabe permanece inacessível mas no momento em que se tira o véu, é transformada em sol ou lua, é transfigurada e arrebatada cosmicamente” (Titus Burckhardt). Quem compôs o poema abaixo foi um poeta cego, conhecido como Al-Tutili, o cego de Tudela. Considerado um dos melhores autores de muáchahas, viveu na taifa de Sevilha no século XII, participava de concursos poéticos e seria, quem sabe, um dos animadores dos dîwâns sevilhanos:
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MUÁCHAHA DOS OLHOS LÂNGUIDOS


Por Al-Tutili


Será que será meu, esse cervo que tem

Rosa adornada entre curvas de serpente?
Mesmo se os seus olhos lânguidos me ferem
hei de encontrar no talhe do corpo galhardo
alegria, se a sorte estiver do meu lado.

Deixei a seus pés a minha face rendida
Mas ela cresceu em seu orgulho e malícia
E me disse, e em meu rosto lágrima corria:
“Me diz onde aprendeste este amor extremado?

E eu disse: “Os teus olhos são meu professorado”.

E ainda me disse, e me deixou sem ação:
- Chega de culpar meus olhos, muda a razão!”
E eu lhe disse: “Mha senhor não te ofendas não,
Se não queres, juro não falo mais de agravos
- virei muçulmano, não fala mais o mago.”

Tu bates os cervos com esses olhos lânguidos
E fulminas as virgens do Éden esplêndidas
E saturas a luz com teus olhares cândidos
Amar-te é ter secreto amor, e eu não o espalho,
Não o revelo ao mundo e o levo bem guardado.

Que ser mais belo Deus fez existir na terra!
Meu coração te segue e tu nem mesmo acenas.
Chora aturdido, ouve-o quando se lamenta:
“me diz quanto agüento a ausência não estando
ai da enamorada se não estás tu”.

(tradução do árabe de Michel Sleiman)
Al-Tutili foi poeta no século XII em Sevilha

Michel Sleiman, poeta, professor de Literatura Árabe - USP

-poema publicado no site do ICARABE - apresentado dia 18/06. no Diwân, em Sampa, no Teatro da Aliança Francesa. Coordenado por Lelia Maria Romero, o evento, um conjunto de poesia e dança, foi um retrato dos dramas de árabes no Líbano, Iraque e Palestina. Uma reflexão sobre povos que vivem seus cotidianos mas também lidam com opressão e violências militar e ideológica
www.icarabe.org

Tuesday, June 19, 2007

"MINHA NOITE É UM GRANDE CORAÇÃO BATENDO"
























"9 de novembro de 1951
Menino-amor. Ciência exata.
vontade de resistir vivendo
alegria saudável. gratidão infinita
Olhos nas mãos e
tato no olhar. Limpeza
e maciez de fruta. Enorme
coluna vertebral que é
base para toda a estrutura
humana. Um dia veremos, um dia
aprenderemos. Há sempre coisas
novas. Sempre ligadas à
antiga existência.
Alado - Meu Diego meu
amor de milhares de anos.
Sadga. Yrenáica
Frida.






























"Sozinha com a minha grande felicidade
e a lembrança viva
da menina. Passaram-se 34 anos
desde que vivi esta amizade
mágica e cada vez que a
recordo, mais ela se aviva e mais cresce
dentro do meu mundo.
PINZÓN 1950, Frida Kahlo"


























"Eu sou a desintegração"



"Minha noite me esgota. Ela sabe muito bem que você me faz falta e toda a escuridão não basta para esconder essa evidência. Essa evidência brilha com uma lâmina no escuro. Minha noite quer ter asas para voar até onde você está, envolvê-lo no seu sono e trazê-lo até onde estou. Em seu sono você me sentiria perto e seus braços me enlaçariam sem você despertar. Minha noite não traz conselhos. Minha noite se entristece e se desencaminha. Minha noite acentua a minha solidão, todas as minhas solidões. O silêncio ouve apenas minhas vozes interiores. Minha noite é longa, muito longa. Minha noite teme que o dia nunca mais apareça, porém ao mesmo tempo minha noite teme o seu aparecimento, porque o dia é um fio artificial em que cada hora conta em dobro e, sem você, já não é vivida de verdade." ( Frida Kahlo a Diego Rivera)
- ilustração - páginas do diário de Frida Kahlo.

