Saturday, July 11, 2015

Uivo




Um poema é sempre um uivo na noite calada
Quebrando a gélida cortina do silêncio negro
Entrando nas veias como um rio do Alasca
Em pleno verão quando ele degela - triste -
Diluindo a crosta expondo corpos estocados

Um poema é sempre este sangue tardio
Aquele que é descoberto pós-bala alojada
Pós-vísceras rasgadas e o corpo tombado
Que o poema salva com um ato cirúrgico

Um poema é a maré do espanto revelado
Aquele soluço incontido que estoura dor
Que explode rasgando a cápsula da pele

Coração/barragem – finalmente - rompe

Bárbara Lia

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