Thursday, February 20, 2014

Meu nome...

Declarada sentença de morte, o poeta e inconfidente Alvarenga Peixoto (1743-1792) confessa que foi a mulher quem o impediu de denunciar a Conjuração Mineira, em 1789, quando foi preso.


Mineira de São João del Rei, Bárbara Heliodora também foi poeta. Escreveu Conselhos a Meus Filhos e um soneto dedicado a Maria Ifigênia, primeira dos quatro filhos do casal.



Após a prisão e morte de Peixoto, Bárbara suportou o confisco de metade de seus bens e os filhos declarados infames. Nunca mais escreveu.

Historiadores afirmam que terminou seus dias louca, recitando poemas pelas ruas. Outros, que a demência foi estratégia para escapar às perseguições e ao fisco português. Fantasia ou realidade, sua história faz parte de importante momento político do nosso País.



Musa do marido, foi eternizada em versos escritos no cárcere:

Bárbara bela do norte estrela / que o meu destino sabes guiar / de ti ausente triste somente / as horas passo a suspirar.
(texto do blog alpharrabius)

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Em homenagem a ela, que meu pai admirava, recebi este nome. Para meu pai eu teria o nome dela: Bárbara Heliodora. Minha mãe relutou a dar este nome a uma das filhas, só consentiu na terceira e não consentiu o nome inteiro, disse que "era um nome grande e estranho demais para uma menina tão bonitinha" e chegaram ao consenso de Bárbara Lia, por ter uma das irmãs com o nome Léa. Isto trouxe a contradição que sou em tudo, pois Bárbara tem em si a fúria dos bárbaros e Lia é um nome bíblico - irmã de Raquel. Lia casou-se com Jacó, pois o pai dela enganou Jacó e entregou Lia em casamento, quando ele queria casar-se com Raquel, e Jacó trabalhou mais sete anos para ter aquela que queria. Na tradução hebraica, Lia é aquela que tem – olhos ternos – e lembro que quando era menina ser escritora se resumia ao desejo de escrever uma biografia cujo titulo seria o meu nome: “Estrangeira de olhos tristes e cansados”. Hoje considero o titulo brega... Um destes dicionários de significados de nomes coloca Lia como “ovelha” e Barbara como “guerreira”...
O – Dia das Mulheres – se aproxima, acho que uma aproximação com meu pai foi este nome, acho que ele entregou-me um nome-tesouro e um nome-vaticínio. Sigo ovelha negra na vida. 
A primeira vez que vi meu pai chorar foi no túmulo de Barbara Heliodora em Ouro Preto. Eu já era adulta e compreendi a admiração genuína que ele sentia por ela. Perguntei a razão, se era apenas por ela ser uma personagem histórica. Ele disse que admirava o fato dela ser fiel, de ter ficado sozinha quando Alvarenga Peixoto seguiu para seu degredo em África.