TV CRONÓPIOS





O site Cronópios Literatura e Arte tem uma página nova - Tv Cronópios. A entrevista com Sérgio Sant'Anna - O ecologista da palavra - excelente! Escancarado, critica a crítica. Sobre o escritor registrar as paixões, mesmo as de fantasia e dos livros que capturam um pedaço da existência, foi muito poético ouvir, lembrou meu livro Noir. Os apadrinhamentos e as elevações de amigos, que é a contumácia no meio literário. Tanta ressonância encontrei nas coisas que ele está ali escancarando. A me dar um ar, perceber que ainda existe quem está colocando a Literatura no lugar que ela precisa estar. E coloca o dedo nas muitas questões que me incomodam... Então, eu vou em frente, com um novo ar, com uma certa pena de quem usa a Literatura, e constrói as castas, as igrejinhas, estas coisinhas assim, pequenininhas, pensando que ninguém percebe... Valeu, pai do André, o cara.


THOMAS GABRIEL















APARÊNCIA

Céu partido em dois
Risos, aparências.
Alma que a luz esconde

Veja o mundo

Que espia o céu
E pisca.


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MONGE SAGRADO


Após a morte do monge
sagrado a brisa
na sua tumba é

caligrafia.



***

abaixo do camarim
aquático
primavera seca
de plantas iluminadas

no pensamento
periscópio de sonhador.


***



ÁGUA DO CORAÇÃO



As águas da correnteza vão
Embora ao acordar do amor.
O amor vai à casa vazia.

A vida. Oh vida!
Que é a vida
Para o homem que vive
Ao luar entre nuvens?


A terra preta cobre meus pés.
O roseiral no quintal
É invadido pela cítara.

Estrelas de granizo.
Atrás do nevoeiro, a imagem:
Pétala da rosa ao vento.


THOMAS GABRIEL - meu filho caçula, escreveu estas poesias em 2.002, aos treze anos. Água do coração, foi publicada na antologia - Poetas da Matriz - da Fundação Cultural de Curitiba. Mãe de peixinho, é peixe... ou sereia?

Sunday, June 17, 2007

CLIFTON GIOVANINI

A inquietude de uma tarde monótona respira mais aliviada entre fumaças de cigarros e a pacata morbidez envolta nas agitações sem nome e sem desvio. Recolho-me para sofrer não sofrendo. Não existe tédio quando encontro a solidão perfeita. Tudo o que me resta de mais sombrio e remoto, rejuvenesce-me, pois sou feito de partes distantes que se entrelaçam para encontrar o sentido da menor ação e contemplamento. Sou lento demais para ouvir pegadas e prever seu futuro. Busco na pena o tempo que me sobra, o tempo que me falta. E quando parado vou mais rápido que pensando ou tentando pensar. A luz acompanha tudo o que vemos, até os sentimentos que não temos como classificar... não quero pensá-lo, sinto-me cansado. Mas as evidências logo darão razão ao que falo – meu orgulho é estúpido demais para perceber a mentira. Entrelaço-me entre o sono e os pensamentos que não tenho, e é por isso não me arrependo e insisto em desmentir. Seu único progresso – continuar enquanto alguém estiver dormindo - evitar sempre qualquer ruído, balançá-lo como um recém-nascido, daqueles tão frágeis que não se pode acender a forte luz. Contento-me com uma vela e um aquecedor. O que mais precisaria meu deus! Um papel quente para reclinar esta cabeça que insiste em ouvir o barulho das ondas. E não se apresse! Continue dizendo, continue mal-dizendo... mas continue. E meu lapso é brutal frente aos inimigos que não vejo. Duvido que me tragam algum dia a esperança da retomada. Um cálice! Por favor! Tragam-me o cálice e farei um brinde. A tudo que temos passado. A tudo que haveremos de sofrer. A tudo que viva em que haja poesia.. e uma noite um pouco menos solitária...
- Clifton Giovanini vive em Curitiba.

Saturday, June 16, 2007

MAHALO




Crescente.
Acordes de ukulele.
Echarpé de meus braços
lânguidos
em teu corpo másculo,
um colar!

Teu olhar
regenera
minha alma fera
e a carne lacerada
de meus pés cansados,
e seca a lágrima
da infinita espera.

