Tuesday, November 01, 2005

ciranda de borboletas






CIRANDA DE BORBOLETAS



A chuva escorre nas peças de barro cravadas de limo... verdes. Toma os espaços entre as folhas frias sujas de fuligem... ainda verdes. Como o desengano no peito, que pulsa e jorra tédio cor verde ao avesso, manchando o corpo como água de nuvem que tateia o chão e levanta o pó adormecido... cinza. Odor de passado revestindo as narinas.
Michelle Horst – Curitiba (PR)


*



A semana toda,
a máquina de escrever
sobre a mesa.
nenhum toque
nenhuma visita
nenhuma carta.
A remota lembrança
de seu aniversário.
A única companhia
foi uma lágrima de rímel
Nem tudo que parece
às vezes tece.

Stella de Resende – Curitiba (PR)