Tuesday, January 04, 2011

Barbara







Rappelle-toi Barbara
Il pleuvait sans cesse sur Brest ce jour-là
Et tu marchais souriante
Épanouie ravie ruisselante
Sous la pluie
Rappelle-toi Barbara
Il pleuvait sans cesse sur Brest
Et je t'ai croisée rue de Siam
Tu souriais
Et moi je souriais de même
Rappelle-toi Barbara
Toi que je ne connaissais pas
Toi qui ne me connaissais pas
Rappelle-toi
Rappelle-toi quand même ce jour-là
N'oublie pas
Un homme sous un porche s'abritait
Et il a crié ton nom
Barbara
Et tu as couru vers lui sous la pluie
Ruisselante ravie épanouie
Et tu t'es jetée dans ses bras
Rappelles-toi cela Barbara
Et ne m'en veux pas si je te tutoie
Je dis tu à tous ceux que j'aime
Même si je ne les ai vus qu'une seule fois
Je dis tu à tous ceux qui s'aiment
Même si je ne les connais pas
Rappelle-toi Barbara
N'oublie pas
Cette pluie sage et heureuse
Sur ton visage heureux
Sur cette ville heureuse
Cette pluie sur la mer
Sur l'arsenal
Sur le bateau d'Ouessant
Oh Barbara
Quelle connerie la guerre
Qu'es-tu devenue maintenant
Sous cette pluie de fer
De feu d'acier de sang
Et celui qui te serrait dans ses bras
Amoureusement
Est-il mort disparu ou bien encore vivant
Oh Barbara
Il pleut sans cesse sur Brest
Comme il pleuvait avant
Mais ce n'est plus pareil et tout est abîmé
C'est une pluie de deuil terrible et désolée
Ce n'est même plus l'orage
De fer d'acier de sang
Tout simplement des nuages
Qui crèvent comme des chiens
Des chiens qui disparaissent
Au fil de l'eau sur Brest
Et vont pourrir au loin
Au loin très loin de Brest
Dont il ne reste rien



Jacques PRÉVERT, Paroles (1945)


©1972 Editions Gallimard




BARBARA - Jacques Prévert

Tradução de Manuel Barata
À Lídia Martinez

Lembra-te Barbara
Chovia sem parar sobre Brest naquele dia
E tu caminhavas sorridente
Alegre feliz resplandecente
Sob a chuva
Lembra-te Barbara
Chovia sem parar sobre Brest
E cruzei-me contigo na rua de Siam
Tu sorrias
E eu sorria também
Lembra-te Barbara
Tu que eu não conhecia
Tu que me não conhecias
Lembra-te
Lembra-te portanto daquele dia
Não esqueças
Um homem sob um pórtico abrigado
Gritou o teu nome
Barbara
E tu correste para ele sob a chuva
Resplandecente feliz alegre
E lançaste-te nos seus braços
Lembra-te disso Barbara
E não me queiras mal por te tratar por tu
Trato por tu todos os que amo
Ainda que os tenha visto uma só vez
Trato por tu todos os que se amam
Ainda que os não conheça
Lembra-te Barbara
Não esqueças
Esta chuva sábia e feliz
Sobre o teu rosto feliz
Sobre esta cidade feliz
Esta chuva sobre o mar
Sobre o arsenal
Sobre o barco de Ouessant
Oh Barbara
Que parvoíce a guerra
Quem és tu agora
Sob esta chuva de ferro
De fogo de aço de sangue
E aquele que te apertava nos braços
Amorosamente
Morreu desapareceu ou é ainda vivo
Oh Barbara
Chove sem parar sobre Brest
Como chovia antes
Mas nada é igual e está tudo destruído
É uma chuva de luto terrível e desolada
Não é a mesma tempestade
De ferro de aço de sangue
Simplesmente nuvens
Que rebentam como cães
Cães que desaparecem
Na torrente da água que cai sobre Brest
E vão apodrecer longe
Longe muito longe de Brest
Da qual nada resta


tradução aqui:
http://musicamestro.blogspot.com/2008/05/jacques-prvert_25.html
 
Vesti a pele desta Barbara de Brest. Um encanto fazendo vibrar dentro quando encontro uma poesia com meu nome - este lindo poema de Jaques Prévert - e encontro a tradução, até uma canção com Ives Montand e descubro que a melodia de Barbara e a poesia de Barbara ficou tanto tempo longe de mim, de meus olhos e da minha admiração.