Mahalo – sussurro
em silêncio de prece.
Mahalo à poesia
que te trouxe à minha porta


BÁRBARA LIA

Tuesday, June 12, 2007

BATISMO DE SANGUE
















































Sair do cinema, depois de ver Batismo de Sangue, com a alma gelada, na cidade gelada, esperando um ônibus gelado, dentro de um tubo gelado, asséptico, diferente da vida acalorada dos anos sessenta, que engendrava morte - mas, era VIDA.
Eu esperava não ser surpreendida ao ver o filme. Eu sabia que ia cerrar os olhos nas cenas de tortura (foi o que fiz), que ia sangrar de novo a alma junto com Tito, que na França vê "fleurir" rosas do avesso, pétalas espinhosas a ressuscitar o carrasco. Para Tito, passear pela primavera na França era evocar Fleury, pois a palavra fleurir não trazia a magia do colorido que perfuma e atravessa cidades e jardins... Fleurir. Dura palavra. Eu pensava que estava ali para saber de que forma Helvécio Ratton havia construído os espisódios, depois daquela provocação de Frei Betto ao dizer - a vida supera a ficção - e o filme reproduziu fielmente cenas e até mesmo pessoas. Mesmo não sendo citados e mesmo como coadjuvantes, reconhece-se facilmente, José Dirceu e Wladimir Palmeira no episódio do congresso da UNE...
Os dois momentos que revelaram a força do filme. Reproduzir a solidão de Tito, a neve, a ausência dos seus e a saudade da Pátria, isto para mim elucidou um pouco mais a angústia do rapaz que antes de morrer disse a Frei Osvaldo - Já não creio em mais nada: nem em Cristo, nem em Marx, nem em Freud. A grande falha foi não deixar transparecer no filme que ele amava as canções de Milton Nascimento... E a grande hora, que sacudiu dentro em beleza, que fez a paz sentar-se ao meu lado na poltrona, que mostrou que sempre a arte surpreende. A hora de beleza estranha, quando os quatro freis pedem para rezar uma missa, e os carcereiros trazem uma caixa de papelão, dessas onde se colocam pizzas cheias de bolacha maria, e um pacote de Q-suco. E eles arrumam a mesa, e preparam o "vinho" e repartem o corpo de Cristo, com a trilha sonora que traduz mesmo uma certeza de paraíso, meio às grades e os presos, meio ao olhar de escárnio dos carcereiros, que pouco a pouco vai se tornando veneração, diante da fé dos quatro freis, a repartir o corpo de Deus, em profunda comunhão e certeza deste mistério... Foi sim, um reencontro com minha fé perdida, esquecida pelos caminhos, respingada pelo susto de não entender um Deus que não intervém... Assim como não interveio nos caminhos de Tito, nos caminhos de ninguém... Um Deus que se faz bolacha maria e ocupa a cela e espalha uma luz serena, uma paz amena ao redor, em um instante tão cru, se fazer verdade, na oração e na coragem dos frades... Eu pensava que ia segurar a onda, mas, eu estava lá, vivendo a missa verdadeira, aquela diferente das missas assépticas, aquela onde o sacrifício é verdadeiro, então eu chorei de reencontro e partilha e de encanto e de graças por que no mundo existem pessoas que ressuscitam, que acreditam, que não se abalam, nem mesmo na cela...

Não há propaganda do filme, não há muito desejo de que se faça alarde, não há mesmo desejo algum, de que os homens sejam feito eles, assim corajosos, arrebatados por um sonho que eleva e não nivela... Então, o grande deus mercado é mesmo quem recebe os cultos, e por todos os séculos dos séculos amém os homens louvarão as marcas e só amarão as loiras lindas e peitudas e só andarão em carros importados e serão infelizes para sempre sem uma lancha e um helicóptero e uma casa de um milhão de dólares, então a vida vai ser sempre esta busca insana, do gozo leve e lerdo que a vida dá, quando é vivida assim - à margem do belo, sem derramar-se na loucura maior que é o amor, e amor em toda e qualquer dimensão exige alguma coisa que não mais existe - entrega.
Batismo de Sangue - dirigido por Helvécio Ratton - Daniel de Oliveira interpreta Frei Betto. Caio Blat, interpreta Frei Tito, frade dominicano que suicidou-se na França, depois de banido e atormentado pelas torturas sofridas.

PETRARCA







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Botticelli


Canzoniere LXI

Benedetto sia 'l giorno, e l'mese, e l'anno,
e la stagione, e 'l tempo, e l'ora, e 'l punto,
e 'l paese, e l' loco ov'io fui giunto
da' duo begli occhi che legato m'ànno;


e benedetto il primo dolce affanno
ch'i' ebbi ad esser con amor congiunto,
e l'arco e le saette ond'i' fui punto,
e le piaghe che 'nfin al cor mi vanno.


