Saturday, August 01, 2015

Viva Pipol!





A Revista Capitu, que Gil cantou em uma canção, foi a primeira a publicar um poema meu. Os editores eram Edson e Carlos Pessoa Rosa, eu uma poeta desconhecida. Achei aquilo incrível. E quando Edson Cruz se uniu ao Pipol para criar aquele que seria o Site Literário Cronópios, automaticamente virei cronopiana. Sei que devo, imensamente, a divulgação da minha Poesia à nível nacional ao Cronópios. Nos anos que seguiram, muitos poemas e textos. Conheci Pipol no evento - A cidade aTravessa, Casa das Rosas, em 2010 quando fui lançar Constelação de Ossos. Em 2012 ele visitou Curitiba na véspera do meu embarque para Poa onde lançaria - A flor dentro da árvore. Foi a tarde que passamos visitando a exposição Leminski, conversando em um café, gravando um bate papo. Querido e sempre animado, ficou esta memória de partilhar a Arte e a Poesia. Ainda não sei se editarão a Antologia em homenagem a Éder Jofre, e foi a razão das nossas últimas trocas, sempre embaladas pelo entusiasmo do Pipol. O que sei neste inverno único, é que - inédita - é a vida. Só ela escreve enredos inacreditáveis. Nós somos a sombra de um dramaturgo genial, mas, se existe um deus, ele tem esta vantagem que não temos, de TUDO VER, TUDO SABER... Quem dera eu pudesse emprestar por sessenta segundos os olhos de Deus...
Na verdade, eu só queria contar que aquele novo Cronópios que o Pipol trabalhou tanto pra construir ficou pronto. Ele não está aqui para ver, mas, ele está, no legado, na memória, e trafegar pela página deixa aquela sensação de que ele - realmente - não morreu. Lá estão meus textos de antes, a possibilidade de seguir a publicar a Poesia, e a memória daqueles acenos no pátio do Museu Oscar Niemeyer... A gente não sabe mesmo quando é a última vez que vai poder sorrir para alguém em uma última despedida neste mundo. RIP Pipol, o Cronópios segue, a Poesia segue...