Tuesday, December 06, 2005

frida e eu

Quando li a biografia de Frida Kahlo em 1.992, abalos sísmicos dominaram minha alma. Eu me vi em um espelho. Todo o pensamento dela encaixava em mim como luva, e, toda a sua dor eu compreendia como se fosse minha. Tivemos poliomielite - Frida e eu. Passionais, loucas pela maternidade. O que não foi possível para Frida em consequência do acidente que sofreu, eu vivi em plenitude - ser mãe. Ela morreu em 13 de julho de 1.954, eu nasci um ano depois, por muito tempo eu considerava a grande possibilidade de ser mesmo reencarnação de Frida Kahlo, considerando que aquilo que ela mais sonhou naquela vida, aconteceu na minha de forma mágica e de forma tão fecunda que nem faz parte de meus escritos, não conseguiria narrar, é o meu éden precioso - os três filhos  - por que são tão ternos e tão meus, e tão carinho sempre, como se eles fossem um prêmio, como se me devolvessem algo perdido. Certa vez, nesta dor de nunca ter o amor do amor, eu escrevi alguma coisa assim pensando em Frida - que poderiamos amalgamar nossas vidas - Eu lhe daria os filhos que ela não teve - Ela, o amor do meu amor, que eu nunca tive. Mas, tudo isto é piração total de poeta louca. No entanto, ainda sinto medo de olhar no espelho e ver Frida, e espero o meu Diego - menino-amor-ciência-exata... para assobiar Bach e ler as suas frases resgatadas de um mundo que não existe, entornando a poesia na minha coluna cansada, agora que as crianças cresceram e vão voar, com suas próprias asas.

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Trechos do diário de Frida Kahlo - Pintora Mexicana:



''Diego está na minha urina, na minha boca, no meu coração, na minha loucura, no meu sono, nas paisagens, na comida, no metal, na doença, na imaginação.''
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''Acho que é melhor nos separarmos e eu ir tocar minha música em outro lugar com todos os meus preconceitos burgueses de fidelidade.''
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''Toda esta raiva simplesmente me fez compreender melhor que eu o amo mais do que a minha própria pele, e que, embora você não me ame tanto assim, pelo menos me ama um pouquinho - não é? Se isto não for verdade, sempre terei a esperança de que possa ser, e isso me basta...''

(Em referência a Diego)

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''Para que preciso de pés quando tenho asas para voar?''
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A última entrada em seu diário:
''Espero a partida com alegria... e espero nunca mais voltar... Frida''


Poema do diário de Frida:


Diego. princípio

Diego. construtor
Diego. meu bebê
Diego. meu noivo
Diego. pintor
Diego. meu amante
Diego. meu marido
Diego. meu amigo
Diego. meu pai
Diego. minha mãe
Diego. meu filho
Diego. eu
Diego. universo
Diversidade na unidade.
Porque é que lhe chamo
Meu Diego?
Ele nunca foi e nem será meu.
Ele pertence a si próprio.