Benedette le voci tante ch'io,
chiamando il nome de mia donna, ò sparte,
e i sospiri, e le lagrime. e 'l desio;


e benedette sian tutte le carte
ov'io fama l'acquisto, e 'l pensier mio,
ch'è sol di lei, si ch'altra non v'à parte.

FRANCESCO PETRARCA
(1.304 - 1.374)

Sunday, June 10, 2007








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céu curitibano:
nicotinado
da triste fumaça
do teu cigarro?
este céu quase-negro
céu de corvos rejeitados

é o eco da tua fúria
que estilhaça
na minha vidraça.


Bárbara Lia

SONHOS EM PRETO E BRANCO


Esta sou eu, descalça nas enxurradas,
manhãs esperançadas.
Esta sou eu, adolescente,
indo ao colégio, olhos fixos
na estrela vespertina.
Esta sou eu, lendo à luz da lamparina
na madrugada,
olhos percorrendo páginas amarelas,
passeando por poemas barrocos
na companhia de estrelas foscas.
Esta sou eu, espiando por entre balaustras
o sobrinho do professor de francês,
seus olhos verdes, sua pele jambo,
na varanda da casa da esquina.
Esta sou eu, na mesa do café da manhã,
ouvindo a pergunta diária do pai:
— teve sonhos coloridos ou em preto e branco?

Dez anos, pequenina cidade de Peabiru.
Quantas mentiras meus olhinhos beberam
no Cine Vera?
Amor passeando de lambreta
rasgando ruas de Roma,
a beleza exótica — Troy Donahue,
a professorinha enamorada
na garupa...
O amor idealizado
"Candelabro italiano"


Esfarrapado e imundo
dei de cara com ele, enfim,
mendigo extraviado
que implora pra ser notado.
Eis o amor,
despejado
humilhado
não vive em estrelas
nem mar profundo,
nem no limite do mundo,
está sempre no meio do caminho
pedra
poema
estirado
cão sublime à espera
de um dono franciscano
que o acolha
com todas as chagas
e enganos.

BÁRBARA LIA

Saturday, June 09, 2007

PORÃO LOQUAX

























Loraine Thais

























Bianca Lima





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Gabriela Caramuru
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As poetas no palco do Wonka Bar, fotos gentilmente enviadas pelo poeta Ricardo Pozzo. Noite do lançamento do trio Bárbara Lia, Márcio Claudino, Rodrigo Madeira. Lançamento curitibano do meu livro - A última chuva (ME-ed. alternativas, 2.007) - no último dia 22/05.

Wednesday, June 06, 2007

TÁ CHOVENDO NA ROSEIRA















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Lançamento - A última chuva (ME ed. alternativas - MG)
Bartêlie - 11 de maio - Rio de Janeiro
Eu e Clauky Saba fazendo pose.
















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10 de Maio

Recital de Poesia dos poetas que fazem parte do jornal
- Café Literário -- Rua Oscar Freire.
Cecília lendo - A última chuva - ela estuda canto lírico.





















Ancorada na parede ao lado da atriz Bia Fusko, como
disse a Camaleoa - efeitos do vinho.





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A poeta colombiana Catalina, o poeta Celso de Alencar,
Camaleoa (em pé) dormindo de tanto vinho, e Jocely
- foto do Rio - Gustavo Saba. fotos de Sampa - Eduardo Barrox
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O editor Francisco dos Santos contou-me da boa recepção do livro "O sal das rosas", por parte de alguns autores que fazem parte do Universo da LUMME. Viva! Rebecca Loise comentou outro dia a sua impressão positiva sobre o livro - a poesia, o formato, a leveza. Além dela o Frei Betto que sempre me dá retorno quando mando poesias e textos para ele, os poemas que ele "gostou especialmente" foram - Kamikazes, Tangência de ferros nos trilhos, Deus no orvalho... Quando lancei "O sal das rosas" pude registrar o lançamento, e o recital foi amplamente fotografado pelo Elisandro Dalcin. Dos lançamentos e recitais que fiz em Sampa e Rio, recebi algumas fotos da Clauky Saba e da Camaleoa, mas, aqui em Curitiba, a máquina pifou e não registrei nossa festa (minha do Márcio Claudino e Rodrigo Madeira) lá no Porão do Wonka, uma pena! Vou em busca de imagens do evento, e hoje estou cheia de orvalho, sonhei com galhos de rosas quase-abertas, lindas, vermelhas, tantas... Diante do prédio e das rosas eu falava com o amor do passado, o poeta da praia com areia escura, onde se refletiam as nuvens, falava com ele ao celular, mas, ao mesmo tempo estava diante dele, e do meu prédio e das rosas. Acordei com uma leveza de nuvem costurada, com uma leveza de que no sonho é possível reunir as almas estranhadas, de que o sorriso dele era real como quando atravessamos um outono em silêncio cinza partilhado. Hoje estou verborrágica, e com a poesia _O sal das rosas_ e com tantas e tantas imagens e palcos e gente linda que conheci nas andanças, e amores lindos destrançados, como se os cabelos da saudade nunca mais pudessem se unir amalgamados para atar no final um laço de nuvem, da cor daquelas nuvens que me seguiram naquela viagem - rosas pálidas embebidas na luz do sol.
























ilustração - Brenda Santos

O SAL DAS ROSAS


Leito de um rio de sal.
Cresce em mim
o desnecessário.


Apodreço em rosas.
Rio sem foz.
Lua duplo espelho
no coração das águas.


Lembranças,
esperanças
naufragam abraçadas
no involuntário rio
onde acordo.
Bárbara Lia
- O sal das rosas (Lumme editor-2.007)

Tuesday, June 05, 2007

FREI BETTO
















Hoje pela manhã fui surpreendida pela chegada do novo livro de Frei Betto - Calendário do poder. Um resumo da passagem de Frei Betto pelo Palácio do Planalto, quando foi responsável pela Mobilização Social do Programa Fome Zero e Assessor Especial do Presidente Lula, a quem ele chama Luiz Inácio e a quem Lula chama, Carlos Alberto.
Frei Betto não deixou de escrever diários e cartas. Seu livro As Cartas da Prisão, foi publicado primeiro fora do Brasil, reunia cartas do Frei durante os quatro anos que esteve preso.
E o diário e as cartas que geraram Calendário do Poder - é a catarse de Frei Betto, que na mesma linha de Cesar Aira, escreve para libertar-se. Escrever foi uma das razões que o levou a pedir demissão, e no livro ele publicou a carta que enviou ao Presidente solicitando sua demissão.
Continua tudo como sempre foi, fazer parte da vida de um escritor é um risco. Pode-se virar personagem, mesmo que envolvidos em disfarces de ficção, mas, neste livro, Frei Betto narra de forma corajosa os acontecimentos, com nomes e com detalhes, e no final, é apenas uma catarse, uma mágoa, pelos rumos que tomaram o Programa Fome Zero, em alguns trechos o susto ao perceber os meandros da política, em outros a reafirmação da amizade verdadeira pelo Presidente. No final é mesmo um documento histórico, mas, apenas comecei a ler, e ainda não desvendei o dia-a-dia do Planalto e as considerações do Frei que continua em sua luta embebida de utopia, uma utopia santa, regada de poesia e uma certa coragem, ou eu diria, muita coragem.

Calendário do poder
Frei Betto
Rocco, 2007




DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE










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Terra
Caetano Veloso

Quando eu me encontrava preso na cela de uma cadeia

Foi que vi pela primeira vez as tais fotografias
Em que apareces inteira, porém lá não estava nua
E sim coberta de nuvens
Terra, Terra,
Por mais distante o errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
Ninguém supõe a morena dentro da estrela azulada
Na vertigem do cinema mando um abraço pra ti
Pequenina como se eu fosse o saudoso poeta
E fosses a Paraíba
Terra, Terra,
Por mais distante o errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
Eu estou apaixonado por uma menina terra
Signo de elemento terra do mar se diz terra à vista
Terra para o pé firmeza terra para a mão carícia
Outros astros lhe são guia
Terra, Terra,
Por mais distante o errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
Eu sou um leão de fogo, sem ti me consumiria
A mim mesmo eternamente, e de nada valeria
Acontecer de eu ser gente, e gente é outra alegria
Diferente das estrelas
Terra, terra,
Por mais distante o errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
De onde nem tempo e nem espaço, que a força mãe dê coragem
Pra gente te dar carinho, durante toda a viagem
Que realizas do nada, através do qual carregas
O nome da tua carne
Terra, terra,
Por mais distante o errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
Na sacadas dos sobrados, das cenas do salvador
Há lembranças de donzelas do tempo do Imperador
Tudo, tudo na Bahia faz a gente querer bem
A Bahia tem um jeito
Terra, terra,
Por mais distante o errante navegante
Quem jamais te esqueceria?

Sunday, June 03, 2007

ORGULHO DA HOLANDA























TECENDO ESTRELAS DE VAN GOGH


Estrelas escorriam da tela,
na solidão do museu.
Aparei gotas de céu em minhas mãos.
Enovelei-as.
Possui por um tempo,
Estrelas abrasadas de loucura
e o azul mais azul que pode o azul ser.


Museu de Nova Iorque
em delírio.
Corre-corre. Alarmes. Vigias.
Não revistaram minhas mãos.
Um céu enovelado que me aquece
e apaga – primaveras sem teus beijos,
invernos de angústias.


Teci um manto azul
de estrelas emaranhadas,
um manto enfeitiçado.
Das estrelas da noite do artista.
Tenho mãos de fada.
e tenho tanto amor,
quanto estas estrelas deslumbradas.


Quando chegar aquele que amo.
Com seus olhos
que são para mim, música;
e para outros, mel.
Quando ultrapassar a escura porta
e se quedar no branco leito.
Eu o cobrirei com o céu.
















CAMPOS DE TRIGO


Os campos de trigo continuam azuis a florescer pássaros
e acalentar o pão que aquece a alma
de quem ama e de quem não ama.
Os campos de trigo seguem embalando a lua
com uma sonata ao futuro sem fome.
Os campos de trigo esqueceram Van Gogh,
pois não há mais dor no homem.
É tudo realidade consentida.
Ninguém mais ergue sua obra para que o mundo
floresça em primaveras
que o artista não pode viver.
Nem mil girassóis de Van Gogh
vão calar a dor que assola
Ninive, Candahar, Bagdad,
o sertão, o chão desumano da Pátria,
Nigéria, Haiti, Etiópia...
Os campos de trigo não necessitam mais espantalhos.
O homem não necessita mais proteger o coração
para que o amor não o devore.
Pois o amor foi sepultado na última primavera.
Espantalho colorido
alardeando um campo-minado-coração,
varrido pelas máquinas da indiferença que regem
o sarcástico-mundo-cão.

Os campos de trigo, indiferentes,
seguem solares,
seguem em chama,
espalhando grãos,
dançando ao vento das almas ignaras.





























O ARTISTA E A ARTE


Século XIX
Vincent,
O vento mistral derruba tuas telas.
Não tens dinheiro para as aquarelas.
Théo vendeu um único quadro teu.
Todas as amadas te dizem adeus.

As estrelas não são como as pintas...
Arlens não te suporta, louco artista!
Há em ti um fulgor que ninguém alcança.
Nem sabem que és louco de tanta esperança.


Século XX
Van Gogh,
Teus quadros valem milhões.
Teus girassóis estão em toda parte.
Nos museus do mundo.
Na sétima arte.

Orgulho da Holanda.
Tua ruiva fisionomia, o triste olhar.

A mensagem implícita na vida, nas telas, nas cartas.
A todos que perseguem a arte.

NÃO DESISTA!

BÁRBARA LIA

p/Vincent

Estas poesias inspiradas em Van Gogh foram publicadas em 2.005 nos Sites Literários Cronópios e Blocosonline.

Friday, June 01, 2007

RELEITURAS DE FRIDA






Julien Levy (EUA, 1906-1981), Frida Kahlo, c. 1938.
foto extraída do blog
www.letracorrida.blogspot.com



Releitura de cena do filme FRIDA
Loraine Thais e Luana Godinho
Loraine Thais nas fotografias


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À SOMBRA DOS MURAIS EM FLOR

(para Frida Kahlo)



(Cravos na pele
os seios
a coluna jônica
a pele tolteca
os pregos
os pregos
via-crucis
expiação)

Pinto em palavras
A tua dor.
Sonho teus sonhos.
Vivo os maremotos sutis.
As espinhosas horas
Que nos traz o amor.

Pinto girassóis de aço.
Espumas.
Estrelas.
Vou colorindo
Com vulcânicos
Abraços
A solene tela

(Riso-sol de meu Diego,
À sombra
Dos murais em flor)
BÁRBARA LIA
- O SAL DAS ROSAS -
Lumme Editor, 2.007

CONEXÃO MARINGÁ


















Valéria Nogueira Eik edita o site Conexão Maringá, o poeta Luis Serguilha, de Portugal, nos apresentou, virtualmente. Na edição de junho Valéria publicou o meu conto (Paloma negra).


o Texto criativo sobre "Noir" de Bárbara Lia, escrito por Luis Serguilha.


e apresentou o meu livro "A última chuva" na página Mosaicos: