Thursday, January 26, 2006

elegia















Monumento em Mar Del Plata - no rochedo,
onde Alfonsina se atirou ao mar.


En el fondo del mar hay una casa de cristal.
alfonsina storni
(1.892-1938)


Voy a dormír

Alfonsina Storni

Dientes de flores, cofia de rocio,
manos de hierbas, tú, nodriza fina,
tenme prestas las sábanas terrosas
y el edredón de musgos encardados.

Voy a dormir, nodríza mía, acuéstame.

Ponme una lámpara a la cabecera;
una constelacíón; la que te guste;
todas son buenas; bájala un poquito.

Dejame sola: oyes romper los brotes...
te acuna un pie celeste desde arriba
y un pájaro te traza unos compases

para que olvides... Gracias. Ah, un encargo:
si él llama nuevamente por teléfono
le dices que no insista, que he salido...

Vou dormir

Dentes de flores, toucado de orvalho,
mãos de ervas, tu, fina nutriz,
prepara-me logo os térreos
lençóis e o édredon de musgos espinhentos.

Vou dormir, minha nutriz, recosta-me.

Põe uma lâmpada na cabeceira;
uma constelação; a que quiseres;
todas são boas; aproxima-a um pouco.

Deixa-me sozinha; ouves romper os brotos...
te avassala um pé celestial desde o alto
e um pássaro te desenha uns compassos

para que esqueças... Obrigada. Ah, um favor:
se ele chamar novamente ao telefone,
diga-lhe que não insista, diga-lhe que saí...


[Poema enviado ao jornal La Nación poucas horas antes de sua morte]
tradução Álvaro Machado

ELEGIA

Bárbara Lia

Belo é o fim das estrelas
chuva de diamantes no vazio
despedem-se em lágrimas
de beleza.

Alfonsina-estrela
pássaro rasgado adormecido.
- en una casa de cristal en el fondo del mar-

Quando piso as águas,
veludo nos passos, pé ante pé,
cubro sua casa de cristal
com minhas lágrimas
e escuto tua voz cobalto
de paz enfim coberta
- No despiertes los pájaros que duermen-