
CIRANDA DE BORBOLETAS
A chuva escorre nas peças de barro cravadas de limo... verdes. Toma os espaços entre as folhas frias sujas de fuligem... ainda verdes. Como o desengano no peito, que pulsa e jorra tédio cor verde ao avesso, manchando o corpo como água de nuvem que tateia o chão e levanta o pó adormecido... cinza. Odor de passado revestindo as narinas.
Michelle Horst – Curitiba (PR)
*
A semana toda,
a máquina de escrever
sobre a mesa.
nenhum toque
nenhuma visita
nenhuma carta.
A remota lembrança
de seu aniversário.
A única companhia
foi uma lágrima de rímel
Nem tudo que parece
às vezes tece.
Stella de Resende – Curitiba (